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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

02
Mar08

Música, Maestro!

condutoras de domingo
Já estamos habituadas à febre das colecções. Aliás, estranhamos quando vamos comprar o jornal e saímos do quiosque sem dois fascículos, um dvd, um serviço de café, duas facas em inox e ganchos para o cabelo. Mas normalmente há alguma consonância entre o conteúdo dos jornais e das revistas, e as coisas que oferecem. O Jornal de Notícias oferece uma prática e útil caixa de ferramentas, que é para os empresários do Norte poderem pôr mãos à obra. O Público oferece grandes clássicos do cinema, para que os intelectuais possam deixar de citar apenas nomes de filmes que nunca viram. A Caras oferece saídas de praia e t-shirts feitas por estilistas. A Lux oferece badanas para a cabeça, e promove assim a utilização da palavra “badana”, caída em desuso há 30 anos. No fundo, é o que faz também com os dinossauros do mundo cor-de-rosa, que se conservam mesmo nas suas páginas. O Correio da Manhã, por exemplo, tem à disposição de todos – fieis e infiéis – a colecção “Via Sacra”. Cujo slogan é “Que esta colecção esteja consigo”. São 14 peças representativas do percurso de Cristo. Faz todo o sentido. Gente que lê o Correio da Manhã e acredita piamente em tudo o que lá vem só pode ser muito crente. Tudo isto faz sentido. Mas eis que resolvemos ir comprar o 24 Horas e deparamos com quê? Música, Maestro! 20 CDs com a selecção de música clássica e ópera, pelo Maestro Vitorino de Almeida. Desde quando é que uma pessoa que lê o 24 Horas está interessada na Truta, de Schubert? Mais depressa se interessa por uma Garoupa de Sesimbra, com todos. Os leitores do jornal não querem saber da Cármen nem do Barbeiro de Sevilha para nada. A não ser que haja rumores de terem um caso extraconjugal. A única coisa que pode despertar o interesse dos leitores são as capas dos cds. Por serem muito bonitas? Não. Por serem absolutamente hediondas, capazes de fazer o Beethoven mais parecido com o cão do filme do que com o compositor.
02
Mar08

Horóscopo - Sô Zé

condutoras de domingo
«Apesar de tudo, o Zé é um bom rapaz». Foi esta a frase que, ao longo da semana, inspirou e iluminou os astros; foi esta a frase que fez com que os astros não resistissem a traçar o horóscopo de José Esteves, ou melhor, «Sô Zé». É que a frase foi dita pela própria mãe do curandeiro e, quando uma mãe emprega um «apesar de tudo» referindo-se a um filho, a necessidade de conselhos astrais é urgente. Sobretudo porque Sô Zé está internado em estado crítico na Unidade de Queimados do Hospital de São José, em Lisboa, depois de ter sido vítima da explosão de uma bilha de campismo enquanto tentava inalar o gás da botija. Os astros comoveram-se com a vontade revelada pelo seu colega de profissão de se insuflar e ascender aos céus e, no campo da saúde, recomendam-lhe uma visita ao oftalmologista. Apesar de vidente, Sô Zé deve estar com a visão turva, pois não foi capaz de ler os avisos na botija, aqueles pequenos símbolos que aconselham a não usar fontes de calor perto da bilha. Esse teria sido o momento oportuno para Sô Zé deixar de fumar. Só que é precisamente o sentido de oportunidade deste bruxo que tem estado mais afectado. Não só Sô Zé tem andado a enfiar bombas em locais impróprios, como o avião que em 1980 transportou Sá Carneiro ou o carro de um vizinho estacionado à porta do prédio do curandeiro, como no primeiro dia em que foi visitado pela mãe no hospital pediu-lhe um cigarro.

