Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

23
Dez07

Cristiano Ronaldo não teve direito a prenda

condutoras de domingo
Cristiano Ronaldo fez furor com um anúncio em que devolvia a pujança erótica ao já banalizado colchão. Mas a verdade é que na passada segunda-feira, ele lembrou-nos foi outro anúncio mítico, em que um outro desportista declarava ter “cara de miúdo”. Cristiano Ronaldo ficou com cara de miúdo – e um daqueles que se prepara para uma grande birra, com direito a espernear e a Transformers escangalhados de encontra a parede - porque Kaká voltou a ganhar-lhe numa corrida a uma estatueta dourada, desta feita o prémio da FIFA. Nós não só compreendemos como apoiamos a indignação do nosso madeirense. O Kaká?! O virgem, o que quer ser padre e o que proclama o nome do seu amigalhaço Deus por tudo e por nada? Toda essa pureza e devoção fazem-no parecer um “Anjo Na Terra” – e, diga-se, o Michael Landon também era bastante irritante.
Mas o trágico da situação não se ficou por aqui. Também o pequenino Leonel Messi lhe passou à frente, conquistando o segundo lugar e deixando Cristiano na ponta baixa do pódio. Admitimos que achamos Messi muito fofo. Mas também achamos gatinhos bebés fofos e não é por isso que pensamos que eles merecem um prémio por jogarem à bola com adoráveis novelos de lã! Chamam a Messi “o Novo Maradona” ... nós achamos que ele é mais o novo Dunga, o anão fofucho da Branca de Neve.
A noite de sonho transformada em pesadelo de Cristiano Ronaldo não se ficou por aqui. É que durante alguns segundos ele ainda agarrou nas suas mãos o galardão de prata, o que ao menos lhe dava a honra de ser o segundo do mundo. Mas tudo não passou de um engano de Pelé, agora mais empenhado em lançar discos do que no futebol. O brasileiro, num gesto sádico e digno de reprovação por parte das facções anti-tortura da Amnistia Internacional, fez confusão e trocou os prémios de Messi e Cristiano Ronaldo. Resultado: o prémio foi arrancado ao português, que ficou ainda com mais cara de quem queria colinho da mãe e um prato de panados.
Mas há que fazer-se um esforço para ver sempre o lado positivo das coisas. Cristiano Ronaldo pode usar esta experiência traumática a seu favor. Da próxima vez que quiser em campo atirar-se para o chão a chorar para ver se o adversário leva falta... só tem de recordar-se do sorriso panhonha de Kaká e fazer um ar sofrido. Também pode ser útil da próxima vez que precisar de umas lágrimas de crocodilo quando marcar contra o Sporting.

23
Dez07

Notícia Mais Insignificante da Semana - UHF

condutoras de domingo
António Manuel Ribeiro que é o vocalista da banda UHF; que diz que a rádio é uma chatice; que afirma cantando “ser o Benfica”; que faz crónicas pertinentes no Setúbal na rede como “E agora Durão? Duro ou durinho?”; que foi o autor da canção “É hoje agora” que deu voz ao Partido Socialista nas eleições legislativas de 1987; que é natural da margem Sul com muito orgulho; que gosta de música e não gosta de sacanices; que escreve livros de poesia com quadras míticas como “Que passa por ser, Descuido e azar, Um sofá, um bidé, Uma cama ou o chão”; foi notícia porque apresentou queixa contra uma fã obsessiva... que o persegue…
Noutros países uma Madonna, um Brad Pitt, uma Bjork têm fãs obsessivos e compreende-se porquê. Em Portugal qual Diana Chaves, qual Merche Romero, qual Miguel Veloso… Quem tem fãs obsessivas é António Manuel Ribeiro!
Mas há aqui qualquer coisa nesta história que não bate certo.

