as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
escreva-nos para
condutoras@programas.rdp.pt
podcast
Ouça os programas aqui
percursos recentes

Estação de Serviço - Limp...

Estação de Serviço - Bimb...

Estação de Serviço - Nike...

Estação de Serviço - Gati...

Estação de Serviço - Fast...

Estação de Serviço - Ron ...

Estação de Serviço - Glob...

Estação de Serviço - Mold...

Estação de Serviço - Meu ...

Estação de Serviço - Idei...

Estação de Serviço - Talh...

Estação de Serviço - Kevi...

Estação de Serviço - Bomb...

Estação de Serviço - Natu...

viagens antigas

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007


Domingo, 20 de Abril de 2008
Estação de Serviço - Limpa Dentaduras
Temos conhecido estações de serviço de norte a sul do país. E se são lindas! Há as mais contemporâneas, as mais barrocas, mais góticas… Mas têm alguns traços em comum. Como o mostrador de cassetes, a arca de gelados e a secção das pastilhas elásticas. Muitas delas têm até máquinas com escova de dentes e pasta, o que é útil, sim senhor, para quem tem dentes de verdade. Mas então, o que faz essa enorme fatia da população que usa dentadura, e que nem por isso abdica da também larga fatia de bolo de ananás, na área de serviço? Nisso ninguém pensa, não é? Mas depois também ninguém quer continuar viagem com a tia-avó, se ela entre o canino e o incisivo tiver fios de ananás pendurados. É por estas e por outras que ao pé da secção de revistas vai surgir em breve uma secção de “familiares usados”, onde as pessoas deixam os entes queridos com placas pouco higienizadas. Ora este é um flagelo de que ninguém fala, mas ao qual as condutoras de domingo não podiam ficar indiferentes. Por isso, trago hoje o Limpa-dentaduras electrónico, artigo que se vende na Dmail por 9.90€ e funciona com 2 pilhas não incluídas. Esta tecnologia de ponta permite limpar dentaduras em poucos minutos, recorrendo a um interruptor nunca antes visto – funciona posição ON e desliga-se na posição OFF. Os avanços da técnica não param de nos surpreender. Mas há mais. O folheto informativo diz-nos que isto é um Limpa-jóias electrónico, que trata de colares, brincos, anéis, ornamentos em ouro e prata. Isto leva-me a crer que pomos lá dentro uma prótese dentária vulgar, e saímos de lá com mais dentes de ouro que o malfeitor do Sozinho em Casa. É que este aparelho promete “conservar o aspecto brilhante e novo dos seus ornamentos preciosos”. E uma pessoa sente-se elogiada, de ouvir chamar aos seus dentes falsos “ornamentos preciosos”. Boa educação e cortesia nunca ficaram mal a ninguém. Por isso acho que os inventores desta geringonça têm tudo para suplantar os gigantes da área. Desde o Tide, que prometia um mero branco mais branco não há, até ao mítico Corega Tabs, que tem anúncios com malta esfusiante. Tudo isso fica a milhas de distância quando há quem compare uma velha dentadura a uma jóia valiosa. Claro que a implementação deste aparelho vai ser polémica, porque ameaça uma tradição ancestral portuguesa. A da dentadura exposta dentro dum copo de água, à refeição. Mas também já nos levaram os touros de morte e proibiram a mioleira, viveremos bem sem ver boiar os restos de bolo alimentar do nosso avô.


