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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

25
Mai08

LA MSS

condutoras de domingo

Depois do rude golpe que o fumo de um cigarro desferiu sobre o jogging nacional, é a vez de o ciclismo provar que também não está propriamente “para as curvas”. No âmbito de uma investigação sobre doping, uma volta da PJ às residências e às instalações da equipa profissional de ciclismo LA-MSS descobriu substâncias e material comprometedor. E que reacções se registaram neste caso? O habitual... ou seja, no nosso país, quando um escândalo rebenta na comunicação social, os seus principais intervenientes encarnam três reacções-padrão. Há o tipo que «lamenta profundamente o sucedido»; depois vem aquele que arredonda a boca de espanto para dizer que «desconhece em absoluto quaisquer indícios de práticas ilícitas». E, finalmente, há o tipo que está impedido de actuar porque o caso escapa à sua esfera de acção. Só quem não consegue decorar bem este texto é que diz, no final de uma declaração, que ainda vai deixar de fumar. No caso da equipa de corredores da Póvoa do Varzim, soube-se que, perante a suspeita de práticas dopantes, os patrocinadores denunciaram os contratos. Mas nem isso deve ser preocupante já que a LA-MSS aguarda, com expectativa, pelo “efeito Kate Moss”, que se traduz numa ascensão espectacular na carreira, depois de se ser apanhado a consumir substâncias proibidas.

25
Mai08

Apagões

condutoras de domingo

Esta semana os apagões estiveram na moda! Durante o concerto de Adriana Calcanhoto no Coliseu dos Recreios ocorreu uma falha na rede eléctrica e o local ficou às escuras durante 20 minutos. Na Albânia, uma perseguição de um gato a um rato, digna dos clássicos desenhos animados “Tom e Jerry”, resultou na electrocussão dos dois animais e num apagão que deixou a capital da Albânia sem luz durante três dias. Quase parece que cada País tem os seus animais próprios responsáveis por apagões. Na Albânia são gatos e ratos. Em Portugal são cegonhas, lembram-se? E por falar em Portugal, na semana que passou a Ministra da Educação esteve apagada. O Futebol Clube do Porto apagou do seu historial a vitória da Taça de Portugal. E o Maniche foi apagado da Selecção Nacional. No estrangeiro houve mais um caso notório de apagão. A Amy Winehouse apagou várias vezes ao dia durante todos os dias da semana. Não se sabe o verdadeiro motivo mas quase de certeza que não envolve animais… E por último, o mais importante de todos os apagões da semana: foi despoletado numa viagem entre Lisboa e Caracas, e acabou por ser o último cigarro que Sócrates apagou!
 

25
Mai08

Matemática

condutoras de domingo

«Elementar, meu caro Stor»! Este bem poderia ser o comentário dos muitos alunos do 4º e 6º anos de escolaridade que esta semana realizaram prova de aferição de Matemática. Não estamos, propriamente, a falar de “sherlocks” da disciplina, capazes de relacionar dados que conduzam à resolução dos problemas. Falamos, sim, de uma prova de aferição que a Sociedade Portuguesa de Matemática classificou como sendo de uma «simplicidade infantil». Haverá, decerto, algum excesso de zelo nesta apreciação! É verdade que a prova tinha um número considerável de questões elementares. É verdade, também, que algumas delas nem testavam, propriamente, competências matemáticas. E é sabido que os alunos podiam levar calculadora. Ora, em bom rigor, não há como aferir que a prova era fácil! E custa ver que a Sociedade Portuguesa de Matemática tenha preferido censurar o Ministério da Educação, em vez de sublinhar o seu esforço para convergir com a média europeia, poupando os alunos a essa tarefa tão penosa quanto desnecessária: raciocinar! Controvérsias à parte, daqui para a frente, o verdadeiro desafio das provas de aferição deve ser o de descobrir as questões matemáticas que verdadeiramente apaixonam os alunos de hoje. Por exemplo: «Sabendo que o João já faltou 55 vezes à aula de Matemática, quantas faltas poderá dar para não reprovar?». Resposta, segundo o novo estatuto do aluno: «as que quiser».