Primeiro: essa fã só aparece quando António Manuel está sozinho e pelas palavras do mesmo: “Quando a polícia chega ela desaparece. Quando os meus vizinhos estão por perto ela não aparece. E creio que deixou de rondar a minha casa. Mas não tenho a certeza se parou de me perseguir.”.
Segundo: António Manuel diz que pediu uma ordem de restrição e que a fã foi convocada para uma avaliação psicológica mas ele sabe que ela não pode ir…
Terceiro: uma das provas que António Manuel tem é que a sua mãe de 78 anos recebe muitas chamadas telefónicas… não será telemarketing?
E por último numa das suas entrevistas, António Manuel deixou um recado às suas fãs:”Espero que nos possamos encontrar em breve e que juntos façamos a festa.”… Hum parece que estava mesmo a pedi-las, não?
António Manuel Ribeiro auto intitula-se como Jim Morrison português. A teoria das condutoras é a de que António Manuel sofre do mesmo mal que sofria Jim… alucinações! Será que essa fã existe mesmo?? E se ela realmente existe, então ela também sofre de um problema... o mesmo problema que Nuno Gomes: falta de visão aguda!
23
Dez07

ASAE de Natal

condutoras de domingo
Mas, nem tudo é mau e, no meio desta guerra de pastelaria, surgiu até uma boa noticia: afinal, o bolo-rei pode ter brinde. A ASAE que anda em verdadeira campanha de limpeza de imagem, decidiu reagir à petição on line contra as novas medidas de higiene alimentar e esclarecer a nação sobre o que dizem ser certo mitos e boatos. Entre bolas de Berlim na praia, colheres de pau e pão duro para a açorda, descobre-se o brinde no Bolo-Rei. Sim, é verdade, eles deixam! Tenha ou não tenha fruta cristalizada, a ASAE diz que o bolo pode ter um brinde parvalhoco lá dentro. E dizemos nós: desde que, de certeza, venha devidamente lavado, desinfectado e desbaratizado e envolto em invólucro de vácuo acético e com as medidas regulamentares e devidamente separado da massa..., que é como quem diz, mais vale servirem o raio do brinde num saco de plástico à parte!  
23
Dez07

O que é Nacional é Bonzinho - Bolo Rei vs. Bolo Rainha

condutoras de domingo

Há um único aspecto no Natal capaz de explicar por que é que continuamos a ser apanhados pela frenética onda natalícia: a possibilidade de comermos alarvemente sem culpas nem medos. Uma das guloseimas de renome natalício, que contribui para esta comezaina desenfreada, é sua majestade, o Bolo Rei. Porém, nos últimos tempos, algo de muito grave se tem passado no reino desta redonda iguaria. Anda por aí alguém a querer destronar o Bolo Rei! Há um golpe de Estado em curso liderado pela fruta cristalizada. Cerejas vermelhas e verdes, laranja, pêra e abóbora, reforçadas com uma camada de xarope de glucose, açucar, conservantes, corantes e regulador de acidez, uniram esforços para depôr o Bolo Rei e, no lugar dele, instalarem o Bolo Rainha. O objectivo? Tornarem-se um produto autónomo nos hábitos de consumo dos portugueses. É bem sabido que, ao consumirem uma quantidade razoável de fruta cristalizada no Bolo Rei, as pessoas deixam de comprar frascos desses frutos, prejudicando uma tradição com cerca de 4000 anos. Ora, os frutos cristalizados aperceberam-se do impacto do Bolo Rainha no mercado natalício; aperceberam-se de que são constantemente humilhados por pedidos “daquele outro bolo, sem a fruta cristalizada”; aperceberam-se de que não lhes basta o estatuto de adorno de bolo e que o melhor caminho para a emancipação é o apoio ao Bolo Rainha. E desenvolveram uma estratégia de ataque ao Bolo Rei:conviveram com ele, sacaram-lhe o brinde e a fava e infiltraram-se na massa, deixando-o tão tenso que, salvo honrosas excepções, tem vindo a ficar progressivamente mais rijo. Não parecendo, esta é uma questão que domina a actualidade natalícia. Por esta altura, há milhares de blogues onde donas de casa debatem a problemática da supremacia do Bolo Rainha face ao Bolo Rei. Quem não acredita que faça uma pesquisa na net. Eu fiz; e conclui que há uma iguaria que teve muito menos trabalho do que a fruta cristalizada para se libertar dos doces de pastelaria. O vosso aplauso, por favor, para a PASSA, do departamento dos frutos secos. Ninguém a quer, nem no Bolo Rainha! É ver o pessoal todo, por estes dias, a esburacar bolos, arrastando as passas para as bordas dos pratos. Mas nem isso desanimou a passa. Porquê? Porque se agarrou com unhas e dentes a uma tradição milenar de um povo azarado cheio de crenças supersticiosas: os desejos do fim do ano. Já se sabe: cada badalada, cada passa. Que bela lição de emancipação para a fruta cristalizada...

