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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

24
Fev08

As Cheias, a Maria Elisa e a Dona Augusta

condutoras de domingo

Esta semana, muitos portugueses pensaram que estava na hora de pegar em casais de animais e nalguns pedaços de contraplacado e construir uma Arca de Noé. As chuvas caíram torrencialmente, provocando caos e destruição como há muito não se via no nosso país. Ao longo da passada segunda-feira foram mesmo especuladas culpas pela situação de catástrofe, com Ministro do Ambiente e autarquias a trocarem bocas e indirectas. Mas nós sabemos de quem foi a verdadeira culpa: de Maria Elisa.
A jornalista passou parte considerável do serão anterior a recordar as cheias de 67. E o que é que acontece depois? Cai um vendaval durante a noite e sucedem as piores cheias desde 67. Maria Elisa irritou os deuses da meteorologia e foi o que se viu. Até temos medo de ver o tema do programa que vai fazer esta noite.  A situação foi obviamente alarmante, mas não faltou quem seguisse a máxima dos Monty Python de “always look on the bright side of life”. Que é como quem diz: houve quem tenha conseguido aproveitar as partes boas da situação. Foi o caso de uma senhora que apareceu no noticiário da SIC: água pelos joelhos, sacos de plástico do Minipreço por todo o lado e um sorriso nos lábios. Tudo porque tinha aproveitado caos das enchentes para agarrar tudo o que passava por si a boiar. “Já tenho um gel duche e uma camisola”, dizia orgulhosa. Quando questionada pelo jornalista sobre o porquê de estar a voltar a essa prática milenar e digna das Cruzadas que é a pilhagem, a senhora respondeu em jeito guinchado e queixinhas: “vi os outros a fazer e fiz também”. O que é ficar-se com a casa tipo Aquaparque quando se pode ter um Badedas à borla? Há que ter prioridades, que as mistelas para lavar o corpo estão pela hora da morte. Outro fenómeno interessante foi o do apelo ao chamado “jornalismo do cidadão”. Bastava um telemóvel com câmara fotográfica para se poder ser um honroso candidato a um Pulitzer. Os canais de televisão exaltaram a importância do cidadão comum, por um dia essencial aos serviços informativos por chegar onde os outros apenas almejam. Esperamos apenas que esta vaga de “jornalismo do cidadão” não se fique por aqui e que tenhamos em breve a Dona Augusta de Monte Abrãao a apresentar o Jornal da Noite. Talvez não fique tão bem de decote como a Clara de Sousa, mas não se pode ter tudo.
24
Fev08

Agarrado ao Pára-Choques - O Couvert

condutoras de domingo
A Associação Portuguesa de Direito do Consumo lançou esta semana um alerta capaz de mudar, para melhor, a vida de centenas de portugueses. Qualquer consumidor pode recusar-se a pagar o couvert nos restaurantes, mesmo que o tenha comido. Finalmente percebemos que a mais velha, e pior, piada de sempre tem fundamento! Aquela cena feita e refeita 100 vezes pelos Malucos do Riso, naquele cenário de marisqueira. Eu não queria mas… Vou contar. O empregado quer cobrar a um casal 1€ pelo pão, que eles não comeram. E diz-lhes: “não comeram porque não quiseram, que ele estava em cima da mesa”. Ao que o senhor responde: “então deve-me 50€ por ter apalpado a minha mulher”. O empregado nega tudo, mas o homem diz: “não apalpou porque não quis, ela sempre esteve aqui”. E pronto. Depois disto o quê? Aqueles olhos a sair das órbitas à la Malucos do Riso, gargalhadas enlatadas, alguma náusea por parte do espectador e … nada. O assunto caía sempre no esquecimento. Nunca foi tratado com a seriedade merecida. Mas chegam agora os Defensores do Consumidor para nos salvar. A questão resume-se a isto: o que não pedimos, não temos de pagar.