25
Mai08

Indiana Jones

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Casaco de cabedal, chapéu poeirento e chicote na mão. Quase apostávamos que atendendo a este último pormenor, alguém fixou, por momentos, a imagem de Vítor Hugo Cardinalli. Mas o perfil que pretendemos evocar com esta descrição é, naturalmente, o do mais charmoso arqueólogo do mundo, agora de regresso. A quarta aventura de Indiana Jones - O Reino da Caveira de Cristal - estreou esta semana para alegria dos fãs que esperaram quase vinte anos desde «A última Cruzada», para voltar a ver o seu herói. Naturalmente, há quem pergunte se Indiana Jones, nascido nos anos 80 e convertido em ídolo de uma geração, tem ainda a mesma capacidade de entusiasmar plateias de todas as idades. Os portugueses, pelo menos, encontram motivos de sobra para idolatrar esta personagem. Os funcionários públicos, por exemplo, revêem-se em Harrison Ford, na medida em que este é mais um sexagenário a quem ainda não deram a reforma. Os jovens portugueses interessam-se por este herói porque acreditam que o Doctor Jones, mesmo sendo “cota” e professor, ainda consegue dar luta dentro de uma sala de aula. E ninguém duvida do apego dos militantes do PSD ao universo da arqueologia, já que também o partido gosta de desenterrar velharias.

 

25
Mai08

De Encontro ao Pára-Brisas - Refeitórios

condutoras de domingo

O ministério da educação anda preocupado com o que os alunos comem na escola. Sim, já não vale a pena preocuparem-se com o resto. Livros de ponto e manuais escolares são já assunto fora de discussão, vamos agora concentrar-nos nos menus. Há cada vez mais alunos obesos, e cada vez mais entendidos do ministério a querer travar esta tendência. Mas a roda dos alimentos já não convence ninguém, toda a gente sabe os únicos círculos alimentares que interessam aos miúdos são os maltesers e os tazos que saem nas batatas fritas. Portugal devia seguir o exemplo doutros países europeus. Por exemplo, em Inglaterra, a qualidade da comida servida nas escolas entrou nos programas eleitorais dos candidatos a primeiro-ministro, e foram proibidos chocolates e refrigerantes com gás. Ainda bem que Sócrates não se lembrou de fazer isto por cá. O mais certo era, poucas semanas depois, ser apanhado a saborear um kinder bueno e a beber uma 7up, no pátio da sua escola secundária. Alegando que não sabia que a lei se aplicava a comida com nomes estrangeiros. Na Finlândia é costume os jornais publicarem a ementa que vai ser servida nas escolas, para os pais estarem a par da sua composição. Havia de ser giro cá. A mesma ementa, no 24 Horas surgiria como “Escândalo! Miúdos comem bacalhau com batatas na segunda e red fish na quarta-feira”, enquanto que o Público daria certamente mais destaque ao acompanhamento “Tubérculo é rei e senhor na corrente ementa”, diriam eles. Mas a medida que eu mais gostava de ver aplicada cá é a da Noruega. Os alunos levam comida de casa, geralmente sandwiches, o intervalo para almoço dura meia-hora e os estudantes não saem da sala de aula. Isto para além de não ser bom para a nutrição de ninguém – porque o mais certo era os miúdos levarem de casa umas sandes de cozido à portuguesa, também ia aumentar em muito o risco corrido pelos professores. É que estar com eles dentro duma sala a tentar dar aula já é perigoso. Imaginem dentro duma sala de refeições. A luta de comida seria o mais pequeno dos perigos. Aposto que se iam multiplicar no YouTube vídeos com miúdas histéricas gritando “dá-me a minha sande de torresmos já!”, enquanto outros coleguinhas batiam com pernas de frango e bifanas na professora. Enquanto estas medidas não são tomadas, as cantinas das escolas continuam mais parecidas com casas mortuárias. Não estou a insinuar que estejam lá congeladas coisas fora de prazo. Simplesmente são verdadeiros templos de silêncio e contemplação. Porque os alunos conhecem melhor a empregada do McDonalds do que a D. Neuza do refeitório. E vão ficar decerto felizes de saber que o McDonalds planeia lançar em breve o McTuga, ou seja, hamburguers de acordo com o gosto lusitano. Depois das famosas sopas, tememos que surja agora um McJaquinzinhoNuggets ou um Big Mac Bacalhau. A ver vamos…