23
Dez07

Salvem o Corrula!

condutoras de domingo
É no Natal que as injustiças deste mundo se evidenciam e saltam mais à vista. E é também nesta época, talvez por ser uma quadra mais virada para os valores mais importantes da vida – ou, simplesmente, porque está frio – que nos tornamos solidários.
Há quem ajude os sem-abrigo, há quem lute pelos descriminados, há quem abrace a causa de Darfur... nós, as Condutoras de Domingo, preferimos alertar as consciências para outro grande flagelo que está a atingir a humanidade sem que ninguém se aperceba e, desde já, iniciar uma mega campanha de solidariedade, intitulada “Salvem Jorge Corrula”. O que são 2 milhões de refugiados comparados com o que este rapaz tem de sofrer todos os dias, em prime time, numa televisão de sinal aberto? O que é a prisão de Abu Grahib comparada com a violência que é ter de assistir à produtora barra actriz barra diva da tv, Teresa Guilherme, a alambazar-se ao pobre do rapaz na novela “Resistirei”. Nenhum filme de terror de série b coreano consegue causar tanta aflição e medo do que uma cena em que Teresa Guilherme esmaga com as manápulas os bracitos do Corrula, o encosta contra a parede e lhe pespega a língua pela goela abaixo. O horror, o horror! É um crime contra a humanidade e nós somos todos cúmplices, pois tudo isto está a acontecer à nossa frente e nós não fazemos nada para ajudar. Por isso, gritamos: Salvem o Jorge Corrula! Junte-se à nossa campanha! Se for preciso, até fazemos t-shirts e peditórios e assim, mas isto tem de acabar. Se quiser ajudar-nos a salvar o Corrula, vá ao nosso blog – condutorasdedomingo.blogs.sapo.pt e mande-nos um mail. Ajude-nos a ritar: nem mais um linguadão de Teresa Guilherme para a boca de Corrula!
É certo que o rapaz tem de ganhar a vida, mas não é preciso exagerar. E, ainda bem que ele namora com a Paula Lobo Antunes, que é filha de um afamado neurocirurgião. É que depois desta novela e do estado em que vai ficar aquela cabeça, ele vai mesmo precisar de muitas consultas com o sogro. “Salvem o Corrula!!

