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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

04
Nov07

Sinais de Luzes - 4 Novembro

condutoras de domingo

Máximos
Para Pinto da Costa. Fiel aos seus princípios, como sempre. Na mesma semana em que defendeu a alteração das regras de fairplay, e declarou que a sua equipa não vai pôr a bola fora de cada vez que houver jogadores adversários caídos, voltou a casar-se com a sua ex-mulher. Ora esta é a demonstração máxima de fairplay: casar com alguém que o denunciou à polícia como agressor, dizendo mesmo que levou “uma valente estalada”. Isto são claramente entradas dignas de cartão amarelo, e uma visita ao estádio da Luz a convite de Vieira é mesmo conduta anti-desportiva. Mas Pinto da Costa mantém a calma, provando que falou verdade ao afirmar, na imprensa desportiva, que só quer contribuir para “a melhoria do espectáculo”. Sr. Presidente, devemos dizer-lhe que já começou a contribuir, e de que maneira! Com aquela bonita cerimónia na Quinta das Alfaias, que até contou com danças latinas, as preferidas de Filomena Morais, e a presença de Artur Jorge, Ramalho Eanes e o elenco dos Malucos do Riso entre os convidados. De certeza que foi um fartote de gargalhadas e de olhos a sair das órbitas, entre o bacalhau e o arroz de pato.


Médios
Para Sarkozy que, imbuído do espírito do Tratado de Lisboa, abandonou uma entrevista a meio, imitando as boas práticas portuguesas. Sarkozy foi ao programa “60 Minutos”, da cadeia americana CBS, e deixou a entrevistadora, a Ana Lourenço lá do sítio, a falar sozinha. Indignado com o facto dela lhe fazer perguntas sobre Cécilia, a sua ex-mulher, o primeiro-ministro francês tirou o microfone, levantou-se e atirou um seco “Allez, au revoir. Bon courage”. Assim se vê que, apesar de se inscrever claramente na tradição santanista, Sarkozy tem ainda um longo caminho a percorrer. Para já, tem de estar muito mais calejado no que toca a conversas sobre mulheres, devendo perguntar apenas “a qual das Ex se refere?”. Se, ainda assim, tiver momentos de indignação, não pode simplesmente levantar-se e sair. Tem de contar o seu dia, explicar que está ali com sacrifício pessoal, elogiar os bonitos olhos da apresentadora, e ainda lançar uma tirada eloquente e visionária sobre o estado do seu país. No caso francês poderia ser qualquer coisa como “François Mitterrand morreu”. Claro que tudo isto só funcionará se Sarkozy arranjar um braço direito cujo nome tenha a mesma dignidade política de um Patinha Antão.


Mínimos

Para a imprensa inglesa, personificada na pessoa de Tony Parsons. E olhem que é preciso ser-se importante para conseguir encarnar tanto tablóide junto. Mas este senhor é capaz. Num artigo publicado no The Mirror, diz-se indignado com as declarações do embaixador português António Santana Carlos ao The Times. Primeira causa de espanto: Tony Parsons lê o The Times. E faz muito mais coisas. Por exemplo, acusa a polícia portuguesa de ser espectacularmente estúpida e cruel e querer apenas esconder a sua incompetência. E, tudo isto, assim de repente porquê? Se nenhum pobre hooligan foi preso em Vilamoura por ter incendiado um condomínio? Por causa da Maddie, claro. Ou melhor, por causa de um velho pesadelo que persegue os jornalistas ingleses: o trauma dos senhores com bigode. Como se não bastasse terem já despachado Gonçalo Amaral, coordenador da PJ encarregue do caso McCann e acusado de ser amigo da pinga, e terem perturbado a vida recatada de mais uns quantos polícias e GNRs de farta bigodaça e apreciadores de caracóis, agora embirram com o pobre embaixador, que aconselham até a “manter a sua boca de comedor de sardinhas fechada”. Ó meus amigos, vamos lá ver se entendemos uma coisa: toda a gente sabe que a superioridade dos povos não se mede em termos de pilosidade facial. Já em termos gastronómicos… claro que sim! E uma sardinha assada com pimentos é bem mais digna do que peixe frito com batatas enrolado num jornal, empapado em óleo. Sobretudo se for na página de Tony Parsons.



António Santana Carlos é a mais recente vítima do movimento britânico contra o bigode português. Quem será a próxima vítima? Consta que, pelo sim pelo não, António Sala já rapou o seu.

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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