25
Mai08

Choque Frontal - Feira do Livro

condutoras de domingo

Se o digníssimo ouvinte é fã de cenas de porrada, pode passar uma tarde a ver wrestling na televião. Ou ir ao cinema ver o filme novo de Jackie Chan e Jet Li, onde os dois asiáticos transformam piruetas-tipo-ginasta-russa em pancadaria. Ou, então, podem optar por ver porrada naquele que parece ser este ano o seu cenário ideal este ano: a Feira do Livro. Mas, para isso, avisamos já: é preciso gostar de lutas um bocadinho mais ao estilo do Jardim Infantil, com amuos, beicinhos e tiradas como “a bola é minha e eu agora levo-a para casa e mais ninguém pode brincar”. Quem diz bola, diz livro do Paulo Coelho em promoção.
Este fim-de-semana a Feira finalmente inaugurou, com a bênção da estátua sugestiva de Cutileiro. Mas a abertura esteve quase para não acontecer - tudo por causa do braço de ferro entre Leya e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Calma, a Leya não é nenhuma camionista que faz uma perninha num bar de strip: é o nome de uma editora. Ou melhor, de uma super editora. Paes do Amaral resolveu brincar ao Monopólio e desatou a comprar à maluca algumas das principais casas livreiras do país, como a D. Quixote, a Asa, a Oficina do Livro e muitas outras. Resta apenas saber se, neste Monopólio, lhe calhou aquele célebre cartão de “ganhou o segundo prémio num concurso de beleza, pode ficar com mais 174 editoras e afundar o mercado”.
Um colosso como a Leya não quis estar junto com a ralé da Feira do Livro e exigiu um espaço próprio, com actividades próprias e (o choque! O horror!) barraquinhas próprias. E isso é muito ingrato: aquelas tendas de contraplacado SÃO a Feira! As pessoas só lá vão para verem se este ano são verde-alface com bicho da madeira ou rosa-choque com peçonha. Isso é muito mais fascinante do que saber que o Grande Dicionário Dos Hamsters Alpinos está a dois euros.
A discussão sobre a Feira durou semanas, até que a Câmara de Lisboa fez o que qualquer pai que vê o Dr. Phil faria: ameaçou cortar a mesada a toda a gente. Por artes mágicas, lá ficaram amigos e já nos podemos todos passear na Feira, entre Proust e travestis do Parque Eduardo VII. E a Leya vai ter mesmo barraquinhas diferentes – resta saber se não vão ser tão espalhafatosas que toda a gente as vai confundir com as roulottes dos churros.
 

25
Mai08

Condução Defensiva - Livros

condutoras de domingo

Sugiro a todos os autores do mundo que venham até Portugal para se inspirarem. Portugal é um paraíso criativo, um estímulo à imaginação. Mas não apenas pelo facto de ter sol, luz, rios, mar e essas coisas bonitas. Portugal é O país que precisa realmente da quantidade de títulos que têm chegado às livrarias e que, noutro país do mundo, servem apenas para passar o tempo ou para deixar os leitores mais informados. Cá estes livros têm aplicação prática, eles alimentam-nos como dez doses de coca alimentam Amy Winehouse. Vou dar alguns exemplos, começando com uma obra de ficção. Chama-se A Loja dos Suicídios e, de acordo com o que está escrito na capa da edição portuguesa, é uma “pérola do humor negro”. Entre nós, este livro é muito mais que isso: ele é todo um colar de pérolas, ou melhor, é um verdadeiro diamante. Isto porque conta a história de uma família responsável por uma loja cujo lema é «A sua vida foi um fracasso? Connosco a sua morte será um sucesso». Ora, eu pergunto: que português não teve já, nos últimos anos, um acessozito, uma vontadezita, digamos, de se suicidar à maneira, de preparar uma morte porreira, livrando-se disto tudo, para sempre e à grande, numa espécie de festarola com material explosivo, DJ, pista de dança e uma série de remixes da marcha fúnebre?! Aposto que neste momento muitos de vós estão a pensar na razão pela qual investiram tanto no casamento em vez de gastarem uns contos de réis em materiais capazes de proporcionar uma morte em beleza. Lá está: fizeram isso por não haver entre nós uma família assim, com uma loja assim, uma família que nós queremos arrancar da ficção por sabermos que Portugal a merece. Assim como merece parte dos lucros das vendas dos manuais de auto-ajuda que têm sido editados. Estou convencida de que muitos são inspirados na realidade portuguesa. E os que não são pecam por isso. Vejam dois casos recentes. Quatro Horas por Semana é um livro que explica como trabalhar menos e ganhar mais. Não preciso dizer mais nada! Este é o assunto em que os portugueses andam a tentar especializar-se desde tempos imemoriais. Sobretudo a classe política, que tão bem representa a Nação. O outro título é dos que pecam por o seu autor não conhecer Portugal. Chama-se A Verdadeira Máquina de Ganhar Dinheiro e, se o senhor que escreveu este bestseller tivesse passado por cá antes de deitar mãos à obra, teria percebido como lhe tinham bastado 4 segundos para compor o livro, que ainda por cima seria ecológico, pois não obrigaria ao gasto de mais do que uma página, uma singela folhita, na qual apareceria: «A verdadeira máquina de fazer dinheiro é uma acumulação de apostas múltiplas no Euromilhões, de fé, esperança e rezas do terço e ainda de muitas horas de rabo enfiado no sofá em frente à televisão». E estava feito o livro, provando-se assim que Portugal tem de facto dado muitíssimo aos escritores deste mundo. Está na hora de receber algo em troca. Como, por exemplo, um pavilhão especial em todas as feiras do livro do mundo.

