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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

13
Abr08

Estação de Serviço - GPS

condutoras de domingo
Hoje viemos à Estação de Serviço comprar um artefacto muito útil para a nossa viatura. Todos sabemos que ao longo dos tempos surgiram serviços à medida das necessidades do Homem. 1º começaram a andar, depois inventaram os sapatos. Ou uma espécie de chinelos em pele, já bem bons para a altura. Depois veio a roda, e com ela formas mais rápidas de deslocamento, até chegarmos ao carro. (Sim, acabo de fazer a história dos transportes terrestres em 10 segundos. E saltei a parte dos eléctricos e comboios, felizmente). Pronto, já com carros, multiplicaram-se os serviços: óleos de várias qualidades, pneus para terreno molhado, seco ou médio, capinhas de linóleo, bonecos para pendurar no retrovisor, ambientadores, kits de tunning. A palavra de ordem era ter o carro mais bonito de todos. Hoje em dia, a palavra de ordem é só ter o carro. Conservá-lo em nosso poder. Não é fácil. Quando menos esperamos, num sinal vermelho, podemos ficar sem ele. E por isso a Novatronica lançou um serviço anti-carjacking. O localizador de veículos por GPS. À 1ª vista parece que estao a vender o próprio do carjacker, porque o anúncio diz: é homem (embora existam registos de crimes no feminino), tem entre 21 e 30 anos, cresceu nas zonas suburbanas de Lisboa e Porto e prefere a pistola 6.35mm. É assim um compromisso entre a nota biográfica e um anúncio de recrutamento para empresa dinâmica e jovem. Mas também dão conselhos, como: fique alerta para a existência de pessoas estranhas que observem a viatura. Mas tendo em conta a descrição, não são tão estranhas assim. Recordemos: homens ou mulheres, entre 20 e 30 anos, que cresceram em Lisboa. Assim de repente até podia ser eu. Ok, não cresci muito, nem em Lisboa nem noutro sítio qualquer mas… A não ser que tenhamos tempo para fazer um breve inquérito, nunca vamos saber se aquela pessoa que se aproxima do nosso carro prefere pistolas de 35mm ou revolveres, bacalhau ou favas, raptos ou extorsões. Mas há mais avisos úteis. Como: circular com portas trancadas ou não deixar crianças e idosos na viatura com a chave na ignição. Nunca tínhamos pensado nisso. Aliás, os nossos avós dormem no carro de 2ª a sábado, com a chave na porta. Só têm de sair ao domingo, para nós darmos uma volta. Mas agora com este localizador nv-auto, estamos muito mais seguras. Se os velhotes decidirem fazer uma passeata até às termas do Vimeiro, nos dias úteis, temos tudo sob controlo. É que este dispositivo emite um alerta em tempo real para o nosso telemóvel e imobiliza o veículo num instante. Podemos respirar de alívio.
23
Mar08

Estação de Serviço - Páscoa

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Mais do que uma paragem para abastecer, isto hoje é uma paragem para pensar. Estamos na Páscoa, período de reflexão mas sobretudo de confusão! A começar pela data. Nunca sabemos quando pode acontecer. Faz lembrar aqueles anúncios da Evax, com uma mulher sinistra que aparece com confetis, onde “menos esperamos”. Aqui passa-se mais a mesma coisa. Vamos a andar na rua e, de repente, é Páscoa. Basta que estejamos entre 22 de Março e 25 de Abril. Dizem que o Natal é quando um Homem quiser mas pelos vistos isto aplica-se muito mais à Páscoa. Apesar de impor a data, o Natal é muito mais democrático! Por exemplo, toda a gente come o que quer. Já na Páscoa, são precisos 40 dias de estágio, sem comer carne. Tenho para mim que essa história da Quaresma é uma manobra de marketing do Capitão Iglo. Conheço toda uma geração que passou Páscoas sem fim a comer douradinhos, a única coisa à altura de substituir um rosbife. Até na sobremesa a Páscoa sai a perder. Nem o pior bolo do Natal, o bolo-rei, é tão mau como o Folar. Nós achamos que leva tudo o que um doce não deve ter: frutas cristalizadas e favas. Mas o que é isso ao pé de ovos cozidos? Os ovos são outra confusão evidente da Páscoa. Para já, a mascote da época é um coelho, e não uma galinha. Seja quem for que inventou a Páscoa, Capitão Iglo ou não, tinha claras dificuldades em Biologia. Os coelhos são famosos reprodutores, mas pensar que põem ovos é tão inteligente como imaginar uma lebre com epidural. O bom das comemorações é o pretexto que nos dão para transformar tudo em chocolate. Até estranho como é que no S. Martinho não há castanhas de chocolate, e nos Santos Populares umas sardinhas praliné.