publicado por condutoras de domingo às 11:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 6 de Abril de 2008
Estação de Serviço - Bimby
Antigamente toda a gente tinha uma empregada com aquelas fardas com gola de renda. Hoje, criadas de avental só sobrevivem em telenovelas, e o que toda a gente tem é uma Bimby. Sim, estou a comparar uma máquina com as governantas, não só porque ela faz tudo e mais alguma coisa, mas porque os donos a tratam com mais humanidade. Descrevem-na como “ajudante de cozinha imbatível, 12 vezes patenteada, inovadora e sem rival”. Nunca vi ninguém falar de forma tão apaixonada duma funcionária. Mas também é verdade que não conheço nenhuma que pique, rale, corte, bata, amasse, moa, triture, pese, emulsione, cozinhe até a vapor e se lave sozinha. Bem, esta parte da higiene pessoal já não sei. Mas de que nos serve uma empregada que limpa até as orelhas e o umbigo, se depois não é multifunções? A verdade é que por trás da Bimby se esconde um poderoso sistema, com malta que entrega a vida a esta causa, e vai por aí fora, levar a mensagem do robot de cozinha. Dizem-se “agentes por convicção”. É aqui que reside a grande diferença. Nunca ouvimos ninguém dizer que é agente da D. Maria de Fátima e publicitar o seu polvo à lagareiro em 5 minutos. À falta dum sindicato das domésticas portuguesas, a Bimby tem toda uma tropa de convertidos que deixa família e trabalho e entrega a sua vida à perfeição deste instrumento. Todos conhecemos pessoas assim: já não nos convidam para jantar, avisam que a Bimby vai dar um jantar lá em casa. Nesse momento tememos que na próxima vez seja a própria da Bimby a telefonar-nos. Nunca sabemos se não vamos ser os próximos a cair em tentação. É um momento quase tão marcante e incontornável como o primeiro emprego ou o casamento. A demonstração da Bimby. Chegando lá, sabemos que não vamos conseguir recusar. Não há relato de ninguém que tenha saído ileso. Ao fim do 3º prato cozinhado em minutos, já estamos a fazer contas à vida e aos créditos. E a contrair mais um empréstimo, só porque a Bimby faz granizado de morango, coisa tão útil. Depois disto, é todo um ritual. Deitar fora o arsenal de tachos, panelas, oferecer os electrodomésticos aos sem-abrigo (o que é parvo, porque eles não usam tomadas), deixar de ir a eventos sociais para conhecer melhor a Bimby, os seus gostos e anseios. Mas tudo isto pode mudar. Num segundo. Porquê? Porque a maravilhosa Bimby pode estragar-se! É verdade. Têm saído avisos na imprensa sobre o modelo TM31, que foi vendido nos últimos anos com defeito e não cumpre os padrões de segurança. Não são descritos acidentes mas já imagino mães de família transformadas em strogonof e homens cozinhados na velocidade 3, quando queriam apenas fazer uma omelete.


publicado por condutoras de domingo às 12:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 30 de Março de 2008
Estação de Serviço - Nike Brother
Hoje a paragem na estação de serviço será breve. Porque o lema aqui é “pegar ou largar”. Nós achávamos que estava tudo dito no domínio do calçado, depois de termos ouvido os slogans da Seaside na rádio, e de termos visto Diana Chaves e Rodrigo Menezes pegando de modo sensual, quase lascivo, em sandálias e sabrinas. Achávamos isso até conhecermos o site www.nikebrother.com. E é mesmo de um irmão da conhecida marca de ténis que se trata. Mas é um daqueles filhos bastardos que os pais escondem anos a fio. Digamos que está para a Nike como a Ana Ribeiro está para a Alexandra Lencastre… Este bazar electrónico é o corolário lógico de milhares de feiras e armazéns de contrafacção. Depois de séculos a comprar ténis “Ardidas” e “Naike” (com ai) em tendas e barracas sem quaisquer condições, podemos finalmente fazê-lo sem sair de casa! E por preços ainda mais acessíveis que os praticados pela família do Quaresma. Outra grande vantagem é que as marcas vêm realmente bem escritas. Podemos comprar uns sapatinhos com o logótipo D&G que não diga “Doce Cabana” e uns ténis Lacoste que tenham realmente um crocodilo bordado e não uma anaconda. Mas tantos benefícios tinham de trazer algum “senão”. Pois tinham. Os preços são convidativos de facto… Cerca de 37 euros por calçado topo de gama… Mas… A encomenda mínima são doze pares. Iguais. Por isso, das duas uma: ou conhecemos uma equipa de andebol juvenil que calce toda o mesmo número, ou gostamos tanto mas tanto daquele modelo que não vamos usar outros ténis nos próximos 12 anos. Outra curiosidade desta loja é que se quisermos falar com o gerente, não o mandamos chamar. Adicionamo-lo no Messenger. O mail é um nada suspeito zzs62668@hotmail.com. Nós temos um certo nível de exigência nos nossos contactos por isso não adicionámos estes senhores. Mas felizmente há quem não tenha. A malta do 24Horas por exemplo, que chegou à fala com o patrão da Nike Brother. Ele garantiu que os sapatos não são contrafacção. Claro que não. Vendem-se mais baratos que um pão de kilo por mera boa vontade. Este empresário chinês só quer que a população ocidental esteja bem calçada. E vestida! Que também se vendem casacos Coogi Hoody, fatos de treino Juicy Suit e camisolas Evisu. E perguntam vocês: essas marcas são conhecidas? Que eu saiba, não. Mas para terem candonga é porque são boas. Nunca ninguém viu falsificações de camisas C&A ou meias da H&M.