Apesar de tudo, Sô Zé, os astros acreditam na sua recuperação e recomendam-lhe a ingestão em litrada dos seus chás, aqueles que vende online. Acabe com o stock do chá que baptizou com o seu próprio nome. Como purifica e desintoxica, talvez este chá o livre de todas as substâncias maléficas que tem ingerido nos últimos tempos, limpando-lhe a alma, o coração e o organismo de todas as impurezas e pensamentos pecaminosos. Beba entre 2 a 4 litros do chá Sô Zé, misture-o com meio litro do chá que facilita os enfartamentos, as azias e os gases e desista de insistir numa carreira perdida. O seu futuro reserva-lhe um novo caminho de sucesso: troque as visões e adivinhações esfumadas e fumegantes por um cargo de destaque na brigada anti-explosivos. Isto, sim, seria a total recuperação do seu sentido de oportunidade.
02
Mar08

Choque Frontal - Rui Santos

condutoras de domingo
Tenho a sensação que algumas preces foram ouvidas para os lados da SIC: 1º Fátima Lopes ficou sem voz, depois atacaram o Rui Santos. Ainda fiquei à espera que o Quimbé adormecesse de madrugada, por ter trocado os anti-depressivos por soporíferos. Mas já era pedir demais. Interessa deixar claro que as Condutoras condenam veementemente as agressões sofridas por Rui Santos. Por todos os motivos e mais algum. Para começar, é feio atacar os mais fracos, e toda a gente sabe que malta com farta cabeleira aos caracóis é debilitada. Em 2º lugar, ataques com barrotes é coisa fora de moda. Não se via a utilização desta arma desde o Cerco de Lisboa. Ou, lá para o Norte, desde o Caso Bexiga. Outro desperdício é terem feito tudo isto sem dizer uma palavra! Com tanta coisa que há para dizer àquele senhor. Foi o crime mais imbecil da história, porque nem tiveram a argúcia de levar o portátil de Rui Santos. Toda a gente sabe que aquilo é a caixa negra de tudo: da Superliga, dos fenómenos sociais e dos mistérios da Humanidade. Por fim, ou bem que se ataca, ou bem que se defende. Ficar por uma tentativa de agressão, é coisa de quem não vai aos treinos. Que o diga Rui Santos, que com certeza considerou esta táctica mais fraca que o losango de Paulo Bento. 3 encapuçados não foram capazes de fazer pressão alta nem de jogar pelas alas. Foi um ataque mais sofrível que o do Benfica. Mas abriu as portas para um acontecimento único: o comentador a comentar a sua própria vida. Trocou as chicotadas psicológicas por umas cargas de ombro mais reais. Diz que estava a falar com Luís Costa Branco, colega do Tempo Extra, quando viram 3 homens suspeitos aproximarem-se da cancela. Luís achou por bem despedir-se e rumar ao seu carro. Grande amigo! Se já desconfiávamos que era a Nayma quem vestia as calças lá em casa, agora temos a certeza. Rui Santos diz que o surpreenderam já dentro do carro e que os pontapeou com máxima violência. A questão que gostaríamos de colocar é: de 0 a 10, como classifica a eficácia do seu remate? 2,5 tipo Farnerud ou 9 tipo Lizandro? Com a perspicácia habitual, o comentador consegue assegurar que os agressores eram jovens. Terá feito esta brilhante dedução devido ao estilo negligé dos gorros? É que antes de ser especialista em transições defesa/ataque, Rui Santos é expert em combinações camisa/gravata. Não estou aqui para levantar faltas suspeitas mas acho que foi um crime passional. Vamos lá pensar: se a emboscada foi dentro das instalações da SIC, por 3 homens, não se está mesmo a ver quem foi? “O Dia Seguinte” não vos diz nada? É uma óbvia crise de ciúmes de Fernando Seara, Dias Ferreira e Guilherme Aguiar. Furiosos, porque as perguntas de Rui Santos têm sempre mais feedback que as suas sondagens.
02
Mar08

Apito Dourado

condutoras de domingo
Muitas pessoas queixam-se que, agora, se inventam todas as datas e mais algumas só com o intuito de oferecer prendas, importando-se formatos internacionais que nada têm a ver com a tradição portuguesa – como o Halloween ou o Dia dos Namorados. Mas a verdade é que em Portugal foi criado mais um dia em que se podem oferecer prendas e que é, de facto, bastante típico do nosso país. Agora que pensamos bem, também se podia chamar Dia de S. Valentim, mas neste caso o Valentim é barbudo e usa roupão. Este novo dia de se receber prendas ocorre sempre que há um jogo de futebol do Gondomar Sport Clube. E se o Natal é das crianças, esta nova quadra é dos árbitros. O tribunal começou já a ouvir os senhores do apito implicados neste processo contra Valentim Loureiro. E há muita confusão naquelas cabecinhas, pouco habituadas a receber afecto e carinho. Aquilo é gente que vê um embrulho com um laçarote e um papel garrido, composto com um cartão, e nem percebe que estão a receber um presente, um mimo. Os árbitros desvalorizaram as lembranças que lhes foram oferecidas, afirmando que nem tinham aberto muitas delas. Ora isto é de uma falta de educação nunca antes vista. São pessoas que não merecem nem um desinspirado cheque-disco, quanto mais uma prenda a sério.

