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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

22
Out07

Hélder Gonçalves

condutoras de domingo

 

No último domingo demos boleia ao Hélder Gonçalves, dos Clã, e pedimos-lhe que escolhesse a banda sonora para a nossa viagem. As músicas eleitas, do mais recente álbum do grupo - Cintura - foram:

- a faixa 9, Pequena Morte (com letra de Regina Guimarães),

- a faixa 5, Amuo (com letra de Carlos Tê e voz de Fernanda Takai, do grupo brasileiro Pato Fu

- e, já em jeito de despedida, a faixa 2, Adeus Amor (Bye Bye), também com letra de Carlos Tê.

21
Out07

Sinais de Luzes - 21 Outubro

condutoras de domingo
Máximos
Para Francisco Moita Flores, que parou por uns instantes de falar de Maddie McCann e criticar a polícia britânica, para falar de… enchidos, e criticar… a ASAE. Sim, assuntos sérios agora. Num dia que devia ser de festa – a abertura do 27º Festival Nacional de Gastronomia, em Santarém, o presidente da câmara relembrou amargamente a inspecção da ASAE no ano passado. Diz que foi um “espalhafato patético e de circo”. Engraçado é isto ser dito pelo senhor que pôs palavras na boca de Vítor Norte, enquanto este fingia ser o capitão Roby. Acrescentou ainda que "para ver chouriços não é preciso ir de colete à prova de bala". Ainda bem que aborda esta questão e usa o verbo “precisar”: é que também não havia necessidade alguma de ter rodado uma novela na aldeia de Alcaides, na qual Quitério e Grelinhos disputavam o coração de Simone de Oliveira. E não foi por isso que “Filhos do Vento”deixou de passar na TV.Moita Flores é o maior especialista nacional na nobre arte de encher chouriços: fez uma trama tão básica como a de “Desencontros” durar mais de 9 meses, devia saber melhor que ninguém que o potencial bélico de certos enchidos justifica um batalhão inteiro de polícia de choque. Parece-nos um grande descaramento vir fazer este alarido, que não passa duma farsa. Ele adorou a acção da ASAE. Gostou tanto que se inspirou para o livro recém lançado, “A Fúria das Vinhas”, baseado na história verídica de uma inspectora que, fora de si e munida de uma g3, apreendeu três chouriças de vinhais a um feirante.

Médios
Para o homem que está na origem da manchete da semana: “Mulher de Menezes descobriu romance do marido através de SMS”. O novo líder do PSD aproxima-se perigosamente dos “máximos” no início desta notícia, com a citação “quero ser igual a John F. Kennedy”. Não sabemos se já escolheu o atirador para o alvejar, o que é certo é que anda a tentar igualar o seu sucesso amoroso. Mas acaba por descer a pique na nossa escala quando se deixa apanhar, qual amador, pela mulher, uma simples Maria Cândida que nem sequer aspira ser Marilyn Monroe. A especialidade de Menezes é funcionárias de câmara. Teresa Moás é a mais recente conquista, que vem tomar o lugar de Ana Caetano, uma advogada (com certeza para os assuntos camarários).
 
Assustador mesmo é ver que elas são autênticos clones uma da outra:



Consta que os filhos do político estão bastante traumatizados com tudo isto. É natural. Ter um pai que lidera, ou pelo menos finge, a oposição, mas não consegue apagar as mensagens enviadas é bastante triste. Mais uma vez quem sai por cima é Santana Lopes, que sabe fazer bem feito e tem a vantagem de grande parte das suas namoradas não ser letrada o suficiente para descodificar SMS.


Mínimos
Para a Praça da Alegria. Não a dos bares de alterne, mas as das avós centenárias, que levam bolos regionais e estandartes da junta de freguesia. Sim, o programa da RTP. Então não é que despediram a Picolé? Nós nem apreciamos por aí além palhaças com fato amarelo e chapéu de aviador, que fazem mímica entre o Padre Borga e a Ana Malhoa. Mas indigna-nos este despedimento sem justa causa: há que respeitar o currículo das pessoas, e esta senhora não só foi Rainha do Carnaval de Estarreja ao lado de Fernando Rocha, como já abdicou dos seus votos de silêncio para lançar “As canções da Picolé”, onde canta “Algodão Doce” em dueto com Axel. O que vale é que ela é uma mulher de fibra: diz-se com vontade de fazer uma novela e apresentar o lado dramático. Nós achávamos que mais infeliz que fazer esculturas de cãezinhos com balões era impossível. A palhaça deixa a mensagem: “a Picolé não vai morrer”. Restam-nos estas palavras de alento, e o maestro Francisco, que consegue manter um nivel de galhofa semelhante ao dos também demissionários Luís Aleluia (Tonecas, para os amigos) e Guilherme Leite – que nem sequer para os amigos é Compadre Vicêncio porque mesmo esses recordam melhor, e com mais horror, os casamentos a que foi sem ser convidado!
21
Out07

