as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
escreva-nos para
condutoras@programas.rdp.pt
podcast
Ouça os programas aqui
percursos recentes

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

De Encontro ao Pára-Choqu...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

Agarrado ao Pára-Choques ...

viagens antigas

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007


Domingo, 29 de Junho de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Peixe

Esta semana um grupo de gente fardada entrou de assalto num supermercado da grande Lisboa. É uma coisa que já não causa espanto. Mas há cambiantes diferentes nesta história: a farda não era a do costume. Não era em tons escuros nem dizia ASAE, era mais a dar para o amarelo e dizia Greenpeace. Apesar das pessoas já estarem prontas a largar cestos, carrinhos e crianças de colo, e fugir para salvar as suas vida, quando perceberam que não eram os fiscais de António Nunes, ficaram bem mais descansadas. Certificaram-se apenas que eles não traziam os amigos do Movimento Verde Eufémia, que essa malta além de ser mais barulhenta e desagradável, ia querer destruir o corredor do milho e das leguminosas enlatadas de certeza. O que era uma chatice. Mas estes senhores da Greenpeace são bem mais criativos, trazem sempre instalações artísticas com vegetais, poemas sobre pequenos animais indefesos, ou então não trazem roupa, o que é à sua maneira uma forma de arte. O chamado nu artístico. Desta vez decidiram distribuir folhetos em forma de peixe, com a lista das espécies pouco sustentáveis. Isto porque os portugueses são dos maiores consumidores de peixe da Europa. Como se já não bastasse termos de ter cuidado com os nitrofuranos do frango, os pesticidas da fruta, a BSE das vacas ou as salmonelas dos ovos, agora os activistas pedem aos hipermercados nacionais que alterem a política de compras e incluam critérios como a taxa de crescimento e reprodução da espécie, a proveniência do peixe e o método de pesca. Perguntar à pescada como vai a vida conjugal, perguntar às douradas se os filhos estão a crescer saudáveis, investigar a proveniência do arenque, saber se tem visto de permanência ou se já é cidadão nacional, e saber como foi pescado: numa solarenga tarde de pesca desportiva ou por um pescador que furou a greve… Entre as espécies apontadas como pouco sustentáveis estão o salmão, o atum, o bacalhau, o camarão, o espadarte, o linguado, o peixe-espada, a pescada, a solha ou o tamboril. Coisa pouca portanto. Sobram-nos as sardinhas e os carapaus, o que dá jeito nesta altura do ano mas é capaz de começar a cantar. Sobretudo quando tentarmos substituir cocktail de camarão por cocktail de sardinha ou ensaiarmos uns pasteis de carapau. O slogan da Greenpeace foi “encolhe o teu peixe, não mordas o anzol”, pedindo às pessoas que reduzam o consumo destes peixes. Mas este apelo é bem capaz de ter o efeito contrário. Já se sabe como são os portugueses quando são lançados alarmes. Se uma marca de iogurtes for retirada do mercado, eles vão lá açambarcar todos, mesmo que o prazo de validade seja só de uma semana. Quando a gasolina ameaçou acabar, as filas foram de kilometros e os ânimos exaltaram-se. Já imagino estas pessoas à volta da banca do peixe, envolvidas em conflitos violentos para levarem para casa o maior stock possível de peixe. Aliás, eu tenho para mim que quando for anunciado o fim do mundo, os portugueses vão sair todos de casa num ápice, não numa tentativa desesperada de salvamento mas para serem os primeiros a chegar. Se é o derradeiro fim para todos nós, que seja, mas que sejam eles os primeiros a apanhá-lo. E esta regra é tão aplicável ao apocalipse como a postas de salmão.



publicado por condutoras de domingo às 11:21
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 25 de Maio de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Amigos da Sesta

Nós, condutoras de Domingo, apreciamos alguma calma e costumamos entrar no carro muito antes de a viagem começar. Porém, há por aí gente que nos bate aos pontos em preparações: os amigos da sesta. Ainda estamos nós a despedir-nos de Maio e já a Associação dos Amigos da Sesta anda a preparar a 2ªConferência Nacional da Sesta, a realizar... Adivinhem. Junho? Não! Isso é já agora! Tal como Julho e Agosto. É em Setembro, bem lá para o finalzinho! E já está anunciado. Eu acho bem, não vá um amigo da sesta mais distraído deixar-se embalar o Verão todo e depois faltar à conferência com o pretexto de que nada sabia. Não, senhor, na irmandade da sesta não há espaço para improvisos. Ora, eu, que ainda não me associei a esta causa, ando preocupada com o facto de não ter tempo para dormir a sesta. Ela bem bate à portinhola do meu cérebro todos os dias a seguir ao almoço; tenta, tenta, chama o João Pestana, mas nada consegue contra esse flagelo dos tempos modernos que dá pelo nome de “volume de trabalho”. E isto é extremamente aborrecido por me colocar a mim e às outras condutoras de Domingo num mundo à parte, infeliz, onde os acidentes de trabalho se perpetuam em cadeia e os ritmos biológicos correm no sentido inverso ao dos ponteiros dos relógios; um mundo frágil pela nossa vulnerabilidade física, psíquica e mental; um mundo escuro como uma olheira com mais de 10 anos. No fundo, somos umas marginais. Porque a sesta é recomendável para todos e nós não nos incluímos nesse todo. Reparem. Não nos incluímos no grupo dos nostálgicos, que encaram a sesta como a via de acesso ao tempo perdido da infância, numa inversão do seu propósito primordial: naquela altura, faziam birra para não dormir, agora fazem birra para dormir. Também estamos completamente afastadas do grupo do Jet Set. É que não há nada mais in do que uma boa sesta, tendo em conta que grande parte dos amigos da sesta é gente conhecida, das artes, do espectáculo, de boas famílias e, claro, de bons horários. Aliás, este ano tenho para mim que a silly season será marcada não por festas, mas por sestas a realizar nos locais mais badalados da tarde algarvia: dos sofás do T-Club aos areais da praia do Ancão, é ver o Jet Set deitadinho sobre almofadas repletas de baba, ouvindo o som das ondas e dos roncos. Nem o grupo dos noctívagos nos acolhe, esses grandes adoradores de sestas, por termos caído nas teias da tirana luz do dia. E o grupo do pessoal das artes nem se fala. Nós ainda não vimos a curta-metragem «A Sesta», de Olga Roriz, e não há amigo da sesta que, desde a sua estreia, não a veja em repeat numa gravação pirata. Finalmente, na classe política, surpreendam-se, mas não há lugar para nós. Parece-me óbvio que eles andam a dormir há anos e nós, como dá para ver, nem aos Domingos ficamos quietas. E é com grande tristeza que me vejo forçada a anunciar tão atempadamente que não vamos aparecer em Alcanena a 27 de Setembro. Faltaremos à megaconferência da sesta, na qual se discutirá, por exemplo, a «sesta no trabalho». Por isso, que fique bem claro que é também com muita inveja dos participantes que comunico esta nossa ausência.



publicado por condutoras de domingo às 12:16
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 18 de Maio de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Blade Runner

Blade Runner está em exibição. É uma nova versão, remasterizada digitalmente, uma obra-prima da sétima arte que, no entanto, podia ser melhor se seguisse a sinopse que proponho. Caro Ridley Scott, espero que me estejas a ouvir. A realização seria das Condutoras de Domingo, mas consentiríamos numa participação especial. Sobretudo se aceitasses como intérpretes Povo Português, no papel de Blade Runner; Manuela Ferreira Leite, António Neto da Silva, Mário Patinha Antão, Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes como “replicants”. A história rezaria assim: Povo português vagueia pela caótica selva lisboeta do século XXI. É um blade runner, um agente que persegue criaturas genetica e politicamente transformadas em candidatos à presidência do PSD, difíceis de distinguir dos humanos por serem feitas à sua imagem e medida. Missão: eliminá-los. Crime cometido: vários, dos mais temidos por gerações de Povos Portugueses, passando por promessas incumpridas, tempo de antena em excesso, desorientação estética, ambição desmedida, asneirame político e feiura.

 

 

 

Ao longo da sangrenta perseguição a estes seres que se tornaram ilegais à luz dos bons costumes terrestres, o semi-aposentado Povo Português fica definitivamente sem emprego. Mas nem isso acarreta o incumprimento da missão. Os “replicants” Ferreira Leite, Neto da Silva, Patinha Antão, Passos Coelho e Santana Lopes encarregam-se da sua própria auto-destruição. Revoltados uns contra os outros, canalizam os seus dotes poderosos, as suas ideias espectaculares, os seus slogans arrebatadores, o seu repúdio por coligações pré-eleitorais para uma batalha interna. Os sons dos galhardetes e da roupa suja a bater nos tanques do passado, semelhantes a rajadas de metralhadores, assolam Lisboa, esburacam o partido “replicant” social democrata e lançam o caos nas suas sedes. Descansado, e no entanto pressentindo o fim, Povo Português deixa-se estar sentado a assistir a esta calamidade sem par no universo da ficção científico-política nacional. Sente-se orgulhoso por nada ter feito e mesmo assim o espectáculo acontecer. O extermínio é total. A versão que agora apresento tem em comum com a que está nos cinemas a omissão da narração do protagonista. Separa-as o facto de eu não ter conseguido encontrar nesta trama um fio que desse para puxar para o romance. Santana Lopes e Ferreira Leite numa cena de “make up sex” pareceu-me vazio de sentido e sobretudo capaz de arrastar a película para as prateleiras dos filmes de terror. Por isso, o único final feliz possível é a certeza de que Povo Português conseguirá sempre sobreviver a manobras políticas e ainda ficar a rir-se. Aliás, a cena final podia ser uma gargalhada à escala planetária ouvida em off e acompanhada pelas imagens em câmara lenta do aniquilamento dos “replicants” social-democratas. E assim ficamos, aguardando ansiosamente um contacto de Hollywood.



publicado por condutoras de domingo às 11:46
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Domingo, 11 de Maio de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Sexo

Chegou o momento de fazermos contas ao... sexo. Peguem nas máquinas de calcular e tentem adivinhar o resultado de 3643 inquéritos sobre práticas sexuais feitos a portugueses entre os 16 e os 65 anos? Por muito que se esforcem não vão conseguir atingir os valores de bizarria dos resultados a atirar para o assustador do maior estudo alguma vez feito no país sobre «Comportamentos sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal». Parece que mais de 60% dos homens estão empenhados em andar por aí a contaminar gente. O que é o mesmo que dizer que se estão a borrifar para os preservativos. Ou melhor, antes estivessem. Era sinal de que os usavam. Mas não usam. Ainda por cima, 12% das pessoas com uma vida sexual activa, sobretudo homens, são infiéis, ou seja, têm mais do que uma parceira ou um parceiro sexual.

 

 

E eu a achar estranha aquela notícia que dá conta de um argentino que foi apanhado em flagrante a abusar sexualmente da sogra de 100 anos!... Pelo menos, esse certificou-se de que cometia um crime contra a vida de uma senhora que já aproveitou tudo o que tinha para aproveitar. O mesmo não se pode dizer dos tugas entre os 16 e os 65 anos, esse bando de doidos que anda por aí a espalhar fluídos – e quem sabe o vírus da sida? – indiscriminadamente. Até porque mais de metade dos portugueses nunca quis fazer o teste ao HIV. Preferem andar às cegas, às apalpadelas. No fundo, é apenas um bando de gente que gosta do perigo, que aprecia brincar à roleta russa e que não teme infecções ou doenças transmitidas sexualmente. Aliás, 38,2% dos inquiridos confessa não ter nenhum receio a este nível. O que poderia indicar que é gente corajosa; não: 55,2% nunca tirou uma amostra de sangue para fazer o teste da sida. Isso é que era de homem! E de gaja! Em suma, são é uns grandes preguiçosos que estão tão satisfeitos (ou será melhor dizer ansiosos?!) com o facto de terem vida sexual que esquecem um pormenor que pode fazer toda a diferença. Isto até parece o slogan de uma campanha de prevenção da sida. Do quê? Pois, lá está, mais de 60% dos portugueses não sabe do que estou a falar... Pelos vistos, mais de metade de nós acha divertido brincar à sida na versão quarto escuro. Já pensaram em experimentar os carrinhos de choque? Ou bungee jumping?

 

 

Pois claro que não, uma vez que, segundo este estudo, para lá de 60% dos habitantes deste nosso cantinho à beira mar plantado está satisfeito com a vida sexual que leva, retirando prazer das relações. Mas há mais: os portugueses – montes e montes deles! -têm dificuldade em aceitar diferentes orientações sexuais. Esta é a reluzente cereja no topo deste bolo de bizarrias de onde mais de metade de nós anda a comer, ou seja, onde há certamente muita saliva infectada à mistura.

 

 



publicado por condutoras de domingo às 11:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 27 de Abril de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Dietas

Este Verão, quem dita as tendências não são nem as revistas nem o pessoal da moda, não senhor; quem dita as tendências veraneantes são... os produtos dietéticos! E com uma imperatividade nunca antes vista... O que eles determinam é que as praias vão ser dominadas por gordos. Esta é a regra desta nova ditadura: nas areias escaldantes do nosso Portugal, apenas veremos estendidos pequenos aglomerados humanos de massas adiposas deliciosamente flatulentas, e esses sim serão motivo de cobiça. Os corpos querem-se roliços, contornados com apontamentos rechonchudos de gordura. Nada de magricelas, com perninhas de rã! A era escanzelada dará obrigatoriamente lugar – e um lugar bastante espaçoso – à era “cheiinha”. Digo obrigatoriamente porque esta alteração nos códigos estéticos nacionais tem como causa aquele que já me parece ser o maior dilema que o século XXI enfrentará: gordura ou morte? É isso mesmo, caros ouvintes: este é o momento de nos pormos em frente ao espelho e pensarmos se queremos aquilo que vemos reflectido, coisa que, na melhor das hipóteses, nos lembra um anúncio da campanha “beleza real” da Dove, ou se preferimos começar já a folhear o catálogo de caixões e urnas da funerária mais próxima. É que o bruxedo que caiu aos tombos no universo dos produtos dietéticos anda a tramar as voltas às dietas. Primeiro foi a Depuralina; agora é a Herbalife. Intoxicações, tripas a saírem pela boca, toxicidade hepática, desidratação e, em última análise, uma subida aos céus depois de uma morte com causas por determinar. Bem sei que há por aí uma quantidade considerável de pessoas que, muito na esteira de Paris Hilton, preferiam morrer a ser gordas. Mas, para essas pessoas, a morte não passa de uma imagem forte (fortezinha, vá lá), uma metáfora de que se servem para sublinhar a importância que dão à magreza. Só que isto agora deixou de ser uma imagem e os que se atreverem a desafiar os deuses, pedindo-lhes corpos mais esbeltos e uma garganta suficientemente larga para emborcar tanto comprimido dietético num só trago, vão ter um triste destino. Ou talvez não: vão ser mais magros do que nunca e ter os ossos mais à vista do que algum dia imaginaram.

 

 



publicado por condutoras de domingo às 11:20
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 13 de Abril de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Falso Prof

Ficámos fãs de António Raposo, ele que fez chegar a falsidade a novas profissões. Sim, nós já estamos habituadas a ver modelos cujos atributos são tudo menos verdadeiros… E falsos médicos então, é o que mais há! Nunca sabemos se aqueles diplomas da Faculdade de Medicina de Cambridge são autênticos ou foram feitos no Photoshop. Já vivemos bem com essa incerteza. Mas agora a dúvida recai também sobre outra classe profissional. Será que aquele senhor tão amável, encarregue de ensinar os nossos filhos a somar e subtrair, é de facto professor de matemática? E será que aquela senhora que se digladiou com uma aluna para lhe ficar com o telemóvel ensinava de facto francês? Ou estava ali apenas para fazer extorsões às crianças, servindo-se do seu porte físico admirável? Este clima de suspeição instalou-se graças a um homem que cuida, precisamente, do físico. António Raposo. O falso professor de educação física esteve em exercício – literalmente – mais de 30 anos. O docente foi acusado pelo ministério público de crime de usurpação de funções. Afinal de contas, andou para ali a ensinar pinos e cambalhotas e a tirar o lugar a outra pessoa. António Raposo tinha não um, mas dois certificados falsos. Um da Universidade de Lisboa, outro de Évora. Parece-nos professor para passar com distinção na avaliação do governo! Um homem que se esforçou, que suou a camisola, para se distinguir no cumprimento das suas funções. E pelos vistos fez a coisa tão bem que depressa se tornou num… falso presidente do conselho executivo. Mais uma novidade no âmbito dos cargos aldrabados. Finalmente vemos laivos de originalidade e dedicação no sistema de ensino português.



publicado por condutoras de domingo às 12:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 9 de Março de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Aquela Bata
Aqui no nosso carro apreciamos os profissionais do mercado de batas e fardamentos. Gostamos de saber que é graças a eles que podemos parar o automóvel junto a uma pastelaria e sermos servidas por um rapazinho com uma jaleca com punho em sarja 67% poliester e 33% algodão sobre uma calça 70% poliester e 20% viscose; ou, se o caso for mais trágico e envolver uma pequena queimadura no isqueiro, gostamos de ser atendidas no posto médico por um enfermeiro trajado com uma bata aberta atrás em sarja 67% poliester e 33% algodão. Tudo isto, claro, se as indumentárias forem Modelos Guanabara. Altamente especializada, esta empresa dedicada ao vestuário profissional tem como áreas de sucesso a saúde, a educação, a hotelaria, a restauração, os serviços domésticos, comerciais e industriais. Ou seja, tem fatiota para toda a obra. E tem também segredo: conjuga inovação com qualidade dos tecidos e na confecção. E isto, minhas amigas, caros ouvintes, tem como resultado «Aquela bata». Não esta - aquela; AQUELA que identificamos assim que vemos. É a bata inconfundível. Aliás, melhor do que a super-bata, só mesmo o site que a divulga. Ora experimentem ir a www.modelosguanabara.com e deliciem-se com a história desta empresa. Chama-se «Sopa de Noviça» e reza assim (preparem-se porque é história longa e antiga, a lembrar os melhores tempos da ditadura): «O Pai da Rosa – que roubara o nome a uma flor, conhecia o Sr. Doutor para quem trabalhara anos atrás, na sua Quinta de Palmela. Passados tempos, lembrou-lhe: Não precisa de uma criada? Sim realmente preciso duma pessoa que fosse ajudar a minha esposa, tenho dois meninos... A Rosa encantada com a cidade de Lisboa – Que casa tão grande e tão bonita, a Senhora e o Senhor Doutor uma simpatia, os meninos encantadores, e aquela senhora a trabalhar numa máquina de costura a pedal, tratavam-na por Laurinda. Oh Laurinda, experimenta na Rosa o meu vestido que já não uso, sobe-lhe um pouco a bainha para que não fique em cima dos sapatos. Aproveite aquele tecido que estava destinado a cortinas e faça aventais. A explosão aconteceu quando os amigos do Porto, um casal “muito fino”, vieram assistir ao 5º aniversário do Ricardinho. Então a D. Leonor segredou à amiga: Será possível, nós no Porto já sabemos e tu em Lisboa desconheces? A Rosa faz hoje 71 anos, trabalha (como quem diz) em casa do menino Ricardinho, que é o Presidente de uma das maiores empresas portuguesas. Ainda existe guardado como uma relíquia o aventalinho de “Bordado Inglês” que serviu para o 6º aniversário e, como a Rosa tem boa memória, comprado na Modelos Guanabara.» Não sei o que estão vocês a sentir; eu, depois desta fábula hermética, dou-me por vencida. E agora é ver o meu guarda-vestidos transformado em guarda-batas; é ver-me descer a rua, airosa e fabulosa, com aquela bata 67% poliester e 33% algodão.


publicado por condutoras de domingo às 11:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 2 de Março de 2008
De Encontro ao Pára-Choques - Coca TV
Afinal, têm razão os que andam convencidos de que o mundo inteiro cabe dentro de um pequeno ecrã. É a televisão – e não Deus ou a religião – que tem a capacidade de unir povos e transformá-los numa grande e feliz família capaz de assistir às mais estranhas bizarrias. Refiro-me, como é evidente, à instalação de um novo canal televisivo na Bolívia. A iniciativa é iraniana, mas dirige-se a toda a América Latina. E porquê? Por ser sobre coca ou, pelo menos, a propósito dela. Quem o anunciou foi Evo Morales numa reunião de produtores de coca. Faz sentido: o líder boliviano, reeleito presidente do maior sindicato de produtores de coca do país, anda preocupado com aquilo a que chamou «a grande luta desse movimento campesino». E o que resolve fazer? Oferecer-lhes entretenimento e propaganda através de um canal de televisão com dinheiros iranianos e temáticas locais. Já estou a imaginar a Bolívia e, aliás, toda a América Latina sentada no sofá a assistir, de manhã, a boas doses dos concursos «Querido, consumi a coca» e «Quem quer ser produtor de coca?»; aos quais se pode seguir, durante a tarde, uma matiné de «Bolívia, com coca no coração», «TV Rural Para Produtores Certificados» e o «Programa do Provedor», com explicações recorrentes sobre o que distingue um traficante de droga de um produtor de coca. Depois, claro, seria perfeito um tranquilo serão com a melhor ficção sul-americana. É uma pena nós não termos por aqui perdidos no carro os contactos de Morales ou de Mahmoud Ahmadinejad para lhes ligarmos a propor que desafiem Rui Vilhena e a sua trupe ficcionista a adaptarem a novela Fascínios para a realidade sul-americana. Tenho a certeza de que o Rogério Samora causaria por lá a mesma sensação produzida, há anos e entre nós, pelas actrizes das novelas mexicanas. Mas talvez seja melhor não fazermos isso, meninas. É que os produtores de coca iam ficar todos agarrados à TV e a produção de coca sofreria uma queda certamente histórica. É esta a magia da televisão. E enquanto iranianos e bolivianos planeiam este novo canal só nos resta mesmo ficar à espera, rezando para que a TV Coca da Bolívia faça parte do pacote Funtastic Life.


publicado por condutoras de domingo às 11:33
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - O Couvert
A Associação Portuguesa de Direito do Consumo lançou esta semana um alerta capaz de mudar, para melhor, a vida de centenas de portugueses. Qualquer consumidor pode recusar-se a pagar o couvert nos restaurantes, mesmo que o tenha comido. Finalmente percebemos que a mais velha, e pior, piada de sempre tem fundamento! Aquela cena feita e refeita 100 vezes pelos Malucos do Riso, naquele cenário de marisqueira. Eu não queria mas… Vou contar. O empregado quer cobrar a um casal 1€ pelo pão, que eles não comeram. E diz-lhes: “não comeram porque não quiseram, que ele estava em cima da mesa”. Ao que o senhor responde: “então deve-me 50€ por ter apalpado a minha mulher”. O empregado nega tudo, mas o homem diz: “não apalpou porque não quis, ela sempre esteve aqui”. E pronto. Depois disto o quê? Aqueles olhos a sair das órbitas à la Malucos do Riso, gargalhadas enlatadas, alguma náusea por parte do espectador e … nada. O assunto caía sempre no esquecimento. Nunca foi tratado com a seriedade merecida. Mas chegam agora os Defensores do Consumidor para nos salvar. A questão resume-se a isto: o que não pedimos, não temos de pagar.

Ora se em cima da mesa já estão pães, tostas, manteigas, patês, queijos de Nisa, presunto serrano e pastéis de bacalhau, isto são ofertas da casa. Se lá estiver também um bonito candelabro, quatro bases para copos, um saleiro, um pimenteiro, um centro de mesa, pratos e talheres, podemos sentir-nos à vontade para levar. Nós não pedimos a ninguém para trazer a toalha, nem os guardanapos, nem mesmo a cadeira onde nos sentamos por isso… Se quiseram oferecer, sujeitam-se à nossa livre – e correcta – interpretação da lei. Acho que podemos até começar a ir jantar fora e ficar só pelo couvert. Depois do pãozinho levantamo-nos, agradecemos (porque é de bom tom) e saímos. Segundo a lei, “o consumidor não fica obrigado ao pagamento de bens ou serviços que não tenha prévia e expressamente encomendado ou solicitado”. Acho que isto deve estender-se a outras áreas de actividade. Por ex: no hipermercado nós não pedimos nada. Se aquelas coisas estão ali todas ao alcance da mão é porque podemos trazer. O mesmo quando vamos ao médico. Tirando as pessoas mais dramáticas, que se ajoelham e suplicam “doutor, cure-me por favor!”, nós vamos simplesmente ouvir o que têm para dizer. Não solicitamos nada. E o mesmo se passa com as portagens, ou os parques de estacionamento. Eu nunca pedi a ninguém que me fizesse parar no meio da auto-estrada, ou que me deixasse parar o carro entre dois tracinhos. Não encomendei o serviço, não tenho de o pagar. “Não há almoços grátis” é uma frase que passou à história a partir deste momento!


publicado por condutoras de domingo às 11:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Spa Gay
Que notícia tem potencial para, no nosso país, sair no mesmo dia em grande parte dos jornais diários? A remodelação governamental? Não. As operações de Ramos Horta? Não. As lesões de Nuno Gomes? Não. A notícia do momento remonta, muito apropriadamente, ao Verão de 2007 e chama-se «Dark Night». Não, não é um filme do Vin Diesel, mas sim o nome dado a uma vivenda em Albufeira onde funciona um hotel e spa gay. Ouviram bem? Vivenda. Albufeira. Spa. Gay. Isto é notícia?! Eu julgava que era prática corrente. Estava enganada. Ao que parece, o «Dark Night» combina uma guest house com um spa for men. E for men only porque aqui, minhas amigas, apesar de haver muito músculo masculino tonificado, menina não entra. É uma espécie de Clube do Bolinha com muitos arco-íris, música da Cher à mistura e, claro, o imprescindível orgulho gay. Ou melhor, como se percebe pelo segundo nome do «Dark Night», “orgulho termal”. Aliás, o «Dark Night» é até mais conhecido por «Thermas Pride». Ora, em que consiste este “orgulho termal”? De acordo com o que foi noticiado, já que nós não pudemos ir até lá por sermos todas meninas, o “orgulho termal” consiste numa simples transacção: dá-se oito euros à entrada do spa, recebe-se um kit com toalha, chinelos, chave para cacifo e preservativo e anda-se livremente pela sauna, pelo jacuzzi com televisão, o banho turco, uma sala de vídeo com filmes pornográficos gay, um recanto sadomasoquista, um quarto escuro e uma zona com trinco onde casais e grupos partilham coisas... intimidades, vá... Como seria de esperar, as zonas com mais sucesso são o quarto escuro, a sala sadomasoquista e a zona do trinco onde se fazem as tais coisas... E isto pelo seguinte: a zona do trinco, uma espécie de “boca do lobo” onde só se enfiam os corajosos, é um amplo espaço de liberdade onde se pode fazer tudo e mais alguma coisa, incluindo sexo, apesar de, segundo a gerência, ninguém ser obrigado a tal; o quarto escuro é em forma de labirinto, ou seja, é o sítio ideal para brincar ao “toca e foge”; e a sala sadomasoquista tem um enorme (e aposto que divertido) baloiço. Parece-me tudo muito bem; só não percebo por que motivo o «Thermas Pride» admite apenas pessoas, homens!, homens!, entre os 18 e os 99 anos, desaconselhando que se levem crianças lá para dentro. Eu até consigo compreender que não queiram mulheres; tudo bem, não fazem falta, de facto, porque raramente alinham em brincadeiras de gajos. Agora, um sítio onde existe a toca do lobo mau e onde se joga ao quarto escuro e se anda de baloiço não permitir a entrada de crianças é incompreensível e parece-me apenas mais uma reles forma de discriminação.


publicado por condutoras de domingo às 11:15
link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Viagens FCP
Esta semana ficámos a saber que há quem venha fazer turismo ao Estádio do Dragão. Esta actividade, por si só, não parece nova. Está muito em voga aqui a Sul. O Derlei faz turismo em Alvalade há mais de uma época e Nuno Gomes no Benfica… há mais de uma década até! Mas no Porto é diferente. São mesmo turistas com máquina fotográfica a tira colo, meias brancas e sandálias. Quer dizer… os jogadores também usam a célebre meia com chinelos, é verdade. Mas pronto: são pessoas cujo passe não foi comprado pelos clubes. Malta que adquiriu, isso sim, um belíssimo pacote turístico. Que inclui viagem de avião Milão/Porto e bilhete para jogos no Dragão. Jorge Osório, responsável pelo Turismo da Região Norte, diz que há cada vez mais estrangeiros a querer ver ao vivo os jogadores do Porto, e conhecer o Estádio. Esta entrada dos dragões no circuito turístico abre um mundo de possibilidades. A este pacote vulgar e desenxabido poderá juntar-se o Pacote Noite. Inclui visita guiada pelas irmãs Salgado, que além de debitarem datas dos monumentos, farão também acusações gravíssimas ao presidente da câmara, do clube, da assembleia, e do país. E pelo meio arrancarão alguns cabelos uma à outra. Os excursionistas recebem depois, totalmente grátis, coletes anti-bala e vão para os bares da Ribeira divertir-se. O slogan desta actividade lúdica é: “Nunca o Paintball foi tão real”. Aposto que vão achar “amazing”. Pagando uma taxa suplementar podem fazer desportos radicais: visitar o Tribunal do Porto escoltados pelo Macaco ou, simplesmente, ir à festa de anos dum dos Super Dragões. Para perceberem o que significa realmente a expressão portuguesa “fazer a festa e lançar os foguetes”. Os clubes lisboetas não querem ficar atrás, e já estão a preparar os primeiros packs turísticos. No Estádio da Luz oferecem-se visitas guiadas. Não à galeria das taças, mas às caves. Não Consta que estão lá embalsamadas as velhas glórias do Benfica, e algumas pessoas que nunca mais foram vistas no mundo futebolístico. Lembram-se do Caniggia? E do Sabry? Pois, estão no piso -2 do Novo Estádio. Dentro duma vitrine e com legenda por baixo. Para o caso de Makukula não ser um reforço assim por aí além… Já no Sporting, não é preciso ir conhecer recantos obscuros. Basta que os turistas orientais assistam a qualquer encontro da Superliga. Vão achar que é um jogo tradicional. Estilo Mahjong. A avaliar pelo tempo que os jogadores ficam a pensar antes de se dirigirem para a bola. No fim, terão direito a cocktail e formação de boas maneiras com a claque leonina. Já estou mesmo a ver. Os chineses vão sair de lá todos a saber dizer “O que é isto Paulo?”.


publicado por condutoras de domingo às 11:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Tigres à Solta
O Circo Chen deu, esta quarta-feira, o maior contributo para o Carnaval português. Como? Soltando dois ferozes tigres em plena via pública, na Azambuja. Isto encheu uma data de gente de contentamento. Inclusive eu. Para já, porque permitiu a melhor combinação de forças especiais de sempre: um comandante dos bombeiros mais vinte agentes da GNR mais… domadores do circo! Para compor o ramalhete só faltou mesmo um agente da ASAE para assegurar se os tigres eram mesmo da Sibéria. Outra pessoa que ganhou o dia com isto foi o Paulo Ferreira de Melo. Aquele senhor que passa os dias num helicopetro a fornecer informações de trânsito à TVI pôde finalmente fugir das frases: “abrandamento no alto da boa viagem” e “condicionamento na entrada da CRILL”. Teve finalmente o seu momento de glória, quando pôde dizer: “Tigre na Estrada Nacional 3, obriga a corte da via esquerda”. Miguel Chen, responsável do circo, também deve estar contente, porque arranjou finalmente um meio publicitário mais eficaz que os carros com megafone. Conseguiu substituir o “senhoras e senhores, meninos e meninas, é com grande prazer que anunciamos o Circo de Carnaval” por uma coisa com muito mais impacto. Um comunicado da Protecção Civil, com qualquer coisa como “senhoras e senhores não deixem os meninos e meninas sair à rua, sob pena de serem devorados por dois tigres que não saíam da tenda vai para 10 anos”. Isto sim, é um upgrade! O carro do circo avariou de madrugada e a jaula teve de ficar na estrada. Quando o vigilante foi ao Cartaxo buscar água, alguém soltou as feras. Segundo Miguel Chen “quem fez isso é alguém que sabe, até porque não é qualquer pessoa que vai mexer em animais destes”. Eu cá não sou de intrigas, mas quer-me parecer que o culpado é o Victor Hugo Cardinali. Outra pessoa que está neste momento feliz! Aniquilar a concorrência é o sonho de qualquer família circense, mesmo que isso passe por aniquilar alguns transeuntes da Azambuja também. Podiam ter escolhido uma técnica mais suave, como depilar a mulher barbuda ou revelar ao mundo que os mágicos não serram mesmo uma assistente ao meio. Mas Victor Hugo achou que era pouco espectacular. Desde que esteve no Circo das Celebridades que tenta transformar o mundo à sua volta num fenómeno mediático de luz e cor. E está a conseguir! Finalmente o circo contribuiu para a felicidade nacional. Muito mais do que quando na escola nos obrigavam a ir lá no Natal ver os contorcionistas e os cãezinhos amestrados que jogam à bola. Ficamos à espera de mais manobras de diversão como esta. Para a próxima podem soltar os elefantes na A5 em hora de ponta, o palhaço rico e o palhaço pobre na Assembleia em hora de plenário ou as bailarinas russas na Liga de Clubes.


publicado por condutoras de domingo às 11:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 20 de Janeiro de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - A Horta do Aníbal
O país estava suspenso à espera desta notícia. A pergunta que se ouvia em todos os cafés nas últimas semanas, mais ainda do que “quem tem razão, Katsouranis ou Luisão?”, era… “Para quem vai ficar a herança de Teodoro Silva”? Normalmente depois desta pergunta, seguia-se outra: “quem é Teodoro Silva?”. Mas isso é só porque os portugueses adoram fazer perguntas, e têm muito tempo livre para conversa de café. Vamos ao que interessa. Teodoro Silva foi senhor de muitos negócios, e também senhor que depois de 3 filhos com nomes normais, achou por bem chamar Aníbal a uma criança. É verdade. Teodoro levou mais longe o nome de Boliqueime. Ao contrário do que se possa pensar, não foi Cavaco quem mais fez por aquela terra, porque tratou de sair de lá o mais depressa possível. Chegada a hora de fazer partilhas, os irmãos Silva foram justos, e cada um teve o que mereceu. Rogério e Rosário ficaram com a bomba de gasolina e dois armazéns. Que sempre podem converter em Boutiques de Moda. Basta pedirem à cunhada, Maria Cavaco Silva, todo o enxoval de trapinhos lindíssimos que está proibida de usar desde que é Primeira Dama. Já o irmão António ficou com o apartamento de Quarteira, uma coisa jeitosa, que sempre dá para fazer um time sharing. Aníbal… o Presidente da República Portuguesa, ficou com a horta do pai. Ora isto é um novo horizonte que se abre para Cavaco. Sabemos, de fonte segura, que está a pensar mudar de vida. Farto da agitação de Belém, Cavaco vai pôr de lado a gravata e dedicar-se à agricultura. Mas isto é perigoso, tendo em conta que o maior cultivo do pai era de laranjas. E quando juntamos este citrino com política lembramo-nos de quem? Pois é. Do melhor português de sempre. Cavaco já partilhava com ele o gosto pela economia, não nos espanta nada que daqui a uns meses esteja a proibir a importação de fruta, e a espalhar laranjas e limões Cavaco por todos os supermercados do país.

Por outro lado, as recentes cenas do Dia de Reis, em que Cavaco ouviu as Janeiras, pegou criancinhas ao colo e deu bolo-rei aos netos… levam-nos a crer que pode enveredar por outra carreira. Em vez da enxada, poderá pegar no microfone e fazer programação infantil, em directo do Algarve. Finalmente o Jardim da Celeste vai ter sucessor à altura: a Horta do Cavaco. Uma espécie de Casa do Tio Carlos dos tempos modernos. Em vez de Carlos Alberto Moniz será Cavaco a tocar guitarra. Só há um problema. Sabemos como são os miúdos: ainda lhe chamam a atenção por cantar mal o “Atirei o Pau ao Gato”. O Presidente não vai gostar! Porque ele nunca se engana e raramente tem dúvidas. Uma coisa é certa: é altamente improvável que haja um buzinão na nacional 125. O Aníbal pode plantar couves descansado.


publicado por condutoras de domingo às 11:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 13 de Janeiro de 2008
Agarrado ao Pára-Choques - Coca no Polvo
Esta semana foi desmantelada uma rede mafiosa especial. Sénior. Os criminosos espanhóis apanhados tinham entre 60 e 76 anos. Digamos que em vez de irem para a prisão deviam ir para um Lar ou Centro de Dia, jogar à malha e fazer palavras cruzadas. Ou, melhor ainda: trocar fascículos da Teleculinária. É que esta malta, apesar de traficar estupefacientes, é muito dada à gastronomia. No porto de Lisboa foram apreendidas 600 caixas de polvo congelado e, lá pelo meio, 9 toneladas de cocaína. A Polícia Judiciária elogiou o modus operandi do grupo, que dissimulou cocaína numa solução aquosa em embalagens de polvo. Eu tenho para mim que a intenção deles nunca foi traficar nada. Existem várias hipóteses, sendo a última delas querer realmente vender substâncias químicas e causar danos irreversíveis em milhares de jovenzinhos. Até porque esta gente tem netos, o máximo que quer distribuir pelas crianças são gomas e rebuçados. Uma das explicações possíveis é esta: alguém lá na Venezuela convenceu este gang de velhotes que havia uma óptima especiaria para fazer Polvo à Espanhola. Isto, confiando que eles estão senis. E que foram já no passado aldrabados com mentiras semelhantes. Como daquela vez em que substituíram farinha Branca de Neve por Antrax, para fazer tortilhas. Se, pelo contrário, quisermos crer que este pessoal está mais lúcido que todos nós juntos… A teoria terá de ser outra. Estes homens, mais do que chefes de cozinha, são verdadeiros poetas. Tudo isto não passou duma homenagem à célebre “La Piovra”.

 

Tendo consciência que aqui na Península Ibérica o expoente máximo da série policial mete pastores alemães, dobrados ou não em espanhol… Esta rede mafiosa quis fazer um elogio, sob a forma de metáfora, à máfia italiana. Como? Transportando a droga nos tentáculos do polvo. Isto é duma beleza estética inegável. Nem Corrado Cattani nas suas aventuras, nem tão pouco Tony Soprano nas suas discussões familiares, fizeram uma homenagem tão bonita e sincera à máfia. Enfim, independentemente do mote do crime, uma coisa é certa: estão de parabéns. É sempre louvável ver que a população idosa não se resigna, nem fica fechada em casa a ver concursos. Acho que as redes mafiosas deviam recrutar mais reformados. Porque eles têm uma sabedoria de deixar invejoso qualquer adolescente. Para quê engolir sacos de plástico com droga quando pode simplesmente fazer-se uma caldeirada de chocos com heroína, e passar na fronteira como quem vai fazer um piquenique a Jerez de La Frontera?


publicado por condutoras de domingo às 11:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 2 de Dezembro de 2007
Agarrado ao Pára-Choques - Ursos de Peluche
Novos e estrondosos acidentes envolvendo malta inglesa fora do seu país, levam-me a abordar aqui um tema fulcral, tantas vezes ignorado. A problemática dos ursos de peluche. É verdade! Mulheres britânicas e ursos de peluche são coisas que não combinam. Depois do mediático urso de Maddie McCann, agora é a vez do urso Maomé vir dar um ar da sua graça. Desta feita, a vítima é Gillian Gibbons, professora numa escola no Sudão. O director do estabelecimento disse à imprensa que a professora estava a ensinar uma parte do currículo referente à vida animal, e pediu às crianças que dessem nome a um urso de peluche, o animal que estava a ser estudado. Ora, parece-me que aqui é que reside o problema: estes miúdos aprendem biologia com ursos de peluche e o rato mickey, estudarão anatomia com quê? Nenucos e Action Men? Mas eles estão mais preocupados com a designação, tudo bem. A professora deixou que os alunos escolhessem um destes 3 nomes para o urso: Adullah, Hassan e Maomé. Ainda bem que não escolheram Hassan, senão o antigo craque do Farense podia ficar indignado. E com razão. É um pouco ofensivo. Acho que o urso tinha mesmo focinho de Adullah, mas os miúdos escolheram Maomé e a professora foi detida, acusada de blasfémia, e condenada a 15 dias de prisão e expulsão do país, o que, apesar de tudo, nem é nada comparado com as 40 chicotadas de que se falava como possível sentença. E tudo por culpa de quem? Não, não é das crianças. Com 6 anos são inocentes, coitadinhos, sabem lá que nem toda a gente tem feições de Maomé. A culpa é do urso, obviamente! Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Depois de toda uma geração de ingleses a inventar criaturas fofinhas, elas transformam-se em pequenos Frankensteins do mundo dos brinquedos. Enid Blyton criou uma amorosa Ursa Teresa, confidente do Noddy. Mary Tourtel fez nascer um sorridente e branco Ursinho Rupert. Michael Bond apresentou ao mundo um infeliz urso de chapéu: o Paddington, abandonado numa prateleira na véspera de Natal. Tantas histórias de partir o coração! Tanto amor depositado nestes bonecos para quê, afinal? Para se revelarem mais demoníacos que um Chucky e até que uma Violeta! Não restam dúvidas que foi o ursinho Maomé a manipular os votos da turma. É tão claro como ter sido o urso de Maddie a levá-la para os maus caminhos. Ainda para mais tem o desplante de aparecer com Kate pela mão em longos passeios, para se mostrar à imprensa! O mais grave de tudo é que nós andamos a deixar estes seres dormir impunemente com as nossas crianças! Aposto que este Natal vai pensar 2 vezes antes de comprar um benemérito ursinho da Tommy, para fins solidários. E de certeza que não vai passar nem perto das lojas da Natura! Se os pequeninos fazem tantos estragos, imagine os daquele tamanho!



publicado por condutoras de domingo às 11:18
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 25 de Novembro de 2007
Agarrado ao Pára-Choques - INEM

As condutoras de domingo andam pela estrada e não podiam ficar indiferentes à notícia de que há milhares de alertas falsos para o 112. Podíamos até aproveitar para mostrar como somos altruístas e preocupadas com o bem comum. É mentira. Esta é a rubrica mais egoísta de sempre - simplesmente pensámos: “e se for uma de nós a ter uma urgência?”. Aliás, foi o INEM que lançou a pergunta: “E se precisasse de uma ambulância e esta estivesse ocupada numa chamada falsa?". Eu diria que ficava lixada, mas a verdade é que se precisasse duma ambulância o mais provável era estar com pouca vontade de insultar alguém. Mas a campanha lançada pelo INEM está a centrar o problema nas pessoas erradas. Não interessam aqui as vítimas de acidentes e enfartes. Num estado muito mais grave que elas estão as pessoas que se lembram de ligar para o 112 para dizer umas piadas. E são mais de 60 por dia! Acho que já podemos falar numa patologia, que pode até inscrever-se na associação “Raríssimas”. Os sintomas mais comuns são: ausência total de sentido de humor e crises de ansiedade. Os indivíduos que sofrem desta disfunção são de tal forma inseguros que acham que as únicas pessoas que poderão achar-lhes graça são… enfermeiros do serviço nacional de saúde. Isto não passa, afinal, de um pedido de ajuda desesperado. Estas pessoas tiveram passados complicados, precisam duma palavra amiga. Entre os principais traumas contam-se: não terem sido muito aplaudidos no Levanta-te e Ri de Viseu, não terem conseguido ver os Extras do DVD António Sala – 40 anos de carreira, ou terem esgotado todas as anedotas sobre “cúmulos” que conhecem. E o mais assustador é que a população que sofre desta perturbação mental não é composta por crianças em idade escolar. Não. A grande maioria são adultos! Ora isto leva-nos a crer que às 4 da tarde, quando fecham os serviços administrativos de todo o país, há uma multidão de trabalhadores escondidos atrás da secretária, a ligar para o 112. Nós temos a solução para este problema: a criação do 113, uma linha de apoio aos humoristas falhados. Nesta linha, enquanto as chamadas estão em espera, podem ouvir-se excertos dos Malucos do Riso e aderir ao serviço de SMS do Fernando Rocha. E, o melhor de tudo: não vão obrigar nenhuma ambulância a sair ao engano. As únicas viaturas que terão o poder de accionar são: carros que anunciam o grandioso circo de Natal ou a Tourada de Montemor, e roullotes de churros e farturas. Porque isto vai de encontro às preferências destes – e vem aí trocadilho rebuscado – “Criativos Emergentes”!



publicado por condutoras de domingo às 11:29
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

pesquisar neste blog
 
links
subscrever feeds
tags

todas as tags

Julho 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
29
30
31


blogs SAPO