Entre as lembranças oferecidas, encontravam-se fios de ouro e calças de ganga. Estranhámos Valentim Loureiro não ter oferecido microondas ou frigoríficos, a sua imagem de marca. Filipe Pereira, um dos árbitros, disse ao tribunal que as caixinhas com os fios de ouro só foram abertas quando já estavam todos no carro, na viagem de regresso a casa. E lá está, nova prova de que um árbitro é uma pessoa que só está habituada a receber manguitos e calhaus na cabeça: Pereira estranhou a prenda e comentou logo que se calhar o ouro era falso. Pensando, talvez, que ninguém a amaria o suficiente para lhe dar uma prenda tão linda. Mas não. As únicas falsidades foram resultados falsos, cartões manhosos e penaltis inventados. O ouro, esse, era de primeira categoria. Quanto aos pares de calças de ganga, parece-nos um upgrade interessante em relação à prenda típica “pares de meias turcas”. Há apenas uma coisa que nos perturba: como é que Valentim Loureiro sabia os tamanhos de roupa dos árbitros? Passou longas horas mirando-lhes o corpanzil e anotando “hmmm, este deve ser um M”? É que todas as mulheres sabem que os homens não pescam nada de comprar roupa para oferecer: não acertam nos cortes nem nos tamanhos. Como é que Valentim ia saber se o modelo mais indicado seria um “cintura descaída” ou um “boca de sino”?

Mas o momento alto neste caso das prendas dos árbitros ocorreu na passada quarta-feira, quando foi mostrada em tribunal A prenda. The one. A que tudo começou. A ambicionada. O Santo Graal dos Subornos de Vão de Escada (escada daquelas que dão para o balneário, claro está). Sérgio Pereira mostrou ao colectivo de juízes um apito dourado que afirma ter recebido de prenda do Gondomar Sport Club. Pois é: o nome Operação Apito Dourado não é o resultado de um brainstorming de criativos na PJ. O apito dourado existe MESMO. Ou seja: descrição e subtileza não são o forte desta gente. Quer-nos parecer que se alguém for visto a apitar um jogo com um apito todo bling-blig irá ser alvo de suspeita, não? “Ah que giro, aquele árbitro usa uns cartões vermelhos debruados a diamantes”. Pensamos que daria menos nas vistas ter alguém a arbitrar um jogo com um robot de cozinha e um fondue eléctrico debaixo do braço.
 
02
Mar08

De Encontro ao Pára-Choques - Coca TV

condutoras de domingo
Afinal, têm razão os que andam convencidos de que o mundo inteiro cabe dentro de um pequeno ecrã. É a televisão – e não Deus ou a religião – que tem a capacidade de unir povos e transformá-los numa grande e feliz família capaz de assistir às mais estranhas bizarrias. Refiro-me, como é evidente, à instalação de um novo canal televisivo na Bolívia. A iniciativa é iraniana, mas dirige-se a toda a América Latina. E porquê? Por ser sobre coca ou, pelo menos, a propósito dela. Quem o anunciou foi Evo Morales numa reunião de produtores de coca. Faz sentido: o líder boliviano, reeleito presidente do maior sindicato de produtores de coca do país, anda preocupado com aquilo a que chamou «a grande luta desse movimento campesino». E o que resolve fazer? Oferecer-lhes entretenimento e propaganda através de um canal de televisão com dinheiros iranianos e temáticas locais. Já estou a imaginar a Bolívia e, aliás, toda a América Latina sentada no sofá a assistir, de manhã, a boas doses dos concursos «Querido, consumi a coca» e «Quem quer ser produtor de coca?»; aos quais se pode seguir, durante a tarde, uma matiné de «Bolívia, com coca no coração», «TV Rural Para Produtores Certificados» e o «Programa do Provedor», com explicações recorrentes sobre o que distingue um traficante de droga de um produtor de coca. Depois, claro, seria perfeito um tranquilo serão com a melhor ficção sul-americana. É uma pena nós não termos por aqui perdidos no carro os contactos de Morales ou de Mahmoud Ahmadinejad para lhes ligarmos a propor que desafiem Rui Vilhena e a sua trupe ficcionista a adaptarem a novela Fascínios para a realidade sul-americana. Tenho a certeza de que o Rogério Samora causaria por lá a mesma sensação produzida, há anos e entre nós, pelas actrizes das novelas mexicanas. Mas talvez seja melhor não fazermos isso, meninas. É que os produtores de coca iam ficar todos agarrados à TV e a produção de coca sofreria uma queda certamente histórica. É esta a magia da televisão. E enquanto iranianos e bolivianos planeiam este novo canal só nos resta mesmo ficar à espera, rezando para que a TV Coca da Bolívia faça parte do pacote Funtastic Life.
02
Mar08