Hoje Deviam Fazer Anos

condutoras de domingo
Hoje devia fazer anos... Catalina Pestana. Esta nomeação é uma verdadeira acção de solidariedade, porque estamos com pena desta senhora, que está a sofrer nitidamente do sindroma de fim de festa. Aquilo que sentíamos quando os outros meninos iam todos embora, e ficavam apenas os restos da gelatina, os embrulhos rasgados e a nossa mãe a varrer o chão... Catalina já tinha suportado o peso de ser Ex-Provedora, mas não aguentou o choque de ver os telejornais deixarem de referir as palavras Casa e Pia. Pelo menos juntas. E num acto desesperado resolveu recapitular tudo outra vez. Nós já sabemos que os alunos sofreram abusos, eles próprios já sabem, agora é preciso alguém que distraia a senhora, que já não sabe entreter-se com outra coisa. Até porque o maior dos abusos sofreu ela em criança, quando o casal Pestana decidiu baptizá-la de... Catalina. O conselho de ex-alunos da Casa Pia diz que a saída da provedora apenas pecou por tardia. As condutoras de domingo acham que o que peca por tardia é uma festa de aniversário. Daquelas de arromba. Com saquinhos surpresa e tudo. No que depender de nós, dia 21 de Outubro Catalina terá sempre tudo a que tem direito!
21
Out07

Makukula

condutoras de domingo
Em futebol, assistimos muitas vezes ao fenómeno de passar de besta a bestial. Mas esta semana assistimos ao processo-relâmpago de passar de “mas quem é o gajo?” para “herói nacional”. Falamos, como é claro, de Makukula, autor do primeiro golo no jogo frente ao Cazaquistão. O avançado do Marítimo acabou por lucrar da lesão de Nuno Gomes e tomou o seu lugar na selecção. Esperamos só que não tenha ficado com os retroactivos do jogador do Benfica, que parece que até hoje está a dever uma data de golos para pagar os hamburguers de uma determinada cadeia de fast food. Makukula, natural do Congo, tornou-se assim em mais um para a chamada “linhagem Obikwelu”: não parecem propriamente ser naturais de Vila do Conde, mas quando nos dá jeito consideramo-los mais portugueses do que o Bacalhau À Zé do Pipo. O avançado estava de férias na Bélgica quando foi chamado de urgência para se juntar ao estágio. Fez a mala num ápice e lá foi ele. Ao que parece não se esqueceu da escova de dentes, mas não levou consigo as suas chuteiras. E isso é coisa quase tão indispensável para um jogador de futebol como os seus brincos. Os responsáveis da selecção lá conseguiram desencantar uma loja de desporto que vendia umas chuteiras do número avantajado de Makukula, mas o dono da loja quis ser pago em… fotografias de Cristiano Ronaldo. Deve ter sido outro que viu o anúncio do colchão! E lá devem ter enfiado o Super Puto numa daquelas maquinetas de tirar fotos para o passe e fizeram a vontade ao senhor. Enfim, imagens do Cristiano não é nada que metade das meninas da noite inglesas não tenham já no seu telemóvel, mas parece que no Cazaquistão ainda é preciosidade rara.
As chuteiras novas acabaram por ficar no balneário e Makukula, sabe-se lá porque carga de água, preferiu levar umas que pediu emprestadas a Meira. E foi com elas que o desconhecido mais famoso do futebol português marcou o golo essencial. Um golo que veio em muito boa hora, uma vez que, àquela altura, já se temia que Scolari saísse a correr da bancada onde estava confinado por ter defendido Quaresma… mas desta vez para ir dar um soco era mesmo no raio do ciganito, que estava ali à nora. Moral da história: ainda bem que Makukula veio e jogou. É que toda a gente goza com o Cazaquistão por causa do Borat, mas nós é que estivemos muito perto de fazer figura de ridículos. Valeu-nos o nosso gato das botas, perdão, chuteiras! novas.
21
Out07

