as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 29 de Junho de 2008
Sinais de Luzes - 29 de Junho

Mínimos

Para os advogados do nosso país. Isto é um sinal de luz fortíssimo, que abrange grande parte dos licenciados da nação. Sobretudo se incluirmos os advogados que trabalham neste momento em cafés, snack bars ou casas de chá, e os que são estagiários há cerca 15 anos, estando desde então a tirar fotocópias e a receber subsídio de refeições, daqueles que não contemplam sobremesa. O bastonário da ordem dos advogados propôs ao Governo que o Ministério da Justiça lançasse, tal como o da educação, um programa de oferta de computadores portáteis com acesso à Internet. E a proposta, como todas as propostas absurdas, foi aceite rapidamente, claro. Apesar desta oferta ter sido, à partida, pensada para advogados em início de carreira, o programa acabou por ser estendido a todos os advogados que queiram aderir. Faz sentido. Até porque os tais advogados que tiram fotocópias e arrumam dossiers não precisam de computadores para essas tarefas. E muito menos os que trabalham no comércio e nos serviços! Assim, quem vai desfrutar desta oferta do Governo são os advogados que cobram 500 euros à hora aos seus clientes. Por 150 euros apenas terão direito um computador portátil com acesso a Internet de banda larga. O que significa que ao fim duma hora de trabalho poderão comprar pelo menos três computadores, e mais um bocadinho doutro. Isto do Ministério da Justiça copiar o da Educação faz todo o sentido. Por exemplo, em vez de se submeterem às provas de acesso à Ordem, os advogados podiam fazer as provas de acesso ao ensino superior, que ao que parece até estão fáceis e tudo.
 

Médios

Para Carolina Salgado. Uma habitué aqui nas condutoras de domingo (e não só). Há umas semanas demos conta da sua gravidez, depois abstivemo-nos de comentar o seu aborto, e agora voltamos por causa de uma notícia incontornável: Carolina continua a viver com o seu grande amor numa estalagem em Cabeço de Vide, da qual ele é proprietário. A grande novidade aqui é que agora Carolina vive lá na qualidade de hóspede. Esta mulher continua a mostrar mais versatilidade que a maioria das actrizes nacionais. Já fez de esposa séria e respeitável, de dançarina de bar de alterne, de figura das revistas cor-de-rosa, de acusadora, de vítima, de amante, e vem agora fazer de hóspede, ao que parece muito bem também. E tudo isto porquê? Se estavam tão apaixonados há poucas semanas atrás? Porque Francisco Rolo não lhe perdoa a interrupção voluntária da gravidez. Nem Francisco Rolo nem Laurinda Alves, nem o Feitor Pinto, mas esses não são agora para aqui chamados. Pertencem a outra história. Quem também passou para outro enredo foram os polícias que até aqui tinham acompanhado Carolina para tudo quanto era sítio. Eles que tinham uma vida tão animada, com estreias de cinema, eventos sociais, lançamentos de livros… foram despachados por Francisco, que não os quer na estalagem nem sequer como hóspedes. De certa forma, ainda bem para eles. Porque já se viu que na estalagem D. Leonor ser hóspede é um estatuto um pouco arriscado. Pode dar direito a table dances ao director a meio da noite… Esperamos pelo menos que Carolina Salgado tenha direito a um pequeno-almoço continental. Ela merece.
 

Máximos

Para Robert Mugabe. Porque está nas bocas do mundo. Tanto o original como as cópias. Comecemos pelo verdadeiro. É um líder como deve ser: prático e contra as burocracias. Fez o seu concorrente desistir da corrida, evitando assim uma 2ª volta nas eleições presidenciais que só ia dar mais trabalho a toda a gente. Segundo a comunicação social zimbabueana, se a retirada da candidatura for feita sob a forma de carta oficial, Mugabe pode ser reeleito automaticamente. Ou seja, sem um único voto. O que não é, de todo, uma novidade para ele. Mas esta situação tem repercussões a vários níveis. Para a semana o concelho de Cricket internacional vai reunir-se para decidir se o Zimbabwe pode participar no campeonato do mundo da modalidade. Uma eventual proibição pode lançar o caos no país, visto que o Cricket é desporto nacional. Isto deve aumentar ainda mais o nosso respeito por Mugabe. Não há-de ser nada fácil dirigir um país que pára para ver onze jogadores de cada lado, a correr atrás duma bola, mas… com tacos de madeira que parecem remos, e procurando um alvo. Vida bem mais facilitada têm os governantes europeus, cujas populações só param para ver onze jogadores a correr atrás duma bola mas com um objectivo legítimo: a baliza. Isto sim, são nações civilizadas. Como tal só podemos ter um Mugabe de brincar. Quem o diz, e bem, é Alberto João Jardim, que acusa Sócrates de ser um “ditadorzinho potencial”. Chama-lhe mesmo o “Mugabe da Europa”, o que não deixa de ter o seu quê de elogio. Alberto João não diz estas coisas da boca para fora. Tem fundamentos lógicos para as afirmações: “está obcecado contra um povo, que é o madeirense, e quer fechar a imprensa que lhe é adversa. É nitidamente um Mugabe”. É giro porque parece estar a falar duma espécie animal, e ao mesmo tempo demonstra grande modéstia do Presidente Madeirense, não querendo ficar com os louros todos para si.
 



publicado por condutoras de domingo às 13:00
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Domingo, 22 de Junho de 2008
Sinais de Luzes - 22 de Junho

Mínimos

Para o Benfica. Que depois de enviar cartas para a UEFA, ligar para Michel Platini, escrever no livro de reclamações, fazer a dança da chuva, praticar técnicas de voodoo com uma fotografia de Pinto da Costa, fazer queixa à CMVM, à ASAE, à DREL, à Associação de Apoio à Vítima, a todas as instâncias do futebol, da justiça, da humanidade em geral e do desporto em particular… viu o Futebol Clube do Porto ser readmitido na Liga dos Campeões. E, se até aqui, o clube de Lisboa estava apenas a fazer o papel de miúdo queixinhas, que passa o recreio todo a apontar o dedo aos outros meninos e a pedir às vigilantes para os porem de castigo… Agora ascendeu a outro patamar, dentro desse grande pátio de escola que é a Liga Portuguesa de Futebol. Perante a readmissão dos portistas na Champions, o que fez o Benfica? Resignou-se ao lugar que conquistou, com muito suor e algumas lágrimas, na Taça UEFA? Não, nada disso. Continuou a sua batalha, incansável. Veio pedir uma indemnização de 30 milhões de euros à Federação, pelo facto de não ir à Liga dos Campeões na vaga deixada pelo Porto. É que, parecendo que não, sofreram danos irreversíveis nestes dias, em que sonharam com um lugar na grande montra do futebol europeu. De repente o clube da Luz passou de queixinhas do recreio a cromo da turma. Aquele que está sempre na primeira fila e oferece maçãs à professora, em troca de más notas para todos os colegas que gozam com ele, e lhe colam autocolantes nas costas. Mas é escusado todo este desespero por não estarem na principal competição europeia. É que com tanto alarido, nem repararam que entram numa outra prova de prestígio internacional. Chama-se “a caça ao ex-dirigente”, e Vale e Azevedo já está até a ser procurado pela Interpol. Nenhum outro clube português pode sequer sonhar em atingir este nível.

 

Médios

Para O Segredo. Porque um livro que baseia as suas centenas de páginas numa máxima tipo “querer é poder”, merece a nossa vénia. Veio abrir novos horizontes na literatura de auto-ajuda, que pode agora vir a conhecer volumes baseados em verdades proverbiais como “em terra de cegos quem tem um olho é rei” ou “quem corre por gosto não cansa”. O Segredo é o melhor livro publicado nos últimos tempos. Afinal de contas 12 milhões de pessoas que já o leram, em todo o mundo, não podem estar enganadas. Ou será que podem? A Oprah Winfrey não ia apoiar uma obra que não fosse digna de Nobel. Ou será que ia? Um dos autores, Bob Proctor, lançou a pergunta: “porque é que acha que 1% da população mundial ganha 96% de toda a riqueza criada? Houve um plano para que assim fosse. Eles percebem o segredo, e agora é você que o vai descobrir”. E foram mesmo. Sete mil portugueses foram ouvir este senhor falar no Pavilhão Atlântico. Como se não bastasse o dinheiro que gastaram no DVD e no livro, ainda foram ver o Segredo ao vivo. Como se fosse uma banda rock. Como se a explicação da “Lei da Atracção” saísse favorecida com uma coreografia e jogo de luzes. A própria apresentadora foi seleccionada por estar na posse do Segredo. Rita Mendes já tinha lido o livro e não tem dúvida que o convite surgiu como resultado da Lei da Atracção. É que ela queria tanto, mas tanto, apresentar este grandioso evento, que acabaram mesmo por lhe ligar a convidar, quando Teresa Guilherme se baldou à última hora. Isto é O Segredo em acção, senhoras e senhores! Aquele pormenor de Rita Mendes já trabalhar como assessora de imprensa na organização não interessa nada!

 

Máximos

Para o milagre do sistema de ensino nacional. Em tempos houve quem tenha assistido ao milagre da multiplicação dos pães. Nós hoje temos oportunidade de testemunhar o milagre da multiplicação das boas notas entre os alunos portugueses. É que os resultados das provas de aferição de Português e Matemática passaram de péssimos, no ano passado, a excelentes, este ano. Há menos de metade das negativas. O que para a Ministra da Educação, é um claro sinal de sucesso, e para os professores é prova de facilitismo. Por exemplo, na prova de matemática do 6º ano, saiu a seguinte pergunta: “qual a raiz quadrada de 100?”. Tendo em conta que isto corresponde a dois toques numa máquina de calcular… talvez não seja preciso dominar a matéria para saber responder. Maria de Lurdes Rodrigues considera que os portugueses são todos uns pessimistas, que deviam estar contentes com este claro progresso. E pergunta, em sua defesa: "Só 5% dos alunos consegue resolver a totalidade da prova, isso diz-nos alguma coisa, não?". Claro que diz! Diz que para o ano tem que aumentar a duração dos testes. Quatro horas no mínimo, para dar tempo à criançada de acabar. O Ministério recorreu a um velho truque, típico dos alunos, mas caiu na mesma esparrela que os miúdos. É a clássica história de roubar o enunciado antes do teste, e levar as perguntas todas de casa. Toda a gente abusa da sorte e não erra sequer uma alínea para disfarçar. Se for preciso, o 9º D, pior turma da escola, passa de repente a ter uma média de 20 valores. E quando a esmola é grande, o pobre desconfia… Já deviam saber que isto nunca resulta. Será que a malta do ministério não aprendeu nada na escola?

 



publicado por condutoras de domingo às 19:15
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Domingo, 15 de Junho de 2008
Sinais de Luzes - 15 de Junho

Mínimos

Para a Bíblia. Um estudo recente veio demonstrar que ela é lida por cada vez menos católicos praticantes. E isto é um sintoma que nos deve preocupar. É praticamente o mesmo que as profissionais da estética deixarem de ler a TV Mais, que os intelectuais deixarem de ler Philip Roth ou que as Condutoras de Domingo abandonarem a leitura diária do 24 Horas. É grave. Mas os números deste estudo deixam adivinhar novos usos para a Bíblia. É que 88% afirmou ter o Livro Sagrado em casa, mas a grande maioria não o lê. Portanto se não é para ler, a Bíblia há-de ter outras utilizações. Deve haver quem prefira o Novo Testamento como base para copos, e quem utilize o Antigo Testamento como bibelot. Fica muito bem como centro de mesa, por exemplo, e é sempre bom para impressionar as visitas, recitar uns versículos entre a sopa e o prato principal. Nós estivemos a pensar e achamos que este é sobretudo um problema de marketing. A Bíblia tem de surgir com uma nova capa, mais apelativa, para competir com os tons verde alface que invadem os escaparates. O título também podia ter algumas mexidas. É o mesmo há demasiado tempo. Coisas como A Bíblia Mais Atrevida ou o Novíssimo Testamento eram capazes de resultar. Devia haver também resumos Europa-América da Bíblia, só com os momentos mais importantes. Porque as pessoas têm vidas ocupadas e não é fácil tirar uma tarde para ler o Evangelho segundo São Mateus. Outra hipótese são os audiolivros. Assim, em vez de ouvirmos as informações de trânsito, podemos ir no carro a ouvir a Palavra do Senhor, que é sempre mais elucidativa, mesmo quando não oferece alternativas à 2ª Circular.

 

Médios

Para o bebé que nasceu esta semana em Vila Nova da Barquinha, e veio alterar o equilíbrio de forças do único concelho do país que tinha um empate numérico entre os dois sexos. Havia 4061 homens e 4061 mulheres. Todos viviam em harmonia. Agora que há 4062 homens está tudo estragado. Não é por acaso que esta criança, nascida no Centro Hospitalar do Médio Tejo, é mantida no anonimato. É que já todos percebemos que vai ter uma vida muito difícil. Nasceu já no papel de desmancha-prazeres, e ninguém gosta disso. Vila Nova da Barquinha, que tinha um lugar de destaque no Instituto Nacional de Estatística, deixou de ter. Os meninos na escola, que tinham uma proporção saudável de rapazes e raparigas, vão deixar de ter. Até à data, havia namoradas para todos. Agora, com um número impar, a rivalidade vai crescer, o fosso entre bonitos e feios vai ser cada vez maior, a competição desenfreada vai invadir o Jardim de Infância de Vila Nova da Barquinha. Já imaginamos um cenário de destruição, com peças de Lego a voar e as esponjas do picotado a servirem de armas de arremesso, tudo por causa desta criança, que veio acabar com a paz. E é escusado ter ilusões, vai ser assim para o resto da vida. Vai ser ele a dançar com a vassoura nas festas de garagem, vai ter de ir sempre à baliza, vai ser ele a apanhar o bouquet nos casamentos, porque não vai sobrar nem uma rapariga para saltar em busca do ramo… Enfim, se acreditarmos que todos temos uma missão na vida, este rapaz já cumpriu a sua: desempatar. Resta-lhe desenvolver esta aptidão natural e tentar uma carreira de árbitro ou juiz. Deixamos apenas um conselho: não entre em tribunais com a mania que vai despachar processos em menos de 82 sessões, nem em estádios convencido de que vai ser imparcial. Já chega de quebrar equilíbrios ancestrais!

 

Máximos

Para os portugueses. São repetentes aqui nos Sinais de Luzes mas não podia ser doutra maneira. E hoje nem falamos da quantidade (preocupante) de portugueses que vestem os cães com trajes da selecção nacional. Falamos doutra imensa maioria, que nos faz ter a certeza que há lugar para uma Guerra Civil em Portugal. Sim, é possível sonhar com isso. O nosso povo demonstra um talento impar para a pilhagem, para o saque, para o “salve-se quem puder.” Aos primeiros alertas de falta de alface ou de costeletas de porco nos supermercados foi ver famílias inteiras, numa corrida desenfreada, fazendo dos carros de compras autênticos carrinhos de choque. Como se as suas vidas dependessem da salada mista, como se não pudessem sobreviver a um domingo sem churrasco no quintal. Mas não são só os supermercados que estão convertidos em teatro de guerra. Nos últimos dias houve mais trânsito para as bombas de gasolina do que para as praias portuguesas. E o pior é que as pessoas lutam com mais afinco por 10 litros de Sem Chumbo 95 do que por um lugar ao sol para montar o pára-vento. Como homem prevenido vale por dois, foi ver os portugueses atestar o depósito do carro, atestar o depósito da mota, atestar o depósito do triciclo das crianças, atestar garrafões, atestar caixas de cartão, atestar malas de senhora, atestar para os próximos dez anos, não vá faltar… No meio disto, já toda a gente se esqueceu dos malfeitores das gasolineiras. Nunca ninguém passou de besta a bestial tão depressa. Já pouco importa que a gasolina custe 5€ por litro, as pessoas sentem-se capazes de abraçar um gestor da Galp ou da BP, e de se desfazerem em lágrimas, agradecendo essa dádiva tão preciosa que é o combustível.

 

 



publicado por condutoras de domingo às 13:00
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Domingo, 8 de Junho de 2008
Sinais de Luzes - 8 de Junho

Mínimos

Para a 44ª Corrida de Touros da RTP, que terá de ir para o ar entre as dez e meia da noite e as seis da manhã, com “identificativo visual apropriado”. O mesmo é dizer que vai ser uma Tourada com bolinha. O que com certeza vai gerar alguns equívocos. Já estamos a imaginar uma data de gente em frente à televisão, às duas da manhã, à espera que Sónia Matias tire finalmente a jaqueta e se envolva em cenas tórridas com o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Chamusca. Vai ser uma grande desilusão perceber que à bolinha encarnada no canto superior do ecrã corresponde apenas um tipo de nudez: a do touro. É escusado esperar cenas com chicotes, o único fetiche desta gente mete bandarilhas. O único sadomasoquismo presente é o das pessoas que vão para a Praça de Touros de Santarém passar o domingo. Uma coisa é certa, com toda esta expectativa, as audiências vão ser muito mais altas do que se a transmissão fosse em directo, às cinco da tarde. A juíza Maria João Matos proibiu a emissão da tourada à luz do dia, por considerar provado que as crianças que assistam a touradas “sem qualquer restrição” podem vir a aceitar a violência sobre animais como algo natural. Portanto, animais domésticos deste mundo, agradeçam ao Tribunal Cível de Lisboa. Livraram-se assim do perigo de serem toureados por miúdos de seis anos, que têm por hábito brincar ao “Eu Sou o Joaquim Bastinhas”. Deve haver por aí muito cocker e muito gato persa a suspirar de alívio, por saberem que finalmente vão acabar aquelas tardes em que a turma do 5º C ia lá para casa simular pegas de caras.

 

 

Médios

Para o circo. Ainda estamos longe do Natal, e as companhias Cardinalli e Chen estão longe de entrar em acção. Estamos a falar doutro tipo de circo. O circo mediático à volta da selecção nacional. Quando achávamos que nada podia superar o “Diário dos McCann”, em termos de ocupação dos blocos noticiosos, eis que surge o Diário da Selecção. Ainda menos justificável, aqui para nós, já que eles nem uma criança perderam… Deixaram só o Maniche pelo caminho, mas nem se pode considerar uma grande perda. Este acompanhamento exaustivo obedece à mesma preocupação maternal que fazia com que toda a gente quisesse saber da pequena Maddie. Agora parece que toda a gente se sente mãe daqueles 23 miúdos. Inclusivamente os homens. O futebol faz destas coisas! É a única razão plausível para os noticiários, os jornais, as revistas, o borda de água, a teleculinária e os boletins meteorológicos, só falarem da equipa portuguesa. Temos ouvido frases como: “a carrinha da selecção mudou para a faixa da direita”, “Paulo Ferreira está a beber um sumo de laranja”, “Miguel Veloso saiu mais cedo do treino” ou “Nani anda pouco agasalhado”. E este tipo de informações interessa a quem? Aos encarregados de educação, só! Este instinto maternal generalizado, em tempos de Euro, explica a histeria colectiva a que assistimos. Digna de mãe galinha arreliada porque o filho foi de férias e ainda não atendeu o telemóvel. E esta coisa pega-se. Exemplo disso foi a notícia publicada no 24horas: “Pedi um filho ao Fernando”. Quem o diz é Daniela Meira, mulher do jogador, que acrescenta: “O Fernando não tem estado muito animado para isso, mas se ganharmos o campeonato da Europa acho que vai satisfazer o meu desejo”. Cá está uma informação que até as mães nacionais dispensavam saber.

 

 

 

Máximos

Para o Planeta Terra. Esta semana foi o dia mundial do ambiente e esse é um assunto que nos preocupa. O estado do Mundo, mas especialmente de Portugal. Porque o ar que respiramos é o do Rossio ou da Circunvalação, e não o de Nova York. Portanto todas as pessoas que gostam de andar de automóvel, usar sprays, tomar vários banhos por dia, deixar as luzes acesas e não usar os versos das folhas, podem fazer tudo isso. Mas na América, ou na Oceânia. É que se o ar tiver que ser mais puro nalgum canto do mundo, que seja aqui, no Cabo Ruivo, onde nós estamos neste preciso momento. Quem também pensa assim são Os Verdes, responsáveis pela campanha “Stop às Alterações Climáticas a Aguiar da Beira e a Fornos de Algodres”. Uma medida tão específica é mesmo de quem tem família lá. Para comemorar este dia tão importante o Ministério do Ambiente lançou uma campanha para redução do consumo de sacos de plástico nos supermercados. Isto é uma medida fácil, porque o poder de compra das famílias é tão reduzido que as compras do mês se podem trazer na mão. Mas esta coisa de substituir por sacos reciclados vai matar uma arte ancestral, muito popular entre as camadas mais velhas. O coleccionismo de sacos de plástico. É uma pena. Nós sabemos que é importante que o Planeta sobreviva… mas de que vale termos uma Terra habitável se não podemos divertir-nos com a colecção de sacos, mantida desde 1979, que inclui a primeira edição do “Saco Intermarché Promoções de Verão”? No mesmo sentido, a AMI está a promover a 13ª Campanha de Reciclagem de Radiografias. Outro rombo terrível para os coleccionistas do nosso país. Aquelas pessoas que ainda tinham a radiografia ao fémur de 1980, e aquela outra, ao cúbito, das férias grandes de 91. Por isso antes de irmos por aí fora, salvar o planeta, convém pensar que na porta ao lado da nossa pode estar um coleccionador em sofrimento.

 



publicado por condutoras de domingo às 13:01
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Domingo, 1 de Junho de 2008
Sinais de Luzes - 1 de Junho

Mínimos

Para o Rodrigo Guedes de Carvalho. Que veio dizer que a nova imagem do Telejornal da RTP é uma cópia descarada da SIC. Tudo começa pela predominância do laranja, cor que a RTP nunca usou e que é, como se sabe, registada pela SIC. Aliás já em 1977 a Nickelodeon pediu autorização a Balsemão para usar essa cor para o seu canal de televisão. Ele, que na altura estava na euforia da fundação do PSD, foi um mãos largas e autorizou. Mas o plágio da RTP não fica por aqui. Rodrigo Guedes de Carvalho lembra que foi na SIC que começou a surgir o logótipo em permanência, durante o jornal. O pivot deu mais provas do heroísmo da SIC: “nós tivemos a coragem de abandonar o ticker (notas em rodapé), mas usamo-lo na SIC Notícias com uma nova técnica.” E a RTP copiou essa técnica inovadora. Claro! Eles imitam até muitas outras coisas: têm um genérico inicial, computadores no estúdio, e já foram diversas vezes apanhados a dar notícias, imagine-se! Aliás, sabemos de fonte segura que este complot surgiu em 1956, quando uma série de marmanjos se juntou na Feira Popular para a emissão experimental da RTP. Isso não passou dum plágio descarado das Paradas da SIC, com alguns anos de avanço. E só não contrataram o Nuno Eiró porque ainda não era nascido. Rodrigo Guedes de Carvalho diz que a redacção da SIC ficou “boquiaberta” com estas imitações, e diz que também a TVI copia o estilo de Carnaxide. Como? Com Manuela Moura Guedes a apresentar em pé, com realidade virtual atrás. No entender de Rodrigo, uma imagem de marca do Jornal da Noite. A resposta da apresentadora da TVI não tardou: “andar a pé é uma imagem de marca do ser humano, o chamado homo erectus”, disse ela. E temos de reconhecer que Manuela não imita ninguém. As bocas de Rodrigo e Clara de Sousa, juntas, não chegam para fazer o lábio inferior de Moura Guedes.

 

 

Médios

Para todos nós. O povo de Portugal. Que fez um cordão humano pela libertação de Timor Lorosae, que participou na bandeira gigante pela organização do Euro, que pendurou bandeirinhas na janela por causa do Scolari, que fez 3 minutos de silêncio pela paz, no primeiro Rock in Rio, que comeu a maior feijoada do Mundo para inaugurar a Ponte Vasco da Gama e para mostrar que o Fairy lavava mais pratos, que caminhou pelo Túnel do Marquês para ver os azulejos… Enfim, para todos aqueles que receberam via mail ou SMS o apelo para aderirem ao boicote às gasolineiras. E que com certeza o vão cumprir. Hoje, amanhã e depois. Ninguém pode abastecer na BP, Galp e Repsol. E ninguém vai fazê-lo, porque um boicote destes pode representar uma quebra nas vendas das petrolíferas na ordem dos 13 milhões de euros. E é claro que toda a gente quer castigar esses capitalistas sem escrúpulos que andam a tirar o pão da mesa dos portugueses. Para que isso seja possível, o que é que toda a gente fez ontem? Foi encher o depósito, claro. À BP, Galp ou Repsol mais próxima, óbvio. Que o português é muito solidário, sim senhora, mas é ainda mais preguiçoso. Não vai andar mais 500 metros para abastecer na Agip, com certeza. Até porque os cafés da Galp e os pastéis de nata da BP são muito melhores. Assim, as gasolineiras não estão muito preocupadas, porque o rombo dos próximos três dias vai ser largamente compensado pela facturação de ontem. Com a subida dos preços eles tinham metido algum ao bolso, é certo. Mas com a corrida às bombas de gasolina de ontem, ganharam muito mais. É que ninguém pode fazer boicote de depósito vazio. Era o mesmo que ir hoje para Coimbra, para a festa da TVI, sem ter um cartão de sócio da selecção nacional. O verdadeiro português nunca faria uma coisa dessas.

 

 

Máximos

Para o peixe. Que tem sido o centro da vida nacional nos últimos dias. Primeiro, porque passou de coisa mal cheiorsa que se vende na lota a artigo de luxo, em três tempos. Com esta greve dos pescadores e armadores em pleno mês de Junho, os Santos Populares correm sério risco de não se realizar. Afinal de contas, com o preço do kilo de sardinha a subir dia após dia, o mais certo é que nos arraiais se comam carcaças com lagosta, que sempre vem dos viveiros e dos aquários das marisqueiras. E toda a gente sabe que sem aquele típico cheiro a sardinha assada, não há Santo António que se aguente. Mas os Santos não são os únicos a sentirem a crise do pescado. Também os restaurantes japoneses, que agora existem na razão de um por cada habitante, começam a experimentar versões de sushi com frango assado e sashimi de fiambre da perna extra. A única pessoa que se mostrou feliz com esta valorização do peixe foi Durão Barroso, que considera a alcunha de cherne mais prestigiante que nunca. Mas o peixe mais digno a pisar território português é sem dúvida o bacalhau. Podemos mesmo dizer que tem dignidade monárquica. Já que levou os Reis da Noruega a visitar o Continente do Colombo. Uma coisa era terem ido ao Pingo Doce do Restelo ou ao Supermercado do Corte Inglês… Agora, ao Continente, e ainda por cima do Colombo? O Rei Harald V visitou, em vez dos Jerónimos ou da Torre de Belém, já muito batidos, a banca do bacalhau, e prestou declarações que nunca pensámos ouvir numa visita oficial: disse estar surpreendido pela enorme variedade de peixes à venda no Continente. Frase que tanto podia ter sido dita por um monarca norueguês como por uma dona de casa da Damaia.



publicado por condutoras de domingo às 14:09
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Domingo, 25 de Maio de 2008
Sinais de Luzes - 25 de Maio

Mínimos

Para Cristiano Ronaldo, que falhou escandalosamente um penalty na final da Liga dos Campeões. O falhanço não nos preocupou… O que denunciou Ronaldo foi aquele choro convulsivo, deitado no chão, no centro do terreno. Toda a gente sabe que quando o craque chora, há más notícias para Portugal. No final do Euro2004, contra a Grécia, Ronaldo também parecia um miúdo a quem roubaram qualquer coisa. Não a chucha, mas um Mercedes SLK ou assim… Este novo momento de birra na final da Champions foi a derradeira prova: o jogador perdeu o dom! Logo agora, que ia ser útil ao seu país, Ronaldo deixou de ter jeito. E se no Manchester United ainda pode agradecer a ajuda aos seus colegas, que o salvaram de boa, na Selecção Nacional o panorama é bem diferente. A começar pela baliza. Não há ninguém para defender penalties. É que Ricardo também perdeu ele próprio o dom há muito tempo. Desde que emigrou para Espanha e começou a ouvir o tema “Resistiré” para lhe dar força. Do velho Ricardo sobra apenas a voz. Depois, restam dois pequenos guarda-redes: Quim e Rui Patrício. O primeiro é famoso por não comer cozido à portuguesa, temendo o controlo anti-doping, o segundo, não é famoso de todo, e demonstrou ter ainda mais dificuldades de expressão do que o próprio Ronaldo. Posto isto, é bom que o “super puto” comece a pensar numa nova profissão: tendo em conta a sua frota automóvel e a quantidade de gel que usa no cabelo, o comércio de novos e usados pode ser um caminho. Ou então a manutenção de piscinas, para a qual já demonstrou algum talento… Claro que a publicidade é sempre uma carreira em aberto para Cristiano Ronaldo, mas agora que deixou de ser o génio da bola e que é preciso contratar um duplo para os anúncios do BES, talvez o melhor seja seguir o exemplo de Scolari. Fazer um spot em que pergunta: “e se eu decidisse dedicar-me à vinicultura? Quem me apoiaria?”.

 

 

Médios

Para o Big Mário. Que foi considerado esta semana “Recluso de Platina”. Pelo simples facto de nos ter dado a conhecer esta escala de prémios das prisões, já merecia estar aqui nos nossos sinais de luzes. A escala começa em lata, passa por metais mais nobres e termina em platina. Quer dizer que Maria das Dores tem lá na sua cela um bonito troféu em ferro forjado, com toda a certeza. Mas voltemos ao ex-concorrente do Big Brother, actual recluso de Custóias. Ao que parece, Mário Ribeiro tem um comportamento exemplar, que foi considerado pelo Conselho Técnico da Prisão como de “Platina”. Grande coisa! Mário está no seu habitat natural: fechado a sete chaves, e com a vida controlada 24 Horas por dia. Isto não é mais do que um reality show, com a vantagem de em vez de ouvir a Teresa Guilherme a choramingar, se poder falar sobre bola com o Guarda Prisional. Aliás, nós acreditamos que Mário fingiu todos os crimes de que foi acusado: sequestro, roubo, fogo posto, falsificação de matrículas… Foram apenas manobras de diversão para conseguir que o fechassem entre quatro paredes outra vez. Tudo porque não foi aceite na Quinta das Celebridades. Condenado a seis anos e dez meses, Mário ficou radiante. De tal forma que se sagrou campeão inter-prisional em quase todas as modalidades, e até aprendeu a escrever, porque participa no jornal da prisão. Mas o Tribunal de Execução de Penas está prestes a deitar este trabalho todo por água abaixo. Como? Deixando Big Mário sair em liberdade condicional. Uma vez cá fora, é óbvio que Mário Ribeiro vai simular um outro crime, desta feita um homicídio, no mínimo… para garantir uma estadia longa na prisão. Cá fora, Mário fica muito desorientado e tem medo, muito medo. Não quer acabar como Zé Maria, a fazer cozinhados no programa da Fátima Lopes.

 

 

Máximos

Para Augustus, que finalmente usou o Direito de Resposta no 24 Horas por um motivo válido. Ao que parece, a jornalista Alexandra Ho tinha colocado o vestido da esposa de Augustus entre os 10 piores dos Globos de Ouro. O estilista deu-se ao trabalho de explicar detalhadamente porque é que o vestido não merecia ocupar a infame lista. E disse assim: “a minha mulher usava um vestido em chiffon natural Tye-Die (tipo de tingimento que faz com que as cores fiquem degradée), e por baixo um forro em renda clássica de Chantilly branca”. Diz ainda que “uma das fortes tendências da alta costura desta estação chama-se lencerie e caracteriza-se pela sobreposição de aplicações”. Tudo isto para explicar que a mulher não usava um vestido laranja sobre outro tecido de padrão carregado, como a jornalista escreveu. Augustus acusa Alexandra Ho de não ter assistido aos desfiles de alta-costura em Paris ou Roma, nem às semanas de moda de Milão e Nova York. Reclama ainda pelo facto de Orsi Féher surgir entre as 10 mais, com um vestido “simples e elegante como se quer”, ao lado de Sofia Aparício, que fez furor pela “originalidade e excentricidade”. Augustus quer perceber qual é o critério, afinal. O estilista não deve ser leitor assíduo do 24 Horas… se não existe critério editorial, porque é que havia de existir na análise de moda? Augustus deixa um conselho final a Alexandra Ho. Três palavras apenas, carregadas de sabedoria: Cresce e Aparece! Termina assim com enorme requinte uma página histórica da imprensa nacional. O dia em que um ofendido pela crítica de moda do 24 Horas se defendeu. Lançando até uma pergunta que deve dar que pensar a todos nós – “Será que é preciso ter menos de 35 anos para a D. Alexandra Ho considerar que a pessoa está bem vestida?”. Fica a interrogação no ar.

 

 

 



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Domingo, 18 de Maio de 2008
Sinais de Luzes - 18 de Maio

Mínimos

Para os futuros astronautas portugueses. Que apesar de ainda não existirem já merecem a nossa atenção, por tudo o que auguram de bom. Ernst Messerschmid, da agência espacial europeia, veio ao Pavilhão do Conhecimento desafiar os jovens portugueses a candidatar-se a astronautas. Nem sabe no que se mete. Em 1º lugar, nós cá estamos habituados a outro tipo de recrutamento. Naqueles anúncios assim: “jovem, gostas de aventura? Precisas de adrenalina e adoras botas de cano alto? Alista-te na força aérea”. E eles lá vão… Para as forças armadas, para a PSP, para a GNR… com a alegria de quem vai participar na 1ª Companhia da TVI. Com muitas flexões, mergulhos na lama, mas sem câmaras a filmar 24h e sem o Castelo Branco, o que já é um upgrade considerável. De qualquer forma, a vida de sonho que esperam encontrar mete: rancho servido na cantina, visitas à família ao fim-de-semana e jogos de cartas ao serão. O que é um pouco diferente da vida dum astronauta. Nós já tivemos turistas portugueses no espaço, o que não constituiu um grande problema… porque o português tem um talento irreprimível para ser turista. Desde o fato de treino ao calçado confortável, passando pela curiosidade por tudo o que é novo: seja um planeta distante ou uma marca de bolachas… Para turistas servimos na perfeição. Agora, isto de pôr portugueses a trabalhar a bordo de naves espaciais parece-nos perigoso. O mais provável é que as missões no espaço comecem a durar longos anos em vez de algumas semanas, que as refeições de bordo passem a contemplar feijoada à transmontana em vácuo, e que nos famosos canais de água descobertos em Marte comecem a aparecer bonitas fontes ornamentais e repuxos. Uma coisa é certa: um destes astronautas portugueses será famoso em breve. Não por dar um pequeno passo para si, mas gigante para a Humanidade, mas por ser o primeiro a sentar-se num novo planeta. Sim, toda a gente sabe que a grande prioridade dos portugueses, seja no autocarro para a Damaia ou fora do sistema solar, é sentar-se para descansar as pernas.

 

 

Médios

Para a ASAE. Já há muito tempo que não falávamos dela aqui. Ignorámos acontecimentos tão marcantes como ter afastado a gastronomia típica da semana da Ascensão da Chamusca, ou ter encerrado a Cantina da escola de S. Pedro do Sul. Resistimos até à descoberta de que a rigorosa ASAE afinal corre atrás de objectivos. No fundo, aquela que pensávamos ser a melhor brigada anti-porcaria e maus costumes, não passa dum bando de malta a correr atrás de queijinhos, como quem joga um gigante Trivial Pursuit. E foi precisamente quando um assunto de “queijo” se cruzou no nosso caminho que percebemos que não podemos continuar a passar ao lado da ASAE. Carlos Salgado era um simples cliente dum supermercado em Cascais. Até ao dia em que comprou um queijo fatiado cheio de bolor e manchas escuras. Indignado, ligou para essa entidade suprema que é a ASAE, uma espécie de super-herói da Higiene Alimentar. Mas, em vez dos exércitos de António Nunes vestirem a capa e voarem de imediato para o supermercado, limitaram-se a aconselhar o senhor a voltar ao supermercado e escrever no livro de reclamações. Grande coisa! Agora recuámos à era Pré-ASAE? A essa espécie de pré-história em que nos limitvamos a reclamar? Felizmente existia uma segunda opção: levar o queijo até às instalações da ASAE, em Lisboa, ou enviá-lo pelo correio! Os CTT se sabem disto é que não vão ficar muito contentes. Já estamos a imaginar carteiros a serem devorados por esta espécie de queijo mutante. Faz todo o sentido que os artigos podres e fora de validade circulem em envelopes almofadados pelo país. Afinal de contas a ASAE só é responsável pelas secções alimentar e económica. Não tem nada a ver com a área de distribuição e comunicações. Portanto se a próxima carta que lhe chegar às mãos estiver em avançado estado de decomposição, não estranhe. Provavelmente viajou acoplada a um iogurte com bífidus activos fora de prazo desde 2002.

 

 

Máximos

Para Marinho Pinto, o bastonário da ordem dos advogados. Que teve a coragem de enfrentar um assunto polémico, como a violência doméstica, e dizer “Basta!”. Não basta dos maridos baterem nas mulheres, basta é de ser crime público. De facto, era uma coisa que já começava a enjoar… isto dos vizinhos poderem dizer que viram a senhora do quinto andar a esvair-se em sangue nas escadas. Era muito promíscuo. Marinho Pinto fez a sua própria denúncia: apontou o dedo a um “feminismo entranhado” nas leis. Mais uma vez temos que lhe dar razão. Aliás, as dezassete mulheres que morreram já este ano, vítimas de violência doméstica, eram afamadas líderes do movimento feminista. Daquelas que queimam soutiens à janela e andam com fotografias “tipo passe” da Joana D’Arc, na carteira. Temos até uma sugestão para dar ao bastonário: quando forem esposas a bater nos maridos, continua crime público, quando for ao contrário – é crime privado. Aliás, para Marinho Pinto provavelmente os austríacos que aprisionam famílias na cave ou os alemães que congelam criancinhas, só devem ser julgados se alguém os acusar. Porque não pode haver crime mais privado do que os que se fazem no conforto da arrecadação ou da cozinha. Marinho Pinto considerou também a violência contra crianças e idosos mais grave que a doméstica… o que é desde logo interessante porque introduz uma nova escala. Os terramotos medem-se em graus na escala de Richter, os episódios de estalada e pontapé medem-se em gravidade, na escala de Marinho. Além disso, não nos parece que haja muitos velhinhos e miúdos a sofrer de maus-tratos fora de casa. Portanto os crimes realmente graves, para Marinho Pinto, devem ser as palmadas que as crianças levam no meio de restaurantes e centros comerciais, e os calduços que os velhotes dão uns aos outros nos jardins, no calor do jogo da malha.

 

 



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Domingo, 11 de Maio de 2008
Sinais de Luzes - 11 de Maio

Mínimos

Para seis mil gerentes. Sim, estamos umas mãos largas, e além do mais estes senhores merecem. São uns autênticos Robin dos Bosques, mas na versão 2.0 – ainda mais altruístas. Eles não roubam aos pobres, eles roubam a si próprios! Apesar de serem os chefes, e de arcarem com todas as responsabilidades, são quem ganha menos nas empresas. Todos eles declaram o salário mínimo. Já estamos a imaginar os seus gabinetes – sem janelas, com um banquinho de madeira e uma mesa de jardim. Em vez de computador usam com certeza blocos de papel Âmbar e canetas azuis. Esferográficas, que as de tinta permanente são um luxo impensável. Pelo contrário, os trabalhadores que empregam, vestem os melhores fatos Armani, trabalham em modernos armazéns com paredes em vidro e ar condicionado, e de vez em quando até dão uma ajudinha aos patrões, para eles conseguirem dar de comer à família e pagar a segurança social. Não podíamos, por isso, deixar de homenagear aqui estes heróis. Umas verdadeiras carmelitas descalças do mundo empresarial. Isto são homens que compram gravatas na H&M e levam comida de casa, num termos, só para não baixarem o salário dos seus empregados. São homens que passam as férias em Sesimbra e dizem aos seus filhos – Salvador, Sebastião e Bernardo Maria – que um dia, se tudo correr bem, ainda hão-de ir ao Algarve. São homens que pedem às esposas sacrifícios enormes – como deixar de ir à Isabel Queirós do Vale e não comprar mais vestidos ao Augustus, só para conseguirem manter de pé as suas empresas. E depois ainda vêm os jornais desconfiar deles. Que raio de país é o nosso?

 

 

 

Médios

Para Carolina Salgado e Margarida Vila-Nova. Que, temos agora a certeza, são uma e a mesma pessoa. Nós já as confundíamos há muito tempo. Não sabíamos bem se tinha sido Margarida a andar com Pinto da Costa ou Carolina com aquele que andava sempre em tronco nu nos Morangos com Açúcar. Também nas prateleiras das livrarias ficávamos baralhadas. Era “Eu, Margarida” ou “Carolina na Austrália”? Nunca sabíamos. Mais tarde, confusão no tribunal. Não sabíamos se era o ex-marido de Carolina a ser acusado de corrupção ou o actual namorado de Margarida a ser acusado de fumar haxixe no Dubai. As nossas desconfianças tinham razão de ser, e isso ficou provado esta semana em todos os jornais. Carolina e Margarida estão ambas grávidas. E ambas de dois meses. Portanto, é bom que Francisco Rola (célebre por ser dono duma estalagem em Cabeço de Vide) e Ivo Ferreira (célebre por ter realizado esse blockbuster de nome “Em Volta”) tirem o cavalinho da chuva. Não há lugar à famosa pergunta - “o filho é meu?”. É claro que não! O filho é de Nicolau Breyner! Que agora sim, se meteu no chamado “Nico d’Obra”. Carolina Salgado já está a escrever o seu novo livro, que ao contrário do que era esperado não se passa num tribunal mas sim na maternidade, e deverá ter o título “Filho de duas mães”. Já Margarida Vila-Nova, encomendou as alianças para o casamento a Gil de Sousa. Esperamos é que se tenha lembrado de encomendar três!

 

 

Máximos

Para o Banco Espírito Santo. Que, decididamente, não sabe escolher os oradores das suas conferências tão bem como as caras das suas campanhas publicitárias. Se fossem inteligentes, tinham posto Cristiano Ronaldo a falar sobre Desenvolvimento Sustentável. Ele falaria com certeza em muitas horas de ginásio, e o mais polémico que poderia sair da sua boca seria qualquer coisa sobre piscinas e jacuzzis. Mas o BES decidiu prescindir do “Génio da Bola” e convidar oradores que não lhes concederam três desejos. Pelo contrário, disseram o que lhes ia na real gana. Bob Geldof é a pessoa de quem se fala. Afirmou que Angola é um país gerido por criminosos. O Banco de Ricardo Salgado demarcou-se o mais depressa que pôde, considerando as afirmações injuriosas. Já o Jornal de Angola chamou a Bob Geldof “comediante de quinta categoria” e “farsante”, insinuando que devia estar bêbado quando proferiu os seus vómitos. O músico afirmou que as casas mais ricas do mundo estão na Baía de Luanda, o jornal angolano ripostou: Geldof não sabe sequer onde fica Luanda e muito menos Angola” – porque na Baía de Luanda não há casas. Acrescentando que o máximo que ele fez foi mandar uns bagos de jinguba para África. Estes senhores têm muita razão. Aliás, apostamos que eles, à semelhança dos nossos seis mil gestores, também recebem o salário mínimo. Tudo pelo bem do seu povo, que como se vê vive no meio de luxos e ostentação. Deixamos um conselho final para o BES – quando organizarem a próxima conferência, convidem Jaime Gama. Ele tem uns discursos standard muito agradáveis sobre regimes ditatoriais. Vai despachar a coisa num instante e passar ao que interessa: os canapés. E mesmo que estes tenham produtos fora de prazo, ele vai elogiá-los e chamar-lhes “alta cozinha”.

 



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Domingo, 4 de Maio de 2008
Sinais de Luzes - 4 de Maio

Mínimos

Para Ronaldo, que desdenhou o sábio ditado que diz que é dos carecas que elas gostam mais, e deixou crescer uma farta cabeleira à custa de Crescina. Desde então, a sua carreira nunca mais foi a mesma, e acabou por dar vida a outra expressão popular, que é “levar gato por lebre”. Ou melhor, ele achava que levava três gatas para um motel, mas na verdade eram três travestis. Esta é a única certeza que existe. A partir daí, há uma enorme névoa. André Luiz, mais conhecida como Andrea Albertino, no mundo do transformismo, diz que Ronaldo sempre soube que não estava a lidar com mulheres. Disse mesmo “ele não é cego. Sou bonita mas não sou a Cicarelli”. As versões diferem: o avançado do Milan diz que quis dispensar os serviços delas (ou deles), provavelmente quando percebeu que não tinham sequer uma parecença elementar com Daniela Cicarelli, elas dizem que ele não quis foi pagar os serviços prestados. Com esta proeza Ronaldo conseguiu, à semelhança do homónimo português, bater um difícil recorde. O de perdas: ficou sem noiva e sem contrato publicitário no mesmo dia. É que apesar da Nike proclamar “Just do it”, não quer que isso seja levado à letra. Aquilo que mais nos chama a atenção nesta história toda é a introdução. “Ronaldo está no Brasil para recuperar de uma grave lesão no joelho”. Tem uma forma pouco ortodoxa de curar maleitas, este jogador. É que nem o departamento médico do Benfica promove tratamentos tão alternativos.

 

 

Médios

Para três habitantes de uma ilha grega. Sim, nós chegamos a este nível de especificidade. Apontamos o dedo a duas pessoas que vivem algures, entre as dunas de Lesbos. Dimitris Lambru é o nome de um destes senhores nacionalistas, e autor dum comunicado chamado “O mal-estar de ser lésbico”. Isso mesmo. Eles reivindicam o uso exclusivo do termo “lésbicas” para as habitantes de Lesbos. E acusam as homossexuais de terem usurpado a palavra. Dizem que os habitantes da ilha de Lesbo são vítimas de “violação psíquica e moral” porque a sua designação geográfica foi confiscada. E têm toda a razão. Imaginamos o incómodo a preencher formulários e a responder a inquéritos. Perguntam-lhes a origem ou a morada, e parece sempre que eles estão a sair do armário e a falar das suas opções sexuais antes de aparecer essa secção do questionário. Por isso compreende-se que tenham colocado uma acção judicial contra a União Grega dos Homossexuais, para lhes ser negado o uso desta palavra. Se os ingleses se lembrarem de proibir que “gay” seja alegre e homossexual ao mesmo tempo, será dramático. Esperemos que o mesmo não aconteça por cá. Seria o caos no mundo dos alimentos: imaginem que as alfaces nacionalistas se revoltam com a designação “alfacinha” dos lisboetas! Ou que as tripas se viram contra os portuenses, e as laranjas contra os militantes do PSD… Esta foi uma metáfora muito parva, não haja dúvida. Mas sempre foi melhor do que escrevermos um comunicado sobre “o mal estar de ser condutora de domingo”, num país em que se dá essa designação a pessoas que circulam a 20km/h na auto-estrada, enquanto ajeitam os bibelots que têm no tabelier.

 

 

Máximos

Para a ministra da Educação, que descobriu a pólvora, felizmente um bocadinho antes do sistema de ensino português acabar. Maria de Lurdes Rodrigues descobriu que o grande problema são os professores que chumbam alunos. Isso mesmo. Não é grave os alunos faltarem a 90% das aulas e não fazerem nenhum teste. Graves são os preciosismos dos professores. Lá porque um miúdo não adivinha que um tracinho entre números é uma subtracção, ou porque não sabe se chumbar se escreve com X ou CH, não é caso para reprovar. A Ministra, que nunca esteve em risco de chumbar – ou que teve professores muito progressistas para a época – fez as contas. O Estado gasta 3 mil euros por ano com cada aluno. Se alguém se lembra de repetir, já vão 6 mil só para um miúdo – que pelos vistos nem é lá grande coisa… Portanto a solução para poupar milhões de euros é passá-los a todos. Maria de Lurdes diz que facilitismo é chumbar, rigor e exigência é fazer com que todos aprendam! Assim, o caminho parece-nos óbvio: reduzir os programas a uma página A4 para garantir que todos acompanham. Mas isto envolve alguns riscos ainda, uma desconcentração pode ser fatal e 3 períodos podem não chegar para estes resumos da matéria. Por isso temos outra sugestão: acabar com a escolaridade. Depois da creche dá-se às crianças uma sabática e elas ficam à espera de fazer 16 anos para irem trabalhar. Isto sim, vai permitir poupar. Que as escolas, parecendo que não, gastam imensa água, gás, electricidade… Não há necessidade disso. Ficam em casa, descansados, a brincar no YouTube e a arrancar telemóveis às mamãs e aos papás. Em poucos anos Portugal vai ser o país mais rico da União Europeia. Escusam de nos agradecer.



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Domingo, 27 de Abril de 2008
Sinais de Luzes - 27 de Abril

Mínimos

Para Cheng Daman. O homem a quem a imprensa chama “jovem comerciante chinês”, apesar de ter 38 anos. Nós sabemos que a pele dos orientais se conserva sedosa até mais tarde mas nunca ouvimos chamar jovem comerciante português aos quarentões que têm lojas dos 300 na margem sul. Continuando! Cheng Daman tem uma loja em Almada, que como todas as lojas de chineses vende tudo e mais um par de botas. Daquelas com pilhas e luzinhas na sola. Entre as muitas encomendas que faz na China, Cheng mandou vir “600 relógios de brincar, coloridos, de valor muito reduzido”. Pensava ele! Aqueles relógios valeram-lhe uma passagem directa para o tribunal. Porque tinham a inscrição “Beckham”, que é uma marca registada e motivou um processo do jogador contra Cheng. E nós que pensávamos que o primeiro chinês a ser processado por um futebolista seria Paulo China! Quem sabe, depois dum desentendimento com Figo, a propósito do tempero dos hamburguers… Mas a estrela dos LA Galaxy antecipou-se, talvez imbuído da mania de processar tudo o que mexe, em terras americanas. David Robert Joseph Beckham foi chamado a depor em Lisboa, mas estranhamente não apareceu. O que foi pena, porque teria oportunidade de conhecer uma das poucas pessoas no Mundo que não sabe quem ele é. Cheng não fazia ideia que Beckham era uma marca, e muito menos um jogador. Disse só conhecer Adidas e Nike. Apostamos que daqui para a frente vai deixar de encomendar contrafacção da Ómega e da Swatch, com medo que sejam jogadores de futebol.

 

 

Médios

Para Manuel Ferreira. Um vendedor de bifanas que está em greve de fome há mais de 10 dias, em frente à Câmara Municipal de Sintra. Isto é um contra senso. Faz tanto sentido como a associação de homens estátua fazer uma marcha pela indignação, ou o sindicato dos mimos gritar palavras de ordem. Um homem cujo negócio é carne dentro de pão e decide não comer, está apenas e só a fazer má publicidade. E o mais provável é que nem resulte. Nós vimos um artigo sobre o presidente da Câmara de Sintra e percebemos que ele não é adepto dos snacks. A reportagem chama-se “A tasca e o babete de Fernando Seara”. O autarca conta a sua relação com o Cozido à portuguesa da Tasca do Manel, e narra o dramático episódio em que sujou uma gravata topo de gama, oferecida por Judite Sousa. Desde então, Seara usa sempre um babete do Benfica. Depois de vermos Alberto João Jardim vestido de Rei Sol e Santana Lopes com lenços à Axel Rose, esta foi a terceira figura política mais ridícula que registámos. Mas além disso, vem provar que Seara é homem de alimento, que não se satisfaz com uns pregos à beira da estrada. O sr. Ferreira queria apenas autorização para abrir durante a noite a sua roulote. Muito bem localizada, por sinal: no meio da mata do Cacém. O vendedor diz que durante o dia não rende porque não passa lá ninguém. Já de noite clientela não faltaria! Entre uma violação e um golpezito para sacar um rim, toda a gente sabe que a fome aperta.

 

 

Máximos

Para o padre brasileiro Adelir de Carli que partiu – literalmente – numa missão de beneficência. O padre queria recolher fundos para construir um santuário. Até aqui tudo bem, coisa normal do clero. Estranho é um homem de Deus acreditar que os meios justificam os fins! O meio escolhido por Adelir foram os balões de hélio. Podia ter optado por ingerir pura e simplesmente hélio e fazer a homilia com voz de Teletubbie. Mas não, resolveu ir mais longe e bater o recorde de voo com balões. Desconfiamos que as beatas da paróquia estavam fartas dos sermões do padre, porque todas ajudaram a encher balões e incentivaram a viagem, mesmo com chuva. Já vimos membros da Igreja deslocarem-se de forma original, desde os carros da procissão ao próprio papa mobile, mas imaginá-los agora voando com balões do Noddy é muito melhor. É caso para dizer que o padre pôde finalmente cantar “hosana nas alturas” com algum realismo. O pior é que este meio de transporte está mais sujeito a furos, e apesar dos 2 telemóveis e do GPS que levava, Adelir de Carli desapareceu sem deixar rasto. Antes de perder o contacto com as autoridades disse que estava a “perder altitude”. O que é revelador duma certa crise de vocação e não fica muito bem como “últimas palavras” de um padre. Nós esperamos que ele seja encontrado com vida, porque ainda queremos vê-lo fazer muitas viagens. Por exemplo, a travessia do oceano atlântico em barquinho de papel!



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Domingo, 6 de Abril de 2008
Sinais de Luzes - 6 de Abril
Mínimos
Para a agência de viagens Destination on Location, que tem o programa de férias mais hediondo de sempre. Quando achávamos que nada podia bater Salou e Lorett del Mar no que respeita a turismo do absurdo, eis que deparamos com isto. Ao pé da oferta turística de que vamos falar, levar cheerleaders russas e o Emplastro para as discotecas espanholas até parece normal. Esta agência americana oferece aos clientes a oportunidade de viver 4 dias como as protagonistas do Sexo e a Cidade. Oferece, quer dizer, por 15 mil euros. E então como se passam esses quatro dias? Imaginámos que fosse em quartos de hotel, suites de luxo, bares de strip ou, pelo menos, um bordel de Nova York. Pois… não. Viver como o quarteto da série significa, para estes senhores, comprar roupa e sapatos nas melhores lojas de Manhattan, ir a spas, andar de limusine e jantar em restaurantes da moda, onde todos tentam arranjar lugar. Obrigadinha. Para isso, toda a gente sabe, basta usar o truque de marcar em nome de Júlia Roberts ou Cameron Diaz. Arranja-se sempre uma mesinha. Mas o programa é personalizável, conforme a personagem favorita. Os fãs de Charlotte vão a galerias de arte, as de Samantha visitam a sex shop do Soho, as de Miranda fazem jogging no Central PArk e as de Carrie vão a lojas de estilistas. Grande coisa! Isto é um meio pacote. Não oferece a parte do sexo, só a da cidade. Aquilo que as fãs de Charlotte, Samantha, Miranda e Carrie admiram nelas é o sexo desenfreado. Com homens, mulheres, travestis, sozinhos ou em grupo. Se é para ir comprar sapatos e ver exposições ficamos ali pela Gulbenkian e pelo Corte Inglês. E sempre poupamos os 15 mil euros.

Médios
Para a Depuralina. Finalmente um suplemento alimentar que cumpre o que promete na publicidade. Faz emagrecer. Ao contrário dos tratamentos Body Slim, dos batidos Herbalife, da seiva natural, dos comprimidos ecodiet, das bandas gástricas da Margarida Martins ou dos jejuns da Mónica Sintra, Depuralina resolve. É uma espécie de Liedson dos produtos dietéticos. E faz com que as pessoas fiquem tão subnutridas como o avançado sportinguista. Todos aqueles obstáculos que se levantam quando se faz dieta, deixam de existir com Depuralina. Não há ataques de fome nocturnos, não há episódios de compulsão enquanto se vêem comédias românticas, não há exageros gastronómicos em casamentos e aniversários. Não há nada disso. Porque as pessoas estão sempre na cama, num hospital. Não têm de ler os rótulos nem contar calorias, porque os saquinhos de soro são sempre light. Em vez de dieta rigorosa, fazem dieta intravenosa, que é muito mais eficaz. E em vez de gastarem dinheiro em modelos e actrizes para anunciar os benefícios da Depuralina, investem em cidadãs anónimas que estão internadas no Curry Cabral. O que dá muito mais realismo à coisa. E o melhor é que elas, além de ficarem com uma cintura de fazer inveja, podem gabar-se de ter um choque anafilático e uma toxicidade do fígado acima do normal. Vão ficar todas a morrer de inveja. De que vale caber no bikini se temos um fígado vulgar?

Máximos
Para o Ministério da Defesa, o primeiro a encontrar uma fonte de receitas verdadeiramente rentável. Para quê esperar por impostos e contribuições, quando pode enveredar-se pelo fabuloso mundo da organização de eventos? O Ministério tem alugado o forte de S. Julião da Barra para cocktails e jantares, pela quantia simbólica de 6500 euros. E consta que a Sala da Cisterna e a vista para o mar têm feito um sucesso incrível. As festas multiplicam-se todos os meses. Além destas, podem organizar-se colóquios, palestras, mesas redondas, seminários, reuniões… Há uma única ressalva: estão proibidos eventos de natureza sindical e política. Pois, política na sede do Ministério da Defesa é que não. Parece-nos que todos os órgãos do Governo deviam seguir o exemplo de Severiano Teixeira e pôr os edifícios públicos a render. A Ministra da Saúde pode organizar raves nas urgências (as que restam), e tornar mais lucrativo aquele horário dos hospitais em que não há visitas. A Ministra da Educação pode alugar os recintos escolares para grandiosos espectáculos de wrestling e luta greco-romana. O Ministério da Agricultura podia alugar umas plantações para mais um Festival de Verão, que é coisa que faz muita falta por cá… O Ministério dos Negócios Estrangeiros podia fazer sessões de boas vindas e beberetes. Sim, já faz. Mas agora sem ser à borla. E porque não organizar concertos e recitais na Assembleia da República? Parece ter uma óptima acústica. Quando o mundo do espectáculo se cruza com a política o resultado só pode ser um. Ok, podem ser dois. Ou a Odete Santos ou isto – uma saúde invejável das finanças públicas.


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Domingo, 30 de Março de 2008
Sinais de Luzes - 30 de Março
Mínimos
Para Hillary Clinton, que tem demonstrado algumas dificuldades de interpretação. A semana passada recordou a sua chegada à Bósnia, em 1996, da seguinte forma: "Lembro-me de aterrarmos sob o fogo de atiradores furtivos. Era suposto haver uma espécie de cerimónia de boas-vindas no aeroporto, mas em vez disso limitámo-nos a correr com as nossas cabeças baixas até aos veículos para chegar à nossa base." A antiga primeira-dama, e actual candidata à Presidência, esqueceu-se apenas dum pormenor. É que em 96 já havia televisões, e tempos de satélite e assim. E o seu desembarque na Bósnia está registado. Também ignorou outro minúsculo detalhe, que é a existência dum site, pouco importante, chamado YouTube, onde vão parar todas as imagens deste mundo e do outro. Assim, o mundo pôde ver essa chegada tão dramática e recheada de perigos.


Atiradores furtivos, não se vê nenhum. O máximo que pode ter acontecido é que Hillary tenha confundido uma menina de oito anos que lhe leu um poema, com um guerrilheiro armado. É que a poesia infantil das Balcãs pode soar muito ofensiva, caso não saibam! Quanto a Hillary ter corrido com a cabeça baixa até ao veículo, também não há qualquer registo. Mas isso se calhar foi só depois das câmaras se desligarem, quando se lembrou que era de bom-tom praticar jogging em visitas de Estado. É bem possível. A candidata já veio dizer que se exprimiu mal, e que afinal só lhe disseram para levar os coletes à prova de bala quando saísse do avião. Isto equivale a dizer que sobrevivemos a um desastre de avião noutro dia, e fomos resgatados no Oceano por um helicóptero. Na verdade, a hospedeira limitou-se a explicar-nos como se usa o colete salva-vidas mas isso é um pormenor sem importância para a nossa história!

Médios
Para um novo movimento estudantil. Muito rebarbativo, como só a malta que anda no Secundário sabe ser. E estes estudantes reclamam contra quê? As propinas? O preço das fotocópias? A má qualidade dos croissants do bar? A falta de uma opção macrobiótica na cantina? A antipatia das funcionárias? A chuva que cai dentro das salas? O peso que carregam nas mochilas? Aquela mania enervante dos professores lhes confiscarem telemóveis e depois não quererem apanhar umas valentes bofetadas? Nada disso. Estes alunos, de várias escolas do país, uniram-se para criar a Plataforma Directores Não. Que serve, tal como o nome indica, para banir a figura autoritária do Director das escolas. É uma ideia tocante e sensibilizadora, vem é... vinte e nove anos atrasada! É que os Pink Floyd já tinham criado uma estrutura semelhante em 1979. E ao menos esses ainda fizeram uns acordes e umas letras, para além de abaixo-assinados e blogs. Diziam assim: “We dont need no education. We dont need no thought control.”


O slogan destes miúdos portugueses é bem mais fraco: Chefes e directores, não queremos NÃO Senhor! Agora, de repente, a causa de todos os males em recintos escolares não é dos alunos problemáticos, não é dos gangs que cercam a escola, não é dos professores incompetentes. É apenas e só dos directores. Essa gente com a mania que é preciso alguém que mande. Que ideia mais salazarista e antiquada! Em tempos em que tanto se fala dos modelos de gestão das escolas públicas, deixamos aqui a nossa sugestão. O modelo de auto-gestão. É assim uma espécie de anarquia, com o lema “deixa andar e logo se vê”. Afinal de contas, é isso que os alunos vão encontrar no mercado de trabalho, portanto não há melhor preparação para o futuro.

Máximos
Para a noite do Porto, que está novamente a ferro e fogo. O que pode parecer estranho, tendo em conta que Bruno Pidá continua preso e que os outros já morreram quase todos. Mas agora o caos está instalado num outro tipo de noite. Mais alternativa. O que também pode soar esquisito, visto que Carolina Salgado já deixou o alterne para se dedicar à carreira de colunável. Mas também não é o negócio dos bordéis que anda nas bocas do mundo. É o dos bailes. Agora em vez de gangs rivais que se envolvem em rixas, temos organizações de bailes rivais que entraram numa espiral louca de auto-promoção. E repare-se nos nomes: Baile da Primavera versus Baile da Rosa. Que volte Pidá e a sua virilidade, por favor! O problema é que os bailes estão marcados para o mesmo dia, à mesma hora. Está aberta a guerra entre Rui Terra e Daniel Martins – lá está… que nomes corriqueiros, faz falta um Berto Maluco. Nesta luta titânica também vale tudo. Não recorrem tanto aos tiros e engenhos explosivos, mas a armas igualmente temíveis, como as falsas confirmações de convidados, as homenagens e as acções de solidariedade. O Baile da Primavera vai ajudar a Liga das Crianças do Hospital Maria Pia. O Baile da Rosa contra-ataca com a APAV e junta-lhe o nome de Maria Cavaco Silva, um trunfo fortíssimo. Mas o Baile da Primavera não desarma: tem Manuel Luís Goucha e Marisa Cruz do seu lado. Isto é coisa para deixar o adversário desnorteado. Mas a malta da Rosa não é de se render facilmente, e vai homenagear os irmãos Rosado, mais conhecidos por Anjos. Isto é o equivalente a uma arma de destruição maciça, sobretudo se eles cantarem as músicas do Resistirei. Tendo em conta que os bailes são só no próximo sábado, ainda vão haver com certeza muitas movimentações das tropas. Esperemos que, algures nas trincheiras deste conflito, alguém pare para pensar no seguinte: estamos no Século XXI. Os bailes de debutantes ou de início de estação não se usam desde os tempos do Eça de Queirós.
 
 


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Domingo, 23 de Março de 2008
Sinais de Luzes - 23 de Março
Mínimos
Para a Beer Passion, a primeira revista portuguesa totalmente dedicada à cerveja. Era mesmo esta publicação que fazia falta no nosso país. É que uma pessoa desloca-se ao quiosque para suprir todas as necessidades básicas. E quase consegue. Há jornais para saber o estado do tempo e as recomendações para cada signo... E que às vezes até trazem uma ou outra notícia sobre o mundo! Há também Receitas para microondas do chefe Hernâni Ermida, Guias Tv para saber a que horas dá o Quem quer ser milionário, e resumos das novelas para acompanhar o enredo com uma semana de antecedência. Sem esquecer as revistas com Cinha Jardim e a filha num banho de espuma ou o novo look da Luciana Abreu, para combater a solidão (o que podia ser uma metáfora bem porca, mas não é). No quiosque fala-se de tudo o que interessa: qual é o novo tipo de trança do Quaresma e que tempo vai fazer amanhã. Mas há uma necessidade do ser humano, sobretudo do ser humano português, que estava a ser ignorada de modo indecente até aqui. A cerveja. Quem nutre profundo amor por uma imperial precisa de mais do que um pratinho de tremoços a acompanhar. Precisa de artigos aprofundados sobre a espuma da cerveja, precisa de testes comparativos entre a Sagres e a Superbock, precisa de saber as últimas tendências das grades de mini. Num país em que há lugar para a publicação “Cães e Caça” ou “Rendas e Bordados” era escandaloso não existir esta Beer Passion. Toda a gente sabe que é um hobbie muito mais apreciado pelos portugueses: beber umas jolas, umas loiras, umas bjecas, uns finos...Arriscamo-nos mesmo a dizer que há mais nomes de cerveja do que espécies de caça ou tipos de ponto cruz. A revista “pretende transportar os leitores para novas e irresistíveis experiências”. Aqui para nós, os possíveis assinantes da “Beer Passion” preferem descobrir irresistíveis experiências no café central, de preferência enquanto comem caracóis e vêem a bola!

                          

Médios
Para José Rodrigues dos Santos, que vai publicar os seus livros nos Estados Unidos. Ou seja – depois de vender a Fórmula de Deus ao povo que menos lê na Europa, vai poder impingir o seu Codex 632 aos que pior lêem no Mundo – os americanos. A verdade é que eles são bem mais sensíveis que nós, e vão ter direito a uma edição com metade das páginas. Vão ser poupados a pormenores históricos, que nunca conseguiriam assimilar. Não vão ler descrições de comida porque não apreciam nada esses momentos literários. É natural. Nunca gostamos de ver na teoria aquilo que fazemos melhor na prática. O máximo que os americanos aguentam no que diz respeito a literatura alimentícia é a descrição do Big Mac. E com dificuldade. Na parte dos pickles já estão desconcentrados. Mas o corte mais polémico na obra de Rodrigues dos Santos deu-se nas cenas de sexo. A famosa frase “Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas” nunca vai ser lida em inglês. É pena! O jornalista diz que acharam a cena muito forte, e justifica-se como tendo formatado o romance para o mercado português, com particularidades portuguesas. Nós não sabemos em que recanto do Portugal profundo viverá Rodrigues dos Santos, mas é com certeza um sítio onde quer os filhos, quer as sopas de peixe, se fazem de forma pouco ortodoxa.

Máximos
Para o novo cartão de descontos das Farmácias Portuguesas. Este cartão permite acumular pontos por cada medicamento sem receita médica. Já estamos a imaginar as pessoas a trocarem um poderoso antibiótico por uns sais de frutos bem naturais, para somarem mais uns pontos. É que os estabelecimentos que se regiam pela lei dos pontos, até aqui, eram os hipermercados e as bombas de gasolina. E todos conhecemos malta capaz de ficar apeada em plena auto estrada só para não abastecer na concorrência, ou gente que esteve em casa de baixa médica quando extinguiram o Cartão Dominó no Pingo Doce. Ao que parece o cartão das Farmácias está a registar bons níveis de adesão desde o lançamento. Para ser um sucesso ainda maior, sugerimos que copiem as fórmulas de gasolineiras e supermercados. Por exemplo, criando caixas especiais para quem tem cartão, criando um serviço de entrega ao domicílio e um catálogo de produtos que podem ser trocados pelos pontos. Em vez de bilhetes para concertos podem ser senhas para medir a tensão, ou para aquela balança que fala. Em vez de combustíveis e ambientadores, podem ter pensos rápidos ou pacotes de algodão em edição especial de coleccionador. Ser detentor dum Cartão Farmácia devia dar descontos em viagens – no turismo termal, claro, e a possibilidade de fazer listas de casamento. Ou melhor, aviar receitas de casamento, com remédios para todos os males do matrimónio. A designação dos cartões também devia variar conforme os utentes. Da mesma maneira que existe o cartão Fast Woman ou Fast Generation, devia existir um cartão frota para as famílias numerosas que compram preparados de refeição e vitamina C para todas as crianças. E um cartão Gold para as velhotas que frequentam a farmácia mais do que uma vez por dia. Uma espécie de livre trânsito, onde cada ponto acumulado equivale a mais um minuto da atenção do farmacêutico, para ouvir histórias dos netos emigrados no Luxemburgo. 


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Domingo, 16 de Março de 2008
Sinais de Luzes - 16 de Março
Mínimos
Para Gio Rodrigues. Ou melhor, para a notícia que tivemos dele esta semana, no 24 horas. Já estamos habituadas a vê-lo na imprensa, mas normalmente é junto a canapés, frapés e gente colunável. Desta vez a manchete era outra. Rezava assim: “Perseguido pelo Homem do Fraque! Gio diz que não deve nada, mas até ontem um cobrador particular de dívidas não conseguia encontrar o criador”. Esta busca incessante do criador soa mais a introspecção religiosa do homem do fraque do que outra coisa. Mas não. Ao que parece o estilista tem dívidas e anda alguém à procura dele para as liquidar. Gio diz que “não deve um euro a ninguém”. Pois, é precisamente por não ser um euro que andam atrás de si! Se fosse só isso não compensava a deslocação do homem. Não dava nem para a gasolina. Bem, não deixa de ser engraçado que ande um Senhor de Fraque no encalço de Gio Rodrigues. Cá para nós isto é malta que não foi convidada para a Moda Lisboa e quer umas dicas sobre tendências. É que usar fraque, fora dos casamentos VIP, é um estilo meio ultrapassado. Os cobradores acusam Gio de andar sempre a fugir, mas ele responde que está o dia todo no atelier, e é fácil de encontrar. A nossa teoria é que o estilista se escondeu quando viu o credor a aproximar-se da porta. Para não pagar? Não. Simplesmente para não ferir a vista com indumentária tão demodé.

Médios
Para a malta dos blogs, que anda a inovar e de que maneira. Longe vão os tempos em que um blog era uma espécie de “Querido Diário, hoje fui andar de barco”… Também já lá vai a era em que Pacheco Pereira era rei e senhor da blogosfera. A coisa está muito mais democrática e há lugar para todos os pontos de vista. Há até lugar para o “Esmeralda Sim”. Este blog com nome de slogan pró vida, é nada mais nada menos que “a verdade inconveniente” sobre o Caso Esmeralda. Portanto, se viveu os últimos meses ávido de pormenores sórdidos sobre o Sargento Luís Gomes… visite já esmeralda-sim.blogspot.com. O mais provável é que fique desiludido. Não traz grande coisa de novo, a não ser frases inflamadas como esta: “Pensemos no “superior interesse” da menina de nome Esmeralda, cujo pai disputa o direito a baptizar a sua filha na religião católica…” ou “a Nova Gente construiu mais uma peça contra Baltazar Nunes. Ferida de mentira e de parcialidade, tal reportagem constitui mais um exemplo de desinformação”. Mas a proactividade cívica não se fica só por estes assuntos levianos, que metem crianças e adopções. Há quem pense no que realmente importa. Como Paulo Ferreira, autor do pesadelovolkswagen.blogs.sapo.pt, e pessoa que anda por toda a cidade com o seu Touareg topo de gama em cima dum reboque. Isto não é uma forma gratuita de exibicionismo. Não. Até porque de barato esta experiência não tem nada. Paulo Ferreira debate-se há 4 anos com sucessivas avarias no seu carro e resolveu pintar a lista dos problemas na chapa, para que todos fiquem a saber. A marca não só não quer devolver-lhe o dinheiro como o acusou de difamação e o pôs em tribunal. Nós acreditamos que Paulo Ferreira ganhe este processo, mas conhecendo a justiça portuguesa, o mais provável é que quando isso acontecer, o VW Tuareg seja já um clássico, daqueles que só se encontram no Museu do Automóvel.

Máximos
Para o PSD. Que finalmente fez oposição ao governo e tomou uma medida, que por si só, é capaz de melhorar a situação do país. Depois disto, nada mais será igual. Acreditamos que foi o primeiro passo para assumirmos uma posição de destaque nesta Europa tão competitiva: o PSD mudou de logótipo. Apenas a setinha se mantém laranja, tudo o resto foi inundado por azul. Tem lógica. O único logótipo que realmente ganha coisas em Portugal é precisamente dessa cor. Sabemos que o líder do PSD tinha proposto até substituir a seta por um dragão, mas foi impedido por Rui Rio. Não admira que o autarca do Porto esteja de castigo no partido, por ser muito conflituoso… O mesmo se passa com António Capucho, que foi o primeiro a comentar o novo logótipo, e o apelidou de “disparate”. É, nitidamente, uma pessoa fora de moda. Não nos surpreende que esteja prestes a ser dispensado. Luís Filipe Menezes, pelo contrário, está sempre no primeiro pelotão, atrás das tendências. Isso explica que tenha citado Barack Obama no seu discurso, e que tenha operado esta espécie de “Querido Mudei a Casa” no partido. Provavelmente pediu uns contactos de decoradoras ao amigo Santana, ou então recorreu à base de dados da famosa agência Cunha & Vaz e Associados. É como se tivesse remodelado uma cozinha, com mobília venguê e congelador encastrado, super actuais, mas as canalizações continuassem prestes a rebentar. Ainda assim, isto faz muito mais sentido do que possa parecer. É que não se via um fundo azul desde quando? Desde a campanha de Cavaco Silva para as legislativas. Lembram-se? Com o mar a fazer de cenário? Resultou tão bem, mas tão bem, que Cavaco é hoje presidente da República. Já que Luís Filipe Menezes não reúne os restantes requisitos para ocupar o cargo, parece-nos legítimo que tente uma aproximação via elementos decorativos.
 


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Domingo, 9 de Março de 2008
Sinais Luzes - 9 de Março
Mínimos
Para o município de Alcobaça, que se assumiu esta semana como “cidade maçã”. É caso para dizer que saiu do armário. Ou da fruteira… Depois de votada a Moção da Maçã, decidiu-se que o futuro passa pelo registo da marca e criação de produtos de merchandising. Oh não! Como se não bastassem os galos de Barcelos, as esculturas das Caldas ou as Nossas Senhoras de Fátima, agora vamos ter crachás e porta-chaves com maçãs de Alcobaça. Os deputados da assembleia municipal acham que o projecto da maçã deve ser uma prioridade para o concelho. A dedicação de uma cidade à causa de um fruto não é, de todo, inédita. Há já vários anos que o município de Oeiras se entregou às questões da Manga, com Isaltino Morais a demonstrar todos os benefícios que uma boa manga pode esconder. Lisboa, com tanto entrave, tanta dívida e tanta demora, podia muito bem passar a Cidade-Banana. Para os lados do Porto, os falhanços de Rui Rio são tantos, que podíamos chamar-lhe Cidade-Melão. A população de Alcobaça parece feliz com o novo nome, mas… será que não reparam que isso nunca trouxe vantagens a ninguém? Veja-se o caso de Guimarães, cidade berço, ou Évora, cidade museu. Não consta que haja mais incentivos à natalidade ou à cultura por lá. E Paços de Ferreira? A famosa capital do móvel ganhou apenas algumas excursões de famílias nortenhas para comprar aparadores para a sala. E mesmo essas, a partir da inauguração do IKEA, nunca mais lá puseram os pés. Portanto, resta à malta de Alcobaça rezar para que não abra nenhum Mega Fruta Almeidas lá ao pé. Seria triste ver todos os despachos e projectos-lei sobre puré de maçã, tarte de maçã, e maçãs caramelizadas, caírem em saco roto.


Médios
Para a ficha de avaliação de professores elaborada na Escola Correia Mateus, em Leiria. Desde cedo que esta história da avaliação dos professores prometia emoções fortes. Com professores forçados a correr todos os alunos a 19 e 20, caso queiram ser colocados no próximo ano. Ou então, professores mais conservadores, que insistem em chumbar aquele miúdo que só entrou na sala uma vez, e foi para os insultar. Esta resistência à mudança vai custar-lhes, no mínimo, uns dez anos em casa, ou uma preciosa vaga no ensino recorrente, à noite, em Miragaia. A ficha em causa foi feita pelo conselho executivo da escola, e na componente “dimensão ética” tinha os seguintes parâmetros: “Verbaliza a sua insatisfação face a mudanças ocorridas no sistema educativo através de críticas destrutivas, potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares”. Ou fá-lo “de forma serena e fundamentada através de críticas construtivas potenciadoras de reflexão.” Cá está um critério ainda mais rigoroso para avaliar professores do que as notas que dão. É óbvio que um docente que entra na sala dos professores elogiando o saia-casaco da ministra da educação é muito mais digno de confiança do que alguém que tem o desplante de dizer que Maria de Lurdes Rodrigues tem muitas rugas de expressão. Posto isto, sugerimos que sejam criados novos parâmetros de avaliação dos professores. Como este – que prato pede com mais frequência na cantina? Caldo verde, pão de alho e feijoada, capazes de criar algum mal-estar junto dos seus pares, ou uma canja de galinha bem neutral, seguida de maracujá, que é, como todos sabem, a “passion fruit”? Parecem coisas insignificantes, mas aquilo que os educadores ingerem ao almoço ou o que pensam do governo de Sócrates é bem mais importante do que saber a matéria. Para nos ensinar o teorema de Pitágoras ou as figuras de estilo, existem os livros, que são muito mais eficazes e já nascem com selo de qualidade do Ministério da Educação. É bem mais prático!


Máximos
Para os CTT. Uma empresa que todos considerávamos tão séria e idónea! Os Correios de Portugal eram, até aqui, uma espécie de porto de abrigo. Como a casa dos nossos avós, onde sabemos que permanece sempre tudo na mesma. Os mesmos bibelots, as mesmas carpetes, os mesmos discos de vinil que já não se fabricam. Nos CTT era a mesma coisa. Os mesmos telegramas, selos comemorativos de qualquer coisa, e livros do Paulo Coelho para folhear, enquanto esperamos que chegue a nossa vez. Tudo isto se desmoronou em poucos minutos, esta semana. Quando descobrimos que afinal os CTT estão metidos em negócios obscuros, que nada têm a ver com a venda de postais de aniversário ou envelopes almofadados. Em causa está a venda de dois edifícios, em Coimbra e Lisboa. Foram adquiridos pela Demagre - companhia com capital de empresas sediadas nas ilhas virgens, a preço de saldo. O prédio em Coimbra, que custou 14 milhões de euros, foi vendido horas de pois ao Grupo Espírito Santo por 19 milhões. Isto sim é inflação! E pensar que anda para aí tudo preocupado com o preço do pão e da bica… O que isto vem provar é que os edifícios dos CTT são muito mais valiosos do que podíamos pensar. O nosso conselho é que entre na Estação de Correios da sua área de residência e experimente comprar, em vez de certificados de aforro, a própria da estação. Valoriza muito mais depressa, pelos vistos! Se lhe calhar um daqueles funcionários mal encarados, que parecem prontos a esmagar-lhe o crânio com o carimbo… Opte por uma abordagem mais suave. Peça apenas um envelope de correio azul ou assim, e tente arrancar um marco do correio à saída. Pode ser que com o passar dos anos se torne artigo de coleccionador.


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Domingo, 2 de Março de 2008
Sinais de Luzes - 2 de Março

Mínimos
Para o encerramento forçado do blog humorístico dum professor, por ser considerado desprestigiante pela Universidade do Minho. E isto é um grave sintoma. Não de censura ou privação de liberdade mas de… falta de qualidade humorística. Isso mesmo. Quão terrível terá de ser um blog para ser capaz de envergonhar toda uma instituição? Tem de ser pelo menos ao nível deste “Dissidências”, de Daniel Luís. Logo no cabeçalho surge a advertência: “o Director do dissidências avisa desde já que os textos aqui publicados resultam de doença mental incurável”. Seguem-se parágrafos em várias cores, do lilás ao amarelo, escritos pela personagem “T-humor ao sol do planeta Rissol”. E a utilização do tipo de letra “Comic Sans”, que é o último reduto para quem não caiu em graça mas quer ser muito engraçado. Responsáveis da universidade dizem que o docente não foi obrigado a encerrar o blog, mas apenas a “rever elementos que fossem considerados incorrectos para um educador”. Daniel Luís não percebe porquê. Nós também não. Afinal de contas, ele só fez vídeos em cuecas brancas, no cimo dum telhado. E piadas tão boas como: “se Cristo tivesse morrido há 20 anos atrás, os Cristãos em vez de andarem com cruzes ao pescoço andariam com uma cadeira eléctrica ou uma seringa”. Isto são coisas que esperamos de qualquer professor catedrático. Não vemos qualquer motivo para a nota de repúdio da Faculdade, nem sequer para terem pedido a David que não fizesse mais stand up comedy. Se ele é assim na net, ao vivo deve ser ainda melhor. Aliás, num dos vídeos do blog, vemos que o soberbo sentido de humor já vem de longe. Daniel aparece num Preço Certo (ainda em escudos) com Nicolau Breyner, onde ao sair de estúdio com a assistente colocou a legenda “agora é que te vou papar todinha”. A nossa única dúvida é: David, porquê insistir na docência, quando tinha um futuro brilhante de entertainer à sua frente?


Médios
Para Simone de Oliveira. Sim, nós sabemos que é uma grande senhora da canção nacional, e que o seu arregalar de olhos encosta Chucky, o Boneco Diabólico, a um canto. Sabemos até que “quem faz um filho, fá-lo por gosto”, e que há um País Chamado Simone. Mas, ainda assim, tantos pergaminhos não justificam que chame Badameco ao director da RTP. Ainda se tivesse interpelado o senhor para lhe chamar outra coisa! Agora, badameco? O confronto deu-se na apresentação da novela Vila Faia, e talvez daí a necessidade da actriz usar vocabulário da época. Indignada com a decisão de passarem o remake da novela aos fins-de-semana, Simone disse a José Fragoso que era uma “injustiça, uma fraude!”. Foi uma sorte não ter usado as palavras patranha ou moscambilha. Apesar do interlocutor de Simone se ter mantido sempre calmo e sereno, a discórdia subiu de tom. Até porque uma pessoa que enche o Coliseu sozinha, por sua conta e risco, não precisa de ajuda para agitar uma discussão. Longe vão os tempos em que Simone “como o sol de Inverno” não tinha calor. A cantora recomendou, exaltada, ao director da estação pública que saísse do seu lugar e fosse para casa cozer batatas. Temos de aplaudir esta sublime transformação do insulto machista em feminista. Se às mulheres é recomendado que fiquem por casa a coser meias, a um homem Simone sugeriu que cozesse… batatas. O que é muito menos nobre. É que se cosendo meias ainda se pode aspirar a uma carreira na alta-costura, cozendo batatas a aspiração máxima deve ser a cozinha dum refeitório público. Assim como assim, José Fragoso já está no ramo dos serviços públicos.

Máximos
Para a nova moda nos Estádios nacionais. O Sporting/Benfica de logo é alvo de todas as atenções da polícia. E não nos referimos só aos polícias barrigudos que logo à noite vão estar na esquadra a beber minis e a discutir quem merece mais o 2º lugar. Falamos sim da polícia de choque, já que mais de 600 agentes vão marcar presença em Alvalade. Concentrados não no relvado mas nas bancadas, que são sempre mais disputadas do que a bola. Ali sim, há marcações homem a homem como deve ser! É certo que o futebol tem mudado muito ao longo dos anos. Antigamente os jogadores usavam calções que mais pareciam cuecas e o Eusébio conseguia correr 20km sem ser desarmado. Mas é nas bancadas que o sinal dos tempos se faz sentir com mais força. Quem aplaudia Chalana e Manuel Fernandes eram pais de família, de bigode, que levavam os petizes à bola, no domingo à tarde. A preocupação da PSP nessa época era que os espectadores não gritassem alto de mais, para eles conseguirem ouvir o relato na telefonia. Anos mais tarde, a grande dor de cabeça passaram a ser os Ultra. Claques de futebol com apetência especial para a violência e para a pilhagem de estações de serviço. Malta cujo amor ao futebol é tanto que não se importam de passar o jogo todo de costas para o relvado, a gritar para um megafone. Uma espécie de sindicalistas da bola, mas em estilo mais agressivo que o Carvalho da Silva. Agora, em pleno século XXI, a tendência é outra: o movimento casual. Adeptos que vão para o estádio sem cachecóis ou bandeiras, e se deslocam nos seus próprios carros. Mas que são mais violentos que os No Name Boys e a Juve Leo, todos juntos. Nós já conhecíamos o estilo casual, mas era de convites para festas. Por este andar qualquer dia vão aparecer os adeptos casual chic, que levam faixas debruadas em ouro, os adeptos dress to impress, cujos galhardetes terão purpurinas, e os adeptos fato escuro, que mesmo sem serem da Académica terão capas negras até aos pés.



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