Ora se em cima da mesa já estão pães, tostas, manteigas, patês, queijos de Nisa, presunto serrano e pastéis de bacalhau, isto são ofertas da casa. Se lá estiver também um bonito candelabro, quatro bases para copos, um saleiro, um pimenteiro, um centro de mesa, pratos e talheres, podemos sentir-nos à vontade para levar. Nós não pedimos a ninguém para trazer a toalha, nem os guardanapos, nem mesmo a cadeira onde nos sentamos por isso… Se quiseram oferecer, sujeitam-se à nossa livre – e correcta – interpretação da lei. Acho que podemos até começar a ir jantar fora e ficar só pelo couvert. Depois do pãozinho levantamo-nos, agradecemos (porque é de bom tom) e saímos. Segundo a lei, “o consumidor não fica obrigado ao pagamento de bens ou serviços que não tenha prévia e expressamente encomendado ou solicitado”. Acho que isto deve estender-se a outras áreas de actividade. Por ex: no hipermercado nós não pedimos nada. Se aquelas coisas estão ali todas ao alcance da mão é porque podemos trazer. O mesmo quando vamos ao médico. Tirando as pessoas mais dramáticas, que se ajoelham e suplicam “doutor, cure-me por favor!”, nós vamos simplesmente ouvir o que têm para dizer. Não solicitamos nada. E o mesmo se passa com as portagens, ou os parques de estacionamento. Eu nunca pedi a ninguém que me fizesse parar no meio da auto-estrada, ou que me deixasse parar o carro entre dois tracinhos. Não encomendei o serviço, não tenho de o pagar. “Não há almoços grátis” é uma frase que passou à história a partir deste momento!

24
Fev08

O que é Nacional é Bonzinho - Droga na PJ

condutoras de domingo
Nós já sabíamos que Portugal é um país pequeno, onde famílias inteiras se amontoam em pequenos T2s e T1s, onde as estradas são poucas e apertadas para tantos carros, onde os deputados da Assembleia da República se sentam tão coladinhos uns aos outros que nem se percebe a diferença de bancada para bancada, em suma, um país onde há uma enorme falta de espaço. O que nós não sabíamos é que este problema também atinge, há cerca de duas décadas, os cofres da Polícia Judiciária. Ou devo dizer as caves? Talvez, tendo em conta que é lá que se acumulam, há coisa de 20 anos, doses de droga capazes de pôr 10 milhões de portugueses “em altas”. A culpa parece ser dos tribunais que têm que dar ordem de destruição das centenas de quilos de estupefacientes abandonados no cofre da Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes da PJ, na Avenida Duque de Loulé, em Lisboa, aqui tão perto. Ora, isto leva-me a pensar que os juízes estão convencidos de que a droga é como o vinho: bem armazenado, numa sala escura, fica ainda melhor. Neste momento, alguém deve estar a pensar «Uhmm... Que bela festa vai ser aquela, com direito a uma boa dose de Cannabis Reserva Quinta da PJ Colheita 1988». Mas desiludam-se, caros magistrados, a droga estraga-se, seca, altera-se. Por isso, e tendo em conta que a nossa atitude ecológica e verde nos obriga a lutar contra todo e qualquer tipo de desperdício, recomendamos o seguinte aos funcionários da PJ que já não sabem onde armazenar as várias toneladas de estupefacientes que recebem anualmente: rapazes, das duas uma, ou organizam uma mega-festa de droga vintage que, certamente e se tiverem por aí muita coca, é capaz de se tornar no evento mais bem frequentado, concorrido e badalado de sempre na História da Borga Nacional, ou, se acreditarem no chamado efeito placebo, vão por este país fora, de sala de chuto em sala de chuto, distribuir saquinhos pelos toxicodependentes. A escolha é difícil, eu sei, nunca se deve propor como alternativa ao bem comum o lazer desenfreado, mas qualquer das hipóteses demonstraria que a PJ não está nada paralisada e que até faz mais do que os serviços mínimos garantidos, ao contrário do que anda para aí a dizer o investigador criminal Carlos Anjo. Se nada disto funcionar e tiverem mesmo que esperar pelas ordens do tribunal, o meu conselho não pode deixar de ser dado aos ouvintes, visto que a PJ terá mesmo que aguardar. Caro ouvinte, de agora em diante, ponha o ouvido à escuta, esteja atento, informe-se, tente descobrir onde e quando vai ser incinerada esta dose cavalar de droga e, assim sem mais, sem gastos, sem preocupações, sem a polícia à perna, apanhe a moca da sua vida.
24
Fev08

