as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
Está a Falar de Quê? - Crescina
Alegrem-se os que habitam este rectângulo à beira-mar plantado: anda por aí a circular um cantinho publicitário que apresenta CRESCINA. CRESCINA é, em primeiro lugar, um bonito nome, daqueles que nenhum conservador do registo civil recusaria. Pena que ainda não tenha aparecido nenhuma menina a candidatar-se ao nome, mas, depois da leitura deste anúncio, vai haver fila na Conservatória. Ai se vai! É que todos os progenitores com cabelos ralos, problema debelado por este produto nascido há 16 anos e que agora frequenta as farmácias nacionais, vão passar horas a tentar decifrar o potencial de Crescina e este nome vai ficar a ressoar para sempre nas suas cabeças pouco pilosas. A razão é simples: o alvo do “reclame” é essa «gente com cabelos ralos». Toda a gente, aliás. No universo Crescina, não há espaço para discriminações: a raleadura a combater é «masculina ou feminina». Porque, desde que usada topicamente, Crescina dá cabo de todas as raleaduras. Mas não só: os mais atentos, os que penetram com deleite na essência palavrosa deste anúncio, percebem que Crescina tem apelido; e de boas famílias! O nome é Re-Crescer, Crescina Re-Crescer. Re, tracinho, Crescer. Ou seja, a «utilização cosmética» do produto contribui para o “re-crescimento”. Isto leva-me a crer que Crescina abre toda uma nova perspectiva sobre os fármacos do tipo Viagra; é a vitamina ideal para fazer crescer e re-crescer a parte pilosa do ser humano. Mas que sei eu, se o que interessa é a imbatível clareza deste anúncio? É através dele que ficamos a saber que «A raleadura do cabelo progride segundo graus classificados pela escala de Hamilton». Nada mais eficaz numa publicidade: jogar com conceitos desconhecidos. Ou talvez não. Se calhar, somos só nós, miúdas de cabelo solto a esvoaçar para fora das janelas do carro, que nunca tivemos o prazer de privar com Hamilton, o criador da escala. Mas lá que a escala existe é facto irrefutável. Não sabermos onde fica é que é coisa de deixar a superfície capilar irritada! A escala Hamilton existe no universo Crescina. Mas, atenção, o anúncio alerta para um tremendo flagelo deste inesgotável cosmos da cosmética capilar: «não actua sobre os folículos completamente atrofiados». Isto é o buraco na camada de ozono do universo Crescina, um buraco apenas mensurável pelos detentores do raleómetro. «Fornecido pela empresa Labo» e «com registo de patente suiça», o raleómetro está à sua espera nas farmácias frequentadas por Crescina. É lá que pode encontrar um breve questionário em papel. Desde 2001, foram recolhidos 2000 questionários a consumidores de Crescina. Por isso, não se acanhe. Leve a sua cabeça ao raleador, compre um kit Crescina e preencha os espaços vazios que tem na cabeça com cabelos re-crescidos.


publicado por condutoras de domingo às 12:50
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Domingo, 14 de Outubro de 2007
Está a Falar de Quê? - Celecanto

E porque o nosso carro também anda no estrangeiro, vamos ver o que nos trouxe esta semana a nossa enviada especial a Maputo...




"Aqui estamos nós a descobrir o maravilhoso mundo dos animais empalhados no Museu de História Natural de Maputo.

Há um que surpreende pela sua antiguidade – um peixe chamado Celecanto. Eu estou, tal como ele, de boca aberta: o Celecanto existe há mais de 350 milhões de anos e nunca mudou as suas características. É um bicho feio e esquisito, como podem ver nas imagens, mas mais estranho do que ele é a explicação disponível aqui no Museu para revelar a todas as criancinhas que fazem fila ali à entrada que animal é este.

Vejam bem: diz aqui que se pensa que foi este peixe «o mesmo ancestral que animais que habitaram a parte terrestre pela primeira vez na história da Terra, porque tem barbatanas com estrutura óssea que permite-lhes locomoverem-se, as suas narinas não estão ligadas à cavidade bucal».




