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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

Condutoras de Domingo

28
Set07

Tão Mau que é Bom - Rótulos

condutoras de domingo
Não há nada mais intrigante para um leitor compulsivo do que descobrir que ainda não experimentou todos os géneros literários. No fundo, um leitor compulsivo é apenas a categoria mais pura dentro da sub-categoria dos seres humanos leitores com comportamentos aditivos. Porque há vários tipos de leitores compulsivos: há, por exemplo, os viciados em sexo, que vivem atormentados pelo desejo permanente de ler o Kama Sutra [ou os folhetos informativos dos preservativos]; há também os viciados em substâncias psicotrópicas, que desesperam quando se esquecem que, para conseguirem ler em condições as bulas das drogas, têm que ler primeiro e drogarem-se só depois. E há ainda mais um exemplo que tenho que acrescentar, o dos leitores compulsivos viciados em chocolate. É que não há um único leitor compulsivo viciado em chocolate que defenda que o ritual de ingestão de uma tablete fica completo sem o acompanhamento da leitura do rótulo da guloseima consumida. Reparem bem: o rótulo.
Como leitora compulsiva viciada em chocolate em fase de franca recuperação por desenvolvimento de uma alergia alimentar – é difícil, mas é a sub-sub-categoria em que me enquadro –, eu já tinha tido o prazer de ler rótulos e, confesso, rótulos de vários bens de consumo: das etiquetas de roupa às instruções do rádio a pilhas, passando, como é evidente, pelos rótulos dos shampôos, dos cremes hidratantes e dos alimentos. Li isso tudo, mas nunca me tinha apercebido de que este processo de leitura de rótulos implica uma apurada técnica de exegese.
Até ao dia em que decidi trazer de uma loja de produtos naturais uma revista gratuita sobre comportamentos saudáveis. Nesse dia, eu entrei em contacto com uma nova realidade: os workshops de leitura de rótulos. São aulas de cerca de 3 horas que se repetem ao longo de várias semanas e que têm como objectivo principal alertar não só para “a importância deste tema”, como também para “a generalizada ausência de conhecimentos do cidadão comum sobre a interpretação da rotulagem dos alimentos”.
Estes workshops estão claramente acima de um vulgar workshop de dança oriental ou de um mais que concorrido workshop de escrita criativa[, incluindo aqueles que obrigam à frequência de 2/3 das aulas sob pena de não devolverem aos alunos o valor da inscrição.] Mesmo um aliciante clube de leitura ao Sábado à noite fica muito aquém de um workshop de leitura de rótulos. E isto porque, num workshop de leitura de rótulos com o preço médio de 20 euros, há merenda de boas-vindas para os futuros leitores, há professores doutores que dão pelo nome de Polybio e que alertam para o perigo da ausência de rótulo e há acesas discussões em torno da legislação da rotulagem nutricional. Tudo isto e mais: quem completa o workshop, recebe uma mini-telelupa a cores, ideal para ler rótulos, e leva para casa um certificado – um CER-TI-FI-CA-DO que se emoldura mais facilmente que qualquer canudo da Universidade de Lisboa.
Infelizmente, nada disto é para mim; eu não estou preparada para a integração na sub-categoria privilegiada dos leitores compulsivos que descobriram a importância do papel dos rótulos no significado textual. Na verdade, eu ainda perco tempo a debater-me semanalmente com a leitura exegética da Dica da Semana.
23
Set07

Sinais de Luzes - 23 Setembro

condutoras de domingo
Máximos
Para a Vadeca, empresa responsável pelos serviços de limpeza no Centro Cultural de Belém. Mais precisamente para a “funcionária do mês de Setembro”, que depois de semanas e semanas de estágio intenso em casas particulares, desemparelhando meias com losangos e fazendo desaparecer para sempre comandos de televisão, foi explanar toda a sua técnica para o Centro de Exposições da dita instituição. Chegou a hora do merecido reconhecimento! Maria - vamos chamar-lhe assim não por uma questão de privacidade mas de ignorância -, afinal de contas, arrumou exemplarmente o quadro “Camões” de Júlio Pomar. Fê-lo com tal aprumo que nem o governo nem a polícia sabiam dele. Nas palavras da própria: “fiz uma pequena decapagem e depois passei com o scotch brite porque tinha manchas difíceis”. O quadro, com cerca de 1.90m, foi encontrado embalado em papel de alumínio, para não se estragar. Na mesma arrecadação do CCB foram encontradas outras partes importantes do espólio artístico nacional, que há muito não eram avistadas, entre as quais a colecção completa de “Rima Infantil” de Rosa Lobato Faria, a discografia de Armando Gama e o pequeno Saúl, em pessoa. Sim, afinal está vivo. Estava apenas entalado entre um contrabaixo e restos congelados do buffet de inauguração de Berardo.


Médios
Para o conflito de enormes proporções que tem vindo a marcar a actualidade. Não o israelo-árabe mas o Matos-Alfaiate, que opõe os dois protagonistas da última série de Morangos com Açúcar: Mafalda e Isaac, que deram vida a Sofia e André. Ela abriu as hostilidades, dizendo que Isaac era fútil, ele ripostou violentamente, acusou-a de ter inveja! Para além da preocupação que sentimos pela violência latente e o poderio bélico destes dois monstros da TV adolescente, temos de tirar-lhes o chapéu e prestar-lhes a devida homenagem. É que afinal de contas ousaram ir mais longe que qualquer dos anteriores pares românticos. Se recuarmos à pré-história dos “Morangos” verificamos que Pipo e Joana nunca passaram da fase oral, com clara incapacidade de usar conceitos abstractos. Mais tarde, Ana Luísa e Simão foram capazes de reconhecer emoções básicas, mas apenas quando traduzidas em expressões faciais - sabiam dizer quando estavam contentes e tristes. Nesta linha evolutiva, Matilde e Tiago conseguiram, mais que uma vez, relacionar conceitos de universos radicalmente distintos, como a praia e o bar do Fred. Mas nunca nenhum deles se atreveu sequer a sonhar com isto, que agora André e Sofia fazem com aparente facilidade. Ela aplica-lhe um sinónimo de frívolo (ainda que não o saiba), ele mostra-se capaz de conjugar o verbo transitivo “invejar”. O elenco da 5ª série de Morangos, em início de gravações, mostra-se muito apreensivo com este elevar da fasquia. Por este andar, temem que qualquer dia os obriguem a usar algum advérbio de modo para além de… “altamente”.


Mínimos
Para “Jose”, por ter abandonado o Chelsea sem honra nem glória. Logo ele, que nos habituou ao melhor, não só do futebol mas dos thrillers psicológicos também. Do homem que comandava equipas das bancadas, com poderosos walky talkies, que enfrentou o temível Paulinho do Sporting só para rasgar uma camisola de Rui Jorge, que foi parar aos calabouços por amor à sua cadela, esperava-se mais do que uma carta de despedida e uma saída de fininho. Mesmo que tenha assinado “The Special One”, não deixa de ser fraco.
Agora, terminada a carreira como “José” – ou “Jose” - e muito visto enquanto “Mourinho” – ou “Mourino” -, o treinador deverá procurar um destino onde possa usar os nomes que lhe restam: Mário e Félix.
 
16
Set07

Sinais de Luzes - 16 Setembro

condutoras de domingo
Estes sinais não são para pedir ajuda, para avisar que a polícia está ali ao virar a curva, nem tão pouco porque não distinguimos a manete das luzes do limpa-parabrisas. São a nossa maneira de votar alguns acontecimentos da semana.


Máximos
Para os funcionários da RTP que estão revoltados com a cantina da estação. Imagine-se que tem filas e o acompanhamento é muitas vezes batatas fritas! Perante este flagelo, os jornalistas não tiveram meias medidas: num grupo organizado por Cesário Borga manifestaram-se violentamente, saindo em bando para… almoçar no Olivais Shopping. Perante esta forma de protesto a administração da estação pública diz-se bastante assustada e disposta a dar-lhes tudo o que quiserem, mesmo que seja couve-flor au gratin. Por outro lado, os centros comerciais lançam-se numa nova oferta de restauração: menus especiais para funcionários em greve, manifestação ou processo revolucionário. Com preços acessíveis a partir de grupos de dez e a promessa de rápido atendimento e muito esparguete cozido a acompanhar, não vá algum manifestante exaltar-se e perder a cabeça.


Médios
Para Freddy Adu, o qualquer-coisa do Benfica. Ainda não há certezas que seja jogador. Mas é pelo menos um miúdo perspicaz. Depois de ter dito que a pergunta do treinador “onde queres jogar?” foram as palavras mais maravilhosas que jamais ouviu, calculámos que nunca ninguém tenha dirigido a palavra ao pobre rapaz. Agora temos a certeza, ao ouvi-lo dizer que os futebolistas portugueses têm um QI elevadíssimo. Teme-se que esta afirmação seja catastrófica para o plantel encarnado, que funciona melhor sob insulto permanente e, de preferência, anglo-saxónico. A afluência ao departamento médico tem sido enorme: Quim queixa-se de dores intensas na nuca, Luisão de uma vontade súbita de ler Proust, e Rui Costa, acamado na maca do fundo, pergunta porque é que agora todos lhe chamam Richard Wagner. Já Petit, em declarações à imprensa, mostrou-se chocado pela possibilidade de poder haver vida inteligente na Terra, e de ele fazer parte dela. Diz que não se encontrava neste estado desde que descobriu que pitbull era uma raça de cães. A equipa não sabe se terá capacidade para entrar em campo, agora que descobriram que têm QI, mas Camacho tranquilizou-os: Adu também achava que o Benfica era “o maior clube do mundo”, por isso talvez não tenha assim tanta certeza nesta história da inteligência.


Mínimos
Para quem inventou um concurso chamado “Família Superstar”. Não os censuro por humilharem publicamente pessoas que não só acham que nasceram com uma bênção divina, como não se apercebem que Deus os castigou violentamente com um défice cognitivo. Nem sequer é por nos brindarem com criancinhas de seis anos seminuas a cantar “aperta, aperta com ela”, com coreografia incluída. Nada disso. Todas essas acções são puro serviço público, porque português que é português gosta de uma boa humilhaçãozinha para alegrar o serão (que outro motivo explicaria que ainda apoiassem uma equipa treinada por Scolari?). Precisamos de humilhação como de pão para a boca. E ainda bem que há quem a forneça em doses generosas. Vergonhoso mesmo é lançar um concurso com vencedores anunciados à partida, e que até já receberam o cheque e a viagem de prémio. Pois é, ou alguém tem dúvidas que a verdadeira família Superstar é composta por Kate e Gerry McCann?
15
Set07

Condutoras de Domingo

condutoras de domingo

Afinal, o que é isto das Condutoras de Domingo? Podemos dizer que é uma percurso semanal pela actualidade e pelo país contemporâneo, feito por um grupo de mulheres ao volante de um programa de rádio. Mas... ATENÇÃO!!!Isto não é um programa de “mulheres”, para mulheres, sobre mulheres. Por acaso, a equipa é só mulheres. E, então? É acidente, ok? Adiante. A ideia é viajar pelos principais acontecimentos da semana. Mas, sabendo que as mulheres não têm sentido de orientação, escusado será dizer que vamos virar à esquerda e à direita aleatoriamente, fazer inversões de marcha, cometer uma infraçãozita ou outra, nunca se sabendo, por isso, que rumo vamos seguir em casa semana. De vez em quando, faremos algumas paragens e até vamos dar boleia a alguns penduras, que nos vão ter e gramar, responder a perguntas e ainda participar numa radionovela de famosos. É natural que na voltas e reviravoltas aconteça algum choque frontal, altura em que se fala do tema da semana.

E isto é mais ou menos o que se passa, todos os domingos, na Antena 3, e todos os dias aqui em condutorasdedomingo.blogs.sapo.pt. Ou, pelo menos, o que vamos tentar que se passe.

Então, está no ir. Arrancou!

 

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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