Lei do Tabaco

condutoras de domingo
Por falar em cigarrinhos: os defensores do tabaco continuam determinados em arranjar uma boa “excepção” para que se possa fumar em lugares fechados. Esta semana, a Associação de Bares e Discotecas da Zona Histórica do Porto saiu-se com esta interessante e curiosa ideia: transformar os bares e discotecas em associações culturais e recreativas sem fins lucrativos. Toda a gente se apressou em repudiar esta ideia mas, francamente, achamos que foi uma atitude precipitada. Se pensarmos melhor, esta aproximação das discotecas aos clubes recreativos até é capaz de ser bem boa. Se for uma associação sem fins lucrativos, significa que não podem fazer dinheiro, logo não pode haver caixa, logo os copos são à borla. E isso é bom para todos. A noite transforma-se numa enorme happy hour. É certo que sendo um clube recreativo, em vez de um DJ, vamos passar a ter de gramar com bandas de versões foleiras, com nomes como “Quartzo 2000” ou “Conjunto Bruno e Valter”. Mas também se a bebida for de graça ninguém vai estar sóbrio o suficiente para se importar com isso. De qualquer maneira, não deveria ser isto que a Associação de Bares e Discotecas do Porto teria em mente quando pensou nesta proposta que, lembramos, tem como único objectivo contornar a lei do tabaco. Mas, ser era de facto, para aproximar a vida nocturna do imaginário mais popular e típico, então, não era preciso ir para as associações recreativas. As feiras, também, são muito boas e também metem bailaricos. E se pensarmos bem, tem muito mais a ver com a noite do Porto. É uma questão de pôr os carrinhos de choque a andar mais depressa e de substituir as espingardas das barracas de tirinhos por metralhadoras a sério. Ainda assim, não nos parece que seja por aqui que vão conseguir a tão desejada permissão para fumar. Já tentaram o estatuto de casinos, agora as discotecas querem ser associações recreativas. As Condutoras têm uma ideia muito melhor: peçam o estatuto de cinzeiro. É capaz de resultar melhor.
24
Fev08

ASAE contra ASAE

condutoras de domingo
Há uns anos apareceu um Oscarizado filme chamado “Kramer Contra Kramer”. Pois esta semana ficámos a par de informações que dariam uma longa-metragem de seu nome “ASAE Vs ASAE”. Isto porque a ASAE está a faltar ao respeito a ela própria. Anda armada em bipolar, oscilando duas personalidades diferentes que não se conjugam e ameaçam andar à batatada. Como se fossem duas gémeas daquelas das novelas da TVI, uma boazinha e outra má como as cobras. O Jornal de Notícias publicou que a sede da Direcção Regional do Norte da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, no Porto, não cumpre algumas das regras que aquela mesma entidade obriga tudo o que é estabelecimento e vendedor de Bolas de Berlim a cumprir. Parece um daqueles progenitores que proíbem uma coisa ao filho na base do tabefe e que depois vai ele próprio fazê-lo.”Ah, não podes estragar o apetite para o jantar”, e depois toca de se irem alambazar com gomas azuis e chantilly daquele em spray. A dita sede não faz a coisa por menos e tem um impressionante rol de infracções: falta-lhe o dístico vermelho de proibido fumar, tem um aviso escrito apenas em português (quando tem também de incluir o francês e o inglês), não tem o horário de funcionamento afixado, não tem extintor nem sinalética, não tem protecção nas lâmpadas fluorescentes e tem um balde do lixo sem tampa. Ora estamos portanto perante um caso em que a ASAE… pode fechar a própria ASAE. Nós sabíamos que era uma questão de tempo até este dia chegar: com a quantidade de sítios que já fecharam começavam de facto a escassear alternativas. Mas há que relembrar que a própria ASAE não se rege pelos mesmo princípios do que nós, comuns mortais que não “amukinamos” devidamente todo o nosso espaço circundante. Basta relembrar o célebre caso do “cigarrinho no Casino”, que demonstra bem que a ASAE é tão competente que até se oferece como excepção para confirmar a regra.
22
Fev08

Kalaf

condutoras de domingo

No próximo domingo, dia 24, estaremos à conversa com Kalaf.

Muitas vezes apelidado de "poeta cantor", Kalaf está envolvido numa enorme quantidade de projectos musicais, tem a sua própria produtora - Enchufada - e é o mais recente cronista do jornal Público. Vamos falar sobre o poder das palavras, sobre as boas ideias, e sobre tudo o que se atravessar no nosso caminho - inclusivé receitas culinárias. Este domingo, como sempre, entre as 11:00h e as 13:00h, na Antena 3.

