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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

30
Mar08

De Encontro ao Pára-Brisas - Multas

condutoras de domingo
Todos nós aspiramos à riqueza. Seja preenchendo religiosamente o boletim do Euromilhões e rogando pragas à nossa mãe por não termos nascido no dia que nos faria ter eleito determinado número certeiro como o “da sorte”; seja tentando ter um emprego que nos garanta dinheiro a rodos na conta bancária com direito àqueles cartões de crédito dourados e tudo. E há profissões que associamos à riqueza. Algumas são mais difíceis de atingir – como ser rei de um país cheio de petróleo ou dono de um império de hipermercados ou criador de unicórnios. Mas outras parecem-nos quase possíveis. Como ser advogado, por exemplo. Ser advogado só pode dar dinheiro a rodos. Caso contrário, porque raio é que nove em cada dez pais querem que os filhos vão para Direito? Por isso, foi com alguma consternação que vimos esta semana um mito cair por terra. Afinal, ser advogado não é a vida de fotografias na Caras ao lado de tapeçarias com faisões que vemos por aí. Aliás, um advogado pode ganhar ainda menos do que o miúdo com acne e caspa que frita batatas no McDonalds´s e mete bonecos do Shrek no Happy Meal. Um grupo de trinta e dois advogados vai trabalhar na Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária para tentar evitar a prescrição de multas de trânsito. E o que é que cada advogado resolve por resolver estes casos? A estonteante quantia de um euro e sessenta e sete cêntimos por multa. Ora um euro e sessenta e sete cêntimos vale menos do que aqueles 25 paus que nos davam para comprar rebuçados quando éramos miúdas. Dá para uma bica e um 24 Horas e pouco mais. Para poderem comer um mísero mini-prato ao almoço, têm de resolver pelo menos três multas – e isto se não tiverem aspirações a coroar esse mini-prato com um pudim flan como sobremesa. É de uma pobreza franciscana que até mete dó. De tal maneira que as Condutoras deixam o apelo: por favor, automobilistas deste país, causem mais multas de trânsito. Se todos contribuirmos, estes advogados vão ter uma vida mais feliz.
 
30
Mar08

De Encontro ao Pára-Brisas - O Plágio

condutoras de domingo
E eu que andava convencida de que o plágio era uma prática mais frequente no meio literário e mais apreciada em casa de Clara Pinto Correia?! Estava enganada! O plágio, como qualquer hábito pouco escrupuloso e muito preguiçoso, é coisa para ter tanta procura como um Big Mac e para se espalhar por todas as áreas criativas como um cancro maligno em organismo humano. Se acham que não, então fiquem sabendo que o fabuloso fashion designer Marc Jacobs, director criativo da não menos fabulosa casa Louis Vuitton, plagiou a estampa de um lenço. Senhoras e senhores, é o escândalo! E quem o causou não foi necessariamente o autor do plágio, pobre desse que sai sempre ileso, mas sim um indignado sueco de 55 anos que vive em Arvika, ou seja, num local de que nunca ouvimos falar. O homem, o seu bigode, os seus óculos e a sua camisola com borboto à vista (vão ao nosso blogue comprovar o que digo!) têm tudo menos ar de quem sabe o que anda Marc Jacobs a criar. Mas o que é certo é que estava o designer americano todo satisfeito a vender lencinhos de seda a 150 dólares quando, no outro extremo da moda ocidental, se ouviu uma voz sueca, gritando a plenos pulmões que os direitos da estampa eram dele. Göran Olofsson olhou para a criação de Jacobs e vieram-lhe à memória as cores de um lenço que o pai dele, o senhor Gösta, tinha criado em 1950. Ora aí está uma boa lição para Marc Jacobs. Lá porque o pessoal da moda passe a vida de canudinho em punho e ganza na mão, vivendo por estações, caminhando por tendências e tendo uma noção de passado e memória muito pouco elástica, não significa que um sueco da província se esqueça do que a família andou a fazer há mais de meio século. Não, não! O homem lembrava-se e bem. E mais: guardava, ainda intacto e sem buraco de traça, o lencinho criado pelo pai. E, com ele estendido, decidiu comunicar ao mundo que este é um claro caso de plágio. Convenhamos que a manobra de Marc Jacobs não foi nada inteligente. Então o homem, que é americano, vai plagiar uma estampa típica de uma região sueca?! Então o homem, que é urbano da cabeça aos pés, vai copiar motivos pitorescos e campestres, com igrejas, flores e ursos?! Então o homem vai imitar um souvenir de Linsell?! O único cuidado que o designer teve foi mesmo substituir o nome da vila pelo dele e, claro, dar um acabamento mais sofisticado à coisa. E, pronto, até agora, ao que parece, não disse mais nada. Fica o sueco a aguardar o pagamento dos direitos e satisfeito por poder finalmente anunciar  que o pai foi um homem à frente do seu tempo. Já Marc Jacobs poderá ser encontrado, de agora em diante, numa banca da feira de Carcavelos, gritando a boa voz «Olha o lencinho autêntico!».