Os estudiosos dos Ovos da Páscoa não ficaram contentes com recheios banais. De avelã ou de caramelo. Quiseram recheá-los com bonecos de plástico. Até aqui tudo bem. O pior é que se entusiasmaram, foram deixando os ovos crescer, e hoje em dia é possível tirar de dentro dum Kinder Surpresa uma reprodução das Pirâmides de Gize, à escala real. Aqueles papelinhos com as instruções vão ser em breve substituídos por manuais em vários volumes, com noções básicas de Engenharia Civil. Outro sector em franca expansão é o das amêndoas e drageias. As de licor, aquelas em forma de bebé, têm aperfeiçoado tanto o traço que chega a ser assustador comê-las. Sentimo-nos tão culpados como o malfeitor que levou a Maddie. Depois há também a problemática das amêndoas de chocolate. Que vai servir de mote para a minha reflexão neste domingo Pascal. Podia pensar no advento da ressurreição mas o grande mistério da vida é este: porque é que se chamam amêndoas de chocolate se não têm amêndoa nenhuma?
 

25
Nov07

Estação de Serviço - Caixões

condutoras de domingo

Com uma viagem tão acidentada até aqui, o artigo da estação de serviço não podia vir mais a propósito: caixões. E não façam já essa cara do “ai, com coisas sérias não se brinca”. Esse argumento cai pela base porque os funerais podem ser coisas bem divertidas até. É tudo uma questão de atitude. E de agência funerária também. Se contactarmos a Agnus Dei é diversão garantida! Começa logo pelo cartão de visita destes senhoras: “Uma agência funerária de Cascais, conhecida pelas suas constantes inovações, é a única em Portugal e talvez na Europa a promover o golfe”.Hmmm… Golfe? E funerais? A única semelhança que encontro são as covas na terra. Mas felizmente, a não ser que haja uma chacina numa família numerosa, os funerais nunca contam com 18 buracos. De resto, não percebo como é que pode ser convidativo ir a um torneio de golf promovido por uma agência funerária. Sobretudo se tivermos em conta que os jogadores têm todos mais os pés para a cova do que para os greens! Deve ser mesmo essa a ideia da Agnus Dei: aproximar-se do público-alvo. Descobri entretanto que, para eles, estamos todos mais para lá do que para cá! Dizem assim no site: lembramos que hoje em dia todas as pessoas, ou 98%, são reformados”. Ai sim? Falem por vocês! Ok, aqui a maioria das condutoras já são quase aposentadas. Mas falta o quase! E eu estou longe disso, muito obrigada. Mas como sou uma pessoa precavida, já pensei nalgumas questões técnicas… As pessoas discutem sempre se querem ser ou não cremadas, se querem ser lançadas ao mar ou guardadas numa caixinha em cima da TV… isso para mim é igual ao litro. Aquilo que quero, exijo mesmo, é ser transportada pelo “Petraca”. É verdade! Também conhecido por Carlos Borges, é o colaborador do mês, reside em Matocheirinhos e é motorista. Veste sempre, tal como o resto da equipa, um fato clássico, “procurando o equilíbrio da imagem”. Eu quero ser conduzida por este homem até à minha última morada. E também quero muito que ele nessa altura tenha 150 anos, de preferência! O slogan da Agnus Dei é “a diferença conquista-se”, e eu comecei já hoje a fazer por isso. Porque desejo ardentemente (atenção que isto não tem nada a ver com cremação!) um funeral com serviço de café. Que até inclui bolachas belgas! E porque eles prometem carinho humano e profissional” e dizem que mandam a nossa casa, “a qualquer hora do dia ou da noite, um funcionário habilitado para, carinhosamente, ajudar na resolução de todos os problemas. É esta terminologia que dá cabo de mim! Adoro. Faz-me logo lembrar os “Ursinhos Carinhosos” e os “Pequenos Póneis”. Sobretudo se ignorarmos a presença dum cadáver aqui pelo meio.