 

 

 

17
Fev08

Sinais de Luzes - 17 de Fevereiro

condutoras de domingo
Máximos
Para Cavaco Silva. Ou melhor: para a partida que “nuestros hermanos” lhe pregaram. Então o nosso presidente da república viaja para Espanha convencido que vai receber tratamento VIP, numa cerimónia solene para se tornar doutor de forma mais rápida e fácil do que Sócrates se tornou engenheiro… E afinal de contas vai mas é participar numa encenação, uma espécie de sarau de Natal fora de época!? Cavaco acabou por alinhar num festejo híbrido, entre a solenidade dos doutoramentos honoris causa – com a parte do discurso formal, e a descontracção dos cortejos de Carnaval – tendo em conta a farpela que lhe enfiaram. E sobretudo, o chapelinho que tinha na cabeça! Que fez dele o melhor compromisso jamais conseguido entre: um abajour de casa das nossas avós e a célebre Ana dos Cabelos Ruivos. Nós, povo de Portugal, devemos estar orgulhosos, por termos o primeiro Presidente capaz de criar esta simbiose mágica entre peças decorativas dos anos 30 e animações infantis. Temos também a certeza que disse coisas muito acertadas no seu discurso, mas não conseguimos ouvir uma palavra que fosse. Concentradas no abanar compassado das franjinhas do chapéu! Ao mesmo tempo toda aquela cerimónia dava ares de jogos sem fronteiras, com as equipas verde, azul, laranja… Apesar da equipa de León estar em superioridade numérica, o nosso Cavaco, representando os cor-de-laranja, não se saiu nada mal. E, mais importante de tudo: no meio daquele folclore todo, de capinhas e chapéus coloridos, apenas três pessoas pareciam bem vestidas. Quem eram elas? Os príncipes das Astúrias, Felipe e Letícia, e ainda… Maria Cavaco Silva! É verdade. Ascendeu a esse patamar real de gente fashion, e isso é o maior progresso que podemos desejar para Portugal. Maria Cavaco Silva é agora “janota honoris causa”. Coisa muito mais importante que qualquer doutoramento!

 

Médios

Para Valentim Loureiro. Que voltou, finalmente, a tribunal. Um regresso aguardado por todas nós, que recordamos com saudade o episódio em que a filha abraçou o pai Loureiro, de roupão no seu jardim. Gritando a plenos pulmões: “Tenho orgulho, muito orgulho neste pai!” Mas este reencontro com a justiça foi, acima de tudo uma desilusão. Uma coisa morna, sem gritos – o que é difícil quando falamos do Major, e sem um pijama ou uns chinelos de quarto que seja… Tudo muito sóbrio. À entrada do Tribunal de Instrução Criminal do Porto Valentim disse apenas que “vai ser quinze a zero”. Nitidamente esclerosado, o ex-dirigente do Boavista equivocou-se. Provavelmente pensou que o estavam a levar para o camarote VIP do Estádio do Bessa. Valentim Loureiro recordou aos jornalistas que já intentou uma acção ao Estado, por ter sido afastado da presidência do metro do Porto, e garantiu que pensa mover outra acção. Desta feita, para ser ressarcido dos prejuízos e danos morais sofridos pelos seus familiares. Lá nisto, Valentim tem alguma razão. Quer a filha, que fez aquelas bonitas figuras, quer João Loureiro, essa estrela decadente da pop nacional, são pessoas que sofreram danos irreversíveis. Mas parece-nos que Valentim está a levar demasiado longe a teoria de que a culpa é sempre do Estado. Desta vez os governantes estão inocentes. A não ser por não terem incluído uma alínea na lei do ruído, sobre progenitores que falem alto demais. É que os traumas irreversíveis sofridos pelas crianças Loureiro foram ao nível do ouvido interno. E quanto a isso, o colectivo de Juízes do Apito Dourado nada pode fazer. A não ser que, para além dos árbitros, haja suspeitas de corrupção passiva de otorrinos e pediatras.