Condução Defensiva - Reader's Digest

condutoras de domingo
As Selecções do Reader´s Digest fazem 40 anos. Para comemorar à grande, resolveram editar Os Lusíadas. Sem dúdiva que isto faz todo o sentido. Em primeiro lugar, porque as Selecções são consideradas, pelos assinantes, uma publicação de fácil digestão. Os Lusíadas também,evidentemente. Se assim não fosse, não seriam as criancinhas obrigadas a ler a obra épica de Camões na escola. São ambas literatura para devorar durante o lanchinho. Em segundo lugar, a revista, de tamanho portátil, tem sido sempre recebida com alegria nos lares portugueses, passando de avós para netos, de pais para filhos, de padrinhos para afilhados. Ninguém escapa, porque há sempre secções aliciantes para todos. Há até quem não resista a ler aquilo de fio a pavio: começa-se pelos Flagrantes da Vida Real e as Piadas de Caserna, passa-se pelo Rir É o Melhor Remédio, para logo de seguida se entrar nas páginas das entrevistas de fundo e de superfície, dos dramáticos casos reais e dos artigos literários com histórias situadas algures entre a narrativa mística e a epopeia erótica de cabeceira. Escusado será dizer que, com Os Lusíadas, passa-se o mesmo: há uma certa tendência hereditária, um certo peso da obrigação, uma conjugação de temáticas surpreendente e uma mestria literária inigualável. Esta edição é bom exemplo disso e promete recorrer à linguagem acessível para que todos possam redescobrir a beleza da obra. Daí ser organizada e comentada por José Hermano Saraiva. Quem mais?! Em 900 páginas, teremos a intensidade do drama, do humor, do heroísmo e do fantástico presente em qualquer exemplar das Selecções. É que Saraiva promete revelar um Camões «mais humano», «um homem em luta com o tempo hostil, que desafia a força dos deuses», ou seja, um homem próximo dos que protagonizam os artigos das Selecções. Lembram-se de «O seu filho toma ecstasy?», capa da última edição? E de «Dentro da escola do terror»? Como esquecer, não é? Há ainda um terceiro aspecto capaz de explicar esta ligação umbilical das Selecções a Os Lusíadas. Não se atrevam sequer a pensar em estratégias de aliciamento das famílias assinantes, que tanto gostam de exibir enormes calhamaços ilustrados na mesinha do café da sala de estar! Não! Há aqui razões mais profundas. As Selecções e Os Lusíadas são indissociáveis por, juntos, terem esculpido um comportamento determinante do modo de viver contemporâneo: o zapping. Esta revista e a obra de Camões têm vindo a formatar, paulatinamente, os nossos cérebros, habituando-nos a viver num estado de desatenção permanente. Sempre foi essa a lógica de leitura das Selecções praticada, com afinco, pelos assinantes; sempre foi essa a lógica de leitura d’Os Lusíadas praticada, com afinco - claro está - pelos nossos esmerados estudantes.
21
Out07