04
Nov07

Estação de Serviço - Curiosidades do Mundo

condutoras de domingo

Hoje quero dedicar esta visita à estação de serviço a todas as pessoas sós. É um gesto bonito da minha parte, eu sei, e só por isso, nem sequer vou falar em preços, porque se há coisas na vida que o dinheiro não compra, as “curiosidades do mundo” são uma delas. Estes objectos são uma arma poderosa contra a solidão e podem encontrar-se no mítico site Dmail.pt. A questão que se impõe é: porque é que isto são “curiosidades do mundo”? Existirá algum ilhéu distante, perdido no Pacífico, onde todos os nativos usam estes artefactos? Uma coisa é certa, a existir, será uma povoação muito ruidosa. Se está farto do silêncio da sua casa, é só abrir o catálogo e escolher. Para começar, um abre-garrafas musical, que promete: “sempre que abrir uma garrafa ouvirá o verdadeiro som do rock’n roll tocado por uma guitarra, uma simpática ideia para oferecer a um amigo músico, e a grande atracção dos seus jantares”. Tenho muito medo desta gente: músicos que se fascinam com um utensílio de cozinha que canta, e jantares em que a animação é tal que o melhor mesmo é ouvir o abre-garrafas! Se preferir, há também canecas mágicas, que “parecem normais mas... sempre que as levanta gatinhos muito doces começam a miar”. Sem esquecer as molduras falantes, que permitem que ao ver as fotografias se ouçam descrições como: "aqui está o Mário, à beira-mar, à procura da sua sereia." A única dúvida que tenho é se as minhas fotografias poderão dizer exactamente esta frase, mesmo que me mostrem a mim na estação de metro do Lumiar. Eu gostava.




Mas as ofertas não ficam por aqui: para os eremitas fumadores existe um cinzeiro que tosse – equipado com sensores, lança um saboroso catarro de cada vez que lá se pousa um cigarro.


E para quem, mesmo na cozinha, acha que o barulho da máquina de lavar e do microondas não é suficiente, nada melhor que uma torradeira com rádio integrado, cujo slogan impõe respeito: “na cozinha é outra música”. Permite sintonizar todas as estações e ouvi-las durante todas as fases de torragem e aquecimento! Por isso, se alguém estiver a ouvir as condutoras numa torradeira, aquilo que posso desejar é que não deixe queimar o pão de forma e… bom apetite!



Caso haja pessoas a ler o blog numa torradeira, então tenho de me curvar perante os avanços da técnica e, mais: dar os parabéns à Dmail, que isso foi com certeza invenção deles!

28
Out07

Estação de Serviço - Aloé Vera

condutoras de domingo

Viemos até ao templo do aloé vera. O que é que se vende aqui? Tudo. Porque hoje em dia não há nada que não possa levar esta planta. Detergentes, shampoos, limpa madeiras, bolachas, cremes, pastas de dentes, pensos diários, toalhetes íntimos! Estamos perante um caso de promiscuidade gravíssima. De repente existe uma substância que tanto serve para reforçar as defesas do nosso organismo como para limpar o aparador da sala. Chegamos a um ponto em que é indiferente tomarmos um SkipPastilhas ao pequeno-almoço ou lavar a roupa com iogurte bifidus. Esta tal de Aloé Vera é mais polivalente que muitas empregadas domésticas: nenhum de nós tem uma que além de lavar o mármore da cozinha ainda cure todas as maleitas! Aloé vera é a solução para qualquer problema: queimaduras, conjuntivites, artrose, asma, diarreia, hepatite, tuberculose, úlceras, e inclusivamente tosse. Claro que quis ver o que a “Dica da Semana” tinha a dizer sobre isto, e descobri, além de desodorizantes, um livro da Dra. Marie Lecardonnel, que “é considerado hoje um marco na literatura sobre os aloés”. Onde é que eu andei este tempo todo? Para quê romance histórico se há literatura de aloés? Aposto que também há lírica de ginseng e ginko biloba traduzida. Todos por autores consargrados, como a Baccharis Trimera, pseudónimo de Carqueja, ou o poeta Nasturtium Officinalis, também conhecido por Agrião. Mas autora de best-sellers só mesmo a babosa, cujo nome botânico, ou artístico, é aloé vera! Encomendei este “Guia do Aloés”, que começa assim:


“Verão de 1989, Rio Grande do Sul, o Sr. João Mariani tem os dias contados (…) a família chama o padre para lhe administrar os últimos sacramentos. O Frei romano, desolado com o triste estado do paciente, decide tentar um último recurso: um remédio natural à base de Aloés. O final feliz desta história é sobejamente conhecido por todos os que se interessam por esta fabulosa planta”.