Mínimos
Para Susana Barbosa. Ainda não conhece? Em breve vai conhecê-la tão bem como Sá Carneiro ou Lula da Silva. E não vai ser preciso despenhar-se de avião ou meter-se nos copos. É que esta empresária Aveirense, casada e com dois filhos, tem um vício que vai torná-la famosa. Algumas mulheres usam as compras como forma de libertar o stress, outras preferem o ginásio, e há ainda as adeptas dos chocolates. Mas Susana Barbosa tem um passatempo diferente para aliviar tensões. Fundar partidos. Isso mesmo. Para quê gastar 5€ em comédias românticas, ou um balúrdio num par de sapatos, quando pode simplesmente criar-se uma nova força política? Susana foi fundadora do PND – Partido da Nova Democracia, que acabou por abandonar no fim do ano passado, em rota de colisão pessoal e política com Manuel Monteiro. Agora, está à frente da comissão instaladora do PL – Partido da Liberdade. Diz que já tem meio milhar de inscrições de militantes, que é uma forma pomposa de dizer que tem 500 assinaturas. A verdade é que recolhê-las é um exercício tão bom para o coração como caminhar 30 minutos à beira mar ou subir e descer escadas. Este hobbie eleito por Susana Barbosa parece-nos bastante apetecível. Até porque mete eventos e festas, que são sempre de louvar. Ela espera fazer o congresso fundador ainda este ano, uma óptima ocasião para dois dedos de conversa e alguns canapés. Susana vai ainda mais longe e diz que o Partido da Liberdade quer ser o “BÉ da Direita”. E não há coisa mais in do que o BÉ, toda a gente sabe isso. Por alguma razão deixou de ser “Bloco de Esquerda” e passou a ser apenas “BÉ”. Estas siglas funcionam para os partidos políticos como os diminutivos para as tias. Para quê ser Maria Alice quando se pode ser Lili? De resto, é tudo igual. Pouco importa se as pessoas lêem Trotsky ou Margarida Rebelo Pinto, deve pensar Susana Barbosa. E tem toda a razão, o que importa mesmo é que as pessoas se reúnam e não pensem nas agruras da vida. E não há nada melhor do que debates políticos para esvaziar a cabeça. É isso e telenovelas.

 

17
Fev08

Hoje Deviam Fazer Anos

condutoras de domingo
Hoje devia fazer anos... a pequena Esmeralda. Em primeiro lugar porque Portugal não é um bom sítio para se ser “a pequena” seja o que for. A pequena Joana, filha de Leonor Cipriano, nunca mais foi vista. A pequena Maddie é muitíssimo vista, mas só em capas de jornais e bombas de gasolina. A pequena Esmeralda fez anos esta semana, mas devia fazer hoje outra vez. E não seis, mas sim dezoito! Para se livrar duma vez por todas dos dois pares de pais que tem atrás dela. Nós bem sabemos como são aborrecidos os compromissos familiares, agora imagine-se ter tudo a dobrar! A verdade é que, apesar de ter recebido na terça-feira uma televisão da Barbie, como prenda de aniversário, isso não compensa seis anos de vida a fazer e desfazer malas. É que por muito pequenas que sejam, é sempre uma canseira. E já está mais que provado que o Sargento Luís Gomes e a esposa Adelina Lagarto, apesar de não terem qualquer sentido estético para escolher as roupitas que vestem, são bons pais para a miúda. Isto parece-nos mais um caso em que a obsessão pelos produtos biológicos está ser levada longe demais. Faz lembrar a malta do Movimento Verde Eufémia a destruir milho transgénico. Neste caso, também defendem Baltazar Nunes e Aidida Porto como se, por serem pais biológicos, fizessem melhor à saúde da pequena Esmeralda. Assim de repente, até parece que o Sargento é geneticamente modificado. Bem, ADN à parte, o que podemos desejar a Esmeralda é que goze da melhor maneira os 18 anos que festejamos hoje. Em primeiro lugar, que saia de casa. Das duas casas. E que volte apenas para almoçar ao domingo. É óbvio que escolherá a casa dos pais adoptivos, porque aqueles Baltazar e Aidida nunca tiveram ar de quem tem mão para a cozinha. Já Luís Gomes, é com certeza autor dum belo bacalhau à lagareiro. Bom apetite Esmeralda, e muitos parabéns!
17
Fev08