23
Mar08

De Encontro ao Pára-Brisas - Leilões

condutoras de domingo
Anda tudo obcecado com leilões de beneficência. “Tudo” é como quem diz; os obcecados são os ricos e poderosos deste mundo, gente com uma quantidade valente de tostões para dar a troco de publicidade gratuita e boa imagem. Apanharam esta febre dos leilões Madonna e a filha de 11 anos, Uma Thurman e o namorado, Salma Hayek, Anna Wintour, Tom Cruise, Katie Holmes, enfim, uma mão cheia de gente rica, poderosa e, claro, superficial. É que nunca os leilões foram tão fúteis como agora. Reparem bem: num jantar de gala organizado por Madonna e pela Gucci para ajudar o Malawi, uma das preciosidades leiloadas foi uma sessão de treino privado com David Beckham, sessão essa arrematada por Salma Hayek por 350 mil dólares. Esperemos que os dois suem as estopinhas, que façam muitos pinos e dêem muitas cambalhotas. Falo em sentido literal, obviamente.


Afinal, poucos são os que se sujeitam a tanto sacrifício em nome do Malawi! E, na verdade, sempre é mais útil ao Malawi haver alguém que treine os biceps e os triceps para eventualmente um dia ir trabalhar nos campos de cereais do que alguém que, pela mesma causa, saque uma mala Gucci por 60 mil dólares só porque nela vai poder inscrever o próprio nome. Foi o que conseguiu o tal namorado da Uma Thurman, que deve ter saído do leilão formoso, seguro e completamente gay (feliz, claro). Mais frustrada saiu a filha de Madonna. A Madonnita falhou uns bilhetes para o programa American Idol, coisa que, como se sabe, pode abalar o universo de uma pré-adolescente americana. Só com umas boas doses de Prozac é que a miúda se vai salvar da depressão. Até porque os bilhetes apenas custaram 95 mil dólares e não há direito de ser privada de ajudar o Malawi por essa ninharia. É desta matéria e destes materiais de alta qualidade que são feitos os actuais leilões de beneficiência; disso e de muitas mais coisas estúpidas vendidas em nome das melhores causas. Um sinal, ou melhor, uma gigantesca verruga dos nossos tempos sem propósitos desinteressados. Pudera! Quem não teria segundas intenções se pudesse ter David Beckham a puxar-lhe pela perna numa sessão de stretching?! E, ainda por cima, ficando, assim mesmo, de perna alçada, com fama de “gente boa”. Ah! Que bom é ser estúpido e, no entanto, solidário. Ou talvez não, que isso é coisa do passado e só me faz recuar aos anos 80, quando ouvia a vizinha do lado dizer que o Marco Paulo, apesar de piroso, ajudava muito as criancinhas. Ou seja, talvez o que seja mesmo bom é ser solidário e, no entanto, estúpido. Nos tempos que correm, nada mais legítimo.
 
