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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

30
Mar08

O Que é Nacional é Bonzinho - Selecção

condutoras de domingo
Não interessa nada se somos favoritos no Euro 2008 ou não, se o Deco joga ou não, se o Eduardo é convocado ou não… Numa altura em que há mais manchetes sobre os penteados do Quaresma e os brincos de diamante do Ronaldo, o que realmente interessa são os novos equipamentos da selecção. Desde logo, salta-nos à vista uma enorme injustiça… O Miguel Veloso ficou de fora porque decidiu ser modelo, o Nani, o Ricardo e o Bruno Alves são convocados precisamente para irem desfilar. Tudo bem que o fatinho não é dourado, mas é vermelhão, num misto de Fáfá de Belém e Woman in Red. E ainda por cima, logo aqueles 3! Um lesionou-se de forma invisível no Manchester – provavelmente uma lesão ao nível do mindinho da mão esquerda. O guarda-redes está abalado pela recente lesão, e parece ter a voz mais fina que nunca. Já não soa a Simba, o Rei Leão quando fala, mas sim a Timon, o amigo do Pumba. O portista também anda preocupadíssimo com lesões. Mas com as que causou em adversários. Hão de reparar que passou a apresentação toda a olhar para trás, não viesse alguém vingar-se. Tirando estas parecenças com os velhos dos marretas, estes três exemplares são também do mais feio que se arranja no balneário nacional. Nem percebemos como Scolari não chamou também Maniche e Petit. É que o conceito da apresentação parecia ser: “equipamentos tão bons que até assentam bem em gente feia”. E uma manobra de marketing destas, cá para mim, até justificava a naturalização do Drulovic.

Mas o que interessa aqui é o equipamento. Que passou de verde rubro a rubro-rubro. Alberto Barone, representante da Nike, diz que são “mais dinâmicos, mais justos ao corpo, e apresentam mais dificuldades aos adversários que pretendam agarrar os atletas de Portugal”. Se a lógica era esta mais valia terem fabricado fatos de natação. Assim como assim eles já têm a depilação feita… Outra vantagem é terem tecnologia dri-fit, que facilita o escoamento do suor. É um gesto simpático, mas a avaliar pelas últimas exibições da selecção, não vai ser necessário! Era bem mais útil se em vez de meias até ao joelho tivessem meias de descanso. Sobre o equipamento, Nani diz: “é bonito, é espectacular”. Esgotando assim dois dos três adjectivos aprendeu em Portugal. Sabe dizer também subjectivo, mas só usa em ocasiões especiais. O jogador disse “já sou leve, agora pareço uma pena”. Ainda bem, assim vai provar a insustentável leveza de ser… suplente. É que os ódios de estimação de Scolari variam tanto com as suas convocatórias. Agora já gosta de modelos, mas soubemos que odeia acrobatas. Os mortais de Nani vão ter de ser feitos na piscina. Se sobrar tempo para isso… 

