as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 14 de Outubro de 2007
Tão Mau Que É Bom - Clara Pinto Correia RAP

O conflito de gerações existe já há muito tempo e já todos nós sentimos os seus sinais numa altura ou noutra. Normalmente, vêm em forma de um “esta juventude está perdida” ou de um “isto agora é só modernices” ou mesmo “no meu tempo é que era”. Pequenos desabafos e resmunguices.
Agora imaginem uma destas resmunguices ao longo de uma hora. Sempre a rimar. Em rap. E pela voz desse vulto do hip hop nacional que é... Clara Pinto Correia. O resultado final está no Jardim de Inverno do São Luiz e chama-se “O Som do Rap”. Do espectáculo faz também parte um Sócrates Napoleão. O nome sugere o de um animal de estimação dividido entre dois donos que não conseguiram atingir o consenso num só nome, mas desenganem-se. Sócrates Napoleão é músico, uma espécie de Cateano Veloso dos pobres. E é razoavelmente giro e exótico. O que vamos a ver, explica muita coisa. Até porque o homem nem rappa. Esse ritual, honra lhe seja feita, cabe apenas a Clara Pinto Correia, também autora da letra que discorre durante uma hora. O rap versa sobre o tal conflito de gerações. Sobre todo um mundo que os mais pequenitos desconhecem, encafuados que estão em modernices como a Internet ou a Dica da Semana. Há que lhes abrir os olhos. E para chegar aos olhos fazemos um atalho pelos ouvidos, também eles confusos com versos deste calibre:
Como não é possível recolher sons nos espectáculos, vai mesmo assim:


“Só frequentas os bares
Que não tiram a gravata
O teu piano não bebe
A tua pila não fuma
Tu não inalaste haxixe
Numa banheira de espuma
Nem disseste que se lixe
Tens jantes de liga leve
O GPS é para Telheiras
Nunca provaste as alheiras
Da velha da Casamata”


Ainda estamos confusas com a imagem mental de uma pila a fumar um cigarrinho quando levamos com aquela que é uma rima que nem o Quim Barreiros teria coragem de tentar: “Telheiras” e “alheiras”. Subúrbios e enchidos, aqui está a combinação que faltava à música portuguesa. E finalmente alguém usa o rap para denunciar que as novas gerações não andam a comer a carne de aves envolta em tripa e banha que lhes compete. Devem andar todos só a enfardar os Suissinhos que a Floribella lhes impinge nos anúncios, os pulhas!
Os Da Weasel deviam era aprender umas coisas com a Clara. E experimentar um... “olá nina, quero cuidar de ti/ ir ao Cacém comer moelas e pipi”. Hum?
Este... “espectáculo”, digamos assim, tema duração de uma hora, como dissemos.
E é uma hora onde a dúvida que mais nos assola o espírito é, exactamente, “está a falar do quê”??



publicado por condutoras de domingo às 12:12
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Domingo, 7 de Outubro de 2007
Tão Mau Que é Bom - Casamento de Sonho

Fala-se muito em entretenimento de massas mas só esta semana estreou um verdadeiro programa massificado. Ao pé disto, o Big Brother era concurso para meia dúzia de indivíduos. “Cantando e Dançando por um Casamento de Sonho” é o primeiro produto televisivo para multidões. Esqueceu-se de vez a qualidade e apostou-se na quantidade. Já não era sem tempo! A começar pelo título: 8 palavras. É o único que não cabe em nenhuma grelha de programação. Só cabe mesmo na cabeça de Moniz, que o acha dotado de “grande beleza estética”. A mim parece-me tão harmonioso como um… cozido à portuguesa. Mas com mais ingredientes ainda. É fácil e rápido: mistura-se um bocadinho de “Dança Comigo” com “Quinta das Celebridades”, acrescenta-se “Canta Por Mim” QB, bate-se muito bem (de preferência com a cabeça, numa parede) e derrama-se “Primeira Companhia” por cima. Não vale a pena mexer até ficar uma massa homogénea porque isso nunca vai acontecer. Basta dizer que o molho inclui Olavo Bilac e Carla Andrino. Não pode deixar de ser indigesto. Escusado será dizer que todos os produtos usados na confecção são de marca branca, estando alguns até já fora de prazo. Não, D. Rosa Lobato Faria, não me referia a si. Nunca! Ainda no campo das metáforas culinárias, o director da estação diz que “os programas são como os ovos, só depois de abertos sabemos se estão bons”. Uma dica: não é preciso ser-se o chefe Silva para ver que estamos perante uma receita gourmet de … salmonelas.
Existem mais intervenientes neste programa do que nas Noivas de Santo António: catorze casais, catorze padrinhos, quatro jurados, três sogras e … uma Júlia Pinheiro, que faz as vezes de um coro paroquial inteiro, mas é o que, neste panorama, mais se aproxima de um padre. Um padre pouco convencional, há que dizê-lo. Vamos ouvir uma das suas homilias:



Temos de reconhecer que os acólitos também não ajudam grande coisa nesta paróquia. A rapariga não tem bem a certeza de ter uma banda, como há-de saber se quer casar? Quanto ao padrinho, ficou-se pelo Génesis, nunca passou daquela parte de amar o próximo. Já de Júlia, não é preciso dizer nada. É normal que alguém que passou os últimos anos em clausura a falar com um burro chamado Pavarotti e uma meia chamada Sr. Pires sofra danos irreversíveis. Ao ponto de resumir a estreia do programa desta forma: “houve muito amor, muita lágrima, muita beijoca e muita ranhoca”. Palavra do Senhor.



publicado por condutoras de domingo às 13:54
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Tão Mau que é Bom - Rótulos
Não há nada mais intrigante para um leitor compulsivo do que descobrir que ainda não experimentou todos os géneros literários. No fundo, um leitor compulsivo é apenas a categoria mais pura dentro da sub-categoria dos seres humanos leitores com comportamentos aditivos. Porque há vários tipos de leitores compulsivos: há, por exemplo, os viciados em sexo, que vivem atormentados pelo desejo permanente de ler o Kama Sutra [ou os folhetos informativos dos preservativos]; há também os viciados em substâncias psicotrópicas, que desesperam quando se esquecem que, para conseguirem ler em condições as bulas das drogas, têm que ler primeiro e drogarem-se só depois. E há ainda mais um exemplo que tenho que acrescentar, o dos leitores compulsivos viciados em chocolate. É que não há um único leitor compulsivo viciado em chocolate que defenda que o ritual de ingestão de uma tablete fica completo sem o acompanhamento da leitura do rótulo da guloseima consumida. Reparem bem: o rótulo.
Como leitora compulsiva viciada em chocolate em fase de franca recuperação por desenvolvimento de uma alergia alimentar – é difícil, mas é a sub-sub-categoria em que me enquadro –, eu já tinha tido o prazer de ler rótulos e, confesso, rótulos de vários bens de consumo: das etiquetas de roupa às instruções do rádio a pilhas, passando, como é evidente, pelos rótulos dos shampôos, dos cremes hidratantes e dos alimentos. Li isso tudo, mas nunca me tinha apercebido de que este processo de leitura de rótulos implica uma apurada técnica de exegese.
Até ao dia em que decidi trazer de uma loja de produtos naturais uma revista gratuita sobre comportamentos saudáveis. Nesse dia, eu entrei em contacto com uma nova realidade: os workshops de leitura de rótulos. São aulas de cerca de 3 horas que se repetem ao longo de várias semanas e que têm como objectivo principal alertar não só para “a importância deste tema”, como também para “a generalizada ausência de conhecimentos do cidadão comum sobre a interpretação da rotulagem dos alimentos”.
Estes workshops estão claramente acima de um vulgar workshop de dança oriental ou de um mais que concorrido workshop de escrita criativa[, incluindo aqueles que obrigam à frequência de 2/3 das aulas sob pena de não devolverem aos alunos o valor da inscrição.] Mesmo um aliciante clube de leitura ao Sábado à noite fica muito aquém de um workshop de leitura de rótulos. E isto porque, num workshop de leitura de rótulos com o preço médio de 20 euros, há merenda de boas-vindas para os futuros leitores, há professores doutores que dão pelo nome de Polybio e que alertam para o perigo da ausência de rótulo e há acesas discussões em torno da legislação da rotulagem nutricional. Tudo isto e mais: quem completa o workshop, recebe uma mini-telelupa a cores, ideal para ler rótulos, e leva para casa um certificado – um CER-TI-FI-CA-DO que se emoldura mais facilmente que qualquer canudo da Universidade de Lisboa.
Infelizmente, nada disto é para mim; eu não estou preparada para a integração na sub-categoria privilegiada dos leitores compulsivos que descobriram a importância do papel dos rótulos no significado textual. Na verdade, eu ainda perco tempo a debater-me semanalmente com a leitura exegética da Dica da Semana.


publicado por condutoras de domingo às 16:00
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