Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

17
Fev08

Sinais de Luzes - 17 de Fevereiro

condutoras de domingo
Máximos
Para Cavaco Silva. Ou melhor: para a partida que “nuestros hermanos” lhe pregaram. Então o nosso presidente da república viaja para Espanha convencido que vai receber tratamento VIP, numa cerimónia solene para se tornar doutor de forma mais rápida e fácil do que Sócrates se tornou engenheiro… E afinal de contas vai mas é participar numa encenação, uma espécie de sarau de Natal fora de época!? Cavaco acabou por alinhar num festejo híbrido, entre a solenidade dos doutoramentos honoris causa – com a parte do discurso formal, e a descontracção dos cortejos de Carnaval – tendo em conta a farpela que lhe enfiaram. E sobretudo, o chapelinho que tinha na cabeça! Que fez dele o melhor compromisso jamais conseguido entre: um abajour de casa das nossas avós e a célebre Ana dos Cabelos Ruivos. Nós, povo de Portugal, devemos estar orgulhosos, por termos o primeiro Presidente capaz de criar esta simbiose mágica entre peças decorativas dos anos 30 e animações infantis. Temos também a certeza que disse coisas muito acertadas no seu discurso, mas não conseguimos ouvir uma palavra que fosse. Concentradas no abanar compassado das franjinhas do chapéu! Ao mesmo tempo toda aquela cerimónia dava ares de jogos sem fronteiras, com as equipas verde, azul, laranja… Apesar da equipa de León estar em superioridade numérica, o nosso Cavaco, representando os cor-de-laranja, não se saiu nada mal. E, mais importante de tudo: no meio daquele folclore todo, de capinhas e chapéus coloridos, apenas três pessoas pareciam bem vestidas. Quem eram elas? Os príncipes das Astúrias, Felipe e Letícia, e ainda… Maria Cavaco Silva! É verdade. Ascendeu a esse patamar real de gente fashion, e isso é o maior progresso que podemos desejar para Portugal. Maria Cavaco Silva é agora “janota honoris causa”. Coisa muito mais importante que qualquer doutoramento!

 

Médios

Para Valentim Loureiro. Que voltou, finalmente, a tribunal. Um regresso aguardado por todas nós, que recordamos com saudade o episódio em que a filha abraçou o pai Loureiro, de roupão no seu jardim. Gritando a plenos pulmões: “Tenho orgulho, muito orgulho neste pai!” Mas este reencontro com a justiça foi, acima de tudo uma desilusão. Uma coisa morna, sem gritos – o que é difícil quando falamos do Major, e sem um pijama ou uns chinelos de quarto que seja… Tudo muito sóbrio. À entrada do Tribunal de Instrução Criminal do Porto Valentim disse apenas que “vai ser quinze a zero”. Nitidamente esclerosado, o ex-dirigente do Boavista equivocou-se. Provavelmente pensou que o estavam a levar para o camarote VIP do Estádio do Bessa. Valentim Loureiro recordou aos jornalistas que já intentou uma acção ao Estado, por ter sido afastado da presidência do metro do Porto, e garantiu que pensa mover outra acção. Desta feita, para ser ressarcido dos prejuízos e danos morais sofridos pelos seus familiares. Lá nisto, Valentim tem alguma razão. Quer a filha, que fez aquelas bonitas figuras, quer João Loureiro, essa estrela decadente da pop nacional, são pessoas que sofreram danos irreversíveis. Mas parece-nos que Valentim está a levar demasiado longe a teoria de que a culpa é sempre do Estado. Desta vez os governantes estão inocentes. A não ser por não terem incluído uma alínea na lei do ruído, sobre progenitores que falem alto demais. É que os traumas irreversíveis sofridos pelas crianças Loureiro foram ao nível do ouvido interno. E quanto a isso, o colectivo de Juízes do Apito Dourado nada pode fazer. A não ser que, para além dos árbitros, haja suspeitas de corrupção passiva de otorrinos e pediatras.

Mínimos
Para Susana Barbosa. Ainda não conhece? Em breve vai conhecê-la tão bem como Sá Carneiro ou Lula da Silva. E não vai ser preciso despenhar-se de avião ou meter-se nos copos. É que esta empresária Aveirense, casada e com dois filhos, tem um vício que vai torná-la famosa. Algumas mulheres usam as compras como forma de libertar o stress, outras preferem o ginásio, e há ainda as adeptas dos chocolates. Mas Susana Barbosa tem um passatempo diferente para aliviar tensões. Fundar partidos. Isso mesmo. Para quê gastar 5€ em comédias românticas, ou um balúrdio num par de sapatos, quando pode simplesmente criar-se uma nova força política? Susana foi fundadora do PND – Partido da Nova Democracia, que acabou por abandonar no fim do ano passado, em rota de colisão pessoal e política com Manuel Monteiro. Agora, está à frente da comissão instaladora do PL – Partido da Liberdade. Diz que já tem meio milhar de inscrições de militantes, que é uma forma pomposa de dizer que tem 500 assinaturas. A verdade é que recolhê-las é um exercício tão bom para o coração como caminhar 30 minutos à beira mar ou subir e descer escadas. Este hobbie eleito por Susana Barbosa parece-nos bastante apetecível. Até porque mete eventos e festas, que são sempre de louvar. Ela espera fazer o congresso fundador ainda este ano, uma óptima ocasião para dois dedos de conversa e alguns canapés. Susana vai ainda mais longe e diz que o Partido da Liberdade quer ser o “BÉ da Direita”. E não há coisa mais in do que o BÉ, toda a gente sabe isso. Por alguma razão deixou de ser “Bloco de Esquerda” e passou a ser apenas “BÉ”. Estas siglas funcionam para os partidos políticos como os diminutivos para as tias. Para quê ser Maria Alice quando se pode ser Lili? De resto, é tudo igual. Pouco importa se as pessoas lêem Trotsky ou Margarida Rebelo Pinto, deve pensar Susana Barbosa. E tem toda a razão, o que importa mesmo é que as pessoas se reúnam e não pensem nas agruras da vida. E não há nada melhor do que debates políticos para esvaziar a cabeça. É isso e telenovelas.

 

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

escreva-nos para

condutoras@programas.rdp.pt
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

as condutoras

Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

podcast

Ouça os programas aqui

Arquivo

  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2007
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D