16
Mar08

De Encontro ao Pára-Brisas - Até Chovem Cães

condutoras de domingo
Os anglo-saxónicos têm uma expressão para os dias muito chuvosos que reza “it´s raining cats and dogs” – ou “estão a chover cães e gatos”. Daí o não termos estranhado muito ao vermos esta semana no nosso adorado 24 Horas o título “Até chovem cães”. Achámos que se tratava de mais uma menção a um qualquer alerta amarelo ou fushia às pintinhas por causa do mau tempo. Mas não: o jornal referia-se mesmo ao animal, ao melhor amigo do homem. É mesmo um aglomerado de pêlos, cauda, focinho e coleira que caia do céu. E como é isto possível? Por causa de algo que já parece um desporto nacional: atirar coisas da Ponte 25 de Abril. A Junta de Freguesia de Alcântara contabiliza já rodas, latas, garrafas, jantes de camião, tinta e pedras no top de tralhas mais atiradas ponte abaixo. Mas até já mesmo um cão foi alvo do mesmo trato. Pensamos que só pode ter sido, por certo, obra de uma alma caridosa e bem intencionada. Ouvem-se tantas campanhas a apelar para que as pessoas não abandonem os animais nas beiras das estradas, que alguém resolveu ser cumpridor e atirar antes o cão pela borda fora – em vez de ficar especado na dita estrada. Assim, em pleno Tejo, o bicharoco não morria de sede e podia ainda comer uma ou outra nutritiva tainha para sobreviver. E talvez crescer-lhe uma cauda extra, fruto de uma divertida mutação causada pelo estado da água. Veja-se Marcelo Rebelo de Sousa, que andou lá a dar braçadas e até hoje não consegue dormir mais de quatro horas.De fora da listagem do 24 Horas ficou outra coisa que cai imenso da ponte: os suicidas. E estes sim, são de uma poluição escandalosa. É que se uma pessoa encontrar um pneu a boiar, pode com ele fazer um lindo baloiço para as crianças ou uma base para vasos. Mas agora que raio de utilidade tem o corpo sem vida de um vendedor de seguros encornado que resolveu ir desta para melhor? Em Domingo de maratona na ponte, as Condutoras não querem de deixar de apelar: por favor, não atire o queniano que vai à sua frente ponte abaixo. O fair play é uma coisa muito bonita ... e dar-lhe com a lata grátis de bebida energética na tola serve perfeitamente.
16
Mar08

De Encontro ao Pára-Brisas - Casamento

condutoras de domingo
Sempre me disseram que “a casamento e baptizado não vás sem ser convidado”. Mas pelos vistos ninguém usava este provérbio lá em Boliqueime, quando o nosso presidente da república era pequenino… É que Cavaco Silva, nestas suas férias no Brasil, achou por bem interromper um casamento. Fernanda e Guilherme são um casal brasileiro, como qualquer outro. Ou seja: comem picanha e goiabada, dançam samba, ouvem pagode e têm uma bisavó transmontana. Embora não saibam em que ilha da Europa fica Portugal, e pensem que nós cá falamos brasileiro com sotaque. O mais provável é que eles não fizessem ideia de quem era o Sr. Silva. Até porque Silvas é o que mais há, e normalmente são donos de lanchonetes. Pois agora, não mais se vão esquecer de Aníbal Cavaco Silva. Não vão é recordá-lo como Presidente da República, mas sim como… fura casamentos! Vamos lá contar as coisas como elas se passaram. Cavaco e Maria chegaram ao Brasil e resolveram oferecer um concerto da Teresa Salgueiro. Coisa feia, entrar logo assim a matar. Claro que os brasileiros não são malta de se ficar, e o prefeito do Rio de Janeiro ripostou com um concerto na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. O nível de tédio era semelhante, estava tudo estudado para ficarem quites. O pormenor que faz a diferença é que na igreja ao lado estava marcado um casamento. Ora, com as ruas todas cortadas por questões de segurança, noivos e convidados tiveram de andar km para chegar à igreja. Acho que pela 1ª vez na história ninguém apanhou seca à espera da noiva. Só o Padre esperou sentado, por toda a gente. Para o noivo a via-sacra começou ainda antes de dizer o “sim”, porque fazer aquela caminhada toda com sapatinhos de casório “não é mole não”. Uma coisa é certa: sempre tiveram mais aparato mediático na festa do que o Pedro Miguel Reis e a Fernanda Serrano. No meio disto, a confusão foi tanta que membros da comitiva de Cavaco chegaram a entrar no casamento. Ao que parece o presidente da Câmara lisboeta, resolveu inspirar-se para as noivas de Santo António e entrou na igreja para espreitar o vestido. Nada que espante. Já a sua mulher gosta de se infiltrar em comemorações alheias, como a manifestação dos professores. Mas sabemos que António Costa não foi o único infiltrado na boda. O ministro da cultura atirou generosas doses de arroz aos noivos, Maria e Cavaco penduraram tule no Mercedes e seguiram-nos até ao copo de água, buzinando sem parar. No jantar, apreciaram muitíssimo a mesa de queijos e bateram efusivamente nos copos, gritando “beija, beija!”. Cavaco prova assim que apesar de não conhecer os nossos ditados populares, é um digno defensor das melhores tradições portuguesas.
09
Mar08