23
Mar08

O que é Nacional é Bonzinho - Famous Last Photo

condutoras de domingo
Até agora, quando chegava a nossa hora de descer à cova e ascender ao reino dos anjinhos, a única coisa com que tínhamos de nos preocupar era em ter um bom par de sapatos para levar na urna e, conseguir balbuciar uma frase engenhosa e orelhuda que servisse de bom epitáfio. E mesmo assim, a pressão das “Famous Last Words” só existia para artistas, filósofos, cientistas loucos e, gente que em geral consegue sempre dizer coisas mais criativas do que “Merda, uma árvore!”, “Olha, um leão tão fofinho” ou “Maria, puseste veneno no comer?” Hoje em dia, temos de pensar em tudo. Até nas fotografias. E não estou só a falar das fotos tipo passe que habitualmente vão parar ao obituário dos jornais ou àquela rodelinha cor-de-rosa pespegada na mármore dos túmulos. Não. Estou a falar de algo mais inquietante: as fotos que vão parar aos jornais. Os recentes casos de violência em Lisboa, vieram apenas evidenciar este flagelo dos tempos modernos: como se não bastasse uma pessoa morrer de forma inglória às mãos de um criminoso, ainda tem de passar pelo embaraço de ser recordado para todo o sempre nas poses mais hediondas e parvas. O que também vem provar que não se pode confiar na nossa família, nem sequer para escolher um retrato decente para dar aos jornais. Se não nos pomos a pau, podemos acabar de pescoço à banda e cara torcida em tudo o que é jornal e revista, numa pose mais assustadora e demente do que os olhos esbugalhados da pequena Maddie. Ou, numa varanda qualquer, ou, num deprimente banquinho de montanha russa. Ou, em situações que ficam muito bem numa sessão de slides lá em casa, mas que tiram toda a dignidade a um pobre defunto. Pelo sim, pelo não, e até porque a criminalidade não pára de aumentar, aconselho vivamente que o estimado ouvinte marque desde já uma sessão com um fotógrafo profissional. Tire várias fotos em poses descontraídas, de preferência no seu melhor ângulo, e distribua-as pelos seus amigos, ou envia-as para a imprensa num envelope fechado, a dizer: “abrir só em caso de morte violenta”. Se não o fizer, lembre-se: da próxima vez que for ao Mosteiro de Alcobaça e pedir a um amigo para lhe tirar uma foto em frente ao autocarro da excursão, com uma chouriça na mão e um primo parvo atrás a fazer corninhos... essa pode bem ser a sua famous last photo.
16
Mar08

O que é Nacional é Bonzinho - Ovo

condutoras de domingo
Em Portugal podemos ser maus em números, matemática e finanças, mas se há coisa que não nos escapa é um bom recorde do Guiness. Aliás, os responsáveis pela avaliação dos Recordes do Guiness estão inclusivamente a pensar mudar-se para cá, tendo em conta o dinheiro que a empresa iria poupar em deslocações. Desta feita, calhou-nos o maior ovo da Páscoa do mundo. A coisa, bem alta e espadaúda, apesar de ligeira e necessariamente oval, tem uns quinze ou dezasseis metros de altura e assentou arraiais, desde o dia 8 de Março, no Freeport de Alcochete. Escolheu bem o sítio, sim senhor, ou não fosse este também o maior. Neste caso, o maior outlet da Europa. A excelentíssima redondeza da Páscoa levou seis semanas a ser preparada e envolveu tanto trabalho e dinheiro que os responsáveis pelo Freeport recusam-se a adiantar valores. Cá para mim, estão ainda a fazer contas e equações e, claro, rezando algures na maior capela do mundo a todos os magnânimos santinhos para que as visitas pascais ao Freeport sejam também em números avassaladores. Eu já estou a imaginar as filas, meu Deus, daquelas capazes de nos trazer à memória o Terreiro do Paço entupido em época natalícia quando por lá parava o pinheiro gigante. E, por isso, recomendo àqueles que não vão resistir ao ovo da Páscoa de 16 metros que se poupem a esgotamentos nervosos. Não se dêem ao trabalho! Parece que aquilo é mesmo tão grande que se vê a quilómetros de distância. Tipo Cristo Rei, estão a ver?, mas em versão “piorada”, digamos assim, porque os que se atreverem a subir lá para cima têm a morte como certa. Uma morte divertida, certamente, tipo «descer pelo maior escorrega do mundo», mas ainda assim a morte. E fiquem também com outra certeza: o ovo é decorativo. Ovos Kinder só mesmo no supermercado. É que não há cá chocolate envolvido na coisa. E muito menos brinde. Isso é coisa para outro recorde, no qual um ou dois portugueses já devem estar a trabalhar. Quanto a nós, aqui nas Condutoras de Domingo, só desejamos, para além de uma Sexta-Feira Santa e de uma Páscoa felizes, que isto não dê uma barraca digna de recorde do Guiness. É que já nos chegou aos ouvidos que a galinha cubana que aqui há uns anos pôs o maior ovo do mundo quer processar o Freeport. Isso ou organizar uma manifestação pelo reconhecimento do título do ovo que pôs. Super ovo há só um, mede 90 milímetros e, claro, bem batido, dá a maior gemada do mundo.
 
