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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

09
Mar08

Está a Falar de Quê? - Marion Cotillard

condutoras de domingo
Há duas maneiras infalíveis de ganhar um Oscar: ou fazendo-se o papel de alguém com problemas mentais ou fazendo-se o chamado biopic (ou biografia xaroposa que faz de toda e qualquer pessoa um herói épico, mesmo que fosse um simples vendedor de seguros). Ambos os estilos deixam a Academia toda arrepiadinha com tamanha capacidade de metamorfose por parte do actor. Claro que nós, comuns mortais, continuamos a pensar “olha o Val Kilmer com uma peruca” ou “olha o Will Smith com enchumaços”, mas isso somos nós que nada percebemos da milenar técnica da representação. Este ano não foi excepção e o Oscar para Melhor Actriz foi parar às mãos de Marion Cotillard, uma francesa que fez de Edith Piaf num filme que em Portugal nem chegou a estrear. Quando subiu ao palco para ir buscar o seu careca nu dourado, Marion fez o clássico número de chorar baba e ranho e de agradecer o sonho americano. Foi bonito, sim senhor. Mas mais bonito ainda foi um momento algures em 2006. Nessa altura, a actriz deu uma entrevista onde partilhou com o mundo a sua brilhante teoria sobre o ataque às Torres Gémeas nos 11 de Setembro. Marion defende, como tantos outros, que os próprios Estados Unidos tiveram mãozinha no espectacular espetanço dos aviões. Mas a francesa vai mais longe e desenvolve uma teoria digna de um taxista ou daqueles bêbados cheios de sacos de plástico que gritam com pombos e sinais de trânsito. Marion Cotillard disse na entrevista:
“As Torres Gémeas representavam um buraco financeiro e saía muito mais caro fazer obras para as modernizar do que destruí-las”.

Estamos, portanto, perante um mero problema de bricolage. Qual Bin Laden, quais filminhos em cavernas... Isto era um caso para as habilidosas mãos do “Querido, Mudei A Casa”. Qualquer pessoa que em Lisboa já tenha passado nas imediações das Torres das Amoreiras de certeza que já pensou: “têm um aspecto tão velhinho e oitentão, o melhor era mandar-lhes com um avião da TAP para cima e acabar logo com o problema”. Poupa-se para cima de um dinheirão em lavadores de vidro e em tintas. Destrói-se, limpa-se o entulho e começa-se um novo prédio – se resultava com as peças de Legos quando éramos miúdos, porque raio não há de resultar agora?

03
Fev08

Está a Falar de Quê? - Litoral Mar

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Nós, portugueses, já devíamos ter aprendido que o Algarve não é para nós. Mas insistimos na reconquista das praias quentes do país. E insistimos de tal forma que andam por aí uns panfletos que apelam à compra de apartamentos no sul de Portugal, aliciando-nos com aquilo a que chamam um «investimento garantido na costa atlântica do sul da Europa». Ou seja, um apartamentozito europeu num complexo da europeia Praia da Rocha chamado Litoral Mar, por 1900 euros o metro quadrado europeu. Ora eu, como qualquer boa condutora de Domingo, gosto de praia e resolvi ler o panfleto. Percebi que, de facto, aquilo não me é dirigido, nem a mim nem a nenhum português com bom senso e bom gosto. Não apenas pelas fotografias piores que más que ilustram a quantidade de adjectivos foleiros com que é descrita a Litoral Mar, mas também pelo emprego de palavras estrangeiras no meio de um texto supostamente escrito em português. É que conseguir acumular num só parágrafo «espectacular»,«privilegiada»,«admiráveis», «magnífico», «prestigioso» e «formosas» é desde logo um sinal de que aquilo até pode ser tudo isso, mas dificilmente será BOM. E mais, quando procuramos informações capazes de provar o quão espectacular é a Litoral Mar, deparamo-nos com erros ortográficos e vocábulos em espanhol. É o caso de «enderço» em vez de «endereço» ou de «financiamento a 20 años». O que é que me interessa a mim poder pagar o apartamento em 20 «años» se não sou espanhola?! Ainda assim, continuei a insistir; fui a www.litoralmar.com. Escolhi a versão portuguesa e fui recebida com uma gaffe tão hilariante que mais valia dizerem logo «põe-te a andar daqui para fora, “Tugazita”, que isto não é para ti». É que, por cima de um número de telefone, aparece «Chame-nos», como quem diz, pegue aí no telefone, marque o número e berre a plenos pulmões «Litoral Mar!».