De Encontro ao Pára-Brisas - Parque Mayer

condutoras de domingo
Há quem pense que a única coisa de interessante que se passa no Parque Mayer é a Revista Hip Hop’arque. Mentira. Em primeiro lugar, porque “interessante” não é o termo. Actividades em que entram a Marina Mota e o Carlos Cunha podem provocar-nos uma alegria esfusiante mas não despertam “interesse”. Continuando: pelo Parque Mayer passam muitas mais coisas, sobretudo ideias de conceituados arquitectos da nossa praça. O presidente da Câmara de Lisboa anunciou as cinco propostas vencedoras para a reabilitação do Parque Mayer. E há ideias para todos os gostos! Desde hotéis até spas, passando por restaurantes, residências artísticas, centros de exposições. Nós não queremos ser do contra, mas isto é mesmo parecido com o que aquele senhor… como é que se chamava? Frank Gehry, acho que era isso, apresentou há uns meses atrás. Mas António Costa não queria projectos megalómanos para o Parque Mayer. Por isso optou por estas ideias, que só prevêem hotéis de luxo e um funicular. Eu não sei o que vocês acham, mas a mim funicular faz-me sempre lembrar neve. E isso dá-me uma ideia muito mais engraçada para o dito parque Mayer, e zona envolvente. Porque não construir uma estância de Ski? Começava ali no Príncipe Real – até porque “Rua do Sol ao Rato” é um nome com tanta ênfase como Formigal ou Pas de La Casa. A Escola Politécnica podia passar a escola de Ski e Snowboard, e na Praça da Alegria podiam estar as pistas pretas, as mais difíceis de descer. No caso do executivo lisboeta temer, de morte, os autarcas de Seia e Gouveia, e não querer fazer frente à Serra da Estrela, há opções mais pacíficas. Nós aqui nas Condutoras não percebemos muito de plantas e alçados, mas fizemos umas propostas à maneira. Podemos criar o Parque Natural de Mayer, com muitas espécies selvagens em habitat protegido. Não é preciso ir recolher os espécimes muito longe: há vários entre o Maxime e o Teatro Maria Vitória. Outra ideia é voltar às origens e fazer uma Feira Popular. Mas em bom. Nada de lagarta gigante e chávenas que andam à volta. Na senda dos inteligentes records nacionais, tinha de vender o maior churro da Europa ou ter a Passagem do Terror mais assustadora da Península Ibérica. Pelo menos! Aproveitando os prados verdejantes do Jardim Botânico pode inaugurar-se o Parque Mayer Naturista. O Meco está fora de moda e os nudistas sonham com uma Colina do Sol à portuguesa. Era bonito fazer-lhes o jeitinho e deixar famílias em pelota ir conhecer as hortênsias, as acácias, o herbário… Outra possibilidade é criar o Mayer Parque, nome que está mesmo a pedir um Centro Comercial. Isso sim, faz muita falta. É que chega a haver 2km em Lisboa sem uma loja da Natura!
 
