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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

09
Dez07

Condução Defensiva - Literatura Maddie

condutoras de domingo
2007 é um ano histórico para a literatura universal - foi este o ano em que se consolidou um novo género literário, a literatura Maddie. A literatura Maddie tem algumas afinidades com a literatura light: ambas exploram temas que, de tanto se falar neles, de tanto serem vividos, acabam por se tornar lugares-comuns; ambas almejam atingir o grande público e fazer muitos tostões à conta disso; ambas seduzem esse “grande público” com títulos bombásticos e apelativos que, em regra, pouco têm a ver com o que se passa dentro do livro. Para além disso, se, tal como dizem os que não gostam de Literatura, a grande vantagem da literatura light é pôr toda a gente a ler, aposto que, a partir de agora, a literatura Maddie vai transformar Portugal num país com elevados índices de leitura. Porém, apesar das semelhanças, a literatura light é superada pela literatura Maddie. Desenganem-se os que pensam que a literatura light é o mais digno ramo da literatura que nada acrescenta. Incorrecto! Esse lugar pertence à literatura Maddie, a literatura que nada de novo tem a dizer-nos. Ora vejam: ao contrário dos autores da literatura light, os da literatura Maddie recusam a ficção; eles movem-se para além dela, no campo das hipóteses, no campo das formas verbais conjugadas no condicional: poderá ter desaparecido dali, poderia ter morrido acolá, terão sido apanhados, e tudo “alegadamente”, claro. Mesmo os títulos, subtítulos e intertítulos da literatura Maddie têm um impacto emotivo junto do grande público que supera em larga escala o da literatura light. O que pode um Sei lá contra um Por que adoptámos Maddie? ou A culpa dos McCann? Nada, não pode nada. Porque a literatura Maddie apresenta, logo nos títulos, um rosto, um nome, ao qual as pessoas se atiram como cães a ossos. Há um palavrão para isto: não é fome, não é curiosidade; é sensacionalismo. E depois há ainda outro aspecto que coloca a literatura Maddie na pole position das literaturas que nada acrescentam: os prefácios assinados por nomes sonantes. É que estes prefácios conseguem ainda acrescentar menos do que os próprios livros. Francisco Moita Flores, por exemplo, chama ao livro A culpa dos McCann, que prefacia, “uma reportagem de grande fôlego”, sendo que este é o livro onde se sustenta que Maddie «continua sem aparecer e, à hipótese inicial de rapto, as evidências obrigam a que se considere, também, a da sua morte». A sério?! Terão eles a certeza do que escrevem? Ou dirão isto apenas “alegadamente”?!

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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