publicado por condutoras de domingo às 11:38
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Domingo, 16 de Março de 2008
Estação de Serviço - Gatinhos
Eu acredito que há uma grande fatia da população que padece de figuras de estilo. A sério. Quase toda a classe política sofre de paradoxo grave, os modelos e apresentadores de TV apresentam claros sintomas de sinédoque – a parte pelo todo, a PJ e os juízes padecem de hipálage, atribuem constantemente a um ser uma qualidade ou acção que logicamente pertence a outro. E pronto, esta é a fase em que vocês pensam “já a perdemos”. Isto não era uma paragem descontraída na estação de serviço? Para eu falar de objectos inúteis? Era. E é. Mas tinha que fazer este intróito assim – usando a palavra intróito e tudo – para vos expor a minha teoria. Os responsáveis dessa grandiosa loja que é a Dmail também têm maleitas graves. Contraíram animismo. Atribuem qualidades humanas a todos os animais. Esta doença é acompanhada normalmente de febres altas e de utilização excessiva de diminutivos. Vamos lá analisar estes casos clínicos mais detalhadamente! Encontramos no catálogo um porta óculos Gatinho, apresentado como a forma mais elegante para trazer os óculos sempre connosco. E dão mesmo instruções: “Pode pendurar este terno gatinho de metal dourado no seu casaco ou na sua camisola”. Já estão a ver o género de psicose não é? Terno gatinho de metal… Pior só quando falam dum amoroso ursinho recheado com lã sintética, muito simpático para tapar frinchas. Vamos lá ver… É um bocado de tecido, não tem capacidade para amar. Outra sugestão destes senhores é um fantástico peixe porta-relógios. Que é, dizem eles, a maneira mais original de ter os relógios em exposição. Não sei se concordo. Se em vez de pregar na parede este peixe em borracha rígida, pregarmos um robalo ou um salmão, daqueles a sério, acho que estamos a ser bem mais inventivos. Mas a patologia desta malta tem incidência sobretudo nos gatos. Gatinhos, aliás! Para o exterior propõem porta vaso com gatinhos, que “representa um gatinho que se aproxima do bordo e outro que estende a patinha”. Para tornar a nossa casa mais saudável, nada melhor que humidificadores de cerâmica branca, com a forma de simpáticos gatinhos. “Pendure-os no radiador e darão um toque de alegria a cada divisão.” Não sei que noção de alegria terão estas pessoas. Só sei que mete gatinhos e é bem distante da minha. Para me converterem a esta gatinhofilia, só há uma coisa a fazer. Oferecerem-me um porta anéis em tecido escocês bordado à mão… Em forma de quê? Gatinho, claro! Fiquem atentos porque a Dmail promete nos próximos tempos pôr mais espécies animais ao serviço do Homem. Para quê apadrinhar mamíferos no jardim zoológico se podemos adquirir animais tão amáveis e tão úteis?


publicado por condutoras de domingo às 11:45
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Domingo, 9 de Março de 2008
Estação de Serviço - Fast Food
Hoje parámos numa daquelas áreas de serviço grandes, com mesas de merenda, loja de porta-chaves e, como não podia deixar de ser, fast food. Não se pense que este tipo de comida é menos nobre que os restantes. Prova disso é que esta semana, a junk food mereceu crítica atenta de Eduardo Lourenço. O gastrónomo que já nos brindou com frases como “a vida é curta para comer batatas fritas congeladas” ou “os restaurantes são as amantes dos homens sérios”, dedicou-se à comparação de hamburguers. E não deixou os seus créditos poéticos por mãos alheias. Depois de elogiar o Whopper do Burger King, disse que “Tirar um Big Mac da caixa é de suster a respiração – como quando mãos trémulas com 4 alianças bambas no anelar já só osso e veia tiram o bisneto do berço. Nunca sai bem: ou se desmancha um pouco, ou o queijo colou à caixa que vem atrás”. Eu não sei que experiência tem Eduardo com os recém nascidos: eu nunca vi nenhum desmanchar-se “um pouco” que seja, e posso quase garantir que não vêm em caixas. Mas sou muito nova ainda, e dizem que com o advento da maternidade se descobrem coisas mágicas.