17
Fev08

De Encontro ao Pára-Brisas - LNEC

condutoras de domingo
Esta semana Mário Lino encomendou mais um estudo ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil. LNEC para os amigos. Que já somos todos, depois do convívio tão intenso com a história do aeroporto. O ministro tomou-lhe o gosto, ao que parece. Deve ter levado demasiado à letra o conselho que o psiquiatra lhe deu há uns tempos, de ouvir uma 2ª opinião. Agora usa o LNEC como conselheiro geográfico, político e até sentimental. Depois das indecisões entre Ota e Alcochete, sabemos que Mário Lino pediu também conselhos ao LNEC sobre o melhor restaurante para levar a esposa, a melhor marca de atum para fazer escabeche, e os melhores materiais para fazer um avançado na sua sala de estar. Mas aí, recomendaram-lhe antes os serviços de José Sócrates, perito em marquises e congéneres. O ministro recorre agora ao LNEC pela 50º vez, pedindo aos engenheiros que estudem a melhor solução para a TTT – Terceira Ponte Sobre o Tejo. E quem se lembrou desta sigla fez muito bem. Foi alguém que sabe que a discussão vai durar tanto que o melhor mesmo é reduzir a ponte a 3 letras.

Em cima da mesa estão já as hipóteses Barreiro/Chelas, Montijo/Beato e Alcochete/Alverca. E estão mais na forja, ao que sabemos. Mário Lino afirmou já que vai comparar todas as hipóteses que sugerirem para a nova ponte. Desde que sejam credíveis! Claro. Isto vem ao encontro das declarações de Louçã, que exigiu um concurso público e transparente. Para fazer a vontade a ambos, e fazer ao mesmo tempo serviço público, vamos apresentar as nossas sugestões. Que vão merecer certamente um estudo de impacto ambiental, porque são altamente credíveis. Em 1º lugar, achamos que tudo podia resolver-se com uma Vasco da Gama + 1. Para os inconformados, como nós, que acham que o aeroporto da Portela dava perfeitamente conta do recado, há agora a hipótese de ajuste de contas. Faz-se um 2º andar na Vasco da Gama e está resolvido. Outra hipótese de consolação é uma ponte Ota/Salvaterra de Magos, para os otenses recuperarem o ânimo perdido. Para quem gosta mesmo é de inaugurações, com fitas para cortar, nada como uma ponte Janelas Verdes/Cacilhas ou Santos/Porto Brandão. Que assim a malta adepta dos copos já está ali na zona. Nem é preciso levar champanhe, que eles já têm que chegue. Basta fornecer croquetes. E todos sabemos como dá jeito economizar depois duma obra assim. A verdade é que nenhuma destas propostas supera a utilidade da Barreiro/Chelas, no que respeita a encontro de gangs. A única que poderá fazer-lhe frente é Dafundo/Trafaria, com uma boa quantidade de indigentes e sem abrigo dispostos a fazer a travessia. Tem-se falado muito na construção duma ponte a norte da Vasco da Gama. Se é para ser assim, apostamos em Azinhaga/Chamusca. A bem do desenvolvimento. Não da região, mas dos gémeos das pernas dos atletas de domingo. Que já fazem a maratona da 25 de Abril com uma perna às costas e estão a precisar de novos desafios.
27
Jan08