23
Dez07

Choque Frontal - Leopoldina vs. Popota

condutoras de domingo
Este Natal promete ser tudo menos harmonioso nos hipermercados. As mascotes estão em pé de guerra. Leopoldina defende as cores do Continente, Popota as do Modelo. Todos sabemos que “Modelo e Continente” é já um par mais inseparável que Modelo e Detective. São ambos da Sonae e, como tal, esta é uma luta fratricida. Ao melhor estilo Paulo vs Miguel Portas. Sendo que a representante da direita conservadora é claramente a avestruz, e a esquerdista a hipopótama. Mas não podemos reduzir este duelo a facções políticas. É bem mais complexo que isso. Leopoldina é a irmã mais velha e já tem um império considerável: o Mundo Encantado dos Brinquedos. No fundo, esta avestruz é a transposição de Belmiro de Azevedo para o universo animal. Sóbria QB, mas com olho para o negócio. Tanto olho que este ano junta ao CD do costume, um DVD. É Leopoldina 2.0, rumo ao futuro. Já a imberbe Popota, além de fazer lembrar a vocalista dos Buraka Som Sistema, é um pouco mais rural. Em vez dum reino encantado, tem a singela “Quinta da Popota”. Se quisermos continuar com as equivalências, Popota seria empregada de caixa no Modelo de Cinfães e teria um poster do Comandante Ronaldo no seu cacifo. No site diz que quando for grande quer ser médica, cantora, ou dos Médicos sem Fronteiras. Será que Popota acha que isso é o nome duma boys band? Lá diz também que adora chocolate de leite e gomas de ursinhos e gelados, mas tudo com peso e medida, pois se engordar muito é mais difícil dançar. Mas ela é um hipopótamo, é o cúmulo da obesidade no reino animal… o que é que interessa se come um balde de Haagen Dazs ao pequeno-almoço? Sim, eu sei, que é uma hipopótama especial. Que dança. Que podia até entrar na nova revista do Parque Mayer, dando mais sentido que nunca ao título “Hip Hop Arque”. Uma hipopótama que na sua gala, Causa Maior, foi vestida pelo estilista Nuno Baltazar. Fazendo Elena Miró temer o fim do monopólio dos tamanhos XXL. E ainda bem que falamos em galas, porque até nisto Popota é bem mais modesta. Teve só uma Catarina Furtado e uma plateia cheia de fãs de Tony Carreira, que achavam que a mascote estava lá para distribuir amostras de detergente. Já Leopoldina teve direito à famosa gala da TVI, com solos de Manuela Moura Guedes e tudo. A clivagem social é gritante: Popota tem um livro de receitas onde, entre repolho e rabanadas, há um conto de Sónia Araújo. Já Leopoldina, tem um Musical no CCB. Sinceramente não sei quem ganhará: se a força bruta de Popota ou a estratégia de Leopoldina. A única coisa que tenho como certa é esta: Rik e Rok são judeus. Não há outra explicação para as mascotes do Jumbo estarem assim tão alheadas do confronto natalício.
23
Dez07

SMS de Natal

condutoras de domingo
Os saudosistas dirão que têm saudades do tempo em que se escreviam postais por alturas do Natal. Mas a verdade é que muitas vezes os saudosistas têm a memória curta e esquecem-se que nunca ninguém teve lá muita pachorra para escrever postalinhos à mão em catadupa, lamber selos e rumar aos correios e ficar na fila duas horas a ouvir as musiquinhas de Natal que eles para lá têm nas estações. E, além disso, nunca ninguém achava que era essencial enviar votos de boas festas a todas as pessoas que conheceram na vida. Mas isso mudou com o advento dos SMS. Agora, Natal é sinónimo de mandar uma mensagem natalícia ao pai, à prima, ao veterinário do gato, ao colega da primária que comia plasticina e à amante do marido. Mandamos SMS para contactos no telemóvel que nem sequer temos a certeza de a quem pertencem. Não interessa se os odiamos ou ignoramos durante 364 dias do ano: chegado o dia 24, todos merecem que gastemos alguns cêntimos e todos merecem que se contribua para o entupimento geral de todo o sistema de telecomunicações de um país.
E, quando chega, então, a hora de escrever a mensagem já mais tradicional do que a filhós ou do que o “Sozinho Em Casa” a dar na TVI, a dúvida e a angústia tomam conta de nós: afinal, o que é que eu escrevo? Sempre vários passos à frente dos outros media nacionais, o “24 Horas” apressa-se a resolver este grave problema e propõe diferentes mensagens para diferentes impactos. Algumas das sugestões são (e atenção que estamos a citar!):
- A Kiducha: “Telefonei ontem ao Pai Natal e ele disse-me que tem uma prenda muito especial para ti… um beijo meu. Feliz Natal” (eles chamam-lhe quiduxa, nós chamamos-lhe egocêntrica e semítica. Beijinhos? Então e uns bonbons, pelo menos? Ainda por cima se liga ao Pai Natal é porque tem relações privilegiadas com o velho das prendas)
- A Ordinarota: “Boas festas… pelo teu corpo todo” (bom, esta merece o selo: a gritar em andaimes desde 1919, como o Azeite Galo. Esta está mais batida do que o carro de um idoso em contra-mão)
- A Curta e Grossa: “Feliz Natal! Bom Ano Novo!” (ena, ainda bem que o 24 Horas nos alertou para este comovente texto! Não fosse a malta desatar a mandar “Feliz Bar Mitzvah” ou “Um Bom Dia da Espiga” uns aos outros)
- A Intelectualóide: “Desejo que este Natal seja como a Matemática: amigos a somar, inimigos a subtrair, alegrias a multiplicar e tristezas a dividir” (não aconselhamos esta. A maioria dos portugueses só consegue fazer contas quando tem de perceber se o seu clube ainda pode ganhar a liga.)
- A Insultuosa: “Este Natal preciso que peças três dias de folga ao teu patrão. Vou fazer de presépio e falta-me um burro” (para começar, pensamos que já chega de falar de Scolari e de burros. E de seguida, algo nos diz que burro é quem gasta não sei quantos euros a ofender familiares e desconhecidos que ainda vão bem a tempo de atirarem os embrulhos que nos estavam destinados directamente para a lareira).
A lista do 24 Horas continuava, mas pensamos que já compreenderam a ideia. O conselho das Condutoras é bem mais simples: não mandem SMS nenhum. Aí sim, vão primar pela originalidade entre os vossos amigos. Neste dia os dedos são para estar cheios de açúcar e canela e não cheios de germes. Sim, porque cientistas já provaram que os telemóveis têm mais porcaria do que o tampo de uma sanita. Acham mesmo que aqueles tipos que conheceram na fila do Pavilhão da Suécia na Expo98 merecem que se apanhe lombrigas só para lhes desejar um Feliz Natal?
21
Dez07