Quem vir as versões em inglês e espanhol do site percebe a razão disto. Lá estão o «Call us» e o «Llámenos». Se calhar, os responsáveis pela comercialização da Litoral Mar é que têm razão em enxotar os portugueses. Não há dinheiro nos nossos bolsos e o Algarve há muito que foi colonizado por estrangeiros. No fundo, eles, tenham eles a nacionalidade que tiverem, estão um passo à frente e até já celebraram o acordo ortográfico. No site, o «enderço» para onde podemos “contatá-los”, assim mesmo, sem “c”, transforma-se em «direção», com direito a apenas um “c”. São uns visionários. Mas não levam a melhor: nós, afinal, somos os únicos que sabemos que aquelas imagens do site com golfinhos espectaculares e europeus, a serem de águas portuguesas, só mesmo se forem da setubalense costa azul. Ou então do algarvio Zoomarine.

18
Nov07

Está a Falar de Quê? - Castelo Branco

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José Castelo Branco voltou a dar notícias! Confessamos que não tínhamos saudades nenhumas deste cavalheiro. Castelo Branco é como aquela “tia da província” que todos temos, e insiste em aparecer pelo Natal, sem ter sido convidada. Com umas pequenas diferenças: Castelo Branco não assume que vem da aldeia, e usa muito mais bijutaria do que qualquer mulher das nossas famílias. A última proeza deste nosso Michael Jackson português será operar o seu cão. É verdade: agora que ele e Lady Betty não têm nenhum órgão externo que reste para operar, lembraram-se do cão de raça Terra Nova para ir à faca. Vai ser o décimo membro da família a fazer um lifting: depois de Zé, Betty, o mordomo, o motorista, o cozinheiro, o jardineiro… chegou a vez do pobre Óscar. E ele que pensava que os dias de tortura tinham acabado, depois de ter sobrevivido à Quinta das Celebridades, onde teve de viver sob ameaça de animais de grande porte, como Alexandre Frota, e muitas cabeças de gado, como Cinha Jardim e Ana Afonso. Mas agora não vale de nada ladrar: o seu dono quer que ele “levante a pálpebra” e nada o poderá deter. Castelo Branco é assim: um homem, quer dizer… uma… bem, um híbrido de fortes determinações. Desde sempre. Como no dia em que disse aos pais que ia ser artista e integrar o elenco da “Noiva Cadáver”. Eles não levaram a coisa a sério, e agora é o que se vê: passeia Betty Grafstein pelo país, numa espécie de extended version de “Um Fim-de-Semana com o Morto”.
A Presidente da Liga Português dos Direitos dos Animais, aquela velhinha que se comove diariamente com a secção “adopte-me” do 24 horas, diz que “as intervenções estéticas só servem para alimentar a vaidade do dono e massacrar os animais”. E acrescenta: “essas cirurgias, tal como obrigá-los a andar de totós agarrados ao pêlo, são violências”. Não há nada mais falso do que isto: primeiro, toda a gente sabe que Castelo Branco é tudo menos vaidoso. Só costuma sair de casa de maillot e ceroulas por preguiça. Além disso, é óbvio que ele nunca poria “totós” num cão com o pedigree de Óscar. Quanto muito, uma bandelete, para combinar com a famosa coleira Dior! Nas palavras do próprio: “noblesse oblige”.
11
Nov07