Por agora, fico-me pelo fenómeno da fast food. Que para mim não tem nada de rápido. Durante, exige grande perícia para comer sem talheres, depois, são pelo menos 5 dias à espera que passe a azia. Mas o pior de tudo é o antes. A escolha é tão vasta que exige cuidadosa reflexão. Eu sabia que as coisas já andavam tremidas para os lados da Telepizza, com pizzas Barbecue e Bacalhau com Natas, mas a estucada final foi dada com a criação da pizza lasanha. Este é o rumo que o mundo leva: todas as receitas vão passar a fazer-se sob a forma de pizza. Pizza de ovos escalfados, de feijoada, de ensopado de borrego. Eu devia ter percebido há uns meses que o surgimento da alheira de Mirandela na Pizza na Brasa era um indício do apocalipse! Não liguei, e agora é o que se vê. Anarquia total! Ainda mal refeita do susto, dirijo-me à casa mãe – o McDonalds, e descubro o quê? Que o happy meal agora vem com douradinhos capitão iglo, fatias de maçã, palitos de cenoura e danoninhos. Isto é um ultraje! Ainda sou do tempo em que um Happy Meal era sinónimo de alegria, grandes doses de colesterol, e um boneco. Por este andar só falta o brinde ser uma edição de bolso da Aparição. Toda a gente sabe que uma ida ao McDonalds não deve ser saudável nem didáctica. Isto é uma inversão completa dos valores. Como é que os pais conseguem educar as crianças quando o McDonalds serve sopas e saladas? Qual vai ser o prémio por terem tido 5 a Físico-Química ou por não terem insultado o professor este período? Será comer peixe cozido com um bocadinho mais de azeite? Ou, na loucura, comer uvas red globe, que estão cheias de açúcar? É este tipo de cidadãos que queremos formar?


publicado por condutoras de domingo às 12:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 2 de Março de 2008
Estação de Serviço - Ron Gellatley
Nos dias que correm, toda a gente é especialista em qualquer coisa. Por isso, a partir de hoje, eu sou a especialista residente em Saúde Natural, ok? Já tenho créditos firmados: já vos trouxe palmilhas milagrosas, pulseiras iónicas, aparelhos auditivos que permitem ouvir 10 cêntimos a cair em Almada... Enfim, até me fica mal falar dos meus feitos. E é escusado, porque aquilo que trago hoje suplanta tudo isso. Acabo de comprar o livro “Saúde Interna – A chave para a juventude e vitalidade”, pelo Dr. Ron Gellatley. Este senhor, cujo nome dava uma óptima marca de ultracongelados, lança o alerta: “poucas pessoas estão conscientes que carregam uma quantidade enorme de detritos tóxicos no intestino”. Eu por mim dispenso, seria um peso insuportável saber que transporto tantas substâncias perigosas. Acho que ia sentir-me como uma enviada da Al-Qaeda, prestes a explodir. Mas a verdade é que o intestino é a chave para a resolução de todos os males. Esqueçam os livros de auto-ajuda que apontam o coração como tábua de salvação! Por alguma razão nunca ouvimos falar em coração delgado e grosso. O busílis está no intestino – e para além do busílis, uma data doutras coisas. Diz o Dr. que “não conseguimos perceber porque é que estamos sempre cansados ou melancólicos e não conseguimos reagir. Muitas vezes, estes problemas têm origem no intestino”. Cá está. Desengane-se quem achava que os grandes poetas se inspiravam nas suas musas ou paixões, para produzirem obras plenas de melancolia. Não: esse sentimento tão nobre é causa directa da obstipação. Este livro faz-nos ver o mundo doutra forma. Diz assim: “se você transporta venenos no seu intestino eles infiltram-se no fluxo sanguíneo”. E pergunta: “Como é que alguém consegue raciocinar de forma clara se o sangue que irriga o cérebro está contaminado com substancias que deveriam estar nos esgotos?”. Pois, não consegue, Doutor Gellatley, não consegue. Eu não sei é o que é que o senhor anda a comer às refeições, mas deve ser de McDonalds para baixo. Ao ponto de produzir raciocínios como este: “a prisão de ventre é a maldição da civilização moderna”. E nós a pensar que era a poluição, ou o terrorismo. Provavelmente isto são apenas sintomas de malta com intestino irritável, que depois desata a atirar papeis para o chão, ou a fazer explodir edifícios. O autor do livro levanta a questão: “como é que alguém pode deixar transparecer uma enorme alegria de viver, quando tem um intestino obstruído, cheio de dor e de venenos?”. Eu respondo: cá para mim, livros destes já me dão alegria de sobra. Não há úlcera que me abata!