09
Mar08

O que é Nacional é Bonzinho - Dom Duarte

condutoras de domingo
Ficámos a saber esta semana que os filhos de Dom Duarte Pio têm problemas na escola. O que não pode ser considerado propriamente uma surpresa! Dom Duarte reúne todos os requisitos para pertencer ao género “encarregado de educação que envergonha as crianças”. Em 1º lugar, tem aquele bigode que mais ninguém usa, a não ser os actores do Regicídio. Depois, tem uma mulher que, vestindo uma bata, podia passar por coleguinha de turma dos filhos. A juntar a isto, é louco e acredita a pés juntos que é o futuro rei de Portugal. Arrumando a um canto os progenitores doutras crianças. Como o pai travesti que acredita ser um clone da Bárbara Streisand, ou o pai ex-combatente que acredita estar a ser perseguido por uma chaimite. Por fim, tem aquela voz inconfundível, que certamente intriga os miúdos da escola toda. Que vão para casa pensar de onde conhecem aquele timbre: se é o vilão das Power Puff Girls ou uma evolução de um Digimon. Isto já eram motivos de sobra para os pequenos príncipes serem gozados pelos outros meninos. Mas parece que o verdadeiro motivo são as lições extra que eles recebem em casa, segundo os objectivos da realeza. “Eles têm de ouvir piadinhas da mau gosto dos coleguinhas e até já tiveram problemas com professores, por terem uma visão histórica diferente", diz o Duque de Bragança. E conta até uma história para termos noção da dimensão do problema: "Uma vez, uma professora perguntou ao meu filho quais eram as cores da bandeira portuguesa. É claro que o rapaz respondeu azul e branco. A professora não gostou e disse-lhe que estava mal, porque a resposta certa seria verde e vermelho.” Nós não queríamos desiludir o pai orgulhoso, mas temos para nós que o pequeno Afonso de Santa Maria é simplesmente… adepto do FC Porto. E até nos parece mal que não o tenham posto de castigo, porque certamente é isso que acontece aos pequenos benfiquistas que dizem que a bandeira nacional é encarnada e tem uma águia. Isto sim, é discriminar a plebe!
02
Mar08

O que é Nacional é Bonzinho - Maria Duval Voltou

condutoras de domingo

                              