O que é Nacional é Bonzinho - Maria Duval Voltou

condutoras de domingo

                              

Se o Rambo e o Rocky Balboa têm direito a voltar à ribalta, Maria Duval tem mais do que isso. Tem o dever de regressar de forma épica às Condutoras. Já falei dela aqui há uns meses. Perguntei-lhe “está a falar de quê?” mas não houve nenhum espírito capaz de me dar a resposta. Por isso repito o chamamento. Em Novembro esta loira espampanante, que por sinal é vidente, precisava de pelo menos 177 pessoas para receberem grátis o seu segredo e um cheque de 100€. Agora já não dá a coisa assim de barato. É preciso superar uma dura prova: resolver o enigma do quadrado de ouro. As pessoas capazes de o fazer “vão ter uma sorte inesperada ao longo das próximas semanas” e receber 117.850€ a partir do fim do mês. E o que é o Quadrado de Ouro? É um desafio simples, e grátis! Um quadrado de letras onde temos de encontrar palavras como: dinheiro, sorte, felicidade, lotaria, herança ou milhão. Incrível: Maria Duval pode não ter poderes especiais, mas tem pelo menos uma bondade sobre-humana. Ela deixa-nos fazer a custo zero uma… Sopa de Letras! Se quiséssemos comprar uma edição de Cruzadex custava-nos uns bons 0,70€! Quem consiga completar este complexo passatempo merece um lugar no céu, ou pelo menos o tal balúrdio no fim do mês. Se respondermos no prazo de 5 dias ganhamos ainda um talismã e uma vidência grátis sobre o futuro próximo. Deve incidir portanto na próxima meia hora: Maria Duval adivinhará o que é o nosso almoço. Mas não fica por aqui. Noutro jornal, lança um apelo urgente: “Você nasceu entre 8 de Junho de 1932 e 26 de Novembro de 1989? Maria Duval tem a certeza que todas as pessoas nascidas entre estas 2 datas vão ter nas próximas semanas grandes oportunidades, especialmente no domínio do dinheiro”. É preciso que estas pessoas enviem o mais depressa possível, para a vidente, o Cupão de Revelação e Ajuda. Tendo em conta o estreito intervalo de 57 anos, que inclui todas as pessoas que, sendo maiores de idade, ainda estão lúcidas, é bom que Maria Duval tenha uma enorme caixa do correio. Vai ter um esgotamento! A única coisa que me descansa é saber que esta senhora não existe realmente. Quanto mais não seja porque a fotografia é a mesma há 20 anos e ela mora na “Remessa Livre 149”. É uma pena, eu adorava conhecer aquela que é descrita como “Vidente Nata” e “Radar Humano” por ter ajudado a polícia a encontrar pessoas desaparecidas. Lá está, se fosse real os McCann já a tinham contratado. Eles, como nós, não se lembram dela. O que é estranho, já que diz ter participado em centenas de emissões televisivas, ter publicado obras de referência e ter passado por muitas estações de rádio. Lá isso é verdade. Na Antena 3 acabou de passar agora.
02
Mar08

