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Condutoras de Domingo

Elas em contramão, sempre a abrir, pelos acontecimentos da semana.

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Condutoras de Domingo

27
Abr08

Condução Defensiva - Casais Sólidos

condutoras de domingo

Hoje não vou falar de livros. É que, na semana passada, não só se assinalou o Dia Mundial do Livro, e para quê estar a chover sobre o molhado?, como se comemorou o Dia da Terra. Uma das muitas coisas referidas foi aquilo que estou cansada de afirmar: há muita árvore a sofrer por causa de livros que não merecem ser publicados. Uma tonelada deles obriga ao sacrifício de três toneladas de madeira! Façam as contas... Por isso, arranjei finalmente um espacinho para me debruçar sobre uma realidade que me tem incomodado: os “casais sólidos”. O que me faz confusão não é a soma feliz de Anna Westerlund a Pedro Lima ou de Tom Cruise a Katie Holmes, exemplos recorrentes de “casais sólidos”; o que me chateia é este hábito da imprensa nacional (sobretudo a que se dedica com esmero aos casais sólidos) conjugar aleatoriamente adjectivos e substantivos e de assim os transformar, também a eles, pobres palavras, em uniões sólidas. Ora bem, eu leio a expressão “casal sólido” e a imagem que me vem de imediato à cabeça é a de um paralelipípedo. Disso ou de um daqueles lugarejos com terrenos e uma casa, muito comuns antigamente. Mas nada de Tom Cruises e Katie Holmes de mãos dadas, nada de amores sinceros e perfeitos. Eu ouço “casal sólido” e, pronto, a minha mente fica presa a um tijolo com 6 faces, 8 vértices e 12 arestas, firme, robusto, maciço. É certo que Cruise e Holmes, ou qualquer outro par capaz de constituir um “casal sólido”, raramente apresentam falta de firmeza; aquilo é sem dúvida gente resistente. Contudo, não é a isso que se referem as revistas que se congratulam por existirem “casais sólidos”. Aqueles casais são sólidos por terem uma relação consistente como a massa do Bolo Rei. A mim, parece-me precipitado e incorrecto que sejam assim classificados. Por baixo da fotografia de Pitt e Jolie ou Cruise e Holmes devia aparecer a legenda “casal feliz” ou “casal que ainda se atura”. Isso do “casal sólido” chega a ser injusto para os “casais felizes” que, naquele momento, podem estar a atravessar, em diversos campos, uma fase mais líquida ou gasosa. Razão suficiente para avançar com uma proposta de suspensão do uso da expressão “casal sólido” nestas situações. Até porque dá-me ideia que, a existir um “casal sólido” neste mundo, só mesmo o de Barbie e Ken, que, como toda a gente sabe, são bonecos feitos de plástico resistente, não tóxico e imune a alterações de estado.

 

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Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.

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Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.

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