publicado por condutoras de domingo às 12:00
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
Estação de Serviço - Globo Meteorológico
Hoje parámos na Estação de Serviço para comprar o objecto que nos salvará de futuros dilúvios. E não, não vou falar de guarda-chuvas. É que além disso ser previsível, vai absolutamente contra os meus princípios. Eu sinto-me até capaz de fundar um movimento contra os guarda-chuvas, se alguém quiser integrá-lo é só dizer. Não há objecto mais estúpido que o guarda-chuva. Além de não cumprir a sua função, porque as pessoas ficam encharcadas na mesma, é uma contundente arma branca. Ou de padrões e flores, depende dos gostos. As pessoas deviam ter licença de porte de guarda-chuva, antes de andarem aí a abri-los à confiança. Eu acho que estão sempre apontados a mim para me vazarem um olho. Mas isso é um assunto para a psicoterapia. Aqui vou falar do que interessa. É o último grito nos artigos do clima. Vence desumidificadores e tudo. Chama-se Estação Meteorológica “Globo”. Segundo o fabricante é um instrumento de latão genuíno. O que é mais ou menos o mesmo que falar em “puro plástico” ou “ferro maciço”. E a tentativa de valorização de materiais menores continua, quando falam em “robusto plexiglass”, como se fosse cristal. Mas aqui merecem uma vénia, que tudo o que envolve plexiglass tem dignidade acrescida.

Esta Estação assinala com precisão e rapidez variações barométricas, temperatura e humidade. Isto é tornar verdade o sonho dos professores de Geografia do país, que tentam há décadas interessar as crianças por aqueles mapas pluviométricos tão bonitos. Leio aqui que a estação “ficará perfeita na sala ou no quarto, e a sua estrutura satélite espantará grandes e pequenos”. Lá isso é verdade. Todas as condutoras ficaram espantadas. As grandes e eu. Usámos o globo hoje antes de sair de casa e estamos encantadas com o resultado. É certo que dá para muitas interpretações: algumas de nós estão de calções e chinelos, outras de impermeável e eu vim de samarra e cachecol. É que é difícil afinar este Globo. Mas também toda a gente sabe que desde que o Antímio de Azevedo se retirou da televisão que a meteorologia deixou de ser uma ciência exacta. Agora, ao adquirir esta fabulosa estaçao, podemos tornar-nos, literalmente, os mandachuvas lá do bairro. Parece que já estou a ver, as vizinhas a baterem-me à porta para saberem a previsão do tempo para amanhã. E eu, do cimo das escadas a dizer que se espera alguma precipitação nas Terras Altas. Esta Estação Globo, “de fabrico alemão, é uma máquina eficiente e precisa, de linhas elegantes, que embelezará qualquer ambiente onde desejar colocá-la”. Eu acho que vamos pô-la aqui mesmo no tablier do carro, para que o Mundo possa partilhar connosco esta alegria. A alegria de ter gasto 109€ num bibelot que, ao fim de muitas horas, cálculos e equações, nos diz o mesmo que vemos nos boletins meteorológicos ou no jornal. Ou o mesmo que sabemos pondo o braço fora da janela.


publicado por condutoras de domingo às 11:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
Estação de Serviço - Moldura Tiro ao Alvo
Em Fevereiro assistimos a uma gradação ascendente de estrangeirismos foleiros por cá. Depois dos desfiles de Carnaval, com chuva, nevoeiro e uma data de gente semi-nua, segue-se o quê? O Dia de São Valentim. Para ser perfeito só faltava que o Halloween fosse até ao fim do mês e ficava completo o rol de festejos imbecis. Desde quando é que peluches com cupidos ou abóboras a rir são costumes tradicionais? Bem, como costuma dizer-se: “em Roma, sê romano”. Que equivale mais ou menos a isto: “Em Portugal, sê parvo”. Por isso não vou deixar passar incólume esse dia tão bonito que é o dos Namorados. Na Estação de Serviço de hoje podia comprar uma data de artigos. Daqueles que envolvem corações encarnados, baladas românticas, flores artificiais, ursos fofinhos, e as expressões “cara-metade” e “mais que tudo”, que são sempre de louvar. Podia até comprar caixas e caixas de bombons. Que isto vem mesmo a calhar para quem acha que o Natal e a Páscoa são muito afastados. É o pretexto ideal para aumentar os índices calóricos. Mas não vou comprar nada disso. Gosto sempre de pensar no que pode dar para o torto. Por isso trago-vos a moldura tiro ao alvo. A descrição do produto é melhor do que qualquer poema de amor. “A sua cara metade magoou-o? Os seus colegas de trabalho são insuportáveis? O seu melhor amigo tornou-se um inimigo? Daqui em diante, para descarregar a raiva, basta pegar numa foto, inseri-la na moldura alvo, carregar a pistola e disparar contra aquele rosto antipático que o está a entristecer ou a irritar!”. Isto é perfeito, porque nunca se sabe o que pode acontecer num jantar romântico. Imagine que os legumes au gratin saem esturricados, que as velas aromáticas não acendem ou que ao puxar a cadeira para trás num acto de cavalheirismo inusitado, provoca uma fractura craniana. Pode ser o fim duma linda relação. Anos e anos de namoro, terminados abruptamente, ainda antes da sobremesa. O que fazer? Nada de rasgar ou queimar todas as fotografias, num rasgo de loucura típico dos apaixonados. Nada disso.

