as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 29 de Junho de 2008
Tão Mau Que é Bom - Luís Represas

Na semana passada, falámos aqui, com amor e ternura, daqueles mails que sabemos, assim que abrimos a caixa de e-mail, que não vale a pena ler. São os que começam com três letrinhas apenas, os execráveis forward. Ora, aqui há uns dias, andava eu em limpezas de mail, aniquilando todo o tipo de forward, quando dei com este título a seguir às tais letrinha FWD: «Conhecido cantor, mas vigarista perigoso». Fui ver. Era o 50 cent? Não! Era o... Luís Represas! Ah, pois é, parece que o senhor Trovante se serve, segundo o dito mail, da sua fama como cantor em Portugal para – e passo a citar – “dar cobertura a uma vida de vigarices, calotes e burlas”. Ai, o malandro! E, no entanto, nunca ele foi tão português, nunca ele honrou tanto a sua carreira portuguesa: primeiro, começou por cantar em português; depois, insatisfeito como qualquer artista, passou a burlar em português. E tal como iniciou a sua carreira musical rodeado por outros quatro rapazes portugueses, também no seu percurso como alegado vigarista se fez acompanhar por um sócio bem tuga – o Cajó, pois então! Parece que as trafulhices têm para lá de uma década. Diz assim o mail: «Por ser uma figura querida da comunicação social, ninguém publica as desgraças que este senhor tem feito a muita gente. Pois este senhor nunca pagou as rendas à Parque Expo e foram uns milhares de contos que ficaram no bolso até que o obrigaram a fechar os estabelecimentos.» Depois, acrescenta-se que os fornecedores dos estabelecimentos também “ficaram a ver navios”, que houve amigos traídos e fiadores entalados por causa dos estabelecimentos, bebidas que ficaram por pagar nos estabelecimentos. Que estabelecimentos, perguntam vocês. O Bugix, o Xafarix e o Titanix. A mim só me ocorre uma palavra para completar a rima: começa em fó e acaba em nix. A mesma palavrita que deve ter usado um dos amigos traídos que, alegadamente, foi pedir a Represas os 30 mil euros que o músico lhe devia. Acabou como arguido num processo de ofensas à integridade física do “conhecido cantor, mas vigarista perigoso”. O mail termina acrescentando ao pomposo título um carinhoso “mafioso” e apelando a que nunca mais ninguém compre nada a este – e cito de novo - “energúmeno”. Pela minha parte, podem estar descansados. Aqui no nosso carro, nunca soou a voz de Luís Represas; na minha casa não há um único disco dele. É apenas uma questão de gostos educados, que nada tem a ver com mafiosos (tanto que eu adoro o Tony Soprano!), nem tem nada a ver com o facto de há uns anitos este mail já ter passado pelas minha caixa de correio electrónico. É essa a maravilha dos mails; sobretudo dos forwards – quando toda a gente já esqueceu, de repente surge um, puxado do fundo da caixa de spam, para fazer justiça e ajudar na interminável luta que separa o trigo do joio.



publicado por condutoras de domingo às 11:43
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Domingo, 22 de Junho de 2008
Tão Mau Que é Bom - Sudoku

Quando dizemos que é grave os alunos usarem telemóvel nas aulas não estamos a referir-nos ao perigo de cenas de pugilato com os professores. Isso é o menos. O que é de facto grave é as crianças habituarem-se a este esquema de multitarefa, que estendem a todas as áreas da sua vida. Estamos a criar adultos perigosos. Daqueles que não só vão falar ao telemóvel enquanto guiam, mas também fazer torradas dentro do carro. Daqueles que não só vão jogar computador enquanto vêem televisão, mas também dar consultas de nefrologia. Daqueles que não só vão ouvir rádio enquanto fazem o almoço, mas vão ao mesmo tempo subir uma montanha enquanto dão toques com uma bola de ping pong. As pessoas já não conseguem concentrar-se apenas numa tarefa. Pedir cinco minutos de atenção é exigir demasiado. Em tempos as pessoas distraíam-se nas aulas, ou no trânsito. Falhando uma resposta dum exame ou batendo noutro carro. Agora distraem-se em todo o lado. Nos seus próprios casamentos, perguntam ao padre se está a falar com eles. Nos funerais dos melhores amigos, perguntam como se chama o defunto. Daqui a uns anos vamos andar todos demasiado ocupados para nos darmos uns com os outros, e demasiado distraídos para saber quem são esses “outros”. Mas, como sempre, o futuro chega 1º ao estrangeiro. E por isso na Austrália os adultos já são assim. Esta semana foi interrompida a sessão dum julgamento sobre tráfico de droga e conspiração por causa dos elementos do júri. O que para nós é normal, que estamos habituados à Rita Blanco a fazer intervenções constantes no Dança Comigo. Mas lá o motivo foi outro. Alguém alertou o juiz para o facto dos membros do júri estarem a escrever na vertical e não na horizontal. O que não é normal nem cá nem lá, só no Oriente. Foi aí que perceberam que o júri estava a jogar sudoku. Isso mesmo. Enquanto se decidiam coisas secundárias como penas de prisão, aquelas pessoas estavam angustiadas por não descobrirem o número do quadradinho do meio. Lynette Ross era um dos membros do júri, e queixou-se à imprensa da dificuldade de concentração por tanto tempo. Disse que “ambos os lados eram confusos” e que lhes explicaram mal as coisas. Lá está. Este será sempre o argumento de quem desempenha várias tarefas ao mesmo tempo – a explicação não prestou. E faz sentido. Porque isto é gente que desde a pré-primária usa tamagochi, leitor de mp3, telemóvel e estação barométrica, enquanto a professora explicava a matéria. É natural que agora tenham dificuldade em perceber que não se pode fazer o último volume do Cruzadex enquanto se faz uma cirurgia cardíaca, nem se pode tentar descobrir as sete diferenças enquanto se ajuda uma velhota cega a atravessar a rua.



publicado por condutoras de domingo às 19:12
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Domingo, 15 de Junho de 2008
Tão Mau Que é Bom - Cinema City

Carlos de Mattos. Conhece este nome? Nós também não conhecíamos. Mas este emigrante português na Califórnia está disposto a investir 300 milhões de euros em Portugal e criar 4000 postos de trabalho. Isto soa-me familiar. Um emigrante que ninguém conhece, e que aparece pronto a injectar capital em território português. O último chamava-se Sérgio Silva, e estava disposto a tornar o Boavista no Manchester Utd lusitano, com Zé Kalanga transformado em Cristiano Ronaldo e tudo. O resultado foi a burla mais curta de sempre. Durou um dia. Carlos de Mattos, é pelo menos mais convincente. Porque já passaram vários dias e o Projecto deste senhor continua de pé. Ele quer fazer uma Cidade do Cinema, ou Cinema City, como diz, na Margem Sul. Por este andar o deserto vai tornar-se a nova capital portuguesa. Depois do aeroporto e do TGV chega agora uma espécie de Hollywood nacional. Além de estúdios cinematográficos vai ser construído um pólo universitário. E depois disto já se sabe: restaurantes para a malta comer, hospitais para os duplos serem assistidos, hotéis para os visitantes dormirem, enfim… rapidamente Lisboa será apagada do mapa. Carlos de Mattos diz que Portugal é uma segunda Califórnia, porque os realizadores procuram muito o sol para filmar. Isto criou em mim uma certeza e uma dúvida. A certeza é que a primeira produção desta Cinema City será uma Baywatch à Portuguesa. Uma série chamada “Banheiros” ou coisa que o valha, filmada ali na Fonte da Telha, com Diana Chaves a fazer de Pamela Anderson e Marcantónio del Carlo – obviamente – a fazer de Mitch. A dúvida é: toda a gente sabe que S. Pedro anda louco, basta ouvir o que dizem as velhinhas nas paragens de autocarro: “já não há estações” Será então boa ideia construir uma empresa megalómana que se fia no clima português? Carlos de Mattos tem uma visão especial do mundo. E especial é um eufemismo. O empresário conta que o facto de ser português lhe abriu muitas portas, quando aos 18 anos chegou a Los Angeles. Isto porque descrevia as conquistas históricas e a grandiosidade de tão pequeno país. É ele que conta… Provando uma vez mais que os americanos são facilmente impressionáveis. Aqui para nós, nem era preciso relatar-lhes a diáspora, bastava contar-lhes que detemos o record do maior pão com chouriço do Mundo. Esta informação já garantia reverência que chegue, de certeza. Mas ainda bem que Carlos de Mattos acha boa ideia criar uma cidade do cinema em Portugal. Acho até que se deve criar um Kodak Theatre lá no deserto. Algures entre o Oásis do Barreiro e o da Amora. E entregar prémios anualmente. Em vez de Óscares podem ser os Linos. Em homenagem ao Mário. Ah, e claro, não podem faltar umas letras monumentais a dizer “Cinema City”, ali no cimo do Monte da Caparica.



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Domingo, 8 de Junho de 2008
Tão Mau Que é Bom - Moreno

É sempre dia de festa quando o cabeleireiro Moreno volta às Condutoras de Domingo. E hoje volta por uma óptima causa – avaliar os penteados dos jogadores da Selecção Nacional. Como é que não nos lembrámos disto antes? De certeza que só perdemos o Euro2004 por certos e determinados penteados que por lá havia. É essa a verdadeira causa da exclusão de Maniche. Cabelo muito sem graça, sem um escadeado que seja. Ainda bem que Moreno se lembrou de apontar o que está certo e errado nas cabeças dos nossos jogadores. E felizmente não nos referimos ao conteúdo, porque analisar o vazio é uma ciência muito complexa, até para os profissionais das extensões e brushings. Quem leva o prémio de melhor penteado da selecção é Quaresma. Moreno adora o seu visual irreverente e o facto de estar sempre a inovar. Pior é se ele decide inovar no próximo jogo da selecção, e em vez de entrar ao intervalo fica no balneário, entretido com as suas nuances. O 2ºhonroso lugar vai para Quim – esse metrossexual, como se sabe – de quem Moreno diz “Está óptimo, tem um penteado cheio, muito urbano”. Apostamos que foi mesmo nisso que Quim pensou, quando pediu à esposa para lhe aparar as melenas com a tesoura da cozinha. Menos sorte tem Paulo Ferreira, logo ele que ganhou tanta fama pelos cortes que faz… recebe de Moreno o prémio de pior corte da selecção, por ser muito clássico. Ricardo Carvalho é brindado com um “Coitado! Com entradas tão pronunciadas não tem mesmo outra solução”. Curiosa, esta visão que Moreno tem do futebol. Nós pensávamos que as entradas mais pronunciadas eram as do Bruno Alves. Ou do Petit. Mas esses até recebem boa nota. Moreno levanta apenas algumas dúvidas sobre a ondulação do defesa central – será natural ou fez um desfrisado? É uma questão que dá que pensar. Quase tanto como esta: Simão Sabrosa deve insistir em usar comprido o seu cabelo crespo, realçando os caracóis, ou deve usá-lo curto, o que lhe dá ar de menino? É um dilema terrível. Mais descansado pode estar Raul Meireles, que é o exemplo perfeito do penteado da moda. Ou talvez não, porque logo a seguir Moreno diz que tem imperfeições: a franjinha é desnecessária. E nós bem sabemos como a franja pode atrapalhar num lance decisivo. Que o diga o Nuno Gomes. Mas a minha frase de eleição é esta, sobre Ronaldo: “Fica muito bem quando usa o cabelo espetado à frente e deixa crescê-lo atrás”. Deixa crescê-lo? Deve haver outro acordo ortográfico em vigor para a malta dos salões de beleza. E outros padrões estéticos também, porque Moreno diz que Scolari está óptimo, não mudaria absolutamente nada. Realmente está muito bem para quem deseja enveredar pela vinicultura. Do penteado ao bigode, passando pela barriguinha, está um autêntico nativo do meio rural. O pior é que o futebol, de rústico, só tem a relva.



publicado por condutoras de domingo às 11:13
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Domingo, 1 de Junho de 2008
Tão Mau Que é Bom - Mascotes

O mês de Maio que ontem chegou ao fim libertou o taxista e a velhinha de paragem de autocarro que há em todos nós. Passámos dias – semanas, até – a maldizer o frio e os aguaceiros. Resmungando que “assim uma pessoa nem sabe o que há de vestir” e que “a chuva faz bem à agricultura, mas agora não é altura dela”.
Mas quantos de nós pararam para pensar… sobre QUEM tem a culpa do tempo estar assim? Sim, é imperativo apurar culpados, numa espécie de Cluedo Meteorológico. A primeira tentação é apontar o dedo ao Governo – se aumentam os combustíveis, também podem estragar o bonito clima mediterrâneo. Mas, por uma vez, Sócrates não tem culpa. Em rigoroso exclusivo mundial, as Condutoras de Domingo podem assegurar que a culpa é do Gil. Qual Gil? A mascote da Expo 98 pois claro! Chegámos a esta brilhante conclusão porque seguimos o exemplo dos chineses. E tantos milhões e biliões de pessoas não podem estar erradas. O supersticioso povo chinês relaciona a onda de desastres que tem assolado o país com as cinco mascotes dos Jogos Olímpicos de Pequim: Beibei (um peixe), Jingjing (um urso panda), Huanhuan (uma chama), Yingying (um antílope tibetano), e Nini (uma andorinha). Para aquela malta, foram estes Pokemon fofinhos que causaram as catástrofes e revoltas que têm atingido a China desde que começou o ano olímpico – incluindo o sismo que matou milhares de pessoas. Há mesmo quem defenda que é uma espécie de vingança cósmica derivada da causa do Tibete. A nós, não nos espanta: pessoas que têm ar de não partir um prato, como o Dalai Lama ou o Passos Coelho, são sempre mais manhosas. Ora esta história de culpar as mascotes explica muita coisa. Afinal, Portugal não perdeu o Euro 2004 frente à Grécia porque o Pauleta e o Nuno Gomes não sabem a diferença entre uma baliza e um poste de alta tensão – foi mesmo porque o sacana do Kinas, o nosso símbolo, nos deu azar. E este ano, se nos estamparmos, culpamos quem? O cão do Chocapic que o Moutinho come ao lanche?
 



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Domingo, 25 de Maio de 2008
Tão Mau Que é Bom - Saco Azul

Vieram a lume novos factos sobre o caso do Saco Azul de Fátima Felgueiras. Parece que finalmente estamos perto da verdade. Almeida Lopes, na condição de Juiz Conselheiro Jubilado, e de primo de Fátima Felgueiras, afirmou em tribunal que o processo “saco azul” resulta de uma vingança passional, porque os denunciantes – Joaquim Freitas e Horácio Costa, estavam apaixonados pela autarca. E mais: queriam manter relações sexuais com ela. Faz sentido: em vez de cometerem eles os crimes, como assédio no local de trabalho ou até violação, inventaram um crime para a acusar. Ao longo de duas horas, Almeida Lopes, relatou uma conversa que teve com Joaquim Freitas, numas férias em Mindelo. Segundo o magistrado, nessa altura “Joaquim Freitas abriu-se todo” – o que não é propriamente linguagem de juiz, mas é de primo. Ao que parece Joaquim Freitas disse que estava profundamente apaixonado por Fátima e pretendia ter relações íntimas com ela. E uma pessoa que diz isto é porque está de facto perdida de amores. “Sempre me cheirou que havia ali questões sentimentais, de sexualidade”, disse Almeida Lopes. Mais uma vez, falou o primo e não o juiz. E daí talvez não, porque ele invocou a sua condição de “especialista e seguidor de Freud”. Pelos vistos é também seguidor de Deus, já que contou como ajudava a autarca. Dizia-lhe: “cala, reza e sofre”. Que bela ajuda. Perante esta perspectiva também eu fugiria para o Brasil. Tendo em conta esta fulgurante carreira como sex symbol, o mais certo é que Fátima Felgueiras tenha ido para o Brasil a convite de um pretendente, lindo e famoso, que queria viver com ela e ser feliz para sempre numa cabana em Fortaleza. A arguida acabou por voltar a Portugal, provavelmente por ter recebido milhares de mensagens de fãs, exigindo o regresso. Infelizmente o juiz do seu processo não faz parte da legião de fãs, até porque não a deixou abordar até ao fim a “questão passional”. Fátima teve apenas tempo de contar que foi procurada pelo pai de Joaquim Freitas, que lhe pediu desculpa pelo comportamento do filho apaixonado, e de acusar o mesmo Joaquim de, nessa época, afogar mágoas de amor em tascas e cafés de Felgueiras. Acusação gravíssima que o colectivo de juízes não quis aprofundar. É o sistema de justiça que temos. A única certeza que fica no meio disto é que este caso devia ter deixado há muito de se chamar “Saco Azul” e passado a “Saco Rosa”.



publicado por condutoras de domingo às 12:12
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Domingo, 18 de Maio de 2008
Tão Mau Que é Bom - Globos de Ouro

No domingo passado muita gente chorou na despedida de Rui Costa. Eu chorei na despedida de Bárbara Guimarães. Não queria acreditar que os Globos de Ouro tinham chegado ao fim e que só daqui a um ano é que há mais. Ok, há umas galas da TVI pelo meio, mas não é a mesma coisa. Não se sente no ar aquela neurose colectiva. Aquelas pessoas que pisam a passadeira vermelha com fatos até aos pés acreditam mesmo que estão em Hollywood. Mesmo sabendo que a malta a aplaudir são os figurantes do Você na TV, e que as fotografias ali tiradas não vão aparecer em nenhum sítio mais digno que a TVMais. Isso pouco importa, na hora de conceder uma entrevista ao prateado Nuno Eiró. E ouviram-se coisas fascinantes naquela passadeira. Io Apoloni disse, com o sorriso mais repuxado de sempre que adorava aquela animosidade. Filipe Gaidão disse: “A SIC presencia-nos sempre com grandes festas”. Depois duma sucessão de gente a enunciar nomes de estilistas, como quem diz “Maria Gambina muito obrigada, prometo devolver sem nódoas”, chegou a vez da ilustre namorada de um dos gémeos Guedes responder à pergunta “vem vestida por quem?”. Mango, disse ela. Acho que depois disto o impressionável Daniel Nascimento decidiu parar de perguntar, com medo de ouvir um “C&A” como resposta. Mas o melhor estava para vir. Desde Odete Santos a introduzir a categoria de moda, na feira de Carcavelos, até Mário Crespo – cujas parecenças com Guilherme Leite são gritantes – num fabuloso momento de humor com Rui Santos e Nuno Rogeiro. Fora isso, todo um show de Bárbara Guimarães. Esqueceu-se de anunciar nomeados, anunciou – alto e bom som – em vez dos Clã, os Olá. Disse: “Olha o marido, já jantaste?” apontando para um embevecido Carrilho… Fez perguntas absurdas a Peter O’Tool, cujas respostas não conseguiu perceber.E pediu ao actor britânico que dissesse “The Winner Is” várias vezes, como se ele em vez de ter feito o Lawrence da Arábia tivesse sido protagonista do filme “Paulie, o papagaio que falava demais”. Mas em palco estiveram sempre pessoas à altura de Bárbara. Como as apresentadoras do Fama Show. Rita Andrade disse “os”, Cláudia Borges disse “nomeados” e Orsi Feher disse “são”. Liliana Campos fez muito melhor que isso: pisou o longo vestido de Vanessa Oliveira e quase rivalizou com o momento alto da noite. Aquele em que Jorge Palma saiu de rojo, depois de ter caído com Herman José em cima do microfone. Foi um voo nocturno muito mal sucedido, para horror de Bárbara Guimarães. Felizmente que por essa altura já Paula Bobone dormia a bom dormir, numa atitude muito socialmente incorrecta. Mas bastava ver o chapéuzinho estilo Liliput que ela levava na cabeça para prever o pior. E o pior é que todos os acontecimentos relatados são reais. Temos provas.

 

 



publicado por condutoras de domingo às 11:27
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Domingo, 4 de Maio de 2008
Tão Mau Que é Bom - Memórias dos McCann

A nossa especialista em literatura Maddie é a Inês Fonseca Santos, longe de mim querer roubar-lhe esse pelouro. Mas ela está a trabalhar num novo sub-género, que são as adaptações Maddie. Já tem os rascunhos da Cabana do Pai McCann, que sustenta a teoria de que o apartamento do Oceans Club era demasiado vulnerável. E está a desenvolver as Maddies de Salomão, onde defende que não há só uma mas muitas Maddies, e transporta toda a história para o universo feérico das minas, longe do mau ambiente da praia da Luz. Mas não são só as Condutoras de Domingo a trabalhar em novas edições com a chancela Maddie. Depois de jornalistas, pseudo jornalistas, detectives e donas de casa terem escrito sobre o desaparecimento da criança, é a vez de Gonçalo Amaral, 1º responsável pelo caso, lançar um livro. Isto aumenta o nível de literacia e a riqueza nacional, mas deixa de fora aqueles que deviam ser os maiores beneficiários. O casal McCann. É que eles só têm os milhões de euros do fundo de solidariedade, não têm cá pensões ou subsídios de férias! Também merecem o seu quinhão. E por isso mesmo puseram mãos à obra e estão a escrever o seu próprio livro. Um livro de memórias. É só a mim ou também vos faz confusão que 2 pessoas que esqueceram os filhos em casa escrevam um livro de “memórias”? Ainda se fosse um livro de esquecimentos… Podiam falar de todas as vezes que esqueceram um dos filhos: no supermercado, no talho, no apartamento. Um cruzamento entre os livros da Anita e o Lost. Desconfio até que eles tinham mais de 3 filhos, e perderam alguns em férias anteriores. Um na Grécia, outro nas Maldivas, deve haver uma legião de pequenos McCann espalhada pelos 4 cantos do Mundo. O casal promete publicar a história da família e um relato detalhado da experiência que passaram. Vamos, portanto, ficar a saber tudo sobre a Avó McCann e o urso de peluche, os membros mais estimados do clã. E descobrir coisas fascinantes, como: o que comeram os pais de Maddie na noite do desaparecimento, ou de que marca era a cerveja. O porta voz do casal, Clarence Mitchell, disse que já há várias editoras interessadas e que o livro será escrito por um ghost writer. Trata-se de pura e simples precaução. Nenhum escritor queria correr o risco de desaparecer, às mãos dos McCann. É mais seguro ser um autor fantasma logo à partida. Só para não haver mais uma família destroçada. Quando o livro for lançado, vai ser mais uma vez facílimo encontrar a Maddie: ela vai estar em todos os escaparates e debaixo do braço de todos os funcionários públicos, que lêem nas paragens de autocarro e nas salas de espera. No meio disto tudo, vamos lá ver se não aparece a própria da Madeleine McCann, para provar os canapés no lançamento. Kate não vai aguentar a decepção, Gerry vai pensar na 2ª Ediçao – Maddie, o Regresso.



publicado por condutoras de domingo às 12:56
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Tão Mau Que é Bom - Sexagenários

O mundo está cheio de pessoas generosas, mas, nesta matéria do dar sem querer nada em troca, é difícil bater Gonzalo Navarrete. Quem?, perguntam vocês. O Sr. Dr. Navarrete, pois então, o médico e presidente da câmara da cidade chilena de Lo Prado. Ao que parece, este doutor anda preocupado com a qualidade de vida dos anciãos da autarquia que comanda e, vai daí, resolveu acabar com o problema da terceira idade, distribuindo paz e amor por toda a comunidade sénior. Não, não se pôs a deitar MDMA nos copos onde os velhotes guardam as denturas, nada disso. Recorreu a pastilhas, é certo, sem todavia deixar de honrar os bons costumes e as práticas saudáveis. As pastilhas que Navarrete quer usar são outras; são aquelas cuja invenção merecia uma viagem até Fátima para agradecermos à Virgem uma tão grande benção química, como diz outro doutor, o séxologo Júlio Machado Vaz. E o que está aqui em causa, como já devem ter percebido, é o Viagra, pois claro. O que é difícil compreender é a razão pela qual Gonzalo Navarrete, presidente de câmara, não quer saber de sacos azuis; o homem está mais virado para o comprimido azul e vai distribuí-lo gratuitamente. Homens com mais de 60 anos que vivam sob o seu jugo autárquico vão receber quatro comprimidos de 50 miligramas, o que, pelas contas do doutor, dá para quatro relações sexuais por mês. Ou seja, os velhotes vão garantidamente passar a dar uma por semana. Não está mal, não senhor. Acho até bastante razoável: é uma dose controlada, que evita que os sexagenários fiquem como aquele inglês que aqui há uns meses deu forte e feio no Viagra e começou a ver tudo azul. A princípio foi o êxtase; depois, a vertigem azul.

 

 

E agora o britânico só diz que trocava todas as relações sexuais do mundo pela miragem de uma caixa de correio vermelha. Como é óbvio, não é nada disto que Gonzalo quer para o seu povo, até porque não é um autarca do norte de Portugal. O presidente de câmara chileno parece-me mesmo uma pessoa séria, ou seja, uma pessoa rara; no fundo, é um homem com um bom coração que, às suas actividades profissionais, podia ainda acrescentar a de conselheiro sentimental. É que ele aconselha a terceira idade masculina de Lo Prado a desenvolver também o lado amoroso. Se fosse cá, estava tramado, a sua popularidade baixaria drasticamente. Sexo com prazer, ainda vá; agora, sexo com sentimento já é estar com exigências! No entanto, no Chile, parece que a ideia pegou de forma controlada; como diz Navarrete, isto «não é uma distribuição de guloseimas à esquina da rua». Talvez não, mas tenho quase a certeza de que esta política da felicidade vai saber que nem rebuçadinhos a muitos sexagenários.

 



publicado por condutoras de domingo às 12:37
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Domingo, 27 de Abril de 2008
Tão Mau Que é Bom - Sérgio Silva

Em pequeninas, as nossas mães ensinaram-nos a não aceitar doces de estranhos. Pelos vistos, nunca ninguém ensinou isso aos senhores do Boavista. Se não, vejamos: um trintão rechonchudo, de cabelo esquisito, com um emprego misterioso e com nacionalidades múltiplas aparece do nada e oferece-lhes um saco cheio de dinheiro. E eles aceitam. Era preciso exactamente o quê para os axadrezados desconfiarem? O Sérgio Silva estar vestido de Mancha Negra ou de Irmão Metralha? Ainda trazer a corrente e a bola presas ao pé?
O Jornal de Notícias acabou por descobrir em concreto o que levantou suspeitas junto da direcção boavisteira. Os axadrezados perceberam estar perante um burlão quando Sérgio Silva lhes mostrou uma ordem de transferência do Banco Privado Português – a tal que deveria confirmar a injecção do PIB de um país africano nos cofres do clube. 
O documento tinha erros graves de português, sendo que o exemplo mais gritante era a troca de um “v” por um “b”: estava escrito “balor” em vez de “valor”. Isto é mais do que um deslize ortográfico: isto é contribuir para todo um clichet simplista digno dos Malucos do Riso. Os alentejanos têm todos de ter patilhas e estar debaixo de um chaparro, os de Cascais têm todos de falar como a Paula Bobone… e os nortenhos têm de ter uma noção própria de abecedário, que transparece até na escrita de documentos oficiais. Outra hipótese é Sérgio Silva ter o seu próprio acordo ortográfico. O homem já mora claramente no seu próprio planeta, pelo que as regras linguísticas da Terra não se aplicam. Basta consultarem um qualquer dicionário recomendado por Sérgio Silva para se ver “carago” e outras asneiras piores estão colocadas na categoria gramatical das interjeições.



publicado por condutoras de domingo às 11:45
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Domingo, 20 de Abril de 2008
Tão Mau Que é Bom - Blackout

Eu detesto ficar com as más notícias. Não tenho jeito para isto. Mas tem de ser. Por isso… aqui vai. Calou-se esta semana uma das vozes maiores da nação. Não, não morreu nenhum poeta ilustre. Simone de Oliveira não emudeceu de vez. A área do comentário político continua de boa saúde, apesar da fuga de Coelho, ainda há Marcelo Rebelo de Sousa, Lobo Xavier e Fátima Campos Ferreira. A quem ninguém pediu opinião, mas que insiste em dá-la. A voz que se calou também não era uma voz de comando. Sócrates continua a dizer, aqui e ali, frases soltas, nos vários idiomas que domina. Cavaco Silva continua a dizer pequenas mentiras sobre a Madeira, Alberto João continua a dizer grandes verdades sobre o bando de loucos que enchem o parlamento... O blackout desta vez atingiu outras áreas de actividade. Não foi no futebol. Chalana continua a falar, para infelicidade de toda a nação benfiquista, Paulo Bento continua a prestar declarações, para a felicidade de todos os que gostam de ouvir música espanhola, e Pinto da Costa não se cala. Com a quantidade de vezes que lembrou a justiça divina, até já o estamos a imaginar num palanque da Igreja Maná, de braços erguidos para o céu, gritando que Reinaldo Teles é o seu pastor. O blackout chegou, isso sim, ao mundo da moda. Ou ao universo dos namoros em geral e casos amorosos em particular. Chegou pela boca de Diana Chaves. É verdade. Ela não fala mais. Acabou-se. Como é que vai ser daqui para a frente? Não sei e temo imaginar. Como pode o país progredir sem as sábias palavras de Diana? Quem vai ocupar os espaços de debate na televisão, de crónicas no jornal, de opinião na rádio? Quem vai liderar as manifestações cívicas, quem vai representar os cidadãos insatisfeitos, quem vai ser o grande pensador nacional do século XXI? Depois de José Gil, esperávamos que Diana publicasse “Portugal hoje, o medo de exibir”. Abre-se assim uma crise social sem precedentes. E as consequências estão já ao virar da esquina. Vamos assistir a catástrofes como: Diana na inauguração da Multiópticas do Barreiro sem dizer uma palavra, Diana calada nos catálogos da Seaside, Diana em silêncio na estreia de mais um filme de adolescentes, Diana sem prestar declarações na festa da espuma, Diana no Carrefour a recusar-se a dizer à senhora da caixa se tem Cartão Família, Diana tentando explicar por gestos que quer uma bica, Diana sem insultar os homens das obras que querem fazer-lhe um vestidinho de cuspo… Vai ser duro. Para todos. Ver Diana Chaves, essa estrela maior da ficção nacional, brilhar num género mal tratado por cá: o cinema mudo.

 



publicado por condutoras de domingo às 11:20
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Domingo, 13 de Abril de 2008
Tão Mau Que é Bom - A Esfregona
Se tiverem de pensar em qual foi a maior invenção para as mulheres no último século, o que é que vos vem à cabeça? A pílula? O soutien sem alças? O consultório da Maria? Os programas apresentados pela Ana Marques? Não, nada disso. A direcção de informação da SIC não teve dúvidas e optou por assinalar com pompa e circunstância o aniversário dessa grande invenção que é... a esfregona. Ui, a maluqueira que foi a esfregona no que diz respeito à emancipação feminina. É a Simone Bouvoir dos utensílios de limpeza. Há 50 anos atrás, o espanhol Emílio Bellvis Montesano resolveu prender umas farripas a um cabo de plástico e desde aí o mundo não foi mais o mesmo. A SIC enalteceu o facto das mulheres já não terem de esfregar o chão de gatas e entrevistou diversas idosas sobre como a esfregona tinha mudado a sua vida. Bom, nem queremos pensar na algazarra que vai ser naquela redacção quando o aspirador fizer anos. E quando chegar a vez da Bimby, então, vão querer proclamar feriado nacional. Uma coisa é verdade: a esfregona é um símbolo de rebeldia feminina que se encontra em qualquer lar. É que nem todas as mulheres têm em casa um forno a lenha e uma pá para se sentirem a padeira de Aljubarrota. E não é qualquer uma que tem a estrutura óssea mais adequada para ficar bem com um corte de cabelo ao estilo Joana D’Arc. Já para não falar que nem todas as mulheres podem andar por aí a queimar soutiens, que os almofadados com armação estão pela hora da morte. A esfregona é democrática, qualquer uma de nós pode pegar na Vileda e passar um Sonasol Verde para pôr o feminismo a brilhar.


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Domingo, 30 de Março de 2008
Tão Mau Que é Bom - A Saudade
Nós sabemos que a realidade portuguesa é bem diferente dos filmes. Mesmo dos portugueses! Sabemos que o senhor prior lá da paróquia nunca andaria enrolado com a Soraia Chaves – quanto mais não seja porque não a conhece. Sabemos que os gangs da Zona J não usam alcunhas mariquinhas como “Pantera”. Sabemos que o Nicolau Breyner não é corrupto nem fuma charuto. Sabemos que uma “Viagem ao Princípio do Mundo” demora um bocadinho menos que três horas e meia. Mesmo a pé. Enfim, estamos preparados para esse tremendo contraste entre o mundo real e a ficção. Mas tudo o que é demais deita por fora. Não custava nada dar um bocadinho de acção aos casos policiais da nossa praça. Vamos ao exemplo mais comum: o foragido. Nos filmes (ou em novelas da TVI chamadas “A Outra”) são pessoas que fazem operações plásticas, falsificam documentos e mudam de nome. Malta que se refugia em tocas escuras, estilo Saddam Hussein, e que só sai à rua com gabardina até aos pés e óculos escuros, tipo Inspector Gadget. E como é óbvio essas saídas arrojadas só têm lugar quando há assuntos urgentes para resolver. Como ir ao hospital retirar uma bala alojada no peito ou ir ao funeral do padrinho. A coisa muda de figura quando falamos da vida nacional. Esta semana um recluso evadido em 2006 da prisão de Coimbra foi apanhado. No jornal surge como Alfredo – nome fictício. Por aqui se vê a falta de categoria de tudo isto. Se fosse um fugitivo de Alcatraz chamava-se pelo menos Clint Eastwood. Como é ali do Estabelecimento Prisional de Coimbra, chama-se Alfredo. Adiante. Depois de quase 2 anos de fuga bem sucedida, este homem, condenado a 12 anos de prisão por burla e contrafacção, foi apanhado pela polícia. E perguntam vocês: onde se deu a detenção? Numa das movimentadas linhas do metro de Nova York? No Rio de Janeiro, junto à residência de Fátima Felgueiras? Numa sucursal dum banco na Suiça, a tomar conta do offshore? Nada disso. Foi num sítio também ele cheio de glamour: Pocariça, a poucos kilómetros de Cantanhede. E porque é que o Alfredo se deslocou até lá? Provavelmente para receber uma mala cheia de dinheiro, ou uma nova máquina para imprimir notas falsas. Ou, pronto, um kilo de haxixe que fosse. Pois. Não. Ele fez um longo caminho até lá porque era… Domingo de Páscoa e quis visitar a família. Quando se viu cercado, não ofereceu qualquer resistência e a polícia não teve que recorrer à força. É natural. Ele provavelmente já tinha o que queria: um Kinder Gran Surpresa, daqueles que trazem peluches e tudo. E como a operação foi pacífica se calhar ainda deu tempo para levar umas amêndoas de licor para os amiguinhos da prisão. 


publicado por condutoras de domingo às 11:21
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Domingo, 16 de Março de 2008
Tão Mau Que é Bom - Vila Faia
Quando dona Simone de Oliveira, do alto dos seus 50 anos de carreira - e da sua mise de rolos estilo Coliseu – parou para chamar nomes ao director de programas da RTP, por causa do horário de transmissão da nova novela da casa, deveria ter parado também para tentar compreender que não é fácil arranjar espaço na grelha para um programa de ficção científica. Sim, porque é de ficção científica que trata Vila Faia. Se não, que de outra forma se explica o facto de a prostituta protagonista ter cartão Medis e ir a uma clínica de betinhos? Não é fácil para um director escolher uma hora para este tipo de novelas fantasistas, pelo que os fins de tarde de fim-de-semana até parecem uma boa opção: é geralmente aquela hora que dão os filmes com meteoritos em rota de colisão com a terra, dinossauros que voltam ao planeta, homens alados que salvam crianças... e outras coisas que não existem, como prostitutas com cartão Medis. Os guionistas da série dizem que tiveram uma grande trabalheira a actualizar a novela, pois o país mudou muito em 26 anos e há coisas na Vila Faia de então que não fazem sentido nenhum hoje em dia. E nem sequer estavam a falar das saias amarelas com folhos da Manuela Marle... ou da própria Manuela Marle. Aparentemente, o que lhes deve ter feito mais confusão foi esse conceito, totalmente anos 80, de prostitutas de rua, exploradas e mal pagas, sem direito a IRS, quanto mais a segurança social e assistência médica. Vai daí, pegaram na personagem Mariette e tanta foi a gana de actualização... que só pararam no futuro. Um futuro onde as meretrizes e mulheres de má vida não têm clientes mas são elas próprias clientes, de serviços chiques. Cá para mim, depois de termos descoberto que a prostituta protagonista – adoro dizer isto: prostituta protagonista - frequenta clínicas médicas em que uma consulta custa mais do que um fim-de-semana inteiro a aviar marinheiros acabados de atracar, vamos perceber, nos próximos episódios, que ela trabalha num escritório modernaço, faz body pumpin no Holmes Place, tem PPR e conta poupança habitação, decorou a casa com Feng Shui e adoooora os livros do Miguel Sousa Tavares! Isso é que totalmente actual! O que não é, certamente, é o nosso tempo presente. Porque se fosse, a Inês Castel-Branco falava brasileiro, tinha nome de fruta e vivia uma affair com um Godunha árbitro... ou, então, simplesmente, trocava os “vês” pelos “bês”, namorava um dirigente desportivo e transformava-se numa pop star. Mas, para histórias de putas que viram princesas já chega o Pretty in Pink e a Júlia Roberts, tudo o resto depois disso... soa a falso.


publicado por condutoras de domingo às 11:10
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Tão Mau Que é Bom - Anúncios SIC Notícias
Tenho de falar duma coisa que me atormenta mais e mais a cada dia que passa. Os anúncios da SIC Notícias. Confesso que já andava com aquele do Toda a Verdade atravessado há uns tempos. Sim, aquele em que a Clara de Sousa diz, em tom solene: “Este é o Martin, não o deixam falar, este é Kinuyo, viveu o inferno, esta é a Yola, vítima de injustiça”. Mas pronto, como esta gente existe mesmo, apesar de não se chamar assim nem fazer ideia que está na TV portuguesa, evitei comentar o assunto. Agora, as coisas mudam de figura quando: em vez do Martin temos o Mário, que deixam falar e não é pouco, enquanto apresenta o boletim meteorológico. Em vez do Kinuyo temos o Pedro, que não viveu o inferno mas “é a irreverência e traz a notícia certa quando a noite acaba e a manhã começa”, e no lugar duma Yola temos a Ana, que não é vítima de injustiça mas apresentada como “o rosto da actualidade, que dá voz à pergunta”. Dizem que “os três fazem noites únicas”. Eu prefiro não saber detalhes.A SIC Notícias quer que tratemos Mário Crespo, Pedro Mourinho e Ana Lourenço como nossos amigos de infância, já percebi. E resulta. Ao fim de três anúncios destes sentimo-nos capazes de dar um palmadão nas costas do Mário da próxima vez que o virmos no supermercado. É que dizem assim: “com ele as notícias ganham forma e as faces revelam-se”. A utilização deste ícone da estação não fica por aqui! Quando achamos que já vimos tudo, eis que Jel e o seu irmão irrompem pelo Jornal das 9 cantando “Mário, Mário, Mário Crespo”. E o que faz o apresentador? Desarma-os com a pergunta “com esses óculos vês alguma coisa?”. Brilhante. Achávamos que a verve dele se ficava pelos acontecimentos históricos junto da neblina ou nevoeiro matinal, mas este anúncio vem-nos mostrar o prometido. Outra face do Sr. Crespo. A estação está apostada em criar proximidade com o espectador. Mas o esquema vai sair-lhes furado. Basta uma análise muito superficial para perceber porquê. Para anunciar o Frente-a-Frente têm uma cantora lírica e um metaleiro aos gritos um com o outro. Num estilo gutural, que agrada decerto a Mário Laginha mas que afugenta os restantes portugueses. Depois temos um pseudo Michael Jackson a sapatear, ou melhor, a ter um ataque esquizofrénico com direito a gritos de dor e tudo. E isto nem sequer anuncia o programa Centro de Saúde, mas sim o Imagens de Marca. Lá nisso, acertaram. Tão cedo não esquecerei estas imagens.


Quando achava que já tinha visto tudo, surgem Dias Ferreira, Guilherme Aguiar e Fernando Seara, com camisolas dos respectivos clubes, justinhas à pança, a tentar jogar futebol. E tentar é o verbo certo, porque nem com horas de edição se vê algum deles dar mais de 2 toques seguidos. É como se tivessem voltado aos tempos da escola, directamente para o recreio. A infantilização estende-se, de resto, a toda a grelha. A apresentar o Jornal de Economia temos construções em Lego e crianças a dizer que querem comprar helicópteros. Para o Eixo do Mal temos o já clássico western spaghetti, em que Clara Ferreira Alves tenta atingir mortalmente Daniel Olvieira, e José Júdice troca olhares ameaçadores com Luís Pedro Nunes, numa estética marcadamente Lucky Luke.


A representar a estação nos jogos de tabuleiro temos Martim Cabral e Nuno Rogeiro, num desafio de Risco. O pretexto? Anunciar o Sociedade das Nações. Mas pelo meio Rogeiro sempre pode negociar as cartas de objectivo e, num lançamento de dados, conquistar a Sibéria. Alunos mais aplicados são Jorge Coelho, Pacheco Pereira, Lobo Xavier e Carlos Andrade, que apesar de muito conversadores e agitados, já aprenderam a fazer um quadrado. “Bem falar, melhor dizer” é o slogan da Quadratura do Círculo. Eu não diria melhor. Mas em termos de slogans, ganha este: “para o bem e para o mal, falar no futuro é falar global”. Que bonita poesia conseguiram estes meninos. Os mesmos que, no anúncio, põem Balsemão a falar com voz de robot. Como se tivesse saído dum jogo da PS3. Júdice e Barreto também não resistem às actividades lúdicas. E já sabem as 3 regras do jogo: saber ponderar, saber ouvir, saber conversar. Muito bem, não têm faltado às aulas de Formação Cívica! Isto para já não falar do Mário Augusto, esse coração de manteiga. Que aparece no 35mm de “lágrima no canto do olho”, qual Bonga, a assistir aos mais melosos beijos do cinema, incluindo o do Rei Leão e a Branca de Neve…


É nesse momento que confundo a SIC Notícias com o Canal Panda. E mais tarde, pergunto-me se não será o Baby TV. Quando vejo o anúncio do Opinião Pública, em que 2 marionetas conversam, num dialecto incompreensível. Pelo menos para mim. Para quem tem 18 meses se calhar faz todo o sentido. É como aquele anúncio em que uma mulher retoca o baton, enquanto uma data de gente com máscaras brancas convive alegremente. Máscaras daquelas que só as vítimas de maus tratos e violência doméstica usam, quando vão desabafar nos programas da Júlia Pinheiro. “Só nós conhecemos a cara por detrás da notícia”, dizem eles. Para anunciar o Caras Notícias, claro. Finalmente um anúncio com nexo. É que Catarinas Tallons e Margaridas Marantes é o que não falta nesse programa. E elas bem precisam de máscara.
Hoje, mais do que nunca, lamento que a rádio não tenha imagem. Mas vejam a SIC Notícias nos próximos dias. Vão perceber que o verdadeiro “furo” jornalístico está nos intervalos. E que ao pé destas obras de arte, as eleições americanas ou uma catástrofe natural na Ásia não têm importância nenhuma.


publicado por condutoras de domingo às 12:10
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
Tão Mau que é Bom - Teresa & Elsa
O que têm em comum Teresa Guilherme e Elsa Raposo? Muita coisa até, se virmos bem… Aquele tom loiro pérola nº 7 da L’Oréal, o currículo com cerca de 170 ex-namorados, todos com menos de 20 anos (actualmente), e a apresentação de programas de cariz intimo, envolvendo sex appeal ou escovas de dentes. Mas agora há uma coisa que as aproxima mais do que qualquer outra: o facto de terem passado largamente a fasquia dos quarenta, apresentando todos os sintomas de demência que esse processo implica. O esquecimento, a repetição excessiva, o volume exagerado da voz… Mas juntam-lhes uma agravante: a compulsão para produzirem coisas e entrarem nas suas próprias produções. Como se não fosse já suficientemente mau Teresa Guilherme ser protagonista na sua novela “Vingança” e trocar beijos repugnantes com outro idoso, Rui Mendes, agora vai ser, curiosamente noutra das suas produções, mãe de Floribella. Mas já lá vamos. Porque quando falamos em mães fora de prazo, um só nome nos vem à cabeça. Aliás, dois: Elsa Raposo. Diz a manchete do 24Horas que “Elsa arrasa em catálogo de … malhas”. Malhas, minha amiga? Querem coisa mais decadente que esta? Ainda por cima a sessão fotográfica era para o catálogo da Ruga, empresa de confecções de Barcelos! Depois disto só falta fazer uma passagem de modelos no Lar de Idosos de Nossa Sra. do Cabo e deixar de vez os eventos sociais para se dedicar aos convívios na paróquia, entre um e outro desafio de canasta. Mas Elsa é, como já referimos, produtora. E produz o quê? Além de desgostos amorosos e gravidezes em catadupa, produziu este catálogo de moda, numa fábrica metalúrgica em Pêro Pinheiro. Uma árdua tarefa, segundo diz: “não foi fácil escolher um cenário para uma colecção de malhas confortáveis, muito macias e com bastante textura. Pensei em contentores e ferros (…), o ferro é rude e cola bem a contrastar com a macieza das lãs”. Brilhante associação de ideias, Elsa! Folgamos em saber que a sua provecta idade ainda não lhe roubou todas as capacidades. Teresa Guilherme mantém igualmente as suas qualidades. Embora só lhe fosse conhecida uma: a de surpreender. E nem sempre pela positiva. Voltou a fazê-lo uma vez mais, surgindo no último episódio de Floribella como sua mãe. Nem a protagonista sabia, confessando que teve um ataque de nervos, ficou enjoada e sem conseguir parar de rir. Desta vez, compreendemos perfeitamente Luciana Abreu. Teresa disse que sempre gostou muito de Luci, conseguindo assim inventar uma alcunha tão má que destrona Flor. Diz-se até que Teresa, depois da maquilhagem e do guarda-roupa, fica muito parecida com Floribella. O que, convenhamos, é bem mais assustador e menos apropriado do que posar com casaquinhos de malha.


publicado por condutoras de domingo às 12:45
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