Carla Matadinho Ama os Cães

condutoras de domingo
Um poço de bondade – para não dizer de virtude – é também Carla Matadinho que, esta semana, surgiu perante nós como a fada madrinha dos animais abandonados. No site da Carla Matadinho há agora um espaço privilegiado para divulgar bichanos sem dono e tentar encontrar um novo lar para eles. É caso para dizer: Carla Matadinho é mesmo boa… pessoa! Passe o termo camionista...
E as Condutoras pensavam que este site só servia para “vender” a Carla Matadinho, ou como desculpa para fazer festas… Mas afinal é muito mais do que isso! O site é muito divertido e completo. É possível ver fotos sensuais e vídeos de Carla Matadinho. Ficamos a saber pormenores incríveis sobre a vida da ex-Miss Playboy tais como ter tirado um mini curso de jazz e ter feito dobragens no filme “Barbie e a Fayritopia”. Também é possível comprar relógios. Mas a parte mais interessante é uma entrevista que só está acessível a quem estiver registado no site. Será uma entrevista da Miss Portugal ou da Miss Praia de Carcavelos? Não! A entrevista é à Miss Sociedade Civil, Fernanda Freitas…


Mas voltando à solidariedade e aos animaizinhos, na notícia diz que divulgar os animais abandonados no site é uma tarefa bastante simples… A sério?? As Condutoras estiveram no site e fizeram uma pesquisa exaustiva mas a única alusão a cães no site é a de que a Miss Internet Mundial adora passear o seu samoiedo e o seu teckel alemão na praia… Ou nós somos muito taralhocas, ou este tipo de solidariedade é muito à frente!

17
Fev08

Estação de Serviço - Moldura Tiro ao Alvo

condutoras de domingo
Em Fevereiro assistimos a uma gradação ascendente de estrangeirismos foleiros por cá. Depois dos desfiles de Carnaval, com chuva, nevoeiro e uma data de gente semi-nua, segue-se o quê? O Dia de São Valentim. Para ser perfeito só faltava que o Halloween fosse até ao fim do mês e ficava completo o rol de festejos imbecis. Desde quando é que peluches com cupidos ou abóboras a rir são costumes tradicionais? Bem, como costuma dizer-se: “em Roma, sê romano”. Que equivale mais ou menos a isto: “Em Portugal, sê parvo”. Por isso não vou deixar passar incólume esse dia tão bonito que é o dos Namorados. Na Estação de Serviço de hoje podia comprar uma data de artigos. Daqueles que envolvem corações encarnados, baladas românticas, flores artificiais, ursos fofinhos, e as expressões “cara-metade” e “mais que tudo”, que são sempre de louvar. Podia até comprar caixas e caixas de bombons. Que isto vem mesmo a calhar para quem acha que o Natal e a Páscoa são muito afastados. É o pretexto ideal para aumentar os índices calóricos. Mas não vou comprar nada disso. Gosto sempre de pensar no que pode dar para o torto. Por isso trago-vos a moldura tiro ao alvo. A descrição do produto é melhor do que qualquer poema de amor. “A sua cara metade magoou-o? Os seus colegas de trabalho são insuportáveis? O seu melhor amigo tornou-se um inimigo? Daqui em diante, para descarregar a raiva, basta pegar numa foto, inseri-la na moldura alvo, carregar a pistola e disparar contra aquele rosto antipático que o está a entristecer ou a irritar!”. Isto é perfeito, porque nunca se sabe o que pode acontecer num jantar romântico. Imagine que os legumes au gratin saem esturricados, que as velas aromáticas não acendem ou que ao puxar a cadeira para trás num acto de cavalheirismo inusitado, provoca uma fractura craniana. Pode ser o fim duma linda relação. Anos e anos de namoro, terminados abruptamente, ainda antes da sobremesa. O que fazer? Nada de rasgar ou queimar todas as fotografias, num rasgo de loucura típico dos apaixonados. Nada disso.

Aproveite uma das muitas fotografias do ex-namorado, ou namorada, coloque-a na moldura e faça pontaria. A embalagem traz 3 munições com ventosa, por isso tem três tentativas. Já se sabe que nestas coisas do amor muitas vezes não se acerta à primeira. Este é o primeiro artigo no novo ramo de produtos amor/ódio, no catálogo Dmail. E aposto que é também a machadada final nos bonecos de Voodoo (que frase engraçada: esqueçam os alfinetes, aqui faz-se voodoo com machados). Para quê um boneco quando pode ter mesmo a cara daquele estafermo, impressa em reluzente papel fotográfico?

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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