as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 11 de Maio de 2008
Condução Defensiva - Pinto da Costa

Serve esta condução defensiva para lançar um apelo a Pinto da Costa. Numa entrevista publicada na Visão, o presidente do FCP levantou a hipótese de vir a escrever as suas memórias. Ora eu, depois de ler as 10 páginas da entrevista, desafio-o a lançar-se já na aventura da escrita. Isto porque tudo me leva a crer que Pinto da Costa já tem aquilo de que necessita para compôr um livro jeitoso. Em primeiro lugar, tem uma tese com profundidade suficiente para requerer uma defesa consistente e aliciante, capaz de deitar por terra alguns dos mitos do País: «No futebol, existe muita gente boa, culta e instruída. Mas, como em muitas coisas da vida, também temos de lidar com pessoas boçais, incultas e até estúpidas.» Ora isto retoma, desde logo, parte dos temas que têm marcado a tradição literária portuguesa. Aliado aos três grandes topos pintocostanianos – o benfiquismo como causa da degradação moral do indivíduo; a região norte do país como construção ficcionada pelos lisboetas para garantirem o seu domínio geo-estratégico; a nostalgia da corrupção, simbolicamente considerada a via de acesso a uma realidade perdida in illo tempore - teríamos certamente uma obra que se destacaria pela originalidade e pela capacidade de conjugar a tradição com o talento individual deste futuro autor. Por outro lado, Pinto da Costa já possui também as suas máscaras, fundamentais para qualquer aspirante a escritor. Diz ele que «o culto da personalidade é detestável», mas por detrás desta afirmação esconde-se um eu estilhaçado pela necessidade de dominar um clube de futebol, de empregar o possessivo quando se refere ao treinador desse clube ou pela irrepremível vontade de se candidatar à presidência da câmara da segunda cidade do país, enfim, um eu em luta contra a sua própria cisão interna. Mas há mais: Pinto da Costa, mesmo antes de começar a escrever, revela-se já um mestre do estilo. É notório o fascínio pela linguagem metafórica e alusiva. Reparem: «Se certos papagaios que aí andam fossem escutados e fosse vigiada a forma como fazem contratações...» É de uma riqueza estilística sem par, coisa que se nota ainda melhor nos momentos em que Pinto da Costa destila subtileza. Vejam como justificou por que razão por vezes cai nas tentações do sarcasmo: «É difícil não baixar o nível com certas pessoas. Se mantiver o nível não percebem. Não vou citar Régio ou Nobre senão ainda me perguntam se eles são presidentes da Firestone ou da Goodyear. E eu de pneus não percebo nada.» É que Pinto da Costa é um exímio cultor da ironia e é através dela que se manifesta a sua veia humorística. Mas vamos fazer uma pausa para saborearmos com vagar as manobras literárias pintocostanianas. Retomaremos esta condução defensiva dentro de instantes com a análise do humor literário do presidente do FCP.

 

 

Estávamos, então, a apelar ao lançamento da carreira literária de Pinto da Costa, salientando as características que apontam desde já para um grande escritor. Para mim, o mais significativo nesta matéria é a veia humorística de Pinto da Costa. Apesar de na literatura portuguesa serem muitos os escritores que cultivam o ludismo e a ironia, poucos têm conseguido atingir o nível de Jorge Nuno, sobretudo se pensarmos que é uma espécie de autor “em antestreia”. Os exemplos multiplicam-se: quando lhe perguntam do que mais gosta em Lisboa, não resiste a responder «a zona das partidas no aeroporto». Vou fazer uma pausa para que todos possam soltar essa gargalhada contida. Já está? Então, atentem na próxima frase: «Qual o problema do Benfica? Se dissesse, ainda o resolviam!» Ou esta outra, para mim, a melhor tirada humorística de Jorge Nuno: «Ganho mais ou menos dez mil euros por mês.» Aposto que neste momento estão os ouvintes todos agarrados à barriga. Outros exemplos, de uma ironia mais fina e mais magoada: «Não sei o que é o poder; se o tivesse, talvez algumas pessoas não fizessem o que fazem.» ou «Os quilómetros de fita das minhas chamadas gravadas talvez dêem para ir à Luz e voltar!». Mas não se pense que este apurado sentido de humor aniquila o lado amoroso do dirigente desportivo. Pinto da Costa é, sem dúvida, um poeta; ele sabe que uma palavra encerra múltiplos sentidos. Se lhe perguntam se é um mafioso rodeado por seguranças, Jorge Nuno esclarece que quando vai a qualquer lado a única segurança que tem é a mulher. Aqui, a palavra segurança tem um duplo sentido: por um lado, significa que a mulher o acompanha, vai literalmente com ele; por outro, é ela o seu porto de abrigo, o seu refúgio amoroso. Mas nada disto espanta. Afinal, Pinto da Costa tem as melhores referências e influências literárias: Nobre, Camilo e Régio. Por acaso, todos escritores ligados ao norte. De Nobre creio que Jorge Nuno herdou, para além da condição de menino fadado desde o berço para ser princípe, o talento para recuperar as vozes do povo; de Camilo herdou, para além dos nomes dos filhos, um Jorge, outro Nuno, e de um incomparável conhecimento da linguagem, a capacidade de exprimir o génio sentimental lusitano; de Régio, para além de certos apontamentos dramáticos, a lucidez de saber por onde não vai. E assim se pode compreender que estão lançadas as bases da carreira literária de Pinto da Costa, tão afastado está ele do «penso eu de que» do passado. Resta-me apenas sugerir, antes de se lançar nesta empresa e para melhor a promover, a organização de saraus de poesia em pleno relvado do Estádio do Dragão, com Pinto da Costa declamando o regiano Cântico Negro. De momento, não me ocorre melhor programa literário para esta primavera pós-campeonato.

 



publicado por condutoras de domingo às 11:40
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Domingo, 6 de Abril de 2008
Choque Frontal - Apito Final
Finalmente há animação na liga Bet and Win! No que diz respeito a golos marcados e sofridos, tudo na mesma. Mas no campeonato das notas de culpa e comissões disciplinares a coisa está renhida. Graças aos jogos com o Estrela e o Beira-Mar, em 2003, o Porto corre agora o risco de perder 6 pontos. Olha, grande coisa! Num ano em que leva 16 de avanço! Aliás, tendo em conta a demora da justiça, até podem tirar já 10 pontos que ficam de avanço para o futuro. Aposto que neste momento Pinto da Costa ficaria mais irritado se lhe tirassem 6 pontos do seu Cartão Fast Galp ou do recente Cartão das Farmácias. É que o Presidente portista está com certeza mais preocupado em trocar pontos por uma batedeira ou um frasco de mercúrio cromo. Fala-se até na hipótese dos dragões começarem a próxima época com pontos negativos. O que concretizará a promessa de Luís Filipe Vieira – Benfica na frente do campeonato. Ele nunca disse se era na última jornada ou nas duas primeiras! Se a ideia é mesmo castigar o Porto, deviam pensar noutras técnicas. Gostava de deixar algumas sugestões. Despedir o Jesualdo! Afinal, se basta um aperto de mão para ele ficar, deve bastar um ligeiro aceno para se ir embora, e vir para o seu lugar o Chalana. Ou outro qualquer que nunca tenha querido ser treinador, como o Paulo Bento! Outra penalização eficaz é arranjar um jogador ainda em funções, que tenha mais poder de decisão que o treinador e mais responsabilidade que o Presidente. Pode ser o Helton, que dentro do FCP é o que mais se parece com um Maestro. Resulta sempre! Qualquer coisa é mais eficaz do que subtrair uns pontinhos. Podem embalsamar o Emplastro e extinguir assim os directos televisivos do Dragão, podem silenciar o famoso corneteiro das Antas – e constatar como afinal aquele corridinho da Madeira era inspirador. E porque não criar regulamentos próprios para os portistas? Bruno Alves tem de praticar reiki 2h antes do jogo, Quaresma não pode usar bijutaria nem laca, Bosingwa não pode ultrapassar os 50 km/h dentro das localidades, Lucho tem de participar no Extreme Makeover e deixar de parecer um assassino em série, Raul Meireles tem de passar um mês intensivo com Miguel Veloso, a 7ups e Bollycaos… Vale tudo para tornar a liga mais competitiva: os portistas viajarem em carrinhas de caixa aberta, trocarem o típico hotel Altis pelo parque de Campismo de Monsanto ou trocarem as suas namoradas por mestrandas da Faculdade de Letras, que lhes recitem Proust em vez da TVMais. Quanto a Pinto da Costa, o maior castigo será ver todos os árbitros da Liga substituídos por diabéticos. Daqueles que não toleram mesmo chocolatinhos, nem fruta com muito açúcar.


publicado por condutoras de domingo às 11:56
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Domingo, 23 de Março de 2008
Desconto
Esta semana, Pinto da Costa mostrou-se disponível para fazer um desconto na venda do passe de Ricardo Quaresma – pelo qual tem pedido 40 milhões de euros. Nas palavras do próprio, “Se for 39 milhões, vírgula novecentos e noventa e nove pode ser que eu ponha o euro que falta". Claramente, tem algumas coisas a aprender sobre a arte de regatear com a família do próprio Quaresma – que quem vende a cópia pirata do DVD do Indiana Jones que ainda nem foi filmado vende tudo.


publicado por condutoras de domingo às 11:05
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