De Encontro ao Pára-Brisas - Queen Elizabeth vs. Faisão

condutoras de domingo
A realeza já não é o que era, e disso já nós sabemos desde que a Stephanie do Mónaco começou a ter como namorados saltimbancos tatuados; ainda por cima, uns a seguir aos outros. Mas a princesa Stephanie sempre viveu entre estrelas e é uma rapariga jovem. Ao contrário de Elizabeth, a rainha de Inglaterra, uma senhora respeitável, de olhar, saias e costumes austeros. Tão austeros e impiedosos que, mais cedo ou mais tarde, a rainha haveria de cair nos sinuosos e tentadores caminhos da morte. Não como vítima, obviamente, mas como assassina. Qual Nikita, Elizabeth de Inglaterra vestiu-se a rigor, trajando umas calças compridas e um lenço atado à cabeça, muniu-se de uma espingarda e partiu, acompanhada pelos seus capangas e ávida de sangue, em busca de vítimas. E, como qualquer assassino frio e eficaz, a rainha aproveitou a ocasião perfeita para executar o seu plano maléfico. Tudo aconteceu durante a época de caça em Inglaterra. Sem grande espanto dos presentes, até por ser isso que fazem os caçadores, Elizabeth começou por disparar uns tirinhos contra umas aves. No entanto, o seu lado sombrio rapidamente se apossou de si quando, insatisfeita com o pouco sangue derramado, recorreu a um dos mais bárbaros meios de matar. Com as suas reais mãos, a rainha de Inglaterra estrangulou, ouçam bem, estrangulou, CCRRRRCCC, CCRRRRCCC, o pescocinho frágil de... um pobre faisão. Um dos presentes adiantou que, no momento em que chegou às mãos de Sua Majestade, o bicho estava, e passo a citar, «duro que nem uma pedra». «Hard as a rock»... É a mais pura das verdades, sendo que, neste “pequeno crime entre amigos”, a rainha é uma reincidente. Já em Novembro de 2000 tinha sido apanhada a estrangular outro pássaro numa caçada real. Houve quem tivesse tentado justificar os actos, referindo que a rainha apenas quis acabar com o sofrimento de um animal ferido. Faz sentido: em vez de o levar ao veterinário, a rainha, libertando a Nikita que vive nela, entendeu que o estrangulamento seria o método mais rápido e eficaz para pôr um ponto final à situação, dando assim continuidade a uma longa tradição de morte por corte ou aperto do pescoço vigente em Inglaterra desde tempos imemoriais. Afinal, a tradição ainda é o que era. Um viva à rainha! «The bird is dead, long live the queen!»
20
Jan08

De Encontro ao Pára-Brisas - Moutinho

condutoras de domingo
Esta semana João Moutinho apareceu nos jornais fora da secção de desporto. Uma grande honra para um jogador tão pequenino! Já que com os pés não está a ajudar muito o seu SCP, Moutinho resolveu dar uma mãozinha ao Governo, e ajudar a reduzir a taxa de desemprego. Para isso, comprometeu-se a arranjar vários postos de trabalho no seu portal oficial. www.Moutinho28.com. O que se passa é que neste endereço mora um site de anúncios. Aqui, os desempregados encontram links para downlolads, online dating, casino na net, cartões de crédito e, lá está, emprego! Não podia estar mais em consonância com o programa Novas Oportunidades! É que depois do escândalo inicial dos anúncios, em que Judite de Sousa aparecia a trabalhar num quiosque, as Novas Oportunidades só têm dado é bola. E não tem servido de muito! Veja-se o plantel do Boavista: voltaram todos à escola, já sabiam a tabuada do ratinho de cor, e nem isso lhes valeu. Foram a leilão e ninguém deu nada por eles. No site do Moutinho esperávamos encontrar informações relevantes: se prefere douradinhos ou salsichas com puré, se é fã dos Tókio Hotel ou prefere uma coisa mais old school, tipo Moffats. Queríamos saber o que preferia na escola, mesmo sabendo que a escolha era só entre trabalhos manuais e ginástica – as únicas disciplinas que há na pré-primária. E a única coisa que ficámos a saber é que o site expirou a 13 de Janeiro. Faz todo o sentido. Jogador de futebol que se preze, além de merchandising oficial, tem prazo de validade. E normalmente é reduzido! Moutinho ainda agora está a começar, mas preocupa-se com os mais velhos. Já recrutou duas pessoas para construírem o seu site. Artur Jorge, que tentou Novas Oportunidades no Irão mas não conseguiu, e José Mourinho, o desempregado mais célebre do país. Aliás, o melhor desempregado do Mundo. Ninguém desempenha tão bem o desemprego como ele. A questão laboral é sempre complexa no nosso país. É a tal história do: “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. O pior é quando aparece pão e todos discutem na mesma, porque é de forma e não de lenha. Foi o que aconteceu com o lançamento do portal emprego.pt. Muitos utilizadores ficaram escandalizados porque o site dispara automaticamente um convite para todos os contactos. Luís Ferreira é um dos queixosos, e pôs a seguinte cenário: “imagine-se uma pessoa que gostava de mudar de emprego mas ainda não quer revelar isso a colegas e chefias. Acaba por lhes enviar um convite que, em simultâneo, revela as suas intenções de deixar aquele trabalho”. Ora aqui está uma coisa que se acontecer a Moutinho não tem problema nenhum! É que Paulo Bento está careca de saber (apesar daquela bonita franja) que todo o plantel do Sporting se quer ir embora!

