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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

30
Dez07

Condução Defensiva 2007

condutoras de domingo

O ano que agora acaba foi pródigo em fazer correr tinta nos jornais... mas, também, nas editoras. Podem continuar a dizer que os portugueses não lêem, mas lá que adoram escrever, isso, não há que negar, sobretudo tendo em conta a quantidade de livros que se publicam. Em 2007, houve de tudo para todos os gostos, desde a pequena Maddie - esse anjo da Praia da Luz que fez o milagre da desaparição e da multiplicação dos livros – a José Rodrigues dos Santos - que sempre atento aos gritos da moda, meteu na cabeça que era o Al Gore português e lançou mais um épico para ser adaptado ao cinema de Hollywood -, passando pela guerra de palavras – ou palavrões – protagonizada por Miguel Sousa Tavares e Vasco Pulido Valente... houve de tudo, como na Feira da Ladra. E o que houve mais foi literatura que devia ter passado por cima de 2007 sem passar pelas bancas. Saía da gráfica, directamente para o caixote do fundo da cave do alfarrabista. Aqui ficam alguns exemplos!

 

Um pequeno grande amor; Truques & dicas – Os conselhos do “Fátima”; As crónicas do Eirózinho; Como tornar o Benfica campeão?; Momentos de Cristiano Ronaldo; Porque adoptámos Maddie?; Audiolivro do Diário da tua ausência, lido por Margarida Rebelo Pinto e apresentado por Pedro Abrunhosa; Como saber se o teu namorado é anjo ou demónio?. Não, não pensem que isto é uma pergunta à qual vou responder. Isto é um livro publicado em 2007. E, tal como os que referi antes, um livro que não devia ter sido publicado em 2007. Citei apenas alguns títulos porque, se fosse ler a lista completa, a emissão da Antena 3 não passaria disto no próximo trimestre. São aos milhares, meus amigos, os livros que não deviam nunca ter visto a luz do dia e das livrarias. E, no entanto, continuam a multiplicar-se mais depressa do que coelhos em tempo de cio; alastram-se pelos escaparates com mais velocidade do que um cancro maligno. Houve dois que tiveram um impacto impressionante: A Bruxa de Portobello, de Paulo Coelho, e Eu, Carolina, da Sra. Salgado. É que ambos possuem o dom do eterno lucro: saíram em 2006, mas no final de 2007 toda a gente continua a pensar que são novidades. Em relação a Eu, Carolina é fácil perceber: o livro transformou-se num sortido de bombons e polémica, é livro e filme ao mesmo tempo e, apesar de ter chegado às livrarias há um ano, foi com ele que, no Verão passado, os portugueses se deitaram sobre as areias finas da Costa da Caparica. Com Paulo Coelho, o caso muda de figura: já ninguém lhe liga, o homem é como um bibelot pendurado na estante de uma tia afastada, mas, ao 13º livro, continua a vender milhões. Por que raio ainda há gente a precisar de comprar A Bruxa de Portobello para perceber que aquilo é mau?! É um mistério que coloco à vossa consideração neste fim de ano, apelando a que o desejo da vossa 12ª passa seja dedicado ao final da carreira místico-literária de Paulo Coelho. Felizmente, 2007 não foi só feito disto, teve coisas boas: na música, por exemplo, o regresso de Robert Wyatt; nas artes plásticas, Rauschenberg em Serralves; e na literatura, no meio daquele lixo todo, em certos cantinhos obscuros, houve o regresso de Alberto Pimenta, de Adília Lopes e a reedição d’O poeta nu, de Jorge de Sousa Braga, o homem que resolveu o enigma do sorriso da Gioconda. Diz ele que «um dos meninos do Botticelli surpreendeu-a, de noite, com um dedo acariciando o baixo-ventre.» E foi a ele que ouvi um conselho que vos deixo para vos guiar nos momentos de 2008 em que decidam comprar livros, ir ao teatro, ao cinema, a uma exposição: "Se tiverem dois pães vendam um e comprem um lírio".

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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