Está a Falar de Quê? - Melão

condutoras de domingo
Tantos anos depois dos excessos dos Excesso, Melão mantém uma postura irrequieta e desconcertante. Não bastava o facto de insistir em preservar o nome de um fruto que, dada a polpa carnosa e suculenta do alimento, pouco tem a ver com ele (excepto talvez na parte esférica), como agora resolve partilhar com um jornal diário nacional os aspectos menos interessantes da sua vida. Ou talvez não. Talvez isto seja mesmo o que de melhor Melão tem para revelar. Ouçam bem: a coisa mais radical que o rapaz fez na vida foi mandar uma seta... Aonde? Aonde? À testa do pai, claro. Parece que foi a forma que encontrou para estrear um jogo de setas que lhe tinha sido oferecido... Por quem? Por quem? Pelo próprio pai, claro. Terá o Sr. Melão, ou Melão Sénior, aprendido a lição? Esperemos que sim, porque, segundo as revelações bombásticas de Melão, em criança, aquilo de que ele gostava mesmo era de jogar ao peão, ao berlinde e ao Monopólio. Se o generoso Sr. Melão-Pai ofereceu ao Melão-Filho peões, berlindes, casinhas e hóteis do Monopólio, deve ter sido um pai ausente, um daqueles que ficou privado de acompanhar a infância do filho porque a passou no hospital. Isto bem pode ter sido verdade, tendo em conta que, nesta entrevista, Melão, esse grande louco que começou a pisar as pistas das discotecas aos 9 anos, esse homem sensível que diz que o cheiro que mais o incomoda é o de uma – e passo a citar – “fralda cagada”, confessa ainda que prega muitas partidas aos amigos. Vejam lá esta: Melão compra rebuçados de dois tipos – “uns saborosos e outros amargos”. Depois come dos bons e deixa os maus na mesa. As outras pessoas metem os amargos à boca e... e... e aí é que vêem como sabem mal. Ora toma! Desta é que nós não estávamos à espera! Caramba... Rebuçados amargos. Imaginem se tudo aconteceu a meio de um jogo de Monopólio. Que grande maluqueira. Um aviso: não tentem isto em casa. Só Melão consegue estas proezas. Afinal, ele é o homem que, no exame de código, conduziu o carro a 240 quilómetros por hora. E nós aqui a pensarmos que só precisávamos de papel e caneta para passarmos no código!... Palermas!
04
Nov07

Está a Falar de Quê? - Maria Duval

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Maria Duval anda desesperada. Quem é Maria Duval? É uma “célebre vidente” e lança um pedido urgente no jornal, que reza assim: “eu preciso de ainda, pelo menos, 117 pessoas que queiram receber gratuitamente o meu extraordinário segredo da sorte e do dinheiro, mais um cheque no valor de 115€”. Pois a partir de agora precisa só de 116 pessoas, ponha-me nessa lista! Não tanto pelo cheque, mas porque não resisto a segredos. Sobretudo segredos de uma senhora de cabelo oxigenado que aparece na página de publicidade do 24Horas. É um golpe baixo, já fiquei em pulgas. Mas porque quererá esta desconhecida revelar-nos uma coisa tão sua, tão preciosa? A sua vontade imensa de partilhar tem 2 ordens de razões: religiosa e cientifica. Maria explica que tem uma missão na terra – ajudar o próximo (assim de repente lembra-me alguém) e que há um grande laboratório científico que quer fazer um estudo sobre ela. Aposto que é uma pesquisa da indústria farmacêutica, intitulado “distúrbios psiquiátricos por sobredosagem de Lexotan”. Eu também encontro aqui problemas de dois níveis: cronológico e de privacidade. 1º, ela só envia o segredo grátis até dia 16 deste mês, ou seja, a sua nobre missão na Terra tem um prazo de validade mais curto que os iogurtes do Lidl. Ou bem que queremos ser ajudados e descobrir o caminho para a eterna felicidade nos próximos 15 dias ou então, nada feito. Por outro lado, se ela vai partilhar a dita confidência com mais de 100 pessoas… eu não sei qual a sua concepção de “segredo” mas parece-me ainda mais lata que a do Nuno Eiró. O que é certo é que Maria Duval tem testemunhos que comprovam os seus poderes. Um deles de Josaine, que vivia num inferno, por ter aberto um cabeleireiro ao lado do seu, com preços mais convidativos. Graças ao segredo que a vidente lhe enviou, o salão de beleza concorrente fechou. Tenho para mim que Maria Duval se limitou a ligar para a ASAE e denunciar que as tesouras não eram bem limpas, mas tecnicamente, se o telefonema tiver sido anónimo, acho que podemos considerá-lo um “segredo”.
28
Out07

