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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

09
Dez07

Al Gathafi

condutoras de domingo
Está a decorrer – muito pertinho aqui dos nossos estúdios - a cimeira UE/África, que trouxe a Lisboa convivas tão divertidos como Robert Mugabe – um tipo que causa espécie aos ingleses - e Muammar Kadafi, um senhor que adora campismo.
Houve mil e uma histórias com a chegada dos líderes a Portugal, mas a mais curiosa, na opinião das Condutoras, foi a que envolveu Kadafi e a forma como ele se fez anunciar.
Alguns dias antes de chegar ao nosso país, Kadafi pôs a circular nos jornais, qual comitiva da frente, um anúncio de página inteira ao seu site pessoal. É de louvar a iniciativa, mostra que o irmão líder é um homem contemporâneo e dado às novas tecnologias. Podia ter optado por uma parada de elefantes, um desfile de escravos ou, simplesmente, um míssil de longo alcance. Não, optou pelo moderno site.
Mal viram o anúncio, as Condutoras foram logo investigar o site: www.algathafi.org. Ficámos muito desapontadas ao perceber que, afinal, esta página pessoal não é uma coisa tipo myspace, que dá para ver o perfil do líder, saber quais são as suas bandas favoritas, ver os vídeos mais divertidos... nem sequer o podemos adicionar aos nossos amigos!!! Ao menos que fosse um blog, tipo o do Pacheco Pereira! Mas, não, é um chatíssimo site institucional que serve apenas para divulgar as ideias de Kadafi sobre o mundo. E nós nem sequer podemos comentar, ou dar estrelinhas às que achamos mais divertidas. Ainda assim, é bem mais animado do que os sites do Manuel Monteiro. De qualquer forma, o melhor do site estava contido no anúncio publicado nos jornais, em que a propósito da vinda de Kadafi a Portugal se alertava para “certos aspectos na Convenção de Otava de 1997 sobre Minas Terrestres que servem o interesse da humanidade e, por isso, têm de ser implementados”, como por exemplo retirar as minas por explodir ainda existentes em 60 países, tratar das vítimas e reabilitar as zonas e tal... até aqui tudo bem. A parte boa, é quando se diz: “no entanto, existem outros aspectos que não podem ser aceites – a total proibição do fabrico e utilização de minas terrestres e a destruição das reservas das minas terrestres”. Ora aí está uma coisa que faz muito sentido: só está ok desminar os terrenos se for permitido pôr lá mais minas a seguir. É justo. Mas, o mais interessante é a razão que justifica a lógica kadafiana: “os países poderosos não precisam de minas para se protegerem. As minas são o meio de auto-defesa dos países fracos.” E a explicação continua, em jeito de chorinho e birra, tipo menino de bibe no recreio da escola queixando-se à professora que lhe roubaram o chupa: “os países fortes, que são capazes de violentar a terra dos outros para os destruir com as suas armas estratégicas mortais, nunca pensaram nas necessidades dos fracos que não têm armas ofensivas, que não têm outra coisa a não ser armas defensivas como minas”.
É de facto dramático! E na nossa humilde opinião justifica que se monte imediatamente uma acção humanitária de ajuda a estes pequenos povos que não têm mais do que uma pequena mina para guerrear. Devemos todos meditar nesta alerta deixado por Muammar Kadafi. Há gente que anda para aí a querer matar pessoas em barda e não tem como o fazer. Enquanto uns se empanturram com mísseis e bombas nucleares, há outros que só têm umas granaditas que nem enchem a cova de um dente. O que é Darfur comparado com isto?!  
Se calhar, é por isso que Kadafi prefere pernoitar em tendas quando viaja, por se sentir tão pobrezinho. Coitado. Pelo sim, pelo não, quando o senhor e a sua comitiva se forem embora da Barra de S. Julião onde estão acampados agora, passem um detector de metais pelo areal. Pelo sim, pelo não. 

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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