Dica da Semana

condutoras de domingo
Esta semana, descobrimos que a Dica da Semana tem um lado sombrio. Sim, estamos a falar daquele jornal gratuito que nos põe na caixa do correio e que é, por ventura, uma das coisas mais lidas de sempre, mais até que a própria Bíblia.
Quando folheamos o jornal de maior tiragem nacional é fácil deixarmo-nos ludibriar por elementos vão vistosos como o Ananás em Bolinhas a 99 Cêntimos ou o conjunto de peluches “Mamã Com Filhote” a 7 euros e 99. Mas se repararmos com a atenção merecida na edição número 295 deparamo-nos com uma verdade oculta no mínimo perturbadora: a Dica da Semana tem um fettish nada saudável por cidadãos com invalidez.
Atente-se: na página 7, uma notícia que nos dá conta que a “População com menor escolaridade é mais afectada por problemas auditivos”. Por certo que isto deve-se ao facto de terem levado muita chapada na cabeça, provavelmente na zona do tímpano, quando não sabiam dizer quanto é “nove vezes quatro e vai um”. Faz sentido. Vários anos seguidos de “és muita burro, pá! Toma! Pimba!” só podem ter dois tipos de mazelas graves que ficam para a vida: perder a audição ou ficar-se fã do Fernando Rocha. Um pouco à frente, na página 11, esta obsessão da Dica da Semana volta a fazer-se sentir, desta feita com o título “Pessoas invisuais não conseguem ouvir os automóveis híbridos”. A nossa primeira reacção foi: “espera lá… Mas NINGUÉM consegue ouvir o caraças dos híbridos”. Mas uma leitura do artigo evidenciou que os cegos se queixam é que aqueles carros são tão silenciosos que não os conseguem topar quando estão a atravessar a rua. Os seja, eles querem é que os híbridos façam barulho. Isso tem uma solução fácil: é só passarem a vender híbridos exclusivamente a bimbos. Estes terão sempre o sistema de som a bombar música de martelos duvidosa com tal pujança que ainda a viatura está em Castelo Branco e já o cego na Praça de Espanha se está a chegar para o passeio ou beirinha. O que intrigou as Condutoras foi: mas porquê esta pancada com surdos, invisuais e as suas limitações? Porquê, Senhores da Dica da Semana? as depois juntámos dois e dois e percebemos que se trata de marketing puro junto destes segmentos de público. É que o LIDL vende tudo… incluindo aparelhos auditivos Super Mini Amplifier e estilosos óculos escuros. No fundo, o LIDL expõe os problemas que atormentam este nicho da população apenas porque o pode ajudar a ter uma vida melhor. São uns solidários. São a Maria Barroso dos supermercados. Um bem-haja por isso. Se dão prémios Nobel a senhoras velhotas que vão de manhã às compras e quando chegam a casa são laureadas da Literatura, também podiam dar ao Dica da Semana, uma jornal que é uma referencia... para qualquer caixa de correio.
21
Out07

O que é Nacional é Bonzinho - Alfarrabistas

condutoras de domingo
Este mês houve agitação no mundo dos alfarrabistas e livreiros. Isto, por si só, já seria acontecimento a assinalar, mas o que importa é que uma importante biblioteca particular foi a leilão. Para além de livros em primeira edição, do acervo de Alfredo Ribeiro dos Santos faziam parte várias revistas literárias, como a tão desejada colecção completa da Presença. A leilão foram mais de 3500 títulos, muitos deles vendidos por preços acima das expectativas. A Presença, por exemplo, atingiu os 12 mil euros. Para um país de analfabetos, não está nada mal e o leilão foi até motivo de alegria para as Condutoras de Domingo. Ficámos tão contentes por haver quem ainda vibra com primeiras edições que quase enlouquecemos: pusemos Mozart no auto-rádio e fizemo-nos à estrada em alta velocidade.
Durou pouca esta felicidade; durou apenas até ao momento em que lemos uma frase de Mário Soares que nos introduziu no estranho mundo da futurologia. Soares considerou a biblioteca leiloada um «precioso acervo de livros (...) representativos do século XX português”. Ora, nós, zelosas que somos, pusemo-nos a imaginar os leilões do futuro, os que serão representativos do século XXI português. No leilão do Porto, era por Cesário, Pessoa, Herberto, Torga ou Eugénio que os licitantes levantavam o braço. Olhando, assim de repente, para o que se publica hoje em dia, é fácil perceber que, daqui a uns 200 anos, não vai haver bons livros em leilões. As famílias que vão ter a sorte de herdar livros a sério vão agarrar-se à boa literatura como macacos a amendoins. Tudo se vai passar em círculos fechados, e os nascidos no seio de famílias consumidoras de produtos literários light estarão condenados a carregar para sempre o peso vazio de uma imaginação mal nutrida. Depois, lá serão organizados leilões de livros do século passado, eventos comemorativos dos 100 anos de maior desperdício injustificado de papel. Por ali, não vão andar Cesário nem Pessoa; e nem sequer os vivos, como Manuel António Pina ou Gastão Cruz. Neste meu acesso futurologista, prevejo que ali vai ser licitada, por um milhão de euros, a primeira edição da TV Guia; ali vai ser arrematado aquele número da Nova Gente em que Teresa Guilherme aparece a dizer que está cansada, casada e realizada; ali alguém vai seguir o seu caminho de casa levando debaixo do braço a primeira edição de Sei Lá, de Margarida Rebelo Pinto, depois de ter passado um cheque de 3 milhões de euros.
Mas pode ser que não; pode ser que o Al Gore tenha razão e que, antes de este flagelo acontecer, o mundo inteiro seja devorado pela Natureza.
21
Out07