Iluminações de Natal

condutoras de domingo
Há uma bonita cantiga do Trio Odemira que reza: “a igreja estava toda iluminada”. Durante os últimos natais, sempre que passávamos na lisboeta Avenida da Liberdade dava-nos igualmente vontade de cantarolar que também ela estava toda iluminada. No ano passado chegou-se mesmo ao exagero. Entre a árvore recordista visível do espaço (não devido à sua luz mas sim por causa da filas de trânsito que causava) e luminosidades várias, Lisboa estava toda ela um monumento de homenagem à EDP. Mas isto foi em 2006, quando o motoqueiro Carmona Rodrigues estava à frente das contas malucas da Câmara de Lisboa. Chegados ao Natal de 2007, encontramos um António Costa a fazer empréstimos milionários e a poupar mais que um porquinho mealheiro. E sem problemas em deixar a cidade quase às escuras, no que a iluminações diz respeito. A árvore gigantone imigrou para o Porto, deixando os fãs lisboetas dos recordes do Guiness sem motivos para viver. E as ruas ficaram mais minimalistas e iguais umas às outras do que as casas dos solteiros pós-Ikea.
Durante semanas, parecia mesmo que a Avenida da Liberdade ia ficar desprovida de toda e qualquer luzita, até que chegou o Salvador. Não, não estamos a falar do próprio aniversariante Jesus. Nem estamos a falar de um beto da linha com nome da moda. Estamos a falar de um banco que veio salvar as luzes da Avenida. Ou, pelo menos, assim julgávamos. O banco espanhol em questão resolveu patrocinar as iluminações, escarrapachando sem pudor o seu logótipo por tudo quanto é canto. Pais Natal, bolinhas e sininhos? O que é isso quando comparado com o poder festivo de um Plano Poupança Reforma ou mesmo de uma Euribor?
Talvez seja nos patrocínios que está o futuro das iluminações de Natal. Pais Natal trepadores em néon envergando equipamento de desporto da Nike ou distribuidores de jornais gratuitos vestidos de rena com pensos Evax colados nos cornichos. A partir do momento em que nos lembramos que o velhinho das barbas que conhecemos hoje é uma invenção da Coca-Cola, vale tudo. Até um presépio feito só com as promoções do LIDL.
Para este ano, é que já não há grande coisa a fazer. As iluminações de Natal estão tal e qual o campeonato de futebol: O Porto vai tão à frente, tão à frente que nem vale a pena a malta do sul ter ilusões.
16
Dez07

