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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

04
Mai08

Sinais de Luzes - 4 de Maio

condutoras de domingo

Mínimos

Para Ronaldo, que desdenhou o sábio ditado que diz que é dos carecas que elas gostam mais, e deixou crescer uma farta cabeleira à custa de Crescina. Desde então, a sua carreira nunca mais foi a mesma, e acabou por dar vida a outra expressão popular, que é “levar gato por lebre”. Ou melhor, ele achava que levava três gatas para um motel, mas na verdade eram três travestis. Esta é a única certeza que existe. A partir daí, há uma enorme névoa. André Luiz, mais conhecida como Andrea Albertino, no mundo do transformismo, diz que Ronaldo sempre soube que não estava a lidar com mulheres. Disse mesmo “ele não é cego. Sou bonita mas não sou a Cicarelli”. As versões diferem: o avançado do Milan diz que quis dispensar os serviços delas (ou deles), provavelmente quando percebeu que não tinham sequer uma parecença elementar com Daniela Cicarelli, elas dizem que ele não quis foi pagar os serviços prestados. Com esta proeza Ronaldo conseguiu, à semelhança do homónimo português, bater um difícil recorde. O de perdas: ficou sem noiva e sem contrato publicitário no mesmo dia. É que apesar da Nike proclamar “Just do it”, não quer que isso seja levado à letra. Aquilo que mais nos chama a atenção nesta história toda é a introdução. “Ronaldo está no Brasil para recuperar de uma grave lesão no joelho”. Tem uma forma pouco ortodoxa de curar maleitas, este jogador. É que nem o departamento médico do Benfica promove tratamentos tão alternativos.

 

 

Médios

Para três habitantes de uma ilha grega. Sim, nós chegamos a este nível de especificidade. Apontamos o dedo a duas pessoas que vivem algures, entre as dunas de Lesbos. Dimitris Lambru é o nome de um destes senhores nacionalistas, e autor dum comunicado chamado “O mal-estar de ser lésbico”. Isso mesmo. Eles reivindicam o uso exclusivo do termo “lésbicas” para as habitantes de Lesbos. E acusam as homossexuais de terem usurpado a palavra. Dizem que os habitantes da ilha de Lesbo são vítimas de “violação psíquica e moral” porque a sua designação geográfica foi confiscada. E têm toda a razão. Imaginamos o incómodo a preencher formulários e a responder a inquéritos. Perguntam-lhes a origem ou a morada, e parece sempre que eles estão a sair do armário e a falar das suas opções sexuais antes de aparecer essa secção do questionário. Por isso compreende-se que tenham colocado uma acção judicial contra a União Grega dos Homossexuais, para lhes ser negado o uso desta palavra. Se os ingleses se lembrarem de proibir que “gay” seja alegre e homossexual ao mesmo tempo, será dramático. Esperemos que o mesmo não aconteça por cá. Seria o caos no mundo dos alimentos: imaginem que as alfaces nacionalistas se revoltam com a designação “alfacinha” dos lisboetas! Ou que as tripas se viram contra os portuenses, e as laranjas contra os militantes do PSD… Esta foi uma metáfora muito parva, não haja dúvida. Mas sempre foi melhor do que escrevermos um comunicado sobre “o mal estar de ser condutora de domingo”, num país em que se dá essa designação a pessoas que circulam a 20km/h na auto-estrada, enquanto ajeitam os bibelots que têm no tabelier.

 

 

Máximos

Para a ministra da Educação, que descobriu a pólvora, felizmente um bocadinho antes do sistema de ensino português acabar. Maria de Lurdes Rodrigues descobriu que o grande problema são os professores que chumbam alunos. Isso mesmo. Não é grave os alunos faltarem a 90% das aulas e não fazerem nenhum teste. Graves são os preciosismos dos professores. Lá porque um miúdo não adivinha que um tracinho entre números é uma subtracção, ou porque não sabe se chumbar se escreve com X ou CH, não é caso para reprovar. A Ministra, que nunca esteve em risco de chumbar – ou que teve professores muito progressistas para a época – fez as contas. O Estado gasta 3 mil euros por ano com cada aluno. Se alguém se lembra de repetir, já vão 6 mil só para um miúdo – que pelos vistos nem é lá grande coisa… Portanto a solução para poupar milhões de euros é passá-los a todos. Maria de Lurdes diz que facilitismo é chumbar, rigor e exigência é fazer com que todos aprendam! Assim, o caminho parece-nos óbvio: reduzir os programas a uma página A4 para garantir que todos acompanham. Mas isto envolve alguns riscos ainda, uma desconcentração pode ser fatal e 3 períodos podem não chegar para estes resumos da matéria. Por isso temos outra sugestão: acabar com a escolaridade. Depois da creche dá-se às crianças uma sabática e elas ficam à espera de fazer 16 anos para irem trabalhar. Isto sim, vai permitir poupar. Que as escolas, parecendo que não, gastam imensa água, gás, electricidade… Não há necessidade disso. Ficam em casa, descansados, a brincar no YouTube e a arrancar telemóveis às mamãs e aos papás. Em poucos anos Portugal vai ser o país mais rico da União Europeia. Escusam de nos agradecer.

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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