Está a Falar de Quê? - José Cid

condutoras de domingo
Ele passou de famoso a mítico quando resolveu tapar a sua zona genital com um disco - mas se há coisa que este homem nunca tapa é a boca. E ainda bem, porque de lá saem pérolas que conseguem numa só penada arrepiar-nos, emocionar-nos... e vá, enojar-nos.
José Cid foi a personalidade escolhida pela revista de domingo do 24 Horas para responder a umas perguntas sobre um tema onde só pode ser, obviamente, um perito: sexo. Alguém que conseguiu estabelecer paralelismos entre a alimentação predilecta dos primatas e o amor demonstra logo que tem um conhecimento acima da média sobre a complexidade das relações humanas.
O questionário da revista começou com uma questão que nos atormenta desde o inicio dos tempos: o tamanho interessa? Ao que Cid responde (e atenção que estamos a citar!):


“Quando tomo duche de manhã acho que sou africano.”
Erm... mas como? Haverá LSD ou outro alucinogénio no Taiti Duche com que José Cid se lava? Estará o Monói fora do prazo? Será que ele bebe o conteúdo do seu frasco de gel duche e começa a ver fartas savanas na sua banheira? Como é que ele acha que só por estar a tomar banho passa a ser o Bonga? Talvez José Cid esteja apenas a tentar vender-se como africano para ver se a Angelina Jolie ou a Madonna o adoptam. Ou talvez mesmo a Floribella, que além de gostar de pretinhos pode também apreciar olhos de vidros.
Mas a bela entrevista continua, com José Cid a ensinar-nos mais sobre o funcionamento do corpo humano do que aqueles desenhos animados do “Era Uma Vez A Vida”. À pergunta “sabe qual é o seu ponto g”, o cantor não está com meias medidas e responde:
“Qualquer uma das minhas cabeças, inclusive a dos dedos”.
Já tínhamos ouvido falar de monstros de duas cabeças, mas achávamos que se ficavam apenas pela parceria Menezes/Santana. Mas parece que estamos agora perante um monstro com várias cabeças. Quantas? Ninguém sabe ao certo. Ninguém teve coragem ou estômago para contar. Mas calma, porque parece que Cid tem uma cabeça predilecta: uma à qual se refere com fofura e carinho como “a central”. Pelo menos, quando lhe perguntaram qual era a parte mais sensual do corpo ele respondeu sem rodeios “é a cabeça central”. Para nós, a melhor cabeça de central é a do Polga do Sporting. Quanto às cabeças de José Cid, o tema já começa a assustar-nos. Pelo que vamos acelerar daqui para fora a toda a velocidade, deixando apenas um bilhetinho com uma pergunta preso no pára-brisas do cantor: “e a cabeça central, também tem o capachinho torto?”.
21
Out07

Está a Falar de Quê? - Crescina

condutoras de domingo
Alegrem-se os que habitam este rectângulo à beira-mar plantado: anda por aí a circular um cantinho publicitário que apresenta CRESCINA. CRESCINA é, em primeiro lugar, um bonito nome, daqueles que nenhum conservador do registo civil recusaria. Pena que ainda não tenha aparecido nenhuma menina a candidatar-se ao nome, mas, depois da leitura deste anúncio, vai haver fila na Conservatória. Ai se vai! É que todos os progenitores com cabelos ralos, problema debelado por este produto nascido há 16 anos e que agora frequenta as farmácias nacionais, vão passar horas a tentar decifrar o potencial de Crescina e este nome vai ficar a ressoar para sempre nas suas cabeças pouco pilosas. A razão é simples: o alvo do “reclame” é essa «gente com cabelos ralos». Toda a gente, aliás. No universo Crescina, não há espaço para discriminações: a raleadura a combater é «masculina ou feminina». Porque, desde que usada topicamente, Crescina dá cabo de todas as raleaduras. Mas não só: os mais atentos, os que penetram com deleite na essência palavrosa deste anúncio, percebem que Crescina tem apelido; e de boas famílias! O nome é Re-Crescer, Crescina Re-Crescer. Re, tracinho, Crescer. Ou seja, a «utilização cosmética» do produto contribui para o “re-crescimento”. Isto leva-me a crer que Crescina abre toda uma nova perspectiva sobre os fármacos do tipo Viagra; é a vitamina ideal para fazer crescer e re-crescer a parte pilosa do ser humano. Mas que sei eu, se o que interessa é a imbatível clareza deste anúncio? É através dele que ficamos a saber que «A raleadura do cabelo progride segundo graus classificados pela escala de Hamilton». Nada mais eficaz numa publicidade: jogar com conceitos desconhecidos. Ou talvez não. Se calhar, somos só nós, miúdas de cabelo solto a esvoaçar para fora das janelas do carro, que nunca tivemos o prazer de privar com Hamilton, o criador da escala. Mas lá que a escala existe é facto irrefutável. Não sabermos onde fica é que é coisa de deixar a superfície capilar irritada! A escala Hamilton existe no universo Crescina. Mas, atenção, o anúncio alerta para um tremendo flagelo deste inesgotável cosmos da cosmética capilar: «não actua sobre os folículos completamente atrofiados». Isto é o buraco na camada de ozono do universo Crescina, um buraco apenas mensurável pelos detentores do raleómetro. «Fornecido pela empresa Labo» e «com registo de patente suiça», o raleómetro está à sua espera nas farmácias frequentadas por Crescina. É lá que pode encontrar um breve questionário em papel. Desde 2001, foram recolhidos 2000 questionários a consumidores de Crescina. Por isso, não se acanhe. Leve a sua cabeça ao raleador, compre um kit Crescina e preencha os espaços vazios que tem na cabeça com cabelos re-crescidos.
14
Out07

