as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 29 de Junho de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Felino

Assim que despontam os primeiros raios de sol, o fenómeno repete-se. A população ruma ao Algarve, a ASAE lança guerra às bolas de Berlim e os jornais fazem inquéritos aos famosos com perguntas tipo “se fosse um protector solar, de que factor seria?”. É a chamada silly season, na qual as notícias a sério vão a banhos e temos de nos contentar com aquelas que por cá ficam a torrar na tontaria do “nada-a-declarar”. Só que em Portugal esta época jornalística é mesmo grave. Mais do que silly season, temos mesmo é um silly country.
Se não, veja-se: esta semana o concelho da Maia andou em sobressalto por causa de um felino que rondava a área desde o início do ano, andando agora a causar mais estragos em terrenos agrícolas. A população jurava a pés juntos ter visto pegadas grandes, videiras cortadas, árvores desbastadas e plásticos rasgados. Por momentos, pensámos: será que Portugal tem finalmente o seu monstro? Seria fantástico para o turismo. Podíamos ter o nosso Big Foot, Abominável Homem das Neves, Monstro de Loch Ness… Já estamos até a ver o merchandising: pequenos Felinos da Maia que mudam de cor com a humidade. Ia ser o máximo!
Mas esta alegria foi sol de pouca dura. Passados poucos dias, o desmentido: o alegado felino afinal, no entender das autoridades, poderá não passar de um cão vadio faminto ou até mesmo um javali. Ver se é um javali ou não é fácil: basta ver se tem um Obelix ou um Fernando Mendes a correr atrás dele. Se for um cão, talvez seja uma Lassie tentando resgatar o pequeno Timmy do poço, pelo que é melhor deixá-la em paz.
Mesmo assim, queremos acreditar que ainda há um mundo de hipóteses por explorar. Será que o felino era afinal o Ministro da agricultura, tentando assustar os agricultores para estes não fazerem greve? Seria Betty Grafestein vestida de tigressa? Ou uma das apresentadoras do Fama show em poses sexy? Nós temos uma aposta: é Ricardo, que foi felino quando era leão do Sporting e que agora anda por certo escondido no meio da mata para ninguém ajustar contas com ele por causa do Euro 2008. Se for mesmo Ricardo, as autoridades podem disparar sem reservas. Têm a nossa bênção.
 



publicado por condutoras de domingo às 11:39
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Domingo, 22 de Junho de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Boxe Tailandês

Cá estou de novo em plena divulgação de competições alternativas ao Euro, solidária com os que não aguentam este enorme banho de vermelho e verde. Desta feita, vou falar-vos de um desporto para gente grande. Supostamente, claro, porque neste mundo já não há valores inalteráveis e tudo oscila à velocidade do preço da gasolina e das mensalidades do crédito habitação. Por isso não se surpreendam se vos convidar para se munirem de pipocas e salgadinhos e partirem em direcção ao maravilhoso mundo do boxe infanto-tailandês. Pela módica quantia de 44 euros, assistiremos a um intenso combate disputado por seres humanos com idades entre os 4 e os 11 anos. É verdade; e está documentado num filme inglês. O «Strictly Baby Fight Club» não tem nem os abdominais do Brad Pitt nem os do Edward Norton; tem, para compensar, um molho de crianças com punhos cerrados, maxilares partidos e luvas de boxe a agarrar chupetas. E, claro, os imprescindíveis progenitores, os grandes promotores do circuito infantil de Muay Thai. De tal forma que 1000 adultos juntaram-se para ver dois miúdos lutarem numa gaiola de ferro. Será que é isto o futuro? No meu tempo, e até mesmo no tempo da Joana Marques, a única condutora que podia ser recrutada para estas lutas, os castigos não passavam do «ficas a tarde inteira no quarto sem ires para a rua andar de bicicleta!». E lá ficávamos nós a sonhar com a bicla. Ao contrário destes minilutadores, cujas mentes são dominadas pelo lema «se és bom para lutar, estás pronto, a idade não importa».

                             

 

Ora, se a idade não importa, por que não investir na terceira idade? Seriam combates mais emocionantes, numa lógica de morte súbita, sem choros nem birras, como as que faz a menina de 5 anos que costuma ser lançada ao ringue para lutar com o irmão gémeo. Isto depois de passar a semana a treinar numa sala que o pai inventou, uma espécie de quarto dos brinquedos artilhado em nome da vitória, dos olhos negros e da ideia de que, assim, a miúda quando crescer vai saber tomar conta dela. Resta saber se, com estas doses de pancada, vai conseguir de facto crescer. Talvez; é que ela não treina assim tanto. Thai, outro miúdo atirado para estas lides, corre 15 quilómetros, faz 400 abdominais, treina 10 horas e vive com uns pais com um sonho. Diz o seu progenitor: "O meu sonho e o da mãe dele é que Thai ganhe um título de campeão. Não sei qual é o sonho dele, provavelmente brincar com os seus soldadinhos." Ora aí está! Porquê sacrificar um sonho tão nobre se o puto só quer é brincar?! Parece-me bem criar assim as gerações tenrinhas. Mais vale ser geração thai do que geração morangos com açucar. Aliás, é preferível ficar desde pequeno com a cara à Sylvester Stalone do que crescer a assistir aos Morangos com Açucar, chegar aos 30 com a referência dos protagonistas da novela infanto-juvenil e acabar, tardiamente, com a cara à Stalone, depois de uma passagem fugaz pelo bisturi de um cirurgião plástico. A geração Thai vai directa ao assunto e é bem sabido que um dos luxos do futuro é o tempo. Por isso, se tens entre os 4 e os 11 anos, põe de parte a ideia de salários milionários, larga o futebol, o ténis e o golf, e inscreve-te já no boxe tailandês. O futuro espera-te numa academia perto de ti.



publicado por condutoras de domingo às 19:06
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Domingo, 15 de Junho de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Gatinhol

Se você é daqueles que já anda a acusar sinais visíveis de cansaço do Euro; se você é daqueles que desligou a televisão e partiu em busca de competições alternativas, então, caro ouvinte, aquilo que vou contar-lhe é só para si. Guarde-o muito bem no coração e parta comigo em alta velocidade da Suiça para a Lituânia. Juntos vamos descobrir o verdadeiro espírito competitivo, descobrir o que é sofrer por uma causa, descobrir como pode valer a pena gritar o nome dos mais destemidos heróis da actualidade! Preparado? Vamos, então, até à Lituânia, o país onde se celebrou há pouco tempo o Dia Internacional de Protecção à Criança com um evento que desconfio que em breve se tornará num dos desportos com mais impacto no universo feminino. Sobretudo a parte desse universo que procria. Não vou alimentar mais o mistério e vou desvendar o que esta megacompetição implica: cerca de 25 seres humanos que se babam enquanto se deixam dominar por uma vontade louca de chegar a um sítio que não sabem bem explicar onde é somados a cerca de 50 espectadores que se babam enquanto torcem, orgulhosos, para que os outros 25 seres humanos consigam chegar a esse local que não sabem bem identificar. Só isto bate o futebol aos pontos: por um lado, há menos gente a torcer, o que dá espaço para se ouvir isoladamente cada berro atirado ao ar; por outro, há mais gente a competir, o que eleva sobremaneira o nível de competitividade. E se eu partilhar convosco que os 25 seres humanos em campo são bebés com idades compreendidas entre os 7 e os 12 meses todos poderão compreender como esta é uma experiência renhida e altamente intensa. Até porque nem sequer há treinos – outra grande vantagem se compararmos o gatinhol, chamemos-lhe assim, com o futebol. Por exemplo, a menina de 9 meses que levou para casa o prémio de bebé mais rápido da Lituânia conseguiu a proeza de fazer 5 metros em 11 segundos. Ãh?! 5 metros em 11 segundos! Tentem isto em casa, de gatas e sem joelheiras, e vão ver de que são feitos os pulsos e os joelhos desta criaturinha heróica. E do que é que esta menina precisou? Esteróides? Não. Um estádio inteiro cheio a aplaudi-la? Não. Um ordenado de milhões de euros? Não. Este aglomerado humano de 9 meses da mais virgem sabedoria precisou apenas dos bracinhos da mãe abertos no final da pista. Resta-me desejar que o Scolari, cheio de saudades de casa, esteja neste momento sintonizado na Antena 3 e que me esteja a ouvir revelar o mais misterioso dos segredos desportivos para que possa, hoje mesmo, inspirar-se tecnicamente no gatinhol. Vá lá, Mister, não custa nada: ponha lá a Senhora Dona Dolores Aveiro atrás das redes da baliza da Suiça e vai ver como não vão ser precisos mais de 11 segundos para a bola entrar.



publicado por condutoras de domingo às 11:20
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Domingo, 8 de Junho de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Vinicultura

Há quem precise, como o seleccionador nacional, de andar pelas televisões nacionais a pedinchar apoios para se dedicar à vinicultura; e há quem consiga, como Victoria Beckham, sem pedir nem nada, o mais legítimo dos apoios para se dedicar à vinicultura – o do maridinho. É verdade: David Beckham ofereceu a Victoria, no seu aniversário, uma espécie de “pack vinicultura”. Victoria abriu o pacotinho e saíram de lá uns quilómetros de vinha na Califórnia, uma equipa de trabalhadores, a ideia de produzir umas garrafitas de Chateau Posh e ainda a satisfação garantida da enorme paixão que a ex-Spice Girl tem pelo néctar dos deuses. É claro que a especulação boateira não se conteve, incapaz de compreender que Victoria é uma rapariga sofisticada e de gostos educados, que tem nos vinhos e não nos diamantes os seus melhores amigos. Rapidamente surgiram notícias a anunciar que a Sra. Beckham só consegue comer depois de beber uns copitos. Isto porque o estômago da rapariga está tão mirrado que precisa que o entusiasmem para reagir. Esta é talvez a melhor desculpa que já ouvi para beber vinho e é também a melhor estratégia para se conseguir um presente de anos à séria. Por exemplo, se José Sócrates, quando foi apanhado a fumar no avião, tivesse dito que precisava do cigarrito para lhe abrir o apetite por ter o estômago mirrado de tanto correr, não só teria poupado cerca de 10 mil euros como, ao regressar a casa, teria à sua espera um enorme presente da Tabaqueira S.A. - uma passadeira, feita de maços de Português Suave, estendida até ao infinito. É claro que Victoria, essa rapariga dinâmica, foi mais longe e conseguiu a própria da matéria-prima. Mas não vamos ser injustas com Sócrates! É muito mais fácil comprar vinha do que alcatrão, nicotina e monóxido de carbono! Para além disso, a ex-Spice não comanda um país inteiro; é apenas uma pop star com tempo para se dedicar à produção de Chateau Posh – um vinho certamente frutado, com um aroma ligeiramente ácido oscilando entre o Chanel Nº5 e a relva de um campo de futebol. Infelizmente, não vamos poder prová-lo. Por agora, é néctar criado só a pensar nos amigos. Mas temos esperança que dois dos representantes da nossa Nação guardem no coração o exemplo de Victoria. Sócrates, se seguir, de agora em diante, as leves pegadas de Madame Beckham, encontrará as desculpas de que precisa para justificar os seus lapsos infantis; e Scolari, depois de tanto insistir, encontrará apoio para se dedicar à vinicultura: das duas uma, ou arranja bilhetes a Beckham para assistir aos treinos da selecção nacional e em troca recebe uma garrafa de Chateau Posh, ou deixa de ingerir de alimentos até ficar tão seco que alguma alminha caridosa lhe dará uns trocos para uma garrafita de vinho de mesa.

 



publicado por condutoras de domingo às 11:17
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Domingo, 25 de Maio de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Refeitórios

O ministério da educação anda preocupado com o que os alunos comem na escola. Sim, já não vale a pena preocuparem-se com o resto. Livros de ponto e manuais escolares são já assunto fora de discussão, vamos agora concentrar-nos nos menus. Há cada vez mais alunos obesos, e cada vez mais entendidos do ministério a querer travar esta tendência. Mas a roda dos alimentos já não convence ninguém, toda a gente sabe os únicos círculos alimentares que interessam aos miúdos são os maltesers e os tazos que saem nas batatas fritas. Portugal devia seguir o exemplo doutros países europeus. Por exemplo, em Inglaterra, a qualidade da comida servida nas escolas entrou nos programas eleitorais dos candidatos a primeiro-ministro, e foram proibidos chocolates e refrigerantes com gás. Ainda bem que Sócrates não se lembrou de fazer isto por cá. O mais certo era, poucas semanas depois, ser apanhado a saborear um kinder bueno e a beber uma 7up, no pátio da sua escola secundária. Alegando que não sabia que a lei se aplicava a comida com nomes estrangeiros. Na Finlândia é costume os jornais publicarem a ementa que vai ser servida nas escolas, para os pais estarem a par da sua composição. Havia de ser giro cá. A mesma ementa, no 24 Horas surgiria como “Escândalo! Miúdos comem bacalhau com batatas na segunda e red fish na quarta-feira”, enquanto que o Público daria certamente mais destaque ao acompanhamento “Tubérculo é rei e senhor na corrente ementa”, diriam eles. Mas a medida que eu mais gostava de ver aplicada cá é a da Noruega. Os alunos levam comida de casa, geralmente sandwiches, o intervalo para almoço dura meia-hora e os estudantes não saem da sala de aula. Isto para além de não ser bom para a nutrição de ninguém – porque o mais certo era os miúdos levarem de casa umas sandes de cozido à portuguesa, também ia aumentar em muito o risco corrido pelos professores. É que estar com eles dentro duma sala a tentar dar aula já é perigoso. Imaginem dentro duma sala de refeições. A luta de comida seria o mais pequeno dos perigos. Aposto que se iam multiplicar no YouTube vídeos com miúdas histéricas gritando “dá-me a minha sande de torresmos já!”, enquanto outros coleguinhas batiam com pernas de frango e bifanas na professora. Enquanto estas medidas não são tomadas, as cantinas das escolas continuam mais parecidas com casas mortuárias. Não estou a insinuar que estejam lá congeladas coisas fora de prazo. Simplesmente são verdadeiros templos de silêncio e contemplação. Porque os alunos conhecem melhor a empregada do McDonalds do que a D. Neuza do refeitório. E vão ficar decerto felizes de saber que o McDonalds planeia lançar em breve o McTuga, ou seja, hamburguers de acordo com o gosto lusitano. Depois das famosas sopas, tememos que surja agora um McJaquinzinhoNuggets ou um Big Mac Bacalhau. A ver vamos…



publicado por condutoras de domingo às 11:25
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Domingo, 18 de Maio de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - ABC da Droga

O império do Instituto da Droga e da Toxicodependência contra-ataca. Depois de, no ano passado, estes senhores nos terem oferecido panfletos em que aconselhavam os consumidores de cocaína a “alternar a narina”, dirigem-se agora a um target mais novo. Todos aqueles que ainda não snifam coca mas estão ansiosos para concluir o 6º ano e deixarem a heroína. Os miúdos têm agora à disposição um dicionário do calão e da droga, no site tu-alinhas.pt. É um verdadeiro Acordo Ortográfico da toxicodependência. João Goulão, director do instituto, já está habituado a chocar de frente com poderosos e temíveis grupos sociais. Da outra vez tinham sido as famílias numerosas, agora são as associações de pais. Aposto que se seguirão os Hammerskin. Os encarregados de educação estão chocados com este dicionário, porque o consideram quase um manual. Por dizer coisas como: “queimar é aquecer com o isqueiro a heroína ou cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa cujo fumo será inalada com a ajuda de uma nota”. Não me parece que isto se aproxime nada do livro técnico. Soa-me muito mais a poesia. Há também um partido político que já se solidarizou com esta luta. Escusado dizer que é o CDS PP, visto que uma das entradas do dicionário define “Betinho” como “aquele que não se droga. Conservador e desinteressante”, e a malta do partido popular defende que betinho é pessoa que usa mocassins, risca ao lado e pólos da Gant. Com o mesmo significado de betinho há também “cocó” ou “careta” – tudo malta que não consome droga e é considerada desprezível. Cá para nós é malta que viveu a adolescência nos anos 50, porque desde então que ninguém chama “careta” a ninguém. Eu aprendi muita coisa com este dicionário. Por exemplo que Extroversão é capacidade de comunicação ou que Xamanismo é o conjunto de práticas aplicadas, relacionadas com as concepções cosmogónicas e com um conhecimento experimental codificado. Arrisco-me a dizer que o autor do dicionário estava high on drugs quando escreveu isto. Explica também o que é menstruação, desidratação, enfim, com sorte até encontramos o significado da vida aqui. Uma coisa é certa – aprendemos uma nova língua. Vejam lá se percebem isto: Vou ter com o camelo para ele me baptizar. Ele dá-me o açúcar, depois vou dar um bacalhau e fumo uma cassete. Acabei de dizer: Vou ter com um correio internacional de droga para me iniciar na droga, ele dá-me heroína, depois vou injectá-la e fumo um charro. E ainda dizem que os miúdos não aprendem nada na escola. Saem de lá poliglotas, mesmo sem ir às aulas. Até porque diz aqui que falta é carência de droga e História é sinónimo de mentira, por isso não interessa mesmo frequentar aulas seja do que for.



publicado por condutoras de domingo às 11:19
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Domingo, 20 de Abril de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Papa World Tour

Há várias formas de apreciar a religião-espectáculo. Há quem goste de reuniões de Cura Interior no Templo Maior da IURD, ali em Chelas, há quem prefira convidar as testemunhas de Jeová a entrar e tomar um cafezinho, há quem se pele por um discurso inflamado do Padre Vítor Melícias. Eu gosto mais de entretenimento mainstream por isso deixo a religião made in Portugal e concentro-me no Papa World Tour. É a verdadeira feira popular da religião, melhor que Fátima a 13 de Maio. Nesta digressão nos EUA todas as áreas do lazer vão ser cobertas. Para os amantes da moda, nada melhor do que ver a indumentária do Papa, sempre atento às últimas tendências. A brancura das vestes a contrastar com o vermelho dos sapatos, num compromisso entre Rita Red Shoes e Noddy. É soberbo, e caso para dizer: “The Pope wears prada”. Para os aficionados do automobilismo, não há momento mais alto do que a entrada no Papa Mobile, que deixa felizes também os coleccionadores de banda desenhada. É que ficamos sempre à espera que apareça Robin, um fiel ajudante do Papa, e arranquem a grande velocidade. Aliás, o próprio nome do Papa dava para personagem animada, embora faça lembrar mais o universo dos Moto-Ratos de Marte. Joseph Ratzinger. Também dá para estrela pop. Já estou a ver “Ratzinger and the innocent criminals”. Nome de encher estádios não é? É mesmo. Que o itinerário do Papa inclui um encontro com jovens universitários e duas missas campais, no Estádio Nacional de Washington e no dos Yankees. Isto corresponde a uma actuação na semana académica e dois concertos – no Jamor e no Alvalade XXI. No Estádio de Washington foram precisos mais de 500 trabalhadores, para cobrir a relva de soalho e construir um altar gigante, com fundo dourado e um crucifixo. Esta malta toda dava para montar uma dúzia de Vilar de Mouros e Sudoestes, e em poucos minutos despachava cenários para os próximos 100 Globos de Ouro, que obedecem ao mesmo género. Mas eu não sou pessoa de gostar da música só pelo barulho. Gosto de ouvir a letra, por isso interessa-me o que diz Bento XVI. E já avançou novidades em 1ª mão “os pedófilos não podem ser padres”. Ai não? E agora? Anda aí muita gente ao engano. Como é que Ratzinger pretende fazer a triagem? Num inquérito à entrada do seminário, tipo de alfândega, para saber ao que vêm? “Pleasure or business?”. Numa versão mais eclesiástica: “vocação ou perversão?”. Evitava-se assim que Padres Fredericos por esse mundo fora errassem na escolha da carreira. É tudo uma questão de falta de informação, e é profundamente triste ver jovens enveredar pela profissão errada. Uma última pergunta: para quando Ratzinger no Rock in Rio?



publicado por condutoras de domingo às 11:29
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Domingo, 13 de Abril de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Prémios
Há uma nova teoria da evolução: começa nos hamburgeres do McDonalds, passa pela fase telemóvel e termina no dinheiro vivo. É a teoria da evolução dos prémios para os bons alunos e tem sido posta em prática nos Estados Unidos. Ora, nós aqui nas Condutoras de Domingo andámos a meditar e achamos que esta política devia ser aplicada em Portugal. Desde logo porque passávamos a ter alunos menos hipócritas, capazes de assumir de uma vez por todas que se estão a borrifar para o “gosto de aprender” e apenas querem ser recompensados pelas suas eventuais boas notas, assiduidade e bom comportamento. Porém, há que agir com cautela na transposição destas medidas para o nosso país, até porque esta parte das “boas notas, assiduidade e bom comportamento” torna-a assaz complicada. Seriam apenas meios para atingir um fim interesseiro e, como é bem sabido, aquilo em que se andam a especializar os alunos portugueses é nos fins interesseiros. Assim sendo, quanto mais aliciantes estes forem, mais sucesso terão estas medidas entre nós. Ou seja, há que esquecer de imediato os hamburgueres do McDonalds. Só têm contras. Custam um euro, coisa que se consegue sem trabalho e com o singelo abanar de um parquímetro. E, pior, engordam, o que arruina os looks teens dos nossos alunos de liceu: nem elas iam caber nos jeans Bershka nem eles iam conseguir manter as calças na zona da anca de onde se avista metade dos boxers, porque simplesmente deixavam de ter anca. De igual forma, desaconselhamos a fase telemóvel. É bem sabido que estamos a atravessar um período delicado no capítulo «O telemóvel na história do ensino português» e, uma vez que nos Estados Unidos os telefones portáteis oferecidos aos alunos estão equipados com sistemas de envio de sms pelos professores, a probabilidade de esta política falhar entre nós aumentaria cerca de 99%. Em apenas um dia, os professores seriam certamente insultados com “risonhos” em posições pornográficas, enviados em mensagens com uma profusão tal de “Ks” que nem o acordo ortográfico conseguirira reabilitar. Por isso, e tendo em conta, por um lado, o estado das finanças públicas e, por outro, o nível do ensino nacional, concluímos que o melhor é recompensar os bons alunos, os se portam bem e que têm «Excelentes», com notas de 100 euros. É a única maneira de o Estado não gastar muito dinheiro com isto e de, para além disso, combater a criminalidade. Será o fim dos sacos de moedas gamados aos taxistas; será o fim dos assaltos a velhinhas no metro. Ser aluno, afinal, é mesmo a mais nobre profissão do mundo.


publicado por condutoras de domingo às 11:52
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De Encontro ao Pára-Brisas - Blogs que Matam
Parece que escrever em blogs pode matar. E não, não estou a falar daqueles casos em fazemos um post ultrajante sobre a namorada do nosso ex, e ela nos aparece à porta, com faca de legumes em riste. Os blogs podem matar na solidão do lar, com mais eficácia que uma caixa de barbitúricos ou um cinto atado ao pescoço. Este tema começou a ser discutido porque faleceram dois americanos, bloggers profissionais, vítimas de ataques de coração. Ora bem… Quer-me parecer que a verdadeira causa de doença é passarem o dia com o rabo numa cadeira, a comer cachorros, a sujar o teclado de ketchup e a ver vídeos com animais que cantam no YouTube. Sim, porque é esta a dura rotina diária de alguém que se diz profissional dos blogs. Aposto que neste momento já há na blogosfera imensos questionários a perguntar “sente que vai morrer a teclar nos próximos dias?”. Michael Arrington já respondeu. Ele é responsável por um dos blogs tecnológicos mais famosos da América e disse “a uma certa altura vou ter um esgotamento nervoso e serei internado num hospital ou algo do género”. Além de jeito para código html este senhor dá cartas na futurologia. Bem podia desligar o computador, arejar um bocadinho e dar umas consultas. Qualquer ramo das ciências ocultas faz melhor ao colesterol que a vida de blogger. Dizem os especialistas que a pressão de escrever as mais recentes novidades a toda a hora aumenta factores de risco, como o stress. Nós sabemos que já há quem sofra desta patologia em Portugal. Nuno Markl, por exemplo, teve dores psicossomáticas quando faltou a electricidade a meio de um post, e um transtorno de ansiedade quando foi almoçar fora e não pôde relatar, em tempo real, o prato escolhido e a indecisão vivida no momento da sobremesa. Cheesecake ou toucinho-do-céu? Foram momentos tremendos, esses, sobretudo por saber que havia toda uma legião de fãs, sedentos, em frente aos seus computadores, esperando qualquer coisa para comentar. É isso que a comunidade científica ainda não descobriu, mas que as Condutoras de Domingo avançam aqui em primeira-mão. Só há uma profissão mais perigosa do que a de blogger. A de comentador de blog. Esta actividade ocupa metade da população nacional e tem graves efeitos secundários. Ao nível da motricidade fina dos dedos e das relações sociais. Sem recurso a smiles amarelos e animações com ursinhos, as pessoas deixam de ser capazes de falar. A única consolação que resta a estes devotos dos blogues, na hora da sua morte, é a de uma lápide original e a esperança da ressurreição (ou de um reset). É que nas campas desta gente muitas vezes lê-se “humilde servidor de Deus temporariamente indisponível”. 


publicado por condutoras de domingo às 11:40
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Domingo, 6 de Abril de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - LIDL
Nos 2 últimos anos, as Lojas LIDL na Alemanha contrataram detectives privados para controlar os hábitos dos trabalhadores. Através de câmaras foram registadas informações tão fascinantes como a do empregado que só tinha 85 cêntimos de saldo no telemóvel ou o outro que tem amigos drogados. Nós pensávamos que a eficácia e rigor alemães só se reflectiam na qualidade dos iogurtes, mas errámos. Os directores do LIDL defendem esta atitude com a necessidade de controlar os furtos dentro das instalações, e pediram desculpa, para o caso de algum empregado se ter sentido “pessoalmente atingido”. Bem, assim de repente, não nos parece muito agradável ter um relatório inteiro a nosso respeito. Demonstra alguma atenção, e até carinho mas na prática assemelha-se à daquelas mães de adolescentes que abrem a correspondência, espiam as conversas na net e os perseguem para as discotecas. Tudo pelo bem deles, claro! Esta malta do LIDL eleva o termo picuinhas a todo um novo patamar. Ninguém diria, a avaliar pelo caos que se vive naquelas prateleiras, em que facilmente uma sobremesa láctea convive com umas peúgas antracite, ambos na zona dos enchidos. Mas se relembrarmos outra das histórias da semana, percebemos que eles são… como dizer? Meticulosos! Cá em Portugal processaram Nazaré Gomes, uma senhora de 70 anos, por ter roubado um creme hidratante no astronómico valor 1 euro e 36 cêntimos. Ao que parece, a senhora quis pagá-lo na altura, mas eles preferiram chamar a GNR. Realmente tem promoções fantásticas, este LIDL. Uma pessoa vai lá fazer as compras do mês e habilita-se a ganhar um processo-crime, ou uma biografia completa e detalhada. Incluindo um inventário sobre o conteúdo da mala, a cor das meias e a saudação com que atende o telefone. Acho que deviam até passar a anunciar estas coisas na Dica da Semana, em vez daquelas manchetes com carne para grelhar. As duas histórias têm um factor comum: o recuo no último momento. A ladra velhota, que já tinha passado a fase de inquérito e ia ser julgada, viu a queixa ser retirada na véspera. Quanto à espionagem, logo agora que tinham ali uma ideia com pano para mangas, para um reality show, desistiram. A coisa podia crescer, montar-se um confessionário junto aos congelados, contratar uma Teresa Guilherme mais barata, tipo marca branca, e até votar em quem saía do LIDL. Podíamos fazer tanta coisa, e o máximo que faremos é ir comprar enlatados. E sorrir muito. Porque além de estarmos a ser filmados podemos estar a ser avaliados. Não estranhe se na próxima ida às compras, a funcionária da caixa lhe der os parabéns e levantar uma plaquinha a dizer “oito”, como na patinagem artística. 


publicado por condutoras de domingo às 11:49
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Domingo, 30 de Março de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Multas
Todos nós aspiramos à riqueza. Seja preenchendo religiosamente o boletim do Euromilhões e rogando pragas à nossa mãe por não termos nascido no dia que nos faria ter eleito determinado número certeiro como o “da sorte”; seja tentando ter um emprego que nos garanta dinheiro a rodos na conta bancária com direito àqueles cartões de crédito dourados e tudo. E há profissões que associamos à riqueza. Algumas são mais difíceis de atingir – como ser rei de um país cheio de petróleo ou dono de um império de hipermercados ou criador de unicórnios. Mas outras parecem-nos quase possíveis. Como ser advogado, por exemplo. Ser advogado só pode dar dinheiro a rodos. Caso contrário, porque raio é que nove em cada dez pais querem que os filhos vão para Direito? Por isso, foi com alguma consternação que vimos esta semana um mito cair por terra. Afinal, ser advogado não é a vida de fotografias na Caras ao lado de tapeçarias com faisões que vemos por aí. Aliás, um advogado pode ganhar ainda menos do que o miúdo com acne e caspa que frita batatas no McDonalds´s e mete bonecos do Shrek no Happy Meal. Um grupo de trinta e dois advogados vai trabalhar na Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária para tentar evitar a prescrição de multas de trânsito. E o que é que cada advogado resolve por resolver estes casos? A estonteante quantia de um euro e sessenta e sete cêntimos por multa. Ora um euro e sessenta e sete cêntimos vale menos do que aqueles 25 paus que nos davam para comprar rebuçados quando éramos miúdas. Dá para uma bica e um 24 Horas e pouco mais. Para poderem comer um mísero mini-prato ao almoço, têm de resolver pelo menos três multas – e isto se não tiverem aspirações a coroar esse mini-prato com um pudim flan como sobremesa. É de uma pobreza franciscana que até mete dó. De tal maneira que as Condutoras deixam o apelo: por favor, automobilistas deste país, causem mais multas de trânsito. Se todos contribuirmos, estes advogados vão ter uma vida mais feliz.
 


publicado por condutoras de domingo às 11:19
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De Encontro ao Pára-Brisas - O Plágio
E eu que andava convencida de que o plágio era uma prática mais frequente no meio literário e mais apreciada em casa de Clara Pinto Correia?! Estava enganada! O plágio, como qualquer hábito pouco escrupuloso e muito preguiçoso, é coisa para ter tanta procura como um Big Mac e para se espalhar por todas as áreas criativas como um cancro maligno em organismo humano. Se acham que não, então fiquem sabendo que o fabuloso fashion designer Marc Jacobs, director criativo da não menos fabulosa casa Louis Vuitton, plagiou a estampa de um lenço. Senhoras e senhores, é o escândalo! E quem o causou não foi necessariamente o autor do plágio, pobre desse que sai sempre ileso, mas sim um indignado sueco de 55 anos que vive em Arvika, ou seja, num local de que nunca ouvimos falar. O homem, o seu bigode, os seus óculos e a sua camisola com borboto à vista (vão ao nosso blogue comprovar o que digo!) têm tudo menos ar de quem sabe o que anda Marc Jacobs a criar. Mas o que é certo é que estava o designer americano todo satisfeito a vender lencinhos de seda a 150 dólares quando, no outro extremo da moda ocidental, se ouviu uma voz sueca, gritando a plenos pulmões que os direitos da estampa eram dele. Göran Olofsson olhou para a criação de Jacobs e vieram-lhe à memória as cores de um lenço que o pai dele, o senhor Gösta, tinha criado em 1950. Ora aí está uma boa lição para Marc Jacobs. Lá porque o pessoal da moda passe a vida de canudinho em punho e ganza na mão, vivendo por estações, caminhando por tendências e tendo uma noção de passado e memória muito pouco elástica, não significa que um sueco da província se esqueça do que a família andou a fazer há mais de meio século. Não, não! O homem lembrava-se e bem. E mais: guardava, ainda intacto e sem buraco de traça, o lencinho criado pelo pai. E, com ele estendido, decidiu comunicar ao mundo que este é um claro caso de plágio. Convenhamos que a manobra de Marc Jacobs não foi nada inteligente. Então o homem, que é americano, vai plagiar uma estampa típica de uma região sueca?! Então o homem, que é urbano da cabeça aos pés, vai copiar motivos pitorescos e campestres, com igrejas, flores e ursos?! Então o homem vai imitar um souvenir de Linsell?! O único cuidado que o designer teve foi mesmo substituir o nome da vila pelo dele e, claro, dar um acabamento mais sofisticado à coisa. E, pronto, até agora, ao que parece, não disse mais nada. Fica o sueco a aguardar o pagamento dos direitos e satisfeito por poder finalmente anunciar  que o pai foi um homem à frente do seu tempo. Já Marc Jacobs poderá ser encontrado, de agora em diante, numa banca da feira de Carcavelos, gritando a boa voz «Olha o lencinho autêntico!».



publicado por condutoras de domingo às 11:16
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Domingo, 23 de Março de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Leilões
Anda tudo obcecado com leilões de beneficência. “Tudo” é como quem diz; os obcecados são os ricos e poderosos deste mundo, gente com uma quantidade valente de tostões para dar a troco de publicidade gratuita e boa imagem. Apanharam esta febre dos leilões Madonna e a filha de 11 anos, Uma Thurman e o namorado, Salma Hayek, Anna Wintour, Tom Cruise, Katie Holmes, enfim, uma mão cheia de gente rica, poderosa e, claro, superficial. É que nunca os leilões foram tão fúteis como agora. Reparem bem: num jantar de gala organizado por Madonna e pela Gucci para ajudar o Malawi, uma das preciosidades leiloadas foi uma sessão de treino privado com David Beckham, sessão essa arrematada por Salma Hayek por 350 mil dólares. Esperemos que os dois suem as estopinhas, que façam muitos pinos e dêem muitas cambalhotas. Falo em sentido literal, obviamente.


Afinal, poucos são os que se sujeitam a tanto sacrifício em nome do Malawi! E, na verdade, sempre é mais útil ao Malawi haver alguém que treine os biceps e os triceps para eventualmente um dia ir trabalhar nos campos de cereais do que alguém que, pela mesma causa, saque uma mala Gucci por 60 mil dólares só porque nela vai poder inscrever o próprio nome. Foi o que conseguiu o tal namorado da Uma Thurman, que deve ter saído do leilão formoso, seguro e completamente gay (feliz, claro). Mais frustrada saiu a filha de Madonna. A Madonnita falhou uns bilhetes para o programa American Idol, coisa que, como se sabe, pode abalar o universo de uma pré-adolescente americana. Só com umas boas doses de Prozac é que a miúda se vai salvar da depressão. Até porque os bilhetes apenas custaram 95 mil dólares e não há direito de ser privada de ajudar o Malawi por essa ninharia. É desta matéria e destes materiais de alta qualidade que são feitos os actuais leilões de beneficiência; disso e de muitas mais coisas estúpidas vendidas em nome das melhores causas. Um sinal, ou melhor, uma gigantesca verruga dos nossos tempos sem propósitos desinteressados. Pudera! Quem não teria segundas intenções se pudesse ter David Beckham a puxar-lhe pela perna numa sessão de stretching?! E, ainda por cima, ficando, assim mesmo, de perna alçada, com fama de “gente boa”. Ah! Que bom é ser estúpido e, no entanto, solidário. Ou talvez não, que isso é coisa do passado e só me faz recuar aos anos 80, quando ouvia a vizinha do lado dizer que o Marco Paulo, apesar de piroso, ajudava muito as criancinhas. Ou seja, talvez o que seja mesmo bom é ser solidário e, no entanto, estúpido. Nos tempos que correm, nada mais legítimo.
 


publicado por condutoras de domingo às 10:37
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Domingo, 16 de Março de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Até Chovem Cães
Os anglo-saxónicos têm uma expressão para os dias muito chuvosos que reza “it´s raining cats and dogs” – ou “estão a chover cães e gatos”. Daí o não termos estranhado muito ao vermos esta semana no nosso adorado 24 Horas o título “Até chovem cães”. Achámos que se tratava de mais uma menção a um qualquer alerta amarelo ou fushia às pintinhas por causa do mau tempo. Mas não: o jornal referia-se mesmo ao animal, ao melhor amigo do homem. É mesmo um aglomerado de pêlos, cauda, focinho e coleira que caia do céu. E como é isto possível? Por causa de algo que já parece um desporto nacional: atirar coisas da Ponte 25 de Abril. A Junta de Freguesia de Alcântara contabiliza já rodas, latas, garrafas, jantes de camião, tinta e pedras no top de tralhas mais atiradas ponte abaixo. Mas até já mesmo um cão foi alvo do mesmo trato. Pensamos que só pode ter sido, por certo, obra de uma alma caridosa e bem intencionada. Ouvem-se tantas campanhas a apelar para que as pessoas não abandonem os animais nas beiras das estradas, que alguém resolveu ser cumpridor e atirar antes o cão pela borda fora – em vez de ficar especado na dita estrada. Assim, em pleno Tejo, o bicharoco não morria de sede e podia ainda comer uma ou outra nutritiva tainha para sobreviver. E talvez crescer-lhe uma cauda extra, fruto de uma divertida mutação causada pelo estado da água. Veja-se Marcelo Rebelo de Sousa, que andou lá a dar braçadas e até hoje não consegue dormir mais de quatro horas.De fora da listagem do 24 Horas ficou outra coisa que cai imenso da ponte: os suicidas. E estes sim, são de uma poluição escandalosa. É que se uma pessoa encontrar um pneu a boiar, pode com ele fazer um lindo baloiço para as crianças ou uma base para vasos. Mas agora que raio de utilidade tem o corpo sem vida de um vendedor de seguros encornado que resolveu ir desta para melhor? Em Domingo de maratona na ponte, as Condutoras não querem de deixar de apelar: por favor, não atire o queniano que vai à sua frente ponte abaixo. O fair play é uma coisa muito bonita ... e dar-lhe com a lata grátis de bebida energética na tola serve perfeitamente.


publicado por condutoras de domingo às 11:40
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De Encontro ao Pára-Brisas - Casamento
Sempre me disseram que “a casamento e baptizado não vás sem ser convidado”. Mas pelos vistos ninguém usava este provérbio lá em Boliqueime, quando o nosso presidente da república era pequenino… É que Cavaco Silva, nestas suas férias no Brasil, achou por bem interromper um casamento. Fernanda e Guilherme são um casal brasileiro, como qualquer outro. Ou seja: comem picanha e goiabada, dançam samba, ouvem pagode e têm uma bisavó transmontana. Embora não saibam em que ilha da Europa fica Portugal, e pensem que nós cá falamos brasileiro com sotaque. O mais provável é que eles não fizessem ideia de quem era o Sr. Silva. Até porque Silvas é o que mais há, e normalmente são donos de lanchonetes. Pois agora, não mais se vão esquecer de Aníbal Cavaco Silva. Não vão é recordá-lo como Presidente da República, mas sim como… fura casamentos! Vamos lá contar as coisas como elas se passaram. Cavaco e Maria chegaram ao Brasil e resolveram oferecer um concerto da Teresa Salgueiro. Coisa feia, entrar logo assim a matar. Claro que os brasileiros não são malta de se ficar, e o prefeito do Rio de Janeiro ripostou com um concerto na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. O nível de tédio era semelhante, estava tudo estudado para ficarem quites. O pormenor que faz a diferença é que na igreja ao lado estava marcado um casamento. Ora, com as ruas todas cortadas por questões de segurança, noivos e convidados tiveram de andar km para chegar à igreja. Acho que pela 1ª vez na história ninguém apanhou seca à espera da noiva. Só o Padre esperou sentado, por toda a gente. Para o noivo a via-sacra começou ainda antes de dizer o “sim”, porque fazer aquela caminhada toda com sapatinhos de casório “não é mole não”. Uma coisa é certa: sempre tiveram mais aparato mediático na festa do que o Pedro Miguel Reis e a Fernanda Serrano. No meio disto, a confusão foi tanta que membros da comitiva de Cavaco chegaram a entrar no casamento. Ao que parece o presidente da Câmara lisboeta, resolveu inspirar-se para as noivas de Santo António e entrou na igreja para espreitar o vestido. Nada que espante. Já a sua mulher gosta de se infiltrar em comemorações alheias, como a manifestação dos professores. Mas sabemos que António Costa não foi o único infiltrado na boda. O ministro da cultura atirou generosas doses de arroz aos noivos, Maria e Cavaco penduraram tule no Mercedes e seguiram-nos até ao copo de água, buzinando sem parar. No jantar, apreciaram muitíssimo a mesa de queijos e bateram efusivamente nos copos, gritando “beija, beija!”. Cavaco prova assim que apesar de não conhecer os nossos ditados populares, é um digno defensor das melhores tradições portuguesas.


publicado por condutoras de domingo às 11:16
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Domingo, 9 de Março de 2008
De Encontro ao Pára-Brisas - Parque Mayer
Há quem pense que a única coisa de interessante que se passa no Parque Mayer é a Revista Hip Hop’arque. Mentira. Em primeiro lugar, porque “interessante” não é o termo. Actividades em que entram a Marina Mota e o Carlos Cunha podem provocar-nos uma alegria esfusiante mas não despertam “interesse”. Continuando: pelo Parque Mayer passam muitas mais coisas, sobretudo ideias de conceituados arquitectos da nossa praça. O presidente da Câmara de Lisboa anunciou as cinco propostas vencedoras para a reabilitação do Parque Mayer. E há ideias para todos os gostos! Desde hotéis até spas, passando por restaurantes, residências artísticas, centros de exposições. Nós não queremos ser do contra, mas isto é mesmo parecido com o que aquele senhor… como é que se chamava? Frank Gehry, acho que era isso, apresentou há uns meses atrás. Mas António Costa não queria projectos megalómanos para o Parque Mayer. Por isso optou por estas ideias, que só prevêem hotéis de luxo e um funicular. Eu não sei o que vocês acham, mas a mim funicular faz-me sempre lembrar neve. E isso dá-me uma ideia muito mais engraçada para o dito parque Mayer, e zona envolvente. Porque não construir uma estância de Ski? Começava ali no Príncipe Real – até porque “Rua do Sol ao Rato” é um nome com tanta ênfase como Formigal ou Pas de La Casa. A Escola Politécnica podia passar a escola de Ski e Snowboard, e na Praça da Alegria podiam estar as pistas pretas, as mais difíceis de descer. No caso do executivo lisboeta temer, de morte, os autarcas de Seia e Gouveia, e não querer fazer frente à Serra da Estrela, há opções mais pacíficas. Nós aqui nas Condutoras não percebemos muito de plantas e alçados, mas fizemos umas propostas à maneira. Podemos criar o Parque Natural de Mayer, com muitas espécies selvagens em habitat protegido. Não é preciso ir recolher os espécimes muito longe: há vários entre o Maxime e o Teatro Maria Vitória. Outra ideia é voltar às origens e fazer uma Feira Popular. Mas em bom. Nada de lagarta gigante e chávenas que andam à volta. Na senda dos inteligentes records nacionais, tinha de vender o maior churro da Europa ou ter a Passagem do Terror mais assustadora da Península Ibérica. Pelo menos! Aproveitando os prados verdejantes do Jardim Botânico pode inaugurar-se o Parque Mayer Naturista. O Meco está fora de moda e os nudistas sonham com uma Colina do Sol à portuguesa. Era bonito fazer-lhes o jeitinho e deixar famílias em pelota ir conhecer as hortênsias, as acácias, o herbário… Outra possibilidade é criar o Mayer Parque, nome que está mesmo a pedir um Centro Comercial. Isso sim, faz muita falta. É que chega a haver 2km em Lisboa sem uma loja da Natura!
 


publicado por condutoras de domingo às 11:21
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