18
Mai08

Sinais de Luzes - 18 de Maio

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Mínimos

Para os futuros astronautas portugueses. Que apesar de ainda não existirem já merecem a nossa atenção, por tudo o que auguram de bom. Ernst Messerschmid, da agência espacial europeia, veio ao Pavilhão do Conhecimento desafiar os jovens portugueses a candidatar-se a astronautas. Nem sabe no que se mete. Em 1º lugar, nós cá estamos habituados a outro tipo de recrutamento. Naqueles anúncios assim: “jovem, gostas de aventura? Precisas de adrenalina e adoras botas de cano alto? Alista-te na força aérea”. E eles lá vão… Para as forças armadas, para a PSP, para a GNR… com a alegria de quem vai participar na 1ª Companhia da TVI. Com muitas flexões, mergulhos na lama, mas sem câmaras a filmar 24h e sem o Castelo Branco, o que já é um upgrade considerável. De qualquer forma, a vida de sonho que esperam encontrar mete: rancho servido na cantina, visitas à família ao fim-de-semana e jogos de cartas ao serão. O que é um pouco diferente da vida dum astronauta. Nós já tivemos turistas portugueses no espaço, o que não constituiu um grande problema… porque o português tem um talento irreprimível para ser turista. Desde o fato de treino ao calçado confortável, passando pela curiosidade por tudo o que é novo: seja um planeta distante ou uma marca de bolachas… Para turistas servimos na perfeição. Agora, isto de pôr portugueses a trabalhar a bordo de naves espaciais parece-nos perigoso. O mais provável é que as missões no espaço comecem a durar longos anos em vez de algumas semanas, que as refeições de bordo passem a contemplar feijoada à transmontana em vácuo, e que nos famosos canais de água descobertos em Marte comecem a aparecer bonitas fontes ornamentais e repuxos. Uma coisa é certa: um destes astronautas portugueses será famoso em breve. Não por dar um pequeno passo para si, mas gigante para a Humanidade, mas por ser o primeiro a sentar-se num novo planeta. Sim, toda a gente sabe que a grande prioridade dos portugueses, seja no autocarro para a Damaia ou fora do sistema solar, é sentar-se para descansar as pernas.

 

 

Médios

Para a ASAE. Já há muito tempo que não falávamos dela aqui. Ignorámos acontecimentos tão marcantes como ter afastado a gastronomia típica da semana da Ascensão da Chamusca, ou ter encerrado a Cantina da escola de S. Pedro do Sul. Resistimos até à descoberta de que a rigorosa ASAE afinal corre atrás de objectivos. No fundo, aquela que pensávamos ser a melhor brigada anti-porcaria e maus costumes, não passa dum bando de malta a correr atrás de queijinhos, como quem joga um gigante Trivial Pursuit. E foi precisamente quando um assunto de “queijo” se cruzou no nosso caminho que percebemos que não podemos continuar a passar ao lado da ASAE. Carlos Salgado era um simples cliente dum supermercado em Cascais. Até ao dia em que comprou um queijo fatiado cheio de bolor e manchas escuras. Indignado, ligou para essa entidade suprema que é a ASAE, uma espécie de super-herói da Higiene Alimentar. Mas, em vez dos exércitos de António Nunes vestirem a capa e voarem de imediato para o supermercado, limitaram-se a aconselhar o senhor a voltar ao supermercado e escrever no livro de reclamações. Grande coisa! Agora recuámos à era Pré-ASAE? A essa espécie de pré-história em que nos limitvamos a reclamar? Felizmente existia uma segunda opção: levar o queijo até às instalações da ASAE, em Lisboa, ou enviá-lo pelo correio! Os CTT se sabem disto é que não vão ficar muito contentes. Já estamos a imaginar carteiros a serem devorados por esta espécie de queijo mutante. Faz todo o sentido que os artigos podres e fora de validade circulem em envelopes almofadados pelo país. Afinal de contas a ASAE só é responsável pelas secções alimentar e económica. Não tem nada a ver com a área de distribuição e comunicações. Portanto se a próxima carta que lhe chegar às mãos estiver em avançado estado de decomposição, não estranhe. Provavelmente viajou acoplada a um iogurte com bífidus activos fora de prazo desde 2002.