Sinais de Luzes - 16 Dezembro

condutoras de domingo

Máximos

Para Dulce Pontes. Que conseguiu arruinar o Tratado que José Sócrates teve tanto trabalho a arranjar. É triste ver as coisas acabarem desta forma. Portugal não assistia a uma vergonha tão grande desde que perdeu o Euro contra a Grécia. Mas ao menos nesse dia a Nelly Furtado não comprometeu, sempre se lembrou da letra do “Como uma força”... Vamos começar pelo princípio. O cenário parecia perfeito e auspicioso. Sócrates aplicou a regra de sempre para as coisas funcionarem: o tom azul europeu. Desta vez estendeu-o das gravatas para o cenário, as bandeiras, e até um eléctrico da Carris, para transportar convidados. Não havia por onde falhar. Além do mais, mandou fazer canetas de prata individuais para todos os signatários do tratado, com uma inscrição alusiva à data… Uma coisa mesmo bonita, a fazer lembrar aqueles brindes das Juntas de Freguesia. Mas em caro. Tudo corria de feição! Os 27 líderes europeus assinaram o documento sem ler, repetindo o velho erro de sempre, que já custou tão caro a Hitler, no Tratado de Versailles. Tudo isto ao som da música de embalar de Rodrigo Leão. Tudo tão certo! Mas eis que surge Dulce, vestida em tons vermelhos e acastanhados, a contrastar com a harmonia do azul. E começa a cantar. Quer dizer… começa a dar gritos guturais, inaugurando uma forma de arte que está muito para lá do limiar “Maria João e Mário Laginha”. Mas ficam os parabéns à organização: se a ideia era esvaziarem rápido os Jerónimos e levar os políticos para o almoço, conseguiram. Só que eles certamente ficaram sem apetite…


 



Médios

Para a gala da TVI. O pressuposto solidário era ajudar a Leopoldina e a sua Missão Sorriso, mas acabaram por cumprir uma grandiosa Missão Gargalhada. Não sabemos se pelo meio ajudaram um ou outro menino pobre, mas tornaram todos os espectadores mais ricos, com aquele espectáculo. O momento da noite pertenceu, claro, a Manuela Moura Guedes. Nós achávamos que o Happy Birthday Mr. President do ano passado, cantado languidamente para Moniz, tinha sido bom. Ainda não tínhamos visto nada! Desta vez Manuela trouxe uma proposta indecente: “encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes”, cantou ela. E ao pé da sua versão desafinada, até parece que o Jorge Palma canta bem! É que ele sempre tem o desconto de estar alcoolizado. E os intervenientes na gala pareciam estar todos bem lúcidos. À excepção de Raquel Matos Cruz. Para além de quase ter caído escada abaixo, anunciou a música de Gil do Carmo, silenciando a histérica plateia da TVI. É que estava um indivíduo sentado ao piano a tentar explicar-lhe que era engano e se chamava Pedro Kihma. Mas o espectáculo tinha de continuar. Faltava Ana Sofia Vinhas com o Singing in the rain; os pivots do telejornal a fazerem de gays magos – num trocadilho nunca antes visto; Marisa Cruz a fazer de Maria, mãe de Jesus, e a perguntar a José se quer ficar excêntrico… Faltavam outros brilhantes momentos de humor, com um Pai Natal Goucha e uma Mãe Natal Cristina Ferreira, perdidos entre as mesas de convidados, sem referências, em busca duma cara familiar: um figurante que fosse, do Você na TV! E eis que chegou a notícia da noite: a TVI vai ter canais cabo! E dito isto, José Carlos Araújo precipita-se para um solo de bateria, ao som de Xutos e Pontapés. Tratamento de choque. Quem vai precisar de ser curado em ambulatório, e ajudado pela Leopoldina, agora, somos nós.