Neste momento, vocês devem estar a pensar que eu perdi a capacidade de falar, ou melhor, de ler um texto. Eu li exactamente o que aqui está: o celecanto não só tem barbatanas que lhe permitem “locomover-se” e narinas ligadas à boca, como, e volto a ler, «é o mesmo ancestral que animais que habitaram a parte terrestre pela primeira vez na história da Terra». Perceberam?!

Maputo tem sido, de facto, uma experiência enriquecedora – tenho descoberto bichos pré-históricos, mas também toda uma nova gramática do português moderno.

E, agora, passo a emissão de novo para vocês que há aqui ainda muito bicho por explorar. Depois disto, acho que já não preciso de ir à Gorongosa..."





publicado por condutoras de domingo às 12:13
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Domingo, 7 de Outubro de 2007
Está a Falar de Quê? - Carla Matadinho

Carla Matadinho continua a tirar do decote as mais desconcertantes revelações. Desta vez, foi numa entrevista a um jornal diário nacional que partilhou alguns dos seus vícios.

Nós, que passamos demasiado tempo fechadas aqui no carro, pensávamos que esta Miss Playboy Portugal tinha como vício lançar soutiens ao alto numa atitude intrinsecamente feminista. Nada disso! Carla Matadinho, essa louca animadora dos sonhos eróticos dos rapazolas de 13 anos, tem como maior vício «fazer ginásio». Ora, «fazer ginásio» é actividade altamente penosa: pesos para aqui, pesos para ali, sobe e desce, transpira, transpira. Ah, pois é, Carla Matadinho não resiste a «fazer ginásio», isto é, dedica-se com afinco à construção de recintos para exercitar o físico. Já a imaginamos: tijolo para aqui, tijolo para ali, sobe do andaime, desce do andaime, e um eterno e longo fio de suor a escorrer por entre os seus dois grandes trunfos.

Como tudo na vida, este vício tem um lado mau: Matadinho fica sem tempo para aprender a dançar como Shakira. Diz ela que «são muitos anos a dar à anca, não é fácil.» Eu não sei que tipo de intimidade partilham estas duas senhoras do entretenimento. Nem sequer sabia que as estrelas internacionais se davam com as nacionais; quanto mais saberem da intensidade do «dar à anca» umas das outras.

Mas voltemos aos vícios de Carla. A menina Matadinho revela também que nunca ganhou o vício de fumar. Experimentou aos 12 e não gostou nada. É uma pena. O acto de fumar teria contribuído para o aperfeiçoamento de um outro vício inconfessado de Carla: a colocação permanente e estratégica dos lábios à Pato Donald, numa atitude de uma intensidade sexual nunca antes verificada no mundo Disney.

Cara Carla, não adianta ser modesta. Os talentos, tal como os vícios, são para ser partilhados. As Condutoras de Domingo descobriram e incentivam a sua capacidade para aliar a boquinha de Pato Donald ao acto de arrancar roupa conjugado com deixas que marcarão para sempre a história do cinema português. É o que acontece no filme Sorte Nula. Lembra-se quando disse que «Sem música não pode haver strip»? Nós aqui apostamos que nem a Shakira sabia disso.

O vício do strip é digno e recomendável. Sobretudo quando aliado à articulação de frases cruciais para o mundo, como esta:




Ela tem dossiers, ela tem vídeos, ela tem gente atrás dela, mas felizmente não tem o vício de desejar o fim das guerras e a paz no mundo. Carla nem sequer está viciada em criancinhas.





publicado por condutoras de domingo às 13:07
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Está a Falar de Quê? - Ricardo Azevedo
Hoje não nos vamos ficar por aqui no que toca a “está a falar de quê?”. Vamos dar um passo mais em frente e passar para o patamar do “está a cantar o quê?”, tudo isto por causa de um “fenómeno” que agora começa a despontar no mercado musical português, muito à conta de Ricardo Azevedo. Ele fez um 3 em 1: lançou o seu primeiro álbum a solo, lançou um crédito habitação do Millenium e ainda inaugurou um novo estilo musical: o pop imobiliário, que se insere numa corrente de fusão denominada “bank hall”, por onde já passaram vultos da música portuguesa como Sara Tavares ou fantasmas como Pedro Abrunhosa.