02
Dez07

De Encontro ao Pára-Brisas - Drogas

condutoras de domingo
Todos os dias saem nos jornais estudos científicos, criteriosos e aprofundados que acrescentam o quê ao que nós já sabemos? Absolutamente nada. Se La Palisse tivesse uma empresa de estudos, ela operava em Portugal com certeza. Esta semana tivemos direito a duas conclusões brilhantes. Primeiro, a DECO veio anunciar que há grande disparidade de preços entre lojas. Ficámos a saber coisas incríveis como: os brinquedos são mais baratos nos hipermercados ou as tecnologias baixam de preço à medida que se vulgarizam. Ainda bem que pararam por aqui, senão ainda descobriam que o LIDL era mais barato que o Supermercado do Corte Inglês, e não sei se as pessoas aguentariam esse choque. O outro estudo pioneiro veio dizer-nos que 1 em cada 5 alunos do secundário já usou drogas. Esta é uma evidência comparável a “Refrigerante Pois É” do Continente ser ligeiramente mais barato que sumo de citrinos roxos da Sunny Delight, edição especial coleccionador. É óbvio que os alunos consomem drogas! Que outra explicação encontravam para as coisas que se passam nas secundárias nacionais? Esta gente devia passar menos tempo em laboratórios e mais em visitas de estudo. Nas C+S de Norte a Sul do País. Tudo passaria a fazer mais sentido. Querem ver? Chove na sala de aula, o tecto está prestes a cair e no lugar do quadro há uma cratera. Os alunos estão sentados, aparentemente indiferentes e felizes. Explicação? Uns charros no intervalo das 10h. Agora outra. Uma senhora de meia-idade, saia travada, casaco de malha pelos ombros e óculos com aros de tartaruga tenta falar sobre Ciências Naturais, depois de ter oferecido a todos os alunos tabletes de chocolate. Estes, ainda assim, decidem levantar-se e espancá-la até ficar inconsciente. Justificação? Mistura doméstica de speeds com Pepsi. Já se sabe que coca-cola não se vende no bar da escola, é muito caro. Tal como as sandes mistas, que são sempre restos do último lanche de Páscoa. Ainda assim, os miúdos não reclamam e devoram aquilo como quem come gambas e bebe Vermute. Claro que a entrada da refeição é óbvia: cogumelos alucinogénios. E qual a explicação lógica para tantos casos de assédio de alunas a professores de Inglês com barba incipiente e semi calvos? Ecstasy claro, a droga do amor. Quanto aos resultados desastrosos nos exames nacionais, o problema é outro. Aliás: são outros 4. É que se só um em cada 5 alunos é que se droga, ficam 4 de fora, a precisar urgentemente duma dose de LSD e respectiva alteração de personalidade, para se fazerem passar por alguém que até leu Os Maias.

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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