Se o Rambo e o Rocky Balboa têm direito a voltar à ribalta, Maria Duval tem mais do que isso. Tem o dever de regressar de forma épica às Condutoras. Já falei dela aqui há uns meses. Perguntei-lhe “está a falar de quê?” mas não houve nenhum espírito capaz de me dar a resposta. Por isso repito o chamamento. Em Novembro esta loira espampanante, que por sinal é vidente, precisava de pelo menos 177 pessoas para receberem grátis o seu segredo e um cheque de 100€. Agora já não dá a coisa assim de barato. É preciso superar uma dura prova: resolver o enigma do quadrado de ouro. As pessoas capazes de o fazer “vão ter uma sorte inesperada ao longo das próximas semanas” e receber 117.850€ a partir do fim do mês. E o que é o Quadrado de Ouro? É um desafio simples, e grátis! Um quadrado de letras onde temos de encontrar palavras como: dinheiro, sorte, felicidade, lotaria, herança ou milhão. Incrível: Maria Duval pode não ter poderes especiais, mas tem pelo menos uma bondade sobre-humana. Ela deixa-nos fazer a custo zero uma… Sopa de Letras! Se quiséssemos comprar uma edição de Cruzadex custava-nos uns bons 0,70€! Quem consiga completar este complexo passatempo merece um lugar no céu, ou pelo menos o tal balúrdio no fim do mês. Se respondermos no prazo de 5 dias ganhamos ainda um talismã e uma vidência grátis sobre o futuro próximo. Deve incidir portanto na próxima meia hora: Maria Duval adivinhará o que é o nosso almoço. Mas não fica por aqui. Noutro jornal, lança um apelo urgente: “Você nasceu entre 8 de Junho de 1932 e 26 de Novembro de 1989? Maria Duval tem a certeza que todas as pessoas nascidas entre estas 2 datas vão ter nas próximas semanas grandes oportunidades, especialmente no domínio do dinheiro”. É preciso que estas pessoas enviem o mais depressa possível, para a vidente, o Cupão de Revelação e Ajuda. Tendo em conta o estreito intervalo de 57 anos, que inclui todas as pessoas que, sendo maiores de idade, ainda estão lúcidas, é bom que Maria Duval tenha uma enorme caixa do correio. Vai ter um esgotamento! A única coisa que me descansa é saber que esta senhora não existe realmente. Quanto mais não seja porque a fotografia é a mesma há 20 anos e ela mora na “Remessa Livre 149”. É uma pena, eu adorava conhecer aquela que é descrita como “Vidente Nata” e “Radar Humano” por ter ajudado a polícia a encontrar pessoas desaparecidas. Lá está, se fosse real os McCann já a tinham contratado. Eles, como nós, não se lembram dela. O que é estranho, já que diz ter participado em centenas de emissões televisivas, ter publicado obras de referência e ter passado por muitas estações de rádio. Lá isso é verdade. Na Antena 3 acabou de passar agora.
24
Fev08

O que é Nacional é Bonzinho - Droga na PJ

condutoras de domingo
Nós já sabíamos que Portugal é um país pequeno, onde famílias inteiras se amontoam em pequenos T2s e T1s, onde as estradas são poucas e apertadas para tantos carros, onde os deputados da Assembleia da República se sentam tão coladinhos uns aos outros que nem se percebe a diferença de bancada para bancada, em suma, um país onde há uma enorme falta de espaço. O que nós não sabíamos é que este problema também atinge, há cerca de duas décadas, os cofres da Polícia Judiciária. Ou devo dizer as caves? Talvez, tendo em conta que é lá que se acumulam, há coisa de 20 anos, doses de droga capazes de pôr 10 milhões de portugueses “em altas”. A culpa parece ser dos tribunais que têm que dar ordem de destruição das centenas de quilos de estupefacientes abandonados no cofre da Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes da PJ, na Avenida Duque de Loulé, em Lisboa, aqui tão perto. Ora, isto leva-me a pensar que os juízes estão convencidos de que a droga é como o vinho: bem armazenado, numa sala escura, fica ainda melhor. Neste momento, alguém deve estar a pensar «Uhmm... Que bela festa vai ser aquela, com direito a uma boa dose de Cannabis Reserva Quinta da PJ Colheita 1988». Mas desiludam-se, caros magistrados, a droga estraga-se, seca, altera-se. Por isso, e tendo em conta que a nossa atitude ecológica e verde nos obriga a lutar contra todo e qualquer tipo de desperdício, recomendamos o seguinte aos funcionários da PJ que já não sabem onde armazenar as várias toneladas de estupefacientes que recebem anualmente: rapazes, das duas uma, ou organizam uma mega-festa de droga vintage que, certamente e se tiverem por aí muita coca, é capaz de se tornar no evento mais bem frequentado, concorrido e badalado de sempre na História da Borga Nacional, ou, se acreditarem no chamado efeito placebo, vão por este país fora, de sala de chuto em sala de chuto, distribuir saquinhos pelos toxicodependentes. A escolha é difícil, eu sei, nunca se deve propor como alternativa ao bem comum o lazer desenfreado, mas qualquer das hipóteses demonstraria que a PJ não está nada paralisada e que até faz mais do que os serviços mínimos garantidos, ao contrário do que anda para aí a dizer o investigador criminal Carlos Anjo. Se nada disto funcionar e tiverem mesmo que esperar pelas ordens do tribunal, o meu conselho não pode deixar de ser dado aos ouvintes, visto que a PJ terá mesmo que aguardar. Caro ouvinte, de agora em diante, ponha o ouvido à escuta, esteja atento, informe-se, tente descobrir onde e quando vai ser incinerada esta dose cavalar de droga e, assim sem mais, sem gastos, sem preocupações, sem a polícia à perna, apanhe a moca da sua vida.
17
Fev08

O que é Nacional é Bonzinho - Gisela Francisco

condutoras de domingo
Todos sabemos que a Loja do Cidadão é um sítio pródigo em surpresas. Nunca sabemos se vamos esperar 3 horas ou 4, se aquela papelada toda que preenchemos a azul era obrigatório preencher a preto, se as letrinhas minúsculas no verso do impresso dizem que temos de pagar uma taxa suplementar e ir para o fim da fila… Enfim, o leque de oferta em termos de surpresa é enorme. Mas esta semana o Sr. Paulo Costa teve uma surpresa muito maior, providenciada pela Loja do Cidadão de Setúbal. Vou esquecer a das Laranjeiras, definitivamente, que eles lá têm truques muito melhores! Quando Paulo foi levantar o seu BI renovado não sabia quão longe podia ir o termo renovado. É que aquele documento veio dar-lhe a hipótese de uma vida nova, mesmo. No verso do BI tudo normal: nome, filiação, altura, estado civil… O pior foi quando viu a parte da frente do cartão. Também tinha impressão digital, fotografia e assinatura, tudo nos conformes. Não eram é dele! Eram duma tal Gisela Francisco. A partir desse momento Paulo Costa juntou-se a esse grande clube de portugueses que são metade homem, metade mulher. A filha do Néné, por exemplo, não se tem dado nada mal com isso. E à partida até tinha um nome menos sonante para vingar no mundo dos híbridos. Filipa Gonçalves não é nada de especial. Já Gisela Francisco aproxima-se muitíssimo da robustez de um “Roberta Close” ou dum “Belle Dominique”. Paulo Costa até aqui era apenas mais um português vulgar. Era só um número de senha, na fila de anónimos das Lojas do Cidadão. Agora não. Da próxima vez que entrar numa qualquer repartição pública, terá todas as atenções centradas em si. Será a estrela maior do transformismo nacional. Ao pé dele, José Castelo Branco é um homem de mão cheia. Afinal de contas, chama-se Zé e os seus apelidos são todos no masculino. Já Paulo Costa é agora o equivalente àquele Centauro dos anúncios do Banif: metade homem, metade cavalo. Só que em vez de ter patas e cascos, tem cara e dedo indicador de mulher. Ah, e um nome com tudo a que tem direito – Gisela Alexandra Serôdio Francisco, assinado com aquelas letras bem redondinhas de rapariga. Perante isto, os Serviços de Identificação Civil vieram garantir que a identidade dos cidadãos está assegurada. Resta saber quantas pessoas não andam aí com metade doutras. Eu sei que a minha fotografia confere, mas se calhar nunca me chamei Joana e nem sequer sou filha daquelas pessoas. Imagino o que esteja a sentir, neste momento, Gisela. Ela que detém, provavelmente, a parte de trás do BI (e da vida, no fundo) de Paulo Costa. Não deve ser nada fácil ver metade de si transformada num quarentão casado. Isto sim é uma crise de identidade profunda!
10
Fev08

O que é Nacional é Bonzinho - Campia

condutoras de domingo
Não há nada melhor do que um bom costume medieval, daqueles que deixam o pêlo do braço arrepiado ao cidadão do século XXI, mas que, vá-se lá saber porquê, subsistem por este Portugal fora. Talvez, quem sabe?, porque, como se aprende nas faculdades de Direito, o costume é uma prática social reiterada com a convicção de obrigatoriedade. E nós bem sabemos quantos licenciados em Direito há no nosso país, gente que aprende que um costume é coisa para cumprir como lei, honrando o bom e sádico nome dos nossos mais primitivos antepassados. Mas este ano, em Campia, Vouzela, alguém resolveu borrifar-se na tradição e na obrigatoriedade. Era costume carnavalesco da aldeia apanhar um gato, um bichanito, psst, psst, metê-lo num cântaro, erguer o cântaro no alto de um mastro, acender uma fogueira e deixar ali o gato a estorricar até o cântaro cair. Como os gatos têm sete vidas, tempos houve em que um ou outro saía disto vivo, coisa que os aldeãos de Campia resolviam de imediato, acabando com as outras seis vidas do bichano à paulada. É certo que dava algum trabalho, mas a coisa resolvia-se e a festa fazia-se. Era Carnaval e o gato não levava a mal. Quem levou a mal foram as pessoas que puseram a circular na net um mail que denunciava este costume. E, quando as autoridades se preparavam para passar mais um Carnaval assobiando sossegaditas para o lado, alguém lhes lembrou que afinal o costume vale menos que a lei e a lei proíbe o exercício de violência contra animais. Quem o faz paga, e paga uma quantia tão razoável que, de repente, alguém em Vouzela olhou para o costume com menos convicção do que para a lei. Ainda assim, neste Carnaval, a festa de Campia fez-se à mesma, e até havia gato. Só que era um bichano de pelúcia. Parece que os gatos reais ficaram refastelados a afiar os bigodes enquanto viam passar o indignado Carlos Duarte, um dos organizadores da festa. Disse o senhor que esta "tradição sempre existiu, e pode continuar a existir porque nunca se matou gato nenhum; há 15 anos, até usei um gato meu que regressou a casa sem problemas”. Ah, grande rambo dos gatos! Quem diria que apenas serias vencido por um peluche com honras de Joana d’Arc?! Sim, porque aposto que o gato de peluche também sobreviveu e regressou a casa sem problemas. Provavelmente até fez uma criança feliz. E tudo ficou bem porque acabou bem: já se queima nem gato nem gente, já não se faz justiça nem festa pelas próprias mãos e até os mais sádicos costumes são batidos aos pontos pela sofisticada Internet. A tradição já não é o que era. Por isso, uma mensagem para Barrancos: vão depressa até uma das estações de serviço que a nossa Joana frequenta e apostem à grande em touros movidos a pilhas.
03
Fev08

O que é Nacional é Bonzinho - Intérpretes

condutoras de domingo
Anda por aí tudo preocupado com as invasões da privacidade, desde as escutas telefónicas até aos registos da via verde e dos radares… E com as limitações da liberdade individual, como a proibição de fumar onde e quando nos apetece. Sempre a velha discussão do “Big Brother is watching you”, que por incrível que pareça não vem do tempo da Teresa Guilherme, mas do “1984.” Dum tal de George Orwell. Devia ser apresentador de reality shows na altura… Enfim, tantas teorias, tantos debates, tanto tempo gasto em vão. Porque hoje, aqueles avisos que vemos nos centros comerciais, dizendo “Sorria, está a ser filmado”, deviam ser todos substituídos por “sorria, está a ser interpretado”. É verdade, o grande masterplan do século XXI não são os seguranças barrigudos que olham todos os dias para as câmaras de vigilância. São, isso sim, os intérpretes de língua gestual portuguesa. Eles andam aí, e controlam tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos! Prova disso é a análise que a intérprete Alexandra Ramos fez esta semana no 24 Horas. A respeito do comportamento de Quaresma no último derby. Esta senhora, que já tinha descoberto que Rochemback insultou Paulo Bento, descobriu agora que Quaresma insultou Jesualdo Ferreira. Ela reproduz as frases e tudo. Não vou dizê-las aqui porque é domingo de manhã… E porque tenho medo que a Alexandra Ramos ande aí pela rádio. E venha interpretar a forma como estou sentada, e revelar a todo o auditório das condutoras o que é que isso diz sobre o meu relacionamento familiar e as minhas perspectivas de futuro. É que isto é gente muito profissional. Uma pessoa que dá a conhecer ao mundo a possibilidade de um cigano dizer palavrões é, no mínimo, visionária. A senhora diz o seguinte: “não consigo garantir a 100% mas após oito visionamentos parece-me que é isso”. Obrigadinha! Assim também eu. Se eu revir 8 vezes um jogo do Sporting até consigo detectar um momento em que Farnerud mexe ligeiramente a perna direita em direcção à bola. Coisa nunca vista. E acho que me bastam umas 3 ou 4 vezes, em loop, da discussão Luisão/Katsouranis para garantir que o grego fez um gesto obsceno com o dedo médio. Mas os meus dotes não vão mais além do que isto, por isso queria deixar o repto aos intérpretes deste país. Se me estão a ouvir – o que é duvidoso, já que grande parte da malta que sabe língua gestual é surda… Mas, se por qualquer motivo me estão a ouvir, respondam por favor: no domingo passado, o Helton fez um frango ou não?
20
Jan08

O que é Nacional é Bonzinho - Expressões

condutoras de domingo
Nos últimos tempos, a Universidade Fernando Pessoa tem divulgado vários estudos sobre expressões faciais. É verdade. Expressões faciais, coisas de que nós, aqui na rádio, estamos protegidas. Os estudos são da responsabilidade do director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção e debruçam-se sobre a descodificação das emoções que passam pelo rosto humano. Por exemplo, aqui há umas semanas, concluiu-se que, em 2007, «os jornais diários portugueses mostraram uma diminuição da frequência do sorriso relativamente ao período 2003-2006». Há uns dias, noutra investigação, descobriu-se que os bebés entre os 4 e os 8 meses não distinguem a alegria da cólera. Em relação ao primeiro estudo, não fiquei nada espantada. Acho-o até bastante óbvio e nem sequer precisei de analisar as 40 mil fotografias que passaram pelas mãos da equipa do Laboratório. É que, para além de os portugueses andarem pelas ruas da amargura (se têm dúvidas, vejam as reportagens dos telejornais da TVI), o Benfica joga cada vez pior. Isto, como é sabido, dá cabo da expressão facial de qualquer um ou, pelo menos, de cerca de 99% dos portugueses. Mas o que me intrigou mesmo foi a conclusão sobre os bebés. Que sorte danada a dos mini-petizes! Nós tanto podemos deitar-lhes a língua de fora e franzir-lhes o sobrolho como atirar-lhes com um rasgado sorriso de dentuça de fora que, para eles, é indiferente. Que magnífica superioridade a das criaturinhas! Só tenho pena é que esta capacidade seja sol de pouca dura, não só porque podia ser um contributo notável para o fim de todos os conflitos e, consequentemente, para a paz no mundo, mas também porque nos ia tornar imunes ao sorriso incandescente de Paulo Portas, homem integrado numa categoria de humanos que se encontra no mesmo escalão etário que os bebés referidos nesta investigação. Aliás, a mais importante conclusão deste estudo nada tem a ver com bebés que acabaram de ser expelidos do ventre materno, não; a mais importante conclusão é finalmente percebermos o que se passa com a classe política portuguesa. Os pobrezitos, afinal, têm entre 4 a 8 meses! Ou seja, não entendem o eleitorado! São imunes às expressões faciais dos portugueses, de quem os elegeu. E, com essa idade, lamento, mas não estão em condições de governar, não têm legitimidade. O golpe de Estado impõe-se. E recomendo a quem ainda tenha dúvidas, a quem resista a sair directamente de casa para a revolução por estar tão bem sentado no sofá a ouvir-nos na rádio, que experimente ver por umas horas o canal AR sem som e, assim que conseguir parar de rir, contribuindo para que em 2008 o sorriso volte a ser rei, me diga se há ali alguém capaz de entender as expressões de alguém.

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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