Aproveite uma das muitas fotografias do ex-namorado, ou namorada, coloque-a na moldura e faça pontaria. A embalagem traz 3 munições com ventosa, por isso tem três tentativas. Já se sabe que nestas coisas do amor muitas vezes não se acerta à primeira. Este é o primeiro artigo no novo ramo de produtos amor/ódio, no catálogo Dmail. E aposto que é também a machadada final nos bonecos de Voodoo (que frase engraçada: esqueçam os alfinetes, aqui faz-se voodoo com machados). Para quê um boneco quando pode ter mesmo a cara daquele estafermo, impressa em reluzente papel fotográfico?


publicado por condutoras de domingo às 12:25
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Estação de Serviço - Meu Rodas
Hoje vou abrir os cordões à bolsa, mas vão ser os 31.20€ mais bem gastos de sempre. Eu achava que, no universo das miniaturas, estava tudo dito, depois de vos ter trazido as miniaturas do Planeta Agostini, que contemplavam casinhas na praia e microscópicas “damas de época”. Mas há mais! As pessoas que gastam o orçamento familiar em pequenas Damas das Camélias e lindos acabamentos para a vivendazinha de férias, têm mais uma coisa com que se endividar. O Meu Rodas. Não é meu, chama-se mesmo assim. E é o Carrinho Telecomandado Mais Pequeno do Mundo. Para quem acha que um carrinho do tamanho duma barata não serve para nada, aqui fica a explicação, do site oficial. Não tem desculpa para não descontrair! O MeuRodas é um espectáculo para quebrar o gelo e a monotonia do quotidiano. Mais pequeno que uma pilha, este carrinho cabe no bolso! Leve-o a todo o lado e surpreenda os seus amigos!. I
Imagine um destes cenários:

A) está fechado no elevador com o seu vizinho, que é também o administrador, a quem deve 8 prestações do condomínio.

B) você e o seu patrão foram os primeiros a chegar ao cocktail da empresa e têm de fazer sala, embora ele queira despedi-lo e você queira casar com a filha dele.

Pode escolher o cenário que mais lhe convém. Em qualquer deles era conveniente quebrar o gelo de forma eficaz e gloriosa não era? Para ambos, a mesma solução. Sacar do bolso o MeuRodas. No elevador chão do elevador ou no balcão do bar, qualquer superfície serve porque o carrinho é ideal para interiores e de fácil utilização. Não precisa de qualquer experiência em rádio-modelismo! É a prenda que toda a gente vai querer receber, para brincar em todas as idades! Sugerem até que ande na sua sala e desafie o seu animal de estimação. Contudo, nos vídeos publicitários (que pode ver no nosso blog) o único animal doméstico visível é um bebé. Esta malta quando envereda pelas miniaturas desenvolve graves problemas de sociabilização. Eu acho até que devia criar-se um grupo de ajuda para estas pessoas. Porque diz o site que o MeuRodas é super rápido e mesmo viciante! E já sei quem vai ser o 1º utente do Grupo. Chama-se Tó e dá o seu testemunho no site: “toda a gente quer conduzir o meu novo MeuRodas”. Cá está: o Tó sofre duma distorção da realidade, acha mesmo que há humanos que cabem no habitáculo do MeuRodas. Mas são os fabricantes quem o induz em erro. Dizem que tem carroçaria resistente ao choque, pneus de alta aderência e afinador de direcção. Assim é natural que já haja famílias de malas feitas, prontas a entrar no MeuRodas e seguir para uma férias de sonho em Armamar. Já encomendei um MeuRodas para os nossos passeios de domingo. Dizem que é mais veloz que uma bala, o mais rápido do mundo “e arredores”, e afinal, só chega amanhã. Demora um dia inteiro, via CTT Expresso. Assim também eu! De que serve o telecomando de longo alcance se não chega à Antena 3?