Como, até hoje, eu não me incluía nessa elite de estudiosos, não faço ideia do que terá acontecido a Mariani, e apostaria até num enterro digno. Mas constato que este livro traz “uma receita com aloés e mais 2 frutos contra a hepatite”, e até “uma receita tradicional africana”. Como sempre quis saber como se faz moamba de galinha, os 19.95€ valeram bem a pena!

21
Out07

Estação de Serviço - Palmilhas

condutoras de domingo
Uma coisa que continua a preocupar-me é o estado de saúde das condutoras mais velhas. Por isso encaminhei as coisas (a expressão é mesmo encaminhar) de forma a visitarmos uma estação de serviço que vende palmilhas. Porque isto de conduzir muitos km faz doer os pés! O mapa que nos guiou até cá foi a “Dica da Semana”, que traz a boa nova: “um podólogo suíço desenvolveu as verdadeiras palminhas milagre! Elas eliminam quase instantâneamente a maior parte dos problemas, dores e sofrimentos que possa ter com os seus pés”. Portanto, se tiver pés que só lhe dão ralações ou que chegam tarde a casa, está encontrada a solução. Estas palmilhas curam tudo: pés chatos, tornozelos inchados, dores lombares, cãibras e até abatimento da abóbada plantar, que é assim uma coisa que dá ares de engenharia civil. Não sei o que é, mas se as palmilhas curam acho óptimo. Estou a falar disto num tom leviano mas o assunto é grave. Nem imaginamos o que anda a passar-se nos nossos pés: um conflito ao nível do israelo-árabe. Vejam só: “os dedos dos pés estão sujeitos a factores de violência que provocam dores insustentáveis. A carne é martirizada. As unhas começam a cortar as partes moles e, à medida que o tempo passa, você cada vez sente mais dores”. Vive-se dentro de cada sapato uma pequena Intifada, uma situação intolerável que não pode continuar. Eis que, para nos salvar chega, qual enviado da ONU, a palmilha milagrosa. Quando torcer o pé já sei: vou pedir que em vez da compressa me ponham uma faixa de Gaza. Pronto, o trocadilho desta semana já está, e não doeu nada. Pelo menos nada que se compare com o agonizante aperto nas calo- sidades. Confesso que me inspirei no autor deste anúncio que diz: “sentirá tanto conforto nos seus pés como um bebé no berço”. Que imagem comovente. Mas não o suficiente para nos fazer esquecer expressões que insiste em repetir, como “as partes moles poderão descontrair-se”. Este artigo é tão bom, mas tão bom, que nos dão a possibilidade de experimentar durante 90 dias. Pensem comigo: se qualquer pessoa pode usar isto 3 meses, deve ser possível encomendar palmilhas maiores de idade, que já palmilharam meio Portugal. Com tudo o que de nojento isso implica, sim. Ainda assim, resolvi arriscar! Porque há uma oferta especial até ao fim do mês: 2 pares por apenas 39.90€. Maria João, Raquel, depois só preciso de saber quanto é que calçam. É que eles convidam-nos a “descobrir o que um podólogo suiço imaginou para lhe fazer esquecer os seus pés”, e eu a convites desses não resisto. 1º porque o homem é suíço, e porque já agora gostava de experimentar isso de andar sem me lembrar que tenho duas extremidades que assentam no solo.
14
Out07

