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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

28
Out07

Horóscopo - Estado Português

condutoras de domingo
Esta semana, os astros alinharam-se em fila indiana para aconselharem essa figura esguia e escorregadia que é o Estado Português.
No campo do DINHEIRO, recomenda-se alguma prudência para que as operações dêem frutos palpáveis. Os seus desejos tendem a concretizar-se, mas não se encha de confiança porque não tem pais ricos nem a energia de uma ASAE. Penhore, mas penhore com ligeireza e elegância. Dê o exemplo: não seja moralista e pague as suas dívidas antes de as cobrar. Há um inimigo saqueador em cada edifício autárquico pronto a assaltar os seus cofres.
A SAÚDE tem passado por momentos conturbados, o que é normal, dada a idade avançada e o pouco cuidado com os corpos do Estado. Recomenda-se que na próxima semana não insista em questões relacionadas com medicamentos e/ou farmacêuticas. Criará apenas mais dores de cabeça.
No AMOR, nada a assinalar, tirando o estranho e tórrido caso afectivo entre o Primeiro-Ministro e a sua própria figura em movimento. Uma única recomendação dos astros para José Sócrates: exercite os músculos das pernas com pesos acima dos 50 quilos para que, no futuro, possa continuar a chegar ao pódio, deixando todos os portugueses para trás.
Como seduzir o Estado Português: não se ponha em fuga, encare de frente todas as dívidas e liquide-as. Nunca levante a voz nem traga a lume conversas inconvenientes. Cumpra o código da Estrada, acene aos polícias e recicle as embalagens vazias.
28
Out07

Choque Frontal - Porreiro, pá!

condutoras de domingo
Quem fez questão de refutar as acusações de Pinto Monteiro foi o director nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, que se apressou a dizer que não há nada escutas a mais no nosso país. O que é curioso é ele ter dito isto, muito pouco tempo depois, de termos descoberto que há microfones sempre ligados... até na lapela do primeiro-ministro.


Alípio Ribeiro diz que não há escutas ilegais em Portugal... e tem razão, esta foi bem légal!
Esta escuta legal e em código nada secreto, foi o corolário de dois dias em grande para o governo português. José Sócrates levou a melhor sobre italianos e polacos e conseguiu aquilo que mais queria. Não, não era salvaguardar a unidade da família europeia e consolidar os fundamentos da UE num tratado. Nada disso. Apenas uma e só coisa: dar o nome Lisboa ao raio do documento. Sim, que se lixe lá o que está escrito no Tratado e o que diz e não diz... desde que se chame de Lisboa! Isso é que é porreiro, pá. Porreiro. E como é que José Sócrates conseguiu tudo isso? Simples. Como sempre: usando um impecável fato cortado à medida, com um camisa em tons suaves e uma gravata em azul europeu, a combinar perfeitamente com o cenário envolvente. É só o que ele precisa. O que é certo é que funciona. Já viram bem as fotos da Angela Merkel depois da cimeira? Só faltam sair coraçõezinhos cor-de-rosa da orelhitas da senhora. Aposto que se pudesse, ela tinha posters do Sócrates a fazer jogging espalhados pela casa toda. E vejam lá se ela não aceitou logo voltar a Portugal, quando Sócrates a convidou. Deve estar convencida que é um date. Enfim... o amor, o amor.
28
Out07