 



Mínimos

Para os camionistas portugueses retidos em Itália. Mais uma vez provaram que o verdadeiro homem lusitano arranja sempre forma de se entreter. São já muitos anos de tradição: malta que escova os dentes e faz a barba em pleno tabuleiro da ponte 25 de Abril, esposas que fazem tricot no carro enquanto os maridos estão no estádio, malta que lê o jornal enquanto o semáforo não abre… e que muitas vezes o deixa fechar outra vez, entretido com os horóscopos. O que importa é evitar o tédio, a todo o custo! Ora, o que é que faz um grupo de camionistas que se apanha preso em Itália por causa da paralização dos transportes de mercadorias? Em 1º lugar, bebe todas as grades de cerveja que tiver à mão. Em 2º lugar, tenta bater o record nacional de ingestão de bifanas com mostarda. Posto isto, o que sobra? Fazer uma eleição de Miss Camionista, é claro! Esta é a sucessão natural de necessidades físicas e espirituais do camionista. Como não havia muita água disponível, a ideia de Miss T-Shirt molhada caiu por terra… Tiveram de inovar e eleger a Miss Greve, num golpe criativo de génio. Assim, Ana Paula Gonçalves, camionista há cerca de 1 ano, venceu a competição. Não é qualquer uma que pode gabar-se de ser Miss Greve! Muitos anos lutou Odete Santos por esse galardão e nada! Talvez o facto de engolir dentes em directo, em debates televisivos, não ajude muito. Ainda se os palitasse… sempre ganhava um bónus. É tipo a prova de fato-de-banho lá deles, a malta dos camiões.

16
Dez07

Hoje Deviam Fazer Anos - Manoel de Oliveira

condutoras de domingo



Hoje devia fazer anos… Manoel de Oliveira. Sim, nós sabemos que ele fez 99 esta terça-feira. E é por isso mesmo que devia comemorar mais um aniversário ao domingo. Para se tornar num centenário instantâneo e, pela primeira vez na vida, fazer alguma coisa depressa! Nos festejos de terça, o realizador deu mais uma vez provas da sua incrível lucidez, ao dizer: “não olho para os filmes que fiz”. Não há atitude mais racional que esta! Acrescentou também que tem projectos para mais 50 anos. Para já, vai realizar “O estranho caso de Angélica”, título que faz lembrar “Verónica decide morrer”, do Paulo Coelho. Esta aproximação ao universo esotérico, brasileiro e mainstream leva-nos a crer que, nos próximos 50 anos, Oliveira vai operar uma viragem na sua carreira. Entusiasmado com esta rápida passagem dos 99 para os 100, vai provavelmente dedicar-se a um género audiovisual mais veloz. As telenovelas. Rui Vilhena e Atílio Riccó que comecem a fazer as malinhas, que Oliveira vai a caminho. Pronto para fazer esquecer obras como Terra Nostra, Uga Uga ou… Deixa-me Amar. Numa época de revivalismo, com o remake de Vila Faia quase a estrear, Manoel de Oliveira, resolveu fazer versões novelescas de alguns dos seus sucessos. Em Janeiro estreia na SIC Floribelle Toujours – onde Bulle Ogier mantém monólogos com árvores e troca duas palavras por episódio com Ricardo Pereira. Na TVI poderemos ver Viagem ao Princípio do Mundo Meu, em que o algarvio Marcello Mastroianni adopta Margarida Vila Nova. Mas hoje é dia de festa, não se fala mais em trabalho. Resta dizer que invejamos o seu estatuto. Não de realizador mais velho em actividade, nem de cineasta mais premiado, mas de “única pessoa que nasceu no séc. XX mas tem direito a assinar em português arcaico”. Parabéns Manoel!

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

escreva-nos para

condutoras@programas.rdp.pt
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

as condutoras

Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

podcast

Ouça os programas aqui

Arquivo

  1. 2008
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2007
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D