Com o single de estreia, “Pequeno T2”, Ricardo brinda-nos com uma visão singular do universo. Deixa de lado temas muitíssimo batidos como o amor, as paixões avassaladoras ou a paz mundial, e vai directo aos valores que realmente interessam: os do spread e do imposto municipal sobre imóveis.
A música começa com um terrível pesadelo de Ricardo: sonhou que o mundo estava a acabar… o que o fez lamentar-se por tudo o que não fez e pensar em tudo o que fica por fazer. Perante este cenário apocalíptico, chega rapidamente a uma solução: “apenas tenho de virar a minha vida de pernas para o ar e procurar uma casa para eu morar”.
Parece-me lógico. Se o mundo vai acabar, o primeiro passo é virar tudo ao contrário e o segundo é celebrar um contrato promessa compra e venda dum apartamento.
Enquanto lá fora santos são arrebatados, mortos ressuscitam e Deus decide se há ou não de voltar, o que importa mesmo é estar confortável num apartamento, de preferência num lugar central e com bons acessos. E se tiver lareira tanto melhor! O cantor já pensou em tudo: “um pequeno T2, onde podemos viver os dois, com vista para o mar e um jardim”.
Nota-se que é um rapaz preocupado, e nota-se que escreve a música na fila do Centro de Emprego do Conde Redondo: “só me falta arranjar um emprego para poder estar contigo. Só contigo. Vou tentar encontrar”.
É, no mínimo, comovente, que o cantor não queira deixar esta vida na posse de dois estatutos pouco prestigiantes: o de desempregado e o de solteiro.
Aqui fica o conselho das condutoras de domingo: Ricardo, a coisa com os Ez Special não correu por aí além, tentaram o segmento dos telemóveis e foi o que foi. Hoje em dia ninguém sabe se i9 3g foi um produto da TMN ou um electrodoméstico.. Esta bela canção adivinha-se que desça nos tops tão depressa como as próprias acções do BCP, mas nem tudo está perdido: ninguém no mundo vende mais imóveis do que a Remax, junta-te a eles! Sentimos que tens potencial, para a próxima basta juntares uns dados sobre acabamentos e aquecimento central e é sucesso garantido.


publicado por condutoras de domingo às 16:34
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Está a Falar de Quê? - George W. Bush
Numa semana tão fértil em bonitas tiradas de políticos, não é o manda-chuva iraniano quem leva a taça. Como vamos descobrir a seguir...


George W. Bush continua a ser o rei do soundbite com uma supremacia invejável. Esta semana conseguiu com uma única frase matar um prémio Nobel da Paz. Assim mesmo, sem espinhas:
“Ouvi alguém perguntar: ‘Onde está Mandela?’ Bem, Mandela está morto porque Saddam Hussein matou todos os Mandelas”.
E pumba, já está. Mandela ao tapete. O líder sul africano aguentou o apartheid, a prisão e toda a reconstrução de um país mantendo-se vivinho da silva, mas não sobrevive a um discurso na Casa Branca.
Responsáveis de Washingston, já muito habituados em pegar no baldinho e na esfregona e ir limpar a porcaria que Bush faz, vieram logo elucidar que tudo não passava de uma metáfora. Quando Bush disse “Mandelas”, referia-se a todos os lutadores pela liberdade que tinham sido aniquilados no Iraque. Mas a nós ninguém nos tira da ideia que Bush não está sequer a falar do político sul-africano… mas sim a referir-se convictamente a uma etnia: os Mandelas. Um povo que lá na ideia vive para lá naquela terra onde eles anda a combater. Pois que lá no Iraque há xiitas, sunitas… e Mandelas. E o Saddam fez dói-dói a todos. Porque era um mauzão. Mas há dúvidas?


publicado por condutoras de domingo às 16:30
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