De Encontro ao Pára-Brisas - Crimes de WC

condutoras de domingo
Toda a gente fala em escutas, todos ouvem interferências suspeitas no telemóvel e até nós temos sérias dúvidas se não estamos a ser escutadas. Ah, esqueçam. Aqui é mesmo essa a ideia. Mas a espionagem tradicional está a cair em desuso: estão aí as câmaras ocultas! E começaram a invasão pelo território do WC Pato. Foi com grande contentamento que as condutoras viram regressar uma actividade criminosa deixada ultimamente ao abandono: os crimes de casa-de-banho. Desde que parou de circular o mail sobre pessoas atacadas em WC’s de centros comerciais para lhes roubarem rins, e deixadas em banheiras com gelo, que a coisa andava estagnada. O máximo que acontecia era uma ou outra troca de escovas de dentes entre concorrentes do Big Brother. Mas ninguém melhor do que os agentes da PJ sabe que a ilegalidade nas instalações sanitárias faz bem à saúde e sanidade mental dos portugueses. E foi por isso mesmo que um deles tomou providências e instalou uma câmara numa casa-de-banho de mulheres da Direcção Central de Investigação de Trafico de Estupefacientes, mais precisamente debaixo do lavatório. O que mais se discute por aí é o objectivo da câmara, surgindo na imprensa duas hipóteses: espreitar as mulheres ou captar um acto ou conversa. Ora isto é exactamente a mesma coisa. O que o agente fez foi cumprir o sonho de tantos e tantos homens: saber o que se passa quando as mulheres vão aos pares à casa-de-banho! E assim se transforma uma acção de espionagem numa enorme desilusão: o agente queria de facto captar um acto ou conversa especialíssimos, mas acabou por comprovar que não se passa nada mais interessante do que diálogos sobre o estado do tempo ou as marcas de tampões. Isto faz-nos ter saudades do verdadeiro Che Guevara dos lavabos. O mestre, o percursor, o imbatível Manuel Subtil. Vamos recordar as suas sábias palavras.


Tem toda a razão, o Manuel, quando diz "era como se estivéssemos aqui sentados à mesa, só que lá não havia mesa. Havia sanita, bidé e um lavatório". Aliás, estar na casa-de-banho da PJ também é o mesmo que estar aqui no nosso carro. Com a diferença de que nenhuma de nós é polícia nem descobrimos ainda nenhuma câmara oculta. De resto, é igualzinho.
28
Out07

Choque Frontal - Escutas Telefónicas

condutoras de domingo
Rebentou novamente a bernarda das escutas telefónicas e, desta vez, mesmo sem haver dirigentes desportivos e negócios de fruta ao barulho. Tudo começou porque Pinto Monteiro, um ano depois de estar na Procuradoria Geral da República e, portanto, depois de um ano a lidar com uma porrada de processos complicados e que até envolvem escutas, percebeu finalmente aquilo que todos nós já sabemos há uma data de tempo: que há um excesso de escutas telefónicas em Portugal. Não é de estranhar que haja assim tantas escutas telefónicas, afinal, não há nada mais intrinsecamente português do que “escutar”, sobretudo atrás das portas. O que é curioso é o tempo que Pinto Monteiro demorou a chegar a esta conclusão e a forma como o fez. Segundo o Procurador Geral da República, uma das razões que o faz desconfiar de que há um certo exagero nisto de ouvir o que os outros dizem é o facto de o seu próprio telefone poder estar, muito provavelmente, sob escuta. De facto, é um exagero. Quem é que poderá estar interessado no que Pinto Monteiro diz? Ainda se fosse pessoa que criasse uns códigos divertidos para falar de badalhoquice! Este homem nem deve ter na sua lista um único número de telefone de um árbitro. Um presidente de Câmara, que fosse, ou uma cimenteira... As tiradas mais excitantes que se devem conseguir sacar são para aí: “Menina Aurora, traga-me a papelada que eu lhe pedi” ou “Querida, passa tu na lavandaria que eu vou ao pronto-a-comer buscar o empadão”. Nem a Dica da Semana pega nisto, quanto mais um 24 Horas! O que também é curioso é o que levou Pinto Monteiro a concluir que o seu telefone pode estar sob escuta – ele às vezes ouve uns barulhos estranhos. É caso para perguntar: tem a certeza que esses barulhos estranhos não são a sua secretária, que não se apercebeu que o senhor procurador levantou o auscultador, e está na trungalhunguice com o namorado que é tropa em Trás-os-Montes e está há mais de 2 meses sem aparecer em Lisboa? Hm? É capaz de não ser, porque, justamente os militares, bem como alguns polícias e sindicalistas se queixam do mesmo: que ouvem barulhos estranhos na linha e que, às vezes, as chamadas até caem.
Então, mas isso, só me leva a questionar que raio de métodos é que a Polícia Portuguesa anda a usar. Numa altura, em que a tecnologia está mais avançada do que nunca – pelo menos, a avaliar pelo CSI -, em que se usa a internet e satélites e GPS e sistemas poderosíssimos de captação de som, imagem e até ondas de calor corporais, a nossa polícia ainda está a usar uns aparelhómetros que fazem barulhos esquisitos na linha?? Depois queixam-se que toda a gente fala em código! Pois, se toda a gente sabe que eles estão lá! Só falta mesmo descobrir-se que estes polícias especiais estão mesmo numa salinha pequenina, de chapéu e gabardine, com um daqueles alicates de fazer ligações directas enfiado no bocal de um telefone preto dos antigos e que tudo isso está ligado a um bom e velho gravador de bobines. 
Bem, pelo sim, pelo não é preciso ter cuidado com o que se diz ao telefone, sobretudo se não se quiser ser apanhado num processo qualquer que envolva homens de bigode que gostam de se pôr à porta em roupão, ou outros do género. E se Pinto Monteiro tem razão no que diz, falar através da rádio é capaz de ser, neste momento, a maneira mais segura de comunicar.
28
Out07