 

 

Máximos

Para Marinho Pinto, o bastonário da ordem dos advogados. Que teve a coragem de enfrentar um assunto polémico, como a violência doméstica, e dizer “Basta!”. Não basta dos maridos baterem nas mulheres, basta é de ser crime público. De facto, era uma coisa que já começava a enjoar… isto dos vizinhos poderem dizer que viram a senhora do quinto andar a esvair-se em sangue nas escadas. Era muito promíscuo. Marinho Pinto fez a sua própria denúncia: apontou o dedo a um “feminismo entranhado” nas leis. Mais uma vez temos que lhe dar razão. Aliás, as dezassete mulheres que morreram já este ano, vítimas de violência doméstica, eram afamadas líderes do movimento feminista. Daquelas que queimam soutiens à janela e andam com fotografias “tipo passe” da Joana D’Arc, na carteira. Temos até uma sugestão para dar ao bastonário: quando forem esposas a bater nos maridos, continua crime público, quando for ao contrário – é crime privado. Aliás, para Marinho Pinto provavelmente os austríacos que aprisionam famílias na cave ou os alemães que congelam criancinhas, só devem ser julgados se alguém os acusar. Porque não pode haver crime mais privado do que os que se fazem no conforto da arrecadação ou da cozinha. Marinho Pinto considerou também a violência contra crianças e idosos mais grave que a doméstica… o que é desde logo interessante porque introduz uma nova escala. Os terramotos medem-se em graus na escala de Richter, os episódios de estalada e pontapé medem-se em gravidade, na escala de Marinho. Além disso, não nos parece que haja muitos velhinhos e miúdos a sofrer de maus-tratos fora de casa. Portanto os crimes realmente graves, para Marinho Pinto, devem ser as palmadas que as crianças levam no meio de restaurantes e centros comerciais, e os calduços que os velhotes dão uns aos outros nos jardins, no calor do jogo da malha.

 

 

18
Mai08

Hoje Deviam Fazer Anos

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Hoje deviam fazer anos Maniche e Marco Caneira, os grandes excluídos da convocatória para o Euro 2008. Toda a gente sabe que a vida costuma ser madrasta para os feios mas não se entende este critério de Luiz Felipe Scolari. Afinal de contas, num lote onde cabem Petit e Fernando Meira, não se vê motivo para excluir estes dois. Logo agora que nós até já nos tínhamos habituado a vê-los, e não fechávamos os olhos em cada corte de Caneira ou golo de Maniche! Para este último, então, a situação deve ser particularmente difícil, já que Jorge Ribeiro faz parte do lote de 23 eleitos. E já se sabe como é a rivalidade entre irmãos. Neste momento Maniche deve estar a reviver todos os conflitos da infância, em que lutavam os dois por uma gelatina de laranja e Jorge levava a melhor… Não é fácil, nós sabemos. Por isso preparámos uma grandiosa festa para Maniche e Caneira, com direito a matraquilhos humanos e jogos de subuteo. Tomámos a liberdade de convocar outros dispensados de selecções europeias, que partilham a mesma dor. Nedved, cujo problema se situa provavelmente a nível do penteado, Hakan Sukur, que ao que parece está com demasiadas rugas para os turcos, Izmailov e Sepsi… cuja aparência até escapa… mas o facto de jogarem no Benfica e no Sporting arruinou quaisquer chances. Enfim, já é um grupo numeroso e, para animar, nada como umas sessões de Euro2008 para verem que não perderam nada.

 

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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