Está a Falar de Quê? - Celecanto

condutoras de domingo

E porque o nosso carro também anda no estrangeiro, vamos ver o que nos trouxe esta semana a nossa enviada especial a Maputo...




"Aqui estamos nós a descobrir o maravilhoso mundo dos animais empalhados no Museu de História Natural de Maputo.

Há um que surpreende pela sua antiguidade – um peixe chamado Celecanto. Eu estou, tal como ele, de boca aberta: o Celecanto existe há mais de 350 milhões de anos e nunca mudou as suas características. É um bicho feio e esquisito, como podem ver nas imagens, mas mais estranho do que ele é a explicação disponível aqui no Museu para revelar a todas as criancinhas que fazem fila ali à entrada que animal é este.

Vejam bem: diz aqui que se pensa que foi este peixe «o mesmo ancestral que animais que habitaram a parte terrestre pela primeira vez na história da Terra, porque tem barbatanas com estrutura óssea que permite-lhes locomoverem-se, as suas narinas não estão ligadas à cavidade bucal».




Neste momento, vocês devem estar a pensar que eu perdi a capacidade de falar, ou melhor, de ler um texto. Eu li exactamente o que aqui está: o celecanto não só tem barbatanas que lhe permitem “locomover-se” e narinas ligadas à boca, como, e volto a ler, «é o mesmo ancestral que animais que habitaram a parte terrestre pela primeira vez na história da Terra». Perceberam?!

Maputo tem sido, de facto, uma experiência enriquecedora – tenho descoberto bichos pré-históricos, mas também toda uma nova gramática do português moderno.

E, agora, passo a emissão de novo para vocês que há aqui ainda muito bicho por explorar. Depois disto, acho que já não preciso de ir à Gorongosa..."



07
Out07

Está a Falar de Quê? - Carla Matadinho

condutoras de domingo

Carla Matadinho continua a tirar do decote as mais desconcertantes revelações. Desta vez, foi numa entrevista a um jornal diário nacional que partilhou alguns dos seus vícios.

Nós, que passamos demasiado tempo fechadas aqui no carro, pensávamos que esta Miss Playboy Portugal tinha como vício lançar soutiens ao alto numa atitude intrinsecamente feminista. Nada disso! Carla Matadinho, essa louca animadora dos sonhos eróticos dos rapazolas de 13 anos, tem como maior vício «fazer ginásio». Ora, «fazer ginásio» é actividade altamente penosa: pesos para aqui, pesos para ali, sobe e desce, transpira, transpira. Ah, pois é, Carla Matadinho não resiste a «fazer ginásio», isto é, dedica-se com afinco à construção de recintos para exercitar o físico. Já a imaginamos: tijolo para aqui, tijolo para ali, sobe do andaime, desce do andaime, e um eterno e longo fio de suor a escorrer por entre os seus dois grandes trunfos.

Como tudo na vida, este vício tem um lado mau: Matadinho fica sem tempo para aprender a dançar como Shakira. Diz ela que «são muitos anos a dar à anca, não é fácil.» Eu não sei que tipo de intimidade partilham estas duas senhoras do entretenimento. Nem sequer sabia que as estrelas internacionais se davam com as nacionais; quanto mais saberem da intensidade do «dar à anca» umas das outras.

Mas voltemos aos vícios de Carla. A menina Matadinho revela também que nunca ganhou o vício de fumar. Experimentou aos 12 e não gostou nada. É uma pena. O acto de fumar teria contribuído para o aperfeiçoamento de um outro vício inconfessado de Carla: a colocação permanente e estratégica dos lábios à Pato Donald, numa atitude de uma intensidade sexual nunca antes verificada no mundo Disney.

Cara Carla, não adianta ser modesta. Os talentos, tal como os vícios, são para ser partilhados. As Condutoras de Domingo descobriram e incentivam a sua capacidade para aliar a boquinha de Pato Donald ao acto de arrancar roupa conjugado com deixas que marcarão para sempre a história do cinema português. É o que acontece no filme Sorte Nula. Lembra-se quando disse que «Sem música não pode haver strip»? Nós aqui apostamos que nem a Shakira sabia disso.

O vício do strip é digno e recomendável. Sobretudo quando aliado à articulação de frases cruciais para o mundo, como esta:




Ela tem dossiers, ela tem vídeos, ela tem gente atrás dela, mas felizmente não tem o vício de desejar o fim das guerras e a paz no mundo. Carla nem sequer está viciada em criancinhas.



28
Set07

Está a Falar de Quê? - Ricardo Azevedo

condutoras de domingo
Hoje não nos vamos ficar por aqui no que toca a “está a falar de quê?”. Vamos dar um passo mais em frente e passar para o patamar do “está a cantar o quê?”, tudo isto por causa de um “fenómeno” que agora começa a despontar no mercado musical português, muito à conta de Ricardo Azevedo. Ele fez um 3 em 1: lançou o seu primeiro álbum a solo, lançou um crédito habitação do Millenium e ainda inaugurou um novo estilo musical: o pop imobiliário, que se insere numa corrente de fusão denominada “bank hall”, por onde já passaram vultos da música portuguesa como Sara Tavares ou fantasmas como Pedro Abrunhosa.


Com o single de estreia, “Pequeno T2”, Ricardo brinda-nos com uma visão singular do universo. Deixa de lado temas muitíssimo batidos como o amor, as paixões avassaladoras ou a paz mundial, e vai directo aos valores que realmente interessam: os do spread e do imposto municipal sobre imóveis.
A música começa com um terrível pesadelo de Ricardo: sonhou que o mundo estava a acabar… o que o fez lamentar-se por tudo o que não fez e pensar em tudo o que fica por fazer. Perante este cenário apocalíptico, chega rapidamente a uma solução: “apenas tenho de virar a minha vida de pernas para o ar e procurar uma casa para eu morar”.
Parece-me lógico. Se o mundo vai acabar, o primeiro passo é virar tudo ao contrário e o segundo é celebrar um contrato promessa compra e venda dum apartamento.
Enquanto lá fora santos são arrebatados, mortos ressuscitam e Deus decide se há ou não de voltar, o que importa mesmo é estar confortável num apartamento, de preferência num lugar central e com bons acessos. E se tiver lareira tanto melhor! O cantor já pensou em tudo: “um pequeno T2, onde podemos viver os dois, com vista para o mar e um jardim”.
Nota-se que é um rapaz preocupado, e nota-se que escreve a música na fila do Centro de Emprego do Conde Redondo: “só me falta arranjar um emprego para poder estar contigo. Só contigo. Vou tentar encontrar”.
É, no mínimo, comovente, que o cantor não queira deixar esta vida na posse de dois estatutos pouco prestigiantes: o de desempregado e o de solteiro.
Aqui fica o conselho das condutoras de domingo: Ricardo, a coisa com os Ez Special não correu por aí além, tentaram o segmento dos telemóveis e foi o que foi. Hoje em dia ninguém sabe se i9 3g foi um produto da TMN ou um electrodoméstico.. Esta bela canção adivinha-se que desça nos tops tão depressa como as próprias acções do BCP, mas nem tudo está perdido: ninguém no mundo vende mais imóveis do que a Remax, junta-te a eles! Sentimos que tens potencial, para a próxima basta juntares uns dados sobre acabamentos e aquecimento central e é sucesso garantido.

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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