Ana Malhoa

condutoras de domingo
Cada país tem a musa sexual que merece. Os nossos vizinhos espanhóis regalam-se com a Penélope Cruz. Os italianos passam-se com a Mónica Belusci. E os portugueses libertam o homem das obras que há em si... com Ana Malhoa. Ela, que consegue fazer a Paris Hilton parecer uma freira trancada na torre mais alta do convento.
Longe vão os tempos em que Ana Malhoa era conhecida pelas suas canções. Esperem, deixem-me reformular: ela NUNCA foi conhecida pelas canções. Primeiro tornou-se popular como a filhinha-ai-tão-fofa-fica-mesmo-gira-a-cantar-com-o-pai de José Malhoa. Depois, foi saltar, rir e conversar com bovinos coloridos entre desenhos animados e crianças sedadas ainda aos guinchos.
Mas a Internet killed the vídeo star, e não foi na televisão mas sim na world wide web que Ana Malhoa se tornou uma diva. E, a confirmá-lo, estão os resultados do estudo da Marktest que elegem a Anocas como a personalidade mais procurada on line no primeiro semestre de 2007, ficando à frente de Nelly Furtado e Cristiano Ronaldo. Portanto, as palavras que os portugueses mais procuram no Google são mesmo “Ana” e “Malhoa”. “Mamas pimba”, portanto! 
A razão disto são umas certas fotos sexy que a menina há tempos pôs no seu site oficial e que, apesar de já terem sido retiradas, continuam a garantir-lhe um certo estatuto. E porquê? Algumas más-línguas dirão que é pelo investimento da artista em avultadas quantidades de polímeros inorgânicos (leia-se “silicone”). Nada disso! As Condutoras viram as fotos e lembram-se bem da foleirada que eram os azulejos da casa-de-banho que serviu de mote à sessão fotográfica. Era impossível não ir lá olhar para aquilo. Melhor só se tivessem um quadro com uns cães a jogar poker pendurado por cima do autoclismo.
Actualmente as fotos são outras... e são só três. Nós disponibilizamo-las aqui porque queremos que veja com os seus próprios olhos e porque queremos muito aumentar o número de acessos.


Há uma grande produção, há o olhar lascivo, há um bikini, há meias de rede e até há botas reluzentes até ao joelho. Perdeu-se algum do encanto das fotos mal amanhadas repletas de chicha desnuda, mas pelos vistos não se perderam os fãs que continuam a correr para o site como a Bárbara Guimarães corre atrás do Carrilho de espanador em riste.
E é aqui que estala a polémica: os fãs de Ana Malhoa estão a ser roubados. E por quem? Primeiro, pelo nosso Governo. É que Portugal tem, segundo um estudo da Autoridade para a Concorrência, uma das bandas largas mais caras de toda a Europa. O que faz com que a Pornografia seja também uma das mais caras da zona Euro.
São velhotes a deixar de comprar medicamentos e pais a deixarem de comprar fraldas para os filhos só para poderem ter fundos para privar com Ana. E tudo isto para quê? Para depois de terem pago uma pipa de massa ao Estado, chegarem ao site da moça e encontrarem o recado: Em Construção!  Não se faz, amiga Ana! Não está certo obrigar pessoas sem apelido Jardim Gonçalves a endividarem-se sem retorno nem perdão para depois chegarem ao seu site na esperança de a vislumbrar em pelota encostada a uma loiça sanitária... e baterem com o nariz no ecrã. A não ser que este “em construção” se refira a uma parte qualquer do seu corpo e, nesse caso, se calhar, já vai valer a espera. Dizemos nós.. Enquanto o site não abre, com novas e extraordinárias fotos, o que a Ana Malhoa bem que podia fazer para contentar o seu público era escrever um livro. Se a Margarida Revelo Pinto pode, se Fátima Lopes pode, se até certos pivots de telejornal podem, não vemos razão nenhuma para impedir Ana Malhoa de o fazer.

28
Out07

De Encontro ao Pára-Brisas - Dumbledore

condutoras de domingo
JK Rowling foi a Nova Iorque promover o seu livro e todos sabemos que é de bom tom anunciar qualquer coisa estrondosa quando se vai aos EUA. Mesmo que as revelações envolvam feiticeiros, aprendizes ou aqueles gnomos de pedra dos jardins. A escritora revelou que o mágico Dumbledore é homossexual e está loucamente apaixonado pelo mago Grindelwald, que vencera numa batalha entre o bem e o mal. Um arrufo de namorados, no fundo, que JK justifica assim: “enamorarmo-nos pode enlouquecer-nos até um certo ponto”, dizendo que o mágico vivia “terrivelmente desiludido” por esse afecto. Os fãs de Harry Potter discutem há muito esta questão da sexualidade do director de Hogwarts. Já nem vamos perder tempo a explicar-lhes que nenhuma dessas criaturas existe. Não respiram, torna-se difícil que tenham opções sexuais… Mas isto serviu para provar que a influência dos anos vividos em Portugal na obra de Rowling é muito maior do que podíamos supor. É que todas as personagens são decalcadas de um conhecido caso nacional. Percebe-se agora que a Porto Editora tenha recusado o livro há uns anos. É que o nome na altura era “Eu, Potter”. A Escola de Magia era a Casa Pia, o terrível Voldemort em vez do sobretudo preto apostava no impermeável vermelho e pedia que lhe chamassem Bibi, e o protagonista, famoso pelas fotografias nu junto de cavalos, era na verdade Adelino Granja. Quanto a Drumbledore, recém-saído do armário, é óbvio que corresponde a… Catalina Pestana. Não está perdida de amores por um mago, é certo… mas isso é só porque entregou a sua vida a uma causa: recordar os abusos aos pequenos aprendizes de feiticeiros! É isso e inventar poções para os pés de galinha e bicos de papagaio.


28
Out07

A Triste História do Homem Viúvo

condutoras de domingo
O amor é uma coisa muito linda que não escolhe credos, raças ou mesmo idades. E é por isso que esta semana ficámos chocadas com a autêntica caça à bruxa que se montou contra um homem apaixonado que está a ter de lidar com uma terrível perda na sua vida.
Falamos de Reinaldo Wavegche, um argentino de 24 anos que, em plena apoteose de felicidade, perdeu a sua esposa ainda durante a lua-de-mel. Uma tragédia que alguns descuram apenas porque a senhora tinha uns bonitos 82 anos. E era, vá, moderadamente podre de rica.
Mas… será que ninguém mais compreende que aquele casal estava a fazer planos para um futuro juntos? ‘Tá bem, nós sabemos que com aquela idade o futuro não pode ser a longo prazo – mas bolas, ainda dá para planear uns “queres ir ao bingo na terça” ou “amanhã emprestas-me o teu cartão que o meu foi comido pela máquina e eu precisava mesmo de comprar um Bentley que o outro já tem 15 dias e está a ficar com bolor”.
Em entrevista a uma rádio argentina, um ainda inconsolável Reinaldo explicou: “Nós tivemos uma lua-de-mel de loucos, e por isso ela está onde está. Mas a nossa viagem foi maravilhosa, ela aproveitou muito e isso é que importa”. E a expressão a reter é, de facto, “aproveitar muito”. Aproveitar o sol, o mar, aquele botãozinho no Multibanco que permite fazer transferências…
Para agradar a todas as almas cínicas que insistem em dizer que tudo isto não passou de um golpe do baú, vale a pena fazer comparações. É que em Portugal também há quem tenha casado com idosas em busca de uma vida mais próspera. Mas pelos vistos a Betty Grafstein é rija que nem um pêro e ainda não saiu o Euromilhões ao Castelo-Branco.
 E além disso, quem não tem pais a trabalhar no Millenium BCP tem de arranjar outras soluções para poder constituir um modesto pé-de-meia. E se essas soluções tiverem uns seios rugosos pendendo até ao umbigo, então há que fechar os olhos e pensar na Gisele Bunchen... e num condomínio nas Maldivas.
28
Out07

O que é Nacional é Bonzinho - José Rodrigues dos Santos

condutoras de domingo
Tomás Noronha foi contactado pela Interpol. Quem sabe disto, é natural que já não me esteja a ouvir; quem não sabe, deixe-se ficar por aí que eu conto tudo. Tomás Noronha é personagem de ficção e, ao que parece, reincidente. O homem anda sem descanso, a saltar de romance em romance, porque o seu inventor – numa palavra, o seu Gepetto – não consegue ficar sossegadinho. Falo, claro, de José Rodrigues dos Santos. «O Sétimo Selo» é o seu novo livro; o quinto romance em (adivinhem) 5 anos. É que há sempre trama ficcional na manga de Rodrigues dos Santos. Sobretudo se ligada a algum mistério insondável da Humanidade. Por isso, o pobre Tomás Noronha, que já andou atrás de uma fórmula de Einstein para provar que Deus existiu, que já andou atrás de uma cifra indecifrável para descobrir a identidade de Colombo, não só está exausto, como foi agora metido num thriller apocalíptico que envolve um cientista assassinado na Antárctida, uma nova mensagem obscura (que, para apimentar a coisa e manter as vendas, tem o número da Besta) e, ainda, o problema das alterações climáticas e do esgotamento dos combustíveis fósseis. Isto explica por que razão Rodrigues dos Santos precisou de 500 páginas e demonstra ainda uma clara viragem na sua obra. O jornalista fez um movimento de rotação para o futuro, exactamente no momento em que o passado deixou de estar na ordem do dia, que é como quem diz, de interessar no presente, lançando-se na dimensão nunca explorada da futurologia-já-anunciada. Disso e das preocupações ambientais, coisa que este ano até já justificou um Nobel. Tudo porque o jornalista, qual Al Gore à portuguesa, assumiu a missão de «abrir os olhos das pessoas para os gigantescos problemas que nos esperam, como o aquecimento global e o fim do petróleo». E deixa a pergunta: «Como vai ser daqui a dez anos?» Eu não sei nada do futuro, mas, se ainda cá andarmos, dá-me ideia que vamos ter mais 10 romances de José Rodrigues dos Santos, cinco deles ainda sobre os chamados temas ecológicos e os restantes passados num Portugal já desertificado, onde o milagre de Fátima será revisto à luz de um chip encontrado num dente de humanóide. Isso ou, se tudo correr bem, vamos estar como o Álvaro de Campos desejou: a tornar-nos passentos aos perfumes de óleos e calores de carvões desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável. Seria a tão ansiada libertação de Tomás Noronha.  
28
Out07

Incêndios na Califórnia

condutoras de domingo
Esta semana, fomos abalados com notícias vindas da América e que davam conta de violentos incêndios na Califórnia. Foi uma das piores calamidades de sempre naquela região. O fogo consumiu extensas áreas de mata, chegando mesmo a atingir zonas habitacionais e causando milhares de desalojados.
A pior situação viveu-se na região de Los Angeles, onde grande parte dos moradores locais ficou sem casa, depois do fogo consumir... as suas mansões. Muitos deles vivem agora momentos de drama e desespero, pois foram forçados a ter de ir viver para as casas de praia ou para os apartamentos em Manhattan, coisa que não vinha nada a calhar nesta altura do ano, e ainda por cima quando se deu folga à criadagem. A situação é tão grave que muitos foram mesmo obrigados a ir viver para os poucos hotéis de luxo das redondezas e a ter de contentar-se com refeições feitas à base de lagosta e champanhe. Comida bastante engordativa, portanto. As imagens que nos chegaram através da televisão eram arrepiantes. À volta de Hollywood houve gente que perdeu frotas inteiras de Ferraris e Porsches, para já não falar de espólios perfeitamente irrecuperáveis de fatos Armani e malas Prada. Uma perda para a humanidade! Muitos californianos queixaram-se da actuação do Governador perante tamanha catástrofe. Aparentemente, Arnold Schwarzenegger ter-se-á colocado perto de uma frente de incêndio e gritado: “hasta la vista, baby!” E depois, ficou feito parvo a olhar para as chamas e a tentar perceber porque é que, desta vez, aquilo não funcionou.


Para ajudar as vítimas dos incêndios, ainda se pensou fazer algumas acções de solidariedade, como concertos, espectáculos, etc. Mas, depressa se desistiu da ideia por não haver artistas disponíveis para abraçar a causa. Estavam todos ocupados a atirar baldes de água para o telhado da mansão em chamas. E depois, também se achou que era esquisito ter pessoas normais, tipo carpinteiros e contabilistas, a fazer um disco género “we are the world” para ajudar músicos e actores e assim. Para isso já existe o “Casamento de Sonho”, que também tem gente, vá lá, normal a cantar e a ajudar artistas de quem já ninguém se lembra a renascer das cinzas.
Mas o pior de tudo, a verdadeira calamidade, o terrível drama, é o facto destes incêndios terem feito parar as gravações do “24” e do “CSI”.  Sem novos episódios destas séries, milhares de portugueses vão ter de recorrer à ficção nacional para sobreviver, o que significa que brevemente vai ter de ser declarado o Estado de Emergência, pois ninguém aguenta mais de dois dias seguidos a comer com a Floribella ou o Deixa-me Amar.
28
Out07

Destravados - Doherty + Winehouse

condutoras de domingo
Esta semana temos nos Destravados duas figuras que quase podíamos reconhecer como arrumadores de carros, daqueles muito drogaditos, que ficam a dizer “destróce!” meia hora depois de já termos saído do veículo automóvel.
Eles são Pete Doherty e Amy Winehouse, conhecidos em todo o mundo como cantores e compositores... e conhecidos na Colômbia e na Bolívia como os Santos Padroeiros que permitem às economias daqueles países avançarem. São mesmo muito importantes por aquelas bandas. Uma espécie de Tratado de Lisboa da América do Sul, seja lá o que isso quer dizer. Pete já esteve em clínicas de recuperação um pouco por todo o mundo, Portugal incluído. Já esteve noivo de Kate Moss, já foi apanhado com drogas, já teve nos Libertines, já foi apanhado com drogas, já fundou os Babyshambles, já foi apanhado com drogas... Enfim, uma vida atarefada. De tal forma que o homem nem tem tempo para ir ao super mercado comprar Whiskas para o gato e acaba por dar ao bichano aquilo que tem mais à mão: umas doses de coca. Mas atenção, o Doherty não é nenhum inconsciente e primeiro dilui o pó numa pinguinha de leite. Já Amy... Bom, como descrever o look de Amy? Ora bem, imaginem que o Stevie Wonder era uma britânica branca de 24 anos. E agora imaginem que, mesmo ceguinho, o deixavam tratar da sua própria maquilhagem e penteado. Pronto, achamos que ficam com uma boa ideia. E para além disso, gosta mais de drogas do que Marcelo gosta de livros.
Estes dois discípulos de Keith Richards vão esta semana estrada fora a destravar porque resolveram fazer um dueto. Pete escreveu a bonita cantiga e conta agora com a ajuda da Amy na parte vocal. Oh, e tão bonito vê-los a partilhar linhas de pauta em vez de linhas de coca! Mas mesmo assim é bom que lá na Bolívia ponham muitas crianças a plantar papoilas, para garantir que há droga que chegue para este lindo par de jarras. É que quando eles se juntarem em estúdio há sérios riscos de haver um esgotamento de stock!
E agora uma surpresa para o nosso cada vez mais vasto auditório: as Condutoras de Domingo podem, em rigoroso exclusivo mundial, avançar com um excerto deste single: “O Cavalo é bom companheiro, o cavalo é bom companheiro, o cavalo é bom companheirooooo, ninguém o pode negar”.
Para testar a destravadice destes dois precisamos não de um balão mas daqueles testes novos do cuspo. E nesta escala eles conseguiram um impressionante “cinco graus de Intendente e Serafina juntos”. Vá, sigam lá viagem. E tomem lá a moedinha de nos terem ajudado a estacionar. Destróce!

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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