Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

02
Mar08

Sinais de Luzes - 2 de Março

condutoras de domingo

Mínimos
Para o encerramento forçado do blog humorístico dum professor, por ser considerado desprestigiante pela Universidade do Minho. E isto é um grave sintoma. Não de censura ou privação de liberdade mas de… falta de qualidade humorística. Isso mesmo. Quão terrível terá de ser um blog para ser capaz de envergonhar toda uma instituição? Tem de ser pelo menos ao nível deste “Dissidências”, de Daniel Luís. Logo no cabeçalho surge a advertência: “o Director do dissidências avisa desde já que os textos aqui publicados resultam de doença mental incurável”. Seguem-se parágrafos em várias cores, do lilás ao amarelo, escritos pela personagem “T-humor ao sol do planeta Rissol”. E a utilização do tipo de letra “Comic Sans”, que é o último reduto para quem não caiu em graça mas quer ser muito engraçado. Responsáveis da universidade dizem que o docente não foi obrigado a encerrar o blog, mas apenas a “rever elementos que fossem considerados incorrectos para um educador”. Daniel Luís não percebe porquê. Nós também não. Afinal de contas, ele só fez vídeos em cuecas brancas, no cimo dum telhado. E piadas tão boas como: “se Cristo tivesse morrido há 20 anos atrás, os Cristãos em vez de andarem com cruzes ao pescoço andariam com uma cadeira eléctrica ou uma seringa”. Isto são coisas que esperamos de qualquer professor catedrático. Não vemos qualquer motivo para a nota de repúdio da Faculdade, nem sequer para terem pedido a David que não fizesse mais stand up comedy. Se ele é assim na net, ao vivo deve ser ainda melhor. Aliás, num dos vídeos do blog, vemos que o soberbo sentido de humor já vem de longe. Daniel aparece num Preço Certo (ainda em escudos) com Nicolau Breyner, onde ao sair de estúdio com a assistente colocou a legenda “agora é que te vou papar todinha”. A nossa única dúvida é: David, porquê insistir na docência, quando tinha um futuro brilhante de entertainer à sua frente?


Médios
Para Simone de Oliveira. Sim, nós sabemos que é uma grande senhora da canção nacional, e que o seu arregalar de olhos encosta Chucky, o Boneco Diabólico, a um canto. Sabemos até que “quem faz um filho, fá-lo por gosto”, e que há um País Chamado Simone. Mas, ainda assim, tantos pergaminhos não justificam que chame Badameco ao director da RTP. Ainda se tivesse interpelado o senhor para lhe chamar outra coisa! Agora, badameco? O confronto deu-se na apresentação da novela Vila Faia, e talvez daí a necessidade da actriz usar vocabulário da época. Indignada com a decisão de passarem o remake da novela aos fins-de-semana, Simone disse a José Fragoso que era uma “injustiça, uma fraude!”. Foi uma sorte não ter usado as palavras patranha ou moscambilha. Apesar do interlocutor de Simone se ter mantido sempre calmo e sereno, a discórdia subiu de tom. Até porque uma pessoa que enche o Coliseu sozinha, por sua conta e risco, não precisa de ajuda para agitar uma discussão. Longe vão os tempos em que Simone “como o sol de Inverno” não tinha calor. A cantora recomendou, exaltada, ao director da estação pública que saísse do seu lugar e fosse para casa cozer batatas. Temos de aplaudir esta sublime transformação do insulto machista em feminista. Se às mulheres é recomendado que fiquem por casa a coser meias, a um homem Simone sugeriu que cozesse… batatas. O que é muito menos nobre. É que se cosendo meias ainda se pode aspirar a uma carreira na alta-costura, cozendo batatas a aspiração máxima deve ser a cozinha dum refeitório público. Assim como assim, José Fragoso já está no ramo dos serviços públicos.

Máximos
Para a nova moda nos Estádios nacionais. O Sporting/Benfica de logo é alvo de todas as atenções da polícia. E não nos referimos só aos polícias barrigudos que logo à noite vão estar na esquadra a beber minis e a discutir quem merece mais o 2º lugar. Falamos sim da polícia de choque, já que mais de 600 agentes vão marcar presença em Alvalade. Concentrados não no relvado mas nas bancadas, que são sempre mais disputadas do que a bola. Ali sim, há marcações homem a homem como deve ser! É certo que o futebol tem mudado muito ao longo dos anos. Antigamente os jogadores usavam calções que mais pareciam cuecas e o Eusébio conseguia correr 20km sem ser desarmado. Mas é nas bancadas que o sinal dos tempos se faz sentir com mais força. Quem aplaudia Chalana e Manuel Fernandes eram pais de família, de bigode, que levavam os petizes à bola, no domingo à tarde. A preocupação da PSP nessa época era que os espectadores não gritassem alto de mais, para eles conseguirem ouvir o relato na telefonia. Anos mais tarde, a grande dor de cabeça passaram a ser os Ultra. Claques de futebol com apetência especial para a violência e para a pilhagem de estações de serviço. Malta cujo amor ao futebol é tanto que não se importam de passar o jogo todo de costas para o relvado, a gritar para um megafone. Uma espécie de sindicalistas da bola, mas em estilo mais agressivo que o Carvalho da Silva. Agora, em pleno século XXI, a tendência é outra: o movimento casual. Adeptos que vão para o estádio sem cachecóis ou bandeiras, e se deslocam nos seus próprios carros. Mas que são mais violentos que os No Name Boys e a Juve Leo, todos juntos. Nós já conhecíamos o estilo casual, mas era de convites para festas. Por este andar qualquer dia vão aparecer os adeptos casual chic, que levam faixas debruadas em ouro, os adeptos dress to impress, cujos galhardetes terão purpurinas, e os adeptos fato escuro, que mesmo sem serem da Académica terão capas negras até aos pés.

5 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

escreva-nos para

condutoras@programas.rdp.pt
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

as condutoras

Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

podcast

Ouça os programas aqui

Arquivo

  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2007
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D