Pais & Filhos

condutoras de domingo
O caso de Filipe Jardim Gonçalves não foi o único perdão a um filho que aconteceu esta semana. Valentim Loureiro, o major, também parece ter perdoado a dívida deixada pelo filho João nos cofre dos Boavista. O Loureiro mais novo sai da liderança do clube deixando para trás um passivo de 46 milhões de euros, para já não falar de uma equipa num estado mais desgraçado que o nariz do Caneira. O Major não se terá importado muito com o assunto, pelos vistos, e já terá dito ao seu rapaz: “não faz mal, filho, o pai perdoa. Desde que não voltes a cantar, está tudo bem”.
21
Out07

Choque Frontal - O Perdão

condutoras de domingo
Na semana em que se celebraram os 90 anos das aparições de Fátima e em que, mais do que nunca, foi enaltecido o exercício da fé, da bondade e do amor pelo próximo, fomos todos surpreendidos com a pública demonstração de um valor fundamental do catolicismo: o perdão.
E foi um perdão e peras... no valor de 15 milhões de euros. Compra de certeza umas pelas propriedades no Céu. Bom, este é um assunto que vamos discutir no Choque Frontal. 
Foi a notícia choque da semana. Não o perdão da dívida externa ao Terceiro Mundo – embora os valores envolvidos chegassem para acabar com muitas chatices num paizito de não muito grandes dimensões em África –, mas o perdão de um dívida de 12 milhões de euros a um dos filhos de Jardim Gonçalves, presidente do BCP e actual presidente do Conselho Superior e do Conselho Geral e de Supervisão.
Para quem não percebe muito de economia, embora este caso seja de matemática simples, o que aconteceu foi mais ou menos o mesmo que um filho que pede o Jaguar emprestado ao pai, para ir dar umas voltas com a namorada: bebe uns copos, entusiasma-se, espatifa o carro e, no outro dia, quando vai envergonhado dar uma desculpa idiota e entregar as chaves, o pai diz “não faz mal, filho, o pai compra outro!”  Foi mais ou menos isto, mas envolvendo 12 milhões de euros e umas desculpas ainda mais parvas.
O Banco de Portugal já está a investigar o caso e Vítor Constâncio já veio dizer que perdoar dívidas destas não é ilegal, o que é contra a lei é conceder créditos a gente da família. O que constitui o primeiro perdão a um perdão da história da humanidade.
E é uma lógica que faz muito sentido. Portanto, se bem entendemos, isto é do género: não tem mal ir fazer uma jantarada de marisco e depois sair sem pagar. Não, se o pessoa fica a arder com a conta, tudo bem. O que tem mal é, pelos vistos, deixar a pessoa entrar no restaurante. 
Jardim Gonçalves contra-ataca e, por seu lado, diz que não há nada na lei que proíba a concessão de crédito a familiares de administradores de bancos. Está certo. Por essa ordem de ideias, também não há nada na lei que proíba empréstimos a pessoas que conhecem uma prima em terceiro grau da vizinha do terceiro esquerdo do dono da mercearia onde faz as compras a empregada da limpeza da secretária do vice-presidente do presidente de um banco... que é o meu caso, por exemplo, e que me dá legitimidade para ir lá pedir o meu perdãozinho, se faz favor.
O BCP tem sofrido muitas críticas por causa deste caso mas, na verdade, isto é apenas um novo produto que o banco está a lançar. Esta semana – e isto é rigorosamente verdade – uma das condutoras recebeu uma cartinha a anunciar mais uma oferta exclusiva para os clientes Millenium. Para destacar e premiar os clientes que preferem aquele banco, o BCP desenvolveu o Programa Preferência, com um lote de fantásticas condições financeiras. A avaliar pelo prospecto, é de facto, um pacote com excelentes opções, que permite ter descontos e poupanças e créditos e... De maneira que decidimos tentar a nossa sorte e aderir a este novo produto. Não conseguimos. É que de facto isto chama-se Programa Preferência, o que quer dizer que dão preferência a filhos de administradores... ou a quem tenha Jardim, ou pelo menos Gonçalves, no nome. Nunca uma campanha publicitária fez tanto sentido, não a da galinha e dos filhinhos pequeninos, mas a do banco do Cristiano Ronaldo. É que de facto, quem não tem pais ricos vai ao BES. Quem tem papás ricos e na administração vai ao BCP.

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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