Prozac

condutoras de domingo
A quantidade de depressões profundas subiu em flecha esta semana. E porquê? Porque foi manchete em todos os jornais que o Prozac afinal faz tanto efeito como os placebos. Com a desvantagem de ser muito mais caro. Com isto, os fieis consumidores destes anti-depressivos viram os seus sintomas depressivos agravarem-se e muito! Os níveis de ansiedade e irritabilidade dispararam, sendo relatados casos de gente que atirou toda a sua farmácia doméstica pela janela, incluindo benurons e aspirinas que não tinham culpa nenhuma… O sentimento de tristeza persistente alastrou por todo o país, de norte a sul. Jovens, idosos, e malta de meia-idade entraram num ciclo vicioso de negação perante as capas de jornais e reportagens de telejornal. “Prozac não é eficaz!” é uma afirmação muito dura, mais insuportável que a morte daquele ente-querido, que o divórcio litigioso ou que o acidente que vitimou toda a família.

A verdade é que isto é uma autêntica não-notícia. É a mesma coisa que vir publicar que “transpirar não faz emagrecer” ou “engolir pastilhas elásticas não mata”. São coisas que todos nós sabemos, mas temos uma espécie de acordo tácito para não revelar. São os pequenos tabus do quotidiano. Por isso deixamos que aquela simpática senhora que corre na passadeira ao lado da nossa acredite mesmo que por estar de camisola de gola alta e cachecol vai emagrecer mais depressa. E deixamos que o nosso primo de cinco anos pense que engolir uma pastilha eslástica é meio caminho andado para as urgências. É uma espécie de pacto social: a verdade nua e crua pode ser demasiado cruel, não vale a pena cansar as pessoas. Por isso temos de condenar esta maldade que fizeram à malta depressiva. Se eles estavam contentes com a sua dose diária de Prozac, Seroxat e Efexor (todos misturados para dar mais efeito), para quê contrariar?

Isto sim, é um atentado à felicidade das pessoas. As que andam tristes e melancólicas e as que têm farmácias. É que o ano passado os portugueses gastaram mais de 150 milhões de euros em antidepressivos. E agora? De certeza que vão gastar o seu dinheiro para outro lado. Provavelmente em casinos, bares, discotecas… e no Toys R Us. Placebo por placebo, ao menos com estes a diversão é garantida.
02
Mar08

Aeroporto

condutoras de domingo
Há poucas coisas mais emocionantes nesta vida do que andar de avião. Para além de andar de carro, connosco, claro. E não estamos a falar da sensação de se estar a passear entre as nuvens enquanto se comem cacauetes. Estamos mesmo a referir-nos a todo o processo de entrar dentro do avião. Os aeroportos tratam de fazer-nos sentir possíveis terroristas - e a verdade é que os procedimentos de segurança conseguem ser tão irritantes que ficamos mesmo com vontade de ter trazido um bidon de gasóleo para dar cabo de meia dúzia de balcões de check in. Assim que pomos um pé no aeroporto com o nosso necessaire somos revistados por, pasme-se, ousarmos levar champô numa viagem. Somos interrogados sobre quem nos fez a mala, o que levamos nos rolos de meias e porque andamos por aí munidos com um corta-unhas sem termos licença de porte de armas. Aos olhos dos seguranças dos aeroportos, todos nós somos uns McGyver que consegue construir uma potente bomba com verniz das unhas e uma sandes do farnel. Se virmos nesta perspectiva, chega a ser lisonjeador. Os aeroportos acham que nós temos uma vida bem mais agitada e cheia de adrenalina do que aquilo que realmente acontece. Nós temos um quotidiano chatíssimo no escritório, mas eles imaginam-nos em cavernas a fazer vídeos. Depois de todos estes rituais de segurança, seria de pensar que nada escaparia aos olhos atentos dos fiscais. Mas em Heathrow, um dos aeroportos mais picuinhas do mundo, não foi bem assim. Na passada segunda-feira quatro activistas da Greenpeace contornaram as medidas de segurança e subiram para cima de um avião Boeing 777 para protestar. Repetimos: eles subiram para cima de um Boeing! Enquanto alguém estava distraído a apreender um iogurte liquido, quatro tipos encostaram um escadote ao avião e treparam para colocar faixas contra a construção de uma terceira pista. Moral da história: é mais fácil um marmanjo colar no avião um cartaz gigante a dizer “Soraia, curto-te bué” do que passar pelo controlo com um desodorizante.


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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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