Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

10
Fev08

O que é Nacional é Bonzinho - Campia

condutoras de domingo
Não há nada melhor do que um bom costume medieval, daqueles que deixam o pêlo do braço arrepiado ao cidadão do século XXI, mas que, vá-se lá saber porquê, subsistem por este Portugal fora. Talvez, quem sabe?, porque, como se aprende nas faculdades de Direito, o costume é uma prática social reiterada com a convicção de obrigatoriedade. E nós bem sabemos quantos licenciados em Direito há no nosso país, gente que aprende que um costume é coisa para cumprir como lei, honrando o bom e sádico nome dos nossos mais primitivos antepassados. Mas este ano, em Campia, Vouzela, alguém resolveu borrifar-se na tradição e na obrigatoriedade. Era costume carnavalesco da aldeia apanhar um gato, um bichanito, psst, psst, metê-lo num cântaro, erguer o cântaro no alto de um mastro, acender uma fogueira e deixar ali o gato a estorricar até o cântaro cair. Como os gatos têm sete vidas, tempos houve em que um ou outro saía disto vivo, coisa que os aldeãos de Campia resolviam de imediato, acabando com as outras seis vidas do bichano à paulada. É certo que dava algum trabalho, mas a coisa resolvia-se e a festa fazia-se. Era Carnaval e o gato não levava a mal. Quem levou a mal foram as pessoas que puseram a circular na net um mail que denunciava este costume. E, quando as autoridades se preparavam para passar mais um Carnaval assobiando sossegaditas para o lado, alguém lhes lembrou que afinal o costume vale menos que a lei e a lei proíbe o exercício de violência contra animais. Quem o faz paga, e paga uma quantia tão razoável que, de repente, alguém em Vouzela olhou para o costume com menos convicção do que para a lei. Ainda assim, neste Carnaval, a festa de Campia fez-se à mesma, e até havia gato. Só que era um bichano de pelúcia. Parece que os gatos reais ficaram refastelados a afiar os bigodes enquanto viam passar o indignado Carlos Duarte, um dos organizadores da festa. Disse o senhor que esta "tradição sempre existiu, e pode continuar a existir porque nunca se matou gato nenhum; há 15 anos, até usei um gato meu que regressou a casa sem problemas”. Ah, grande rambo dos gatos! Quem diria que apenas serias vencido por um peluche com honras de Joana d’Arc?! Sim, porque aposto que o gato de peluche também sobreviveu e regressou a casa sem problemas. Provavelmente até fez uma criança feliz. E tudo ficou bem porque acabou bem: já se queima nem gato nem gente, já não se faz justiça nem festa pelas próprias mãos e até os mais sádicos costumes são batidos aos pontos pela sofisticada Internet. A tradição já não é o que era. Por isso, uma mensagem para Barrancos: vão depressa até uma das estações de serviço que a nossa Joana frequenta e apostem à grande em touros movidos a pilhas.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

escreva-nos para

condutoras@programas.rdp.pt
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

as condutoras

Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

podcast

Ouça os programas aqui

Arquivo

  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2007
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D