publicado por condutoras de domingo às 12:30
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Estação de Serviço - Ideia Casa
Hoje vou servir-me de forma escandalosa da Estação de Serviço para o meu próprio bem. Não, não, vou comprar aquelas k7 que estão à venda nas bombas de gasolina há 50 anos. Mas vou falar duma coisa que também se vende há meio século, e só não se enche de pó porque mete aspiradores. Vou falar da Ideia Casa. Era uma lacuna gravíssima ignorar aqui a rainha das televendas nacionais. Aquela que nos deixou no ouvido, para sempre, o elaborado slogan “Pegue no auscultador, ideia casa ao seu dispor!”. Vamos lá ao Hidrovap. Confesso que vou realizar um sonho ao dizer estas palavras. Poderá utilizar o Hidrovap em qualquer tipo de solo, cerâmica, alcatifas e parquet assim como nos sanitários da sua casa de banho, nos azulejos da cozinha, no fogão e no forno, ou mesmo no exterior, deixa impecáveis as janelas, estores, cantarias ou ainda as jantes e o motor do seu automóvel. Foi lindo! Ter a oportunidade de dizer exactamente as mesmas frases que o José Figueiras, Fátima Lopes e Goucha. Com a pequena diferença de que a eles lhes pagam. Eu sou apenas parva. Mas por uma boa causa: levar mais longe a palavra do Hidrovap. Essa poderosa máquina de limpeza com capacidade para 2L de água e autonomia de 2h. Ou seja: podemos sair para almoçar, e quando voltarmos ela já fez a lida da casa. Sem parar sequer para beber água. Isto é melhor que qualquer mulher-a-dias! Que as senhoras da limpeza normalmente falam com as vizinhas, e cantam, coisa que desidrata muito. Falando em senhoras que gostam de 2 dedos de conversa: Filipa Vacondeus. Esse incontornável nome da Ideia Casa. A pessoa que está desde que nasci a tentar vender o mesmo trem de cozinha. Acho admirável a forma como descreve frigideiras de aço inox com pega em baclite, tachos com triplo fundo difusor, e panelas com termómetro na tampa. Mas mais admirável é o esforço para nos convencer que 445€ é uma pechincha por meia dúzia de panelas. Eu sei que são debruadas a ouro 24 kilates mas, ainda assim, não faço questão de ferver água num numa peça de joalharia europeia. Outra figura que deve a sua fama à Ideia Casa é o Carlos Ribeiro. É que da Filipa ainda recordávamos o lombo com paprika, agora o Carlos e o seu Made in Portugal estavam perdidos no tempo. Só voltámos a ouvir falar dele graças ao colchão Confornatura. Feito em ecolatex, anti-alérgico e com garantia de 5 anos. O que quer dizer que ao fim de 4 anos e 11 meses podemos devolver. Alegamos que precisámos de tempo para ver se era insónia passageira ou crónica. Podemos trocar por uma almofada Látex Guanciali. Fabricada num material de fácil compressão e memória lenta. Dizem eles que memoriza a forma da nossa cabeça. Mas deve demorar uns 80 anos. Lamentavelmente ninguém sobreviveu para contar.