Estação de Serviço - Pulseira Iónica

condutoras de domingo

As condutoras de domingo mais velhas já começam a queixar-se de dores reumáticas. Resultado de demasiadas horas a guiar! Por isso hoje paramos numa estação de serviço que mais parece um centro de saúde. Não há por aqui analgésicos nem antipiréticos, pelo contrário: vendem bijutaria que nos livrará da avença da farmácia nos próximos 50 anos! Chama-se pulseira iónica e, graças a ela, centenas de pessoas aliviaram as suas dores. A expressão mais utilizada ao longo de todo o anúncio é “você nem vai acreditar”. Acho que é também a frase mais acertada de todo o texto. É que esta pulseira, feita com uma liga especial de metais, tem uma lista de benefícios mais extensa que a bula do Augmentin Duo. E a vantagem é que isto não tem de se tomar com água. Basta recebê-la pelo correio e colocá-la de imediato. É preciso respeitar os procedimentos para nos podermos juntar às “centenas de pessoas que sofriam de dores atrozes e viram a sua vida transformada graças à pulseira”. Ela cura tudo, e os testemunhos reais são prova disso. A Sra. AM de Lisboa nota “melhorias no estado geral” - quer dizer que isto pode até ser a solução para a crise governamental portuguesa! Mas o sucesso deste acessório é internacional. Por exemplo, em Taufflen, o senhor FM diz: “após ter usado a pulseira iónica o meu marido constatou que o problema respiratório e as dores na nuca tinham desaparecido”. O que é estranho é ele ter um marido, mas tudo bem, somos modernas. Já o JC de Lagos está “muito satisfeito, com mais coragem para trabalhar”, e por tudo isso encomenda mais uma. As pessoas não só acreditam que faz efeito como acham que é cumulativo! E mais uma vez, a prova de que se todos os cidadãos usassem a pulseira a produtividade do país subia em flecha. O testemunho vindo de Famões, da Sra. LP, deixa-nos algumas dúvidas: “sofro de uma artrose no joelho esquerdo… mal podia andar e graças a Deus já caminho bem”. Afinal é obra divina ou da pulseira? É que isto começa a fazer lembrar a cena bíblica do “levanta-te e anda!”. Mas nós não somos cépticas por isso encomendámos já 4, até porque o anúncio promete: “se você sofre e se sofre inutilmente, a Bodywell oferece-lhe a oportunidade de experimentar 90 dias”. Isto lembra-me a máxima dum famoso curandeiro. Permitam-me citá-lo: “se está a sofrer sem saber, então não sofre mais”. Ele é o precursor deste enfeite curativo, por isso espero que parte do valor das vendas reverta para o Professor Gassama. Não perca mais tempo. Pulseira iónica dourada, 24.95€, ou duas por apenas 39.90€, para oferecer a amigos e familiares que deseje ver reduzidos a duas letras e citados para todo o sempre como “RC de Alverca”.

28
Set07

Estação de Serviço - Miniaturas

condutoras de domingo
Hoje vamos abastecer a outro planeta, literalmente. O planeta Agostini. Aprende-se muito por aqui. Sobretudo quando descemos ao pormenor, que é como quem diz ao … miniaturismo! Carrinhas de distribuição, queridos carros dos anos 80, biplanos míticos… há todo um mundo em pequena escala a circular nas papelarias.
Um dos passatempos anunciados como tendo “grande tradição” é a construção de casas de praia em miniatura. Fiquei a saber que podemos recriar verdadeiros ambientes de estilo rústico numa região à beira mar. Só não vejo como é que isso será possível num T2 na Amadora, tendo em conta que a dita cuja praia ainda não vem nos fascículos. Mas em compensação vem uma pré-instalaçao eléctrica em todas as divisões. Faz sentido. Não fosse haver algum apagão e ainda ficávamos sem poder secar o cabelo ou ver televisão nesta fabulosa casa de férias, que pode ser nossa pela módica quantia de 375 euros, suavemente distribuídos em 100 fascículos. E que promete manter-se mais limpa e arrumada que o nosso time sharing no Algarve. Quanto mais não seja porque não cabemos lá dentro.
Outro conjunto que me fascina é o de damas de época. Sobretudo porque promete que o coleccionador “irá ver como um objecto frágil e delicado na sua origem se torna um elemento de grande satisfação para todos”. Nem quero imaginar que utilização propõem eles para estas bonecas de porcelana. Quero acreditar que o único uso de uma micro Madame Bovary é estar pousada em cima do naperon da televisao.
A profusão de colecções à venda leva-me a crer que não só há quem as faça, como deve mesmo haver quem acumule várias. Existem com certeza cidadãos portugueses que podem gabar-se de alojar uma Ana Karenina de 3 centímetros na sua casinha de praia, que é habitualmente sobrevoada por um biplano mítico transportando uma minúscula dama das camélias. Isto enquanto cá em baixo se passeiam saudosas carrinhas de distribuição da Danone e da Matutano, que tantas recordações lhes trazem. Aposto que estes mesmos indivíduos se assustam quando saem à rua. Com a descomunal dimensão das pessoas à escala real!
Meus amigos, não quero lançar falsos alarmes, mas já repararam que nunca há descrições nem imagens dos últimos números das colecções? O mais provável é que nunca ninguém tenha chegado lá. Eu falo por mim, que nunca passei do 12º volume do “Era Uma Vez o Corpo Humano”. Fiquei naquele fascículo do rosto e mandíbulas.

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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