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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

24
Jun08

Ruas

condutoras de domingo

Este domingo vamos dar mais uma boleia, pontualmente às 11h, na Antena 3. O nosso convidado é o Ruas, que lançou recentemente o álbum "Operário do Funk".

22
Jun08

Sinais de Luzes - 22 de Junho

condutoras de domingo

Mínimos

Para o Benfica. Que depois de enviar cartas para a UEFA, ligar para Michel Platini, escrever no livro de reclamações, fazer a dança da chuva, praticar técnicas de voodoo com uma fotografia de Pinto da Costa, fazer queixa à CMVM, à ASAE, à DREL, à Associação de Apoio à Vítima, a todas as instâncias do futebol, da justiça, da humanidade em geral e do desporto em particular… viu o Futebol Clube do Porto ser readmitido na Liga dos Campeões. E, se até aqui, o clube de Lisboa estava apenas a fazer o papel de miúdo queixinhas, que passa o recreio todo a apontar o dedo aos outros meninos e a pedir às vigilantes para os porem de castigo… Agora ascendeu a outro patamar, dentro desse grande pátio de escola que é a Liga Portuguesa de Futebol. Perante a readmissão dos portistas na Champions, o que fez o Benfica? Resignou-se ao lugar que conquistou, com muito suor e algumas lágrimas, na Taça UEFA? Não, nada disso. Continuou a sua batalha, incansável. Veio pedir uma indemnização de 30 milhões de euros à Federação, pelo facto de não ir à Liga dos Campeões na vaga deixada pelo Porto. É que, parecendo que não, sofreram danos irreversíveis nestes dias, em que sonharam com um lugar na grande montra do futebol europeu. De repente o clube da Luz passou de queixinhas do recreio a cromo da turma. Aquele que está sempre na primeira fila e oferece maçãs à professora, em troca de más notas para todos os colegas que gozam com ele, e lhe colam autocolantes nas costas. Mas é escusado todo este desespero por não estarem na principal competição europeia. É que com tanto alarido, nem repararam que entram numa outra prova de prestígio internacional. Chama-se “a caça ao ex-dirigente”, e Vale e Azevedo já está até a ser procurado pela Interpol. Nenhum outro clube português pode sequer sonhar em atingir este nível.

 

Médios

Para O Segredo. Porque um livro que baseia as suas centenas de páginas numa máxima tipo “querer é poder”, merece a nossa vénia. Veio abrir novos horizontes na literatura de auto-ajuda, que pode agora vir a conhecer volumes baseados em verdades proverbiais como “em terra de cegos quem tem um olho é rei” ou “quem corre por gosto não cansa”. O Segredo é o melhor livro publicado nos últimos tempos. Afinal de contas 12 milhões de pessoas que já o leram, em todo o mundo, não podem estar enganadas. Ou será que podem? A Oprah Winfrey não ia apoiar uma obra que não fosse digna de Nobel. Ou será que ia? Um dos autores, Bob Proctor, lançou a pergunta: “porque é que acha que 1% da população mundial ganha 96% de toda a riqueza criada? Houve um plano para que assim fosse. Eles percebem o segredo, e agora é você que o vai descobrir”. E foram mesmo. Sete mil portugueses foram ouvir este senhor falar no Pavilhão Atlântico. Como se não bastasse o dinheiro que gastaram no DVD e no livro, ainda foram ver o Segredo ao vivo. Como se fosse uma banda rock. Como se a explicação da “Lei da Atracção” saísse favorecida com uma coreografia e jogo de luzes. A própria apresentadora foi seleccionada por estar na posse do Segredo. Rita Mendes já tinha lido o livro e não tem dúvida que o convite surgiu como resultado da Lei da Atracção. É que ela queria tanto, mas tanto, apresentar este grandioso evento, que acabaram mesmo por lhe ligar a convidar, quando Teresa Guilherme se baldou à última hora. Isto é O Segredo em acção, senhoras e senhores! Aquele pormenor de Rita Mendes já trabalhar como assessora de imprensa na organização não interessa nada!

 

Máximos

Para o milagre do sistema de ensino nacional. Em tempos houve quem tenha assistido ao milagre da multiplicação dos pães. Nós hoje temos oportunidade de testemunhar o milagre da multiplicação das boas notas entre os alunos portugueses. É que os resultados das provas de aferição de Português e Matemática passaram de péssimos, no ano passado, a excelentes, este ano. Há menos de metade das negativas. O que para a Ministra da Educação, é um claro sinal de sucesso, e para os professores é prova de facilitismo. Por exemplo, na prova de matemática do 6º ano, saiu a seguinte pergunta: “qual a raiz quadrada de 100?”. Tendo em conta que isto corresponde a dois toques numa máquina de calcular… talvez não seja preciso dominar a matéria para saber responder. Maria de Lurdes Rodrigues considera que os portugueses são todos uns pessimistas, que deviam estar contentes com este claro progresso. E pergunta, em sua defesa: "Só 5% dos alunos consegue resolver a totalidade da prova, isso diz-nos alguma coisa, não?". Claro que diz! Diz que para o ano tem que aumentar a duração dos testes. Quatro horas no mínimo, para dar tempo à criançada de acabar. O Ministério recorreu a um velho truque, típico dos alunos, mas caiu na mesma esparrela que os miúdos. É a clássica história de roubar o enunciado antes do teste, e levar as perguntas todas de casa. Toda a gente abusa da sorte e não erra sequer uma alínea para disfarçar. Se for preciso, o 9º D, pior turma da escola, passa de repente a ter uma média de 20 valores. E quando a esmola é grande, o pobre desconfia… Já deviam saber que isto nunca resulta. Será que a malta do ministério não aprendeu nada na escola?

 

22
Jun08

Deviam Fazer Anos

condutoras de domingo

Hoje devia fazer anos o Chris Martin, vocalista dos Coldplay. Não eram precisos grandes motivos para justificar esta escolha. Músicas como “Trouble” ou “In My Place” falam por si. Chris é nitidamente um rapaz que precisa de ser animado. Mas esta semana deu ainda mais provas disso, ao sair a meio duma entrevista da BBC, qual Santana Lopes ofendido. Mas sem motivo nenhum, porque o Special One não aterrou em nenhum aeroporto nas proximidades e Scolari ainda está longe de atemorizar os britânicos. Chris Martin achou por bem retirar-se depois duma pergunta de John Wilson. O jornalista quis saber se o novo álbum dos Coldplay era uma reflexão sobre obsessões líricas de Martin pela morte. O vocalista ficou furioso e antes de abandonar o estúdio ainda acusou o jornalista de estar a manipular as suas palavras e a distorcer as coisas que dizia. Isto são coisas típicas de quem tem obsessões líricas, de facto. Mas Chris Martin não é obcecado apenas com a morte. Chocolate também faz parte da lista. Ainda bem que há entrevistas que correm melhor, para ficarmos na posse de informações como esta. Martin garantiu à Rolling Stone que prefere chocolate a drogas, e adora o efeito do açúcar. Confessou mesmo: “O chocolate faz por mim coisas que não faz por mais ninguém». Já devíamos suspeitar que este último álbum foi gravado sob o efeito de kit kats. Assim, preparámos o melhor salame, a melhor mousse de chocolate e o melhor bolo de anos para Chris Martin. Muitos Parabéns!

22
Jun08

Estação de Serviço - Relógios Greenwich

condutoras de domingo

Hoje vamos falar de tempo. Não é aquela típica conversa de elevador: “amanhã diz que vai chover” ou “está-se a pôr fresquinho”. Vamos falar de tempo a sério. Daquele que nos escapa mais à compreensão do que os aguaceiros e neblinas matinais. O das horas e dos minutos. Pois os nossos problemas de pontualidade acabaram a partir de… agora. Porque vim comprar o Greenwich Premiere, o relógio-cronógrafo da Art Gallery. Em 1º lugar, tinha de acabar com esta falha gravíssima que era não visitar a Art Gallery. Essa entidade suprema da venda de inutilidades, que aparece há anos e anos nos intervalos das novelas mexicanas, pronta a surpreender donas de casa desinspiradas, capazes de gastar o subsídio de desemprego numa jóia preciosa. Além disto, o próprio relógio é fascinante. O mostrador tem gravação estilo guilloché (seja lá isso o que for), numeração romana, que dá imenso jeito (para dizer as horas a quem nos perguntar: faltam X minutos para as V da tarde)… E melhor: é um relógio seguro. Está protegido por um vidro de safira anti-riscos. Que é, ao mesmo tempo, uma coisa prestigiante. Toda a gente quer preservar os seus bens mas… uma coisa é dizermos que temos dinheiro no cofre, outra coisa é falar dum cofre em aço inoxidável banhado a ouro de lei. Uma coisa é ter grades nas janelas de casa, outra coisa é ter grades com gravação exclusiva do nome do fabricante. É isto que oferece o relógio Greenwich Premiere, na versão Senhora e Cavalheiro. Lá está… Outro dado que vem acrescentar charme. Não falamos em sexos, em homens e mulheres, falamos em senhoras e cavalheiros. Qualquer pessoa que use este relógio fica subitamente mais requintada. Até pode estar a trabalhar na estiva, a comer carne assada com as mãos ou a palitar os dentes. Mas fá-lo-á de forma chique, porque usa uma bracelete em pele genuína, um relógio com “um coração de quartzo oscilando num elevado número de vibrações”. Isto é como ter um poema que nos diz as horas. Este relógio promete unir dois mundos até agora incompatíveis: a elegância dos relógios clássicos e a precisão dos desportivos. Ora, isto não é grande coisa. Se fossem capazes de fundir o design dos relógios de cuco com a beleza dos relógios de cozinha… isso sim, podia ser uma pequena revolução. Mas o que me convenceu mesmo a encomendar este relógio foi o taquímetro, que mede a velocidade dos veículos. Achei que nos ia dar imenso jeito. Mas confesso que encontrei um produto ainda melhor que o relógio: o estojo onde ele vem. É em madeira lacada, forrado com um suave tecido de cor creme. Isto dá vontade de exibir o estojo em tudo o que é evento social. Acho que estes relógios Greenwich vão ser o último grito de moda mas… em relógios de bolso, com caixa e tudo.

22
Jun08

Condução Defensiva - Ronaldolândia

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É tempo de abandonar o Guia Euro 2008 do DN. Faço-o com uma lágrima no canto do olho que paulatinamente se começa a misturar com um sorriso capaz de espalhar a felicidade por este nosso carro. A razão chama-se Ronaldolândia e bem que podia ser um passeio radical pelos 184 centímetros que perfazem esse agradável parque de diversões humano que responde pelo nome de Cristiano Ronaldo. Começávamos a escorregar pelo gel do cabelo, descíamos em direcção à zona turbulenta do abdómen, em tudo semelhante às ondas simuladas de um parque aquático, e terminávamos em plena biqueira, com um chuto capaz de nos transportar para a estratoesfera sem necessidade de passar pela casa da partida e pagar fosse o que fosse. Muito melhor que qualquer feira popular, sem dúvida. Mas, infelizmente, Ronaldolândia não é um parque de diversões; é um livro escrito por José Marinho, esse grande vulto da literatura desportiva, no qual se contam os segredos do futebol moderno. Logo aqui temos que parar para pensar, coisa rara no desporto rei, mas assaz frequente na literatura desportiva. Que é isto do futebol moderno? Parece que o futebol moderno é diferente daquele que se praticava há 20 anos. Isto até o senhor de Lapalisse diria. Só não diria, se calhar, a frase poética com que neste livro se distingue esse futebol de há duas décadas do moderno: ao que parece, nesse tempo, ouçam bem, «a bola era redonda, mas o mundo não saía da quadratura imensa das ideias generosas.» Isto não é apenas poesia, é geometria poético-literária, à qual se recorre para sustentar que o futebol moderno «não tem tanto para dar aos seus adeptos» porque – e continuo a citar - se «perdeu a meio caminho da sua evolução e tirou aos pobres para dar aos ricos. Antes, era uma festa, hoje é um exagero.» Ou seja, o futebol moderno é o protótipo do herói moderno: egoísta, ganancioso, corrupto, entediante, desmedido, inconsequente - uma criatura execrável, em suma, sobre a qual, mesmo assim, vale a pena reflectir em livro, numa tentativa de equilibrar a coisa e devolver algum aos pobres. Lá está: antigamente, dizia-se «em terra de cegos quem tem olho é rei»; agora, diz-se «em terra de pobres quem saca ao desporto-rei é rico». E isto é apenas uma das técnicas que se pode aprender com Ronaldolândia. As outras têm a ver com o Euro 2008, o Cristiano e a táctica 4-4-2 e sobre elas falam personalidades como Valdano, Humberto Coelho e Mourinho. Mosqueteiros unidos em nome de um objectivo, que é como quem diz todos por um: o bom futebol. Mourinho resume-o assim (em bom português, ainda): «O futebol de ataque começa quando o Makelele pega na bola e passa para o lateral-direito, que está mais avançado e toma conta da situação. Se pode fazer qualquer coisa, ou corre pelo seu flanco ou passa para um companheiro mais adiantado. Se não controla a situação, volta para trás e devolve a bola a Makelele. Isto para mim é que é o futebol de ataque.» Isto para mim é que é uma verdade de Lapalisse – uma daquelas que, escrevendo Petit onde está escrito Makelele, transformaria este Euro 2008 no mais entusiasmante parque de diversões.

 

22
Jun08

Buzinão

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O perfil empreendedor que Sócrates tanto desejava para Portugal está finalmente a revelar-se. A cada semana que passa, os portugueses estão a empreender novas formas de luta contra o aumento dos combustíveis! É certo que o buzinão não está propriamente na vanguarda da inovação tecnológica – ou sequer da arte do protesto – mas é sempre uma coisa que... pronto... vá... está mais à mão. A convocação do protesto para cerca das 18 horas da passada terça-feira obedeceu a dois critérios apertados no que toca a calendário: não podia calhar em dia de jogo importante nem à hora da bucha. Isso ajuda a explicar o sucesso da iniciativa. Ao mesmo tempo, foi possível amplificar o efeito do buzinão, apanhando pessoas que estavam, simplesmente, presas no trânsito. Alguns efeitos curiosos do buzinão fizeram-nos pensar noutras formulações possíveis para a Teoria do Caos. Sem borboletas que batem as asas e furacões na América. Se repararem, quando há um buzinão, aparece sempre alguém com uma bandeira da selecção nacional. E também ninguém compra produtos da Family Frost. E até apostávamos que se buzinássemos atrás da viatura oficial do Primeiro-Ministro, havia de saltar um isqueiro pela janela. De resto, é tudo ouvidos moucos. E para o protesto continuar a subir de tom, só vemos uma alternativa: recorrer a Manuel Subtil.

22
Jun08

Tão Mau Que é Bom - Sudoku

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Quando dizemos que é grave os alunos usarem telemóvel nas aulas não estamos a referir-nos ao perigo de cenas de pugilato com os professores. Isso é o menos. O que é de facto grave é as crianças habituarem-se a este esquema de multitarefa, que estendem a todas as áreas da sua vida. Estamos a criar adultos perigosos. Daqueles que não só vão falar ao telemóvel enquanto guiam, mas também fazer torradas dentro do carro. Daqueles que não só vão jogar computador enquanto vêem televisão, mas também dar consultas de nefrologia. Daqueles que não só vão ouvir rádio enquanto fazem o almoço, mas vão ao mesmo tempo subir uma montanha enquanto dão toques com uma bola de ping pong. As pessoas já não conseguem concentrar-se apenas numa tarefa. Pedir cinco minutos de atenção é exigir demasiado. Em tempos as pessoas distraíam-se nas aulas, ou no trânsito. Falhando uma resposta dum exame ou batendo noutro carro. Agora distraem-se em todo o lado. Nos seus próprios casamentos, perguntam ao padre se está a falar com eles. Nos funerais dos melhores amigos, perguntam como se chama o defunto. Daqui a uns anos vamos andar todos demasiado ocupados para nos darmos uns com os outros, e demasiado distraídos para saber quem são esses “outros”. Mas, como sempre, o futuro chega 1º ao estrangeiro. E por isso na Austrália os adultos já são assim. Esta semana foi interrompida a sessão dum julgamento sobre tráfico de droga e conspiração por causa dos elementos do júri. O que para nós é normal, que estamos habituados à Rita Blanco a fazer intervenções constantes no Dança Comigo. Mas lá o motivo foi outro. Alguém alertou o juiz para o facto dos membros do júri estarem a escrever na vertical e não na horizontal. O que não é normal nem cá nem lá, só no Oriente. Foi aí que perceberam que o júri estava a jogar sudoku. Isso mesmo. Enquanto se decidiam coisas secundárias como penas de prisão, aquelas pessoas estavam angustiadas por não descobrirem o número do quadradinho do meio. Lynette Ross era um dos membros do júri, e queixou-se à imprensa da dificuldade de concentração por tanto tempo. Disse que “ambos os lados eram confusos” e que lhes explicaram mal as coisas. Lá está. Este será sempre o argumento de quem desempenha várias tarefas ao mesmo tempo – a explicação não prestou. E faz sentido. Porque isto é gente que desde a pré-primária usa tamagochi, leitor de mp3, telemóvel e estação barométrica, enquanto a professora explicava a matéria. É natural que agora tenham dificuldade em perceber que não se pode fazer o último volume do Cruzadex enquanto se faz uma cirurgia cardíaca, nem se pode tentar descobrir as sete diferenças enquanto se ajuda uma velhota cega a atravessar a rua.

22
Jun08

Choque Frontal - Metais

condutoras de domingo

Durante muitos anos, o grande problema para se entrar numa discoteca eram os porteiros. Implicavam com os ténis, com o cabelo, com a farpela que escolhemos com tanto gosto dentro da gama “toiletes para sair à noite”. A partir de agora, além de termos de cair na boa graça do senhor gigante que está à porta a brincar aos Mussollinis, também vamos ter de passar no detector de metais. Dentro dos próximos dois meses, os estabelecimentos de restauração ou bebida com salas de dança terão de colocar detectores de armas, substâncias e outros objectos proibidos. Não nos parece mal que passem a ser obrigatórios os detectores de metais nas discotecas. Assim vemos logo quem é que tem chapas de metal algures no corpo ou – simplesmente - aparelho nos dentes daqueles que não se vêem bem nas luzes a piscar do Lux. O problema é se isto se tornar na mesma chatice que é nos aeroportos, onde os detectores apitam mesmo quando já estamos em cuecas a fazer o pino em frente ao segurança, que mesmo assim insiste em perguntar se não temos mesmo trocos em lado nenhum. Aliás, o melhor é acabar mesmo com os trocos, que daqui para a frente não vão mesmo dar jeito nenhum . Azar para os arrumadores de carros, eles que passem a aceitar Visa. Mas nesta lógica de aeroporto, qualquer dia não podemos entrar com líquidos dentro das discotecas– até porque eles querem mesmo é que a malta consuma os que estão lá dentro. A medida dos detectores de metais visa, como é óbvio, prevenir a entrada de armas dentro das discotecas. O que é coisa que vai tirar um certo grau de tradição pitoresca à noite do Porto, mas paciência. Agora o que nos preocupa é que ninguém esteja a tomar medidas parar prevenir outros tipos de violência, como a de ter de ouvir Bob Sinclair ou de levar com a boca “doeu quando caíste do céu, meu anjo”. Para quando detectores que nos protejam disso?

22
Jun08

Horóscopo - Trouble

condutoras de domingo

Esta semana os astros andaram ocupados com um problema. Literalmente. Trouble, uma cadela milionária, foi a responsável por lançar o alerta vermelho entre os astros, depois de ter sido despojada, por decisão de um tribunal nova iorquino, de parte da fortuna que tinha herdado da dona. Cara Trouble, não é preciso ser um génio da astrologia para perceber que os dias que se avizinham vão ter que ser de contenção. Evite optar pela linha gold da Eukanuba e nem pense em adquirir bolsas de transporte para cães da Louis Vuitton. É certo que assim não vai poder passear-se pela 5ª Avenida, onde corre o risco de se cruzar com cadelas realmente milionárias, mas lembre-se de que as verdadeiras amizades virão ao seu encontro e não a vão avaliar nem pelo tamanho da sua conta bancária nem pela marca do osso que rói. No campo do amor, seja mais flexível. Mesmo tendo ficado a sua fortuna pessoal reduzida a pouco mais de 1 milhão de euros, há por aí muito bom cão que se contenta com pernas curtas e um punhado de sedosos pêlos brancos. Serão frequentes as crises de nervos, próprias de qualquer canídeo que assiste à invasão do seu espaço financeiro. Resista a ferrar umas valentes dentadas nos tornozelos da juíza de Manhattan que decidiu distribuir mais de metade da sua herança pelos netos da sua dona e por uma instituição de caridade. Se o fizer, corre o risco de danificar o esmalte dos seus alvos dentes e de corromper o seu imaculado hálito de cadela milionária, coisas difíceis de recuperar na perfeição com um mísero milhão de euros. Aja como um cão de caça inglês, de preferência os da rainha Elizabeth, e ataque sem precipitações, com inteligência e depois de verificar que a presa está em posição vulnerável. Conselhos finais dos astros para Trouble, a cadela-mais-ou-menos-milionária: reze muito, afincadamente, apelando à justiça divina, uma vez que nos tribunais comuns ninguém é capaz de reconhecer a sua capacidade para gerir uma fortuna sem latidos nem alaridos; no meio das suas preces, arranje um tempinho para organizar umas festas: fica sempre bem e transmite a ideia de que tudo vai bem no reino dos cães famosos; se nada disto resultar, tente emigrar para Portugal, onde deverá investir no jogo da bola ou bolha: precisa apenas de 2 mil euros em notas e 2 cães famosos que alinhem no desafio. Os astros, que não a querem desamparada longe da terra do tio Sam, sugerem que ligue para Juanita, a boxer de Cinha Jardim, e para Zeus, o leão da Rodésia de João Pedro Campos Henriques. Mesmo que já estejam metidos no jogo da bola ou bolha inventarão certamente um qualquer esquema de cão.

 

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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