publicado por condutoras de domingo às 11:59
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Domingo, 20 de Janeiro de 2008
Estação de Serviço - Talho Valadares
Pois é! Hoje viemos ao local mágico de onde emergem as salsichas! Esta frase é quase profética, se não fosse a parte nojenta do fabrico de enchidos! Antigamente acreditava que o fiambre era feito numa fábrica. Foram anos difíceis para os meus pais, que tentavam explicar-me que aquilo que vinha para a mesa com uma maçã na boca não era um Sicasal. Custou-me mais enfrentar a existência de porcos do que a morte do Pai Natal. Sobretudo porque esse velhote nós nunca comemos com ovo a cavalo! Mas pronto, agora já me sinto capaz de enfrentar esse altar de sacrifício de bovinos e suínos: o talho! Mas não trazia as minhas companheiras de viagem para um talho qualquer! Trouxe-as ao Talho Valadares. Cujo slogan é: “um amor antigo feito serviço de qualidade”. Amor é o que não falta por aqui! Entre doses generosas de Coelho e Moelas, há um homem apaixonado pelas carnes. E é um homem que impõe respeito. Quanto mais não seja por causa daqueles facalhões que eles usam, e daquelas luvas em liga de metal. Que, digam o que disserem, cá para mim são para não deixar impressões digitais quando assassinarem alguém. Um cliente que duvide da qualidade das almôndegas, ou assim! Bom, o homem em causa tem nome, e que nome: Eleutério Valadares. O anúncio que faz ao seu talho é bem mais do que publicidade, é uma declaração de amor, sob a forma de biografia! Reza assim: podia ter ido parar a qualquer profissão mas quis o destino que fosse trabalhar para um talho aos 13 anos. Sempre gostei e sempre tive saúde para isso. Eleutério diz que a sua vida até dava um livro, e que se sente realizado por ver satisfeito um sonho que desde sempre caminhou consigo. Isto traz-me à cabeça uma só imagem: Eleutério, pequenino, de mochila às costas, a caminho da escola. Andando a seu lado, um novilho bem gorducho. Enquanto os outros meninos tinham cães e gatos de estimação, Eleutério tinha um boizinho. Nas aulas os colegas apontavam países no mapa. Eleutério apontava as zonas na vaca: cachaço, pá, chambão, vazia, aba grossa, rabadilha, pojadouro, ele sabia tudo. E valeu a pena estudar! Porque hoje há uma funcionária da Câmara que diz “O Valadares é o melhor projecto de talhos que já vi”. E isso recompensa todo a dedicação. Eu, que nem como carne, fiquei com vontade de almoçar um entrecosto. Solidária com Eleutério, que padece do mal que assombra os pequenos comerciantes. Não tem nada a ver com BSE ou gripe das aves. O mal são as grandes superfícies! Da próxima vez que pensarem comprar chispe de porco no Jumbo, lembrem-se: há uma família Valadares em Algés que depende da vossa boa vontade (e vontade de fazer chispalhada) para sobreviver! Vão até lá comprovar que quem vende carnes frias pode ter coração quente!



publicado por condutoras de domingo às 12:18
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 13 de Janeiro de 2008
Estação de Serviço - Kevin Trudeau
Hoje abastecemos na América. Terra das Oportunidades. Pelo menos para quem tem olho para o negócio! É o caso de Kevin Trudeau, autor do livro “Curas Naturais Que Eles Não Querem Que Você Saiba”. Neste best-seller, dá-nos dicas fundamentais para viver melhor, como: andar a pé, fazer tai-chi, comprar um filtro de chuveiro, parar de fumar, não beber água da torneira, fazer a nossa própria cerveja, não usar desodorizante, não ler o jornal nem ver noticiários, vestir de branco ou não usar despertadores. Acho que as condutoras de domingo nunca viverão bem. Acordamos demasiado cedo, tomamos demasiado banho, e pior: temos essa estranha mania de saber o que se passa no mundo. Podemos sempre optar por um conselho mais revolucionário, como: “pare imediatamente de tomar qualquer tipo de medicamento”. Isto porquê? Porque eles são o maior veneno que podemos introduzir no nosso organismo. Segundo Trudeau, as vacinas são mesmo as grandes responsáveis pelas doenças e mortes em crianças. Eu ontem levei a vacina do tétano e bem me queria parecer que o braço está a doer há tempo demais. Eles dizem que é uma reacção normal, pois sim! Eles não querem é que eu saiba! Mas afinal… quem são Eles? À primeira vista parecem ser extraterrestres. Mas não. Eles são empresários execráveis, da indústria farmacêutica. Quanto mais remédios nos dão, mais doentes ficamos, e mais vendem! Faz todo o sentido! Eles só se preocupam com os lucros. E fazem a vida negra ao pobre Kevin, que só quer o bem da humanidade. Ainda bem que ele não quer saber de dinheiro! Ainda bem que vende o seu livro a 40€ no giggashoping! E ainda bem que em todas as páginas, sempre que vai revelar finalmente a cura natural para qualquer coisa, lembra-se que não pode fazê-lo. E pede às pessoas que se inscrevam no seu site para terem acesso à cura. São só 9 dólares por mês! De repente tenho vontade de escrever o livro “Kevin Trudeau – O que ele não quer que você saiba”. Já tenho a introdução: Kevin é especialista em televendas e autor dos livros “Cura de Dívidas Que Eles Não Querem que Você Saiba” ou “A Cura da Perda de Peso Que Eles Não Querem Que Você Saiba”. Suponho que o próximo seja: “A Cura do Queijo Que Eles Não Querem Que Você Saiba”. Trudeau Foi em tempos condenado a 2 anos de prisão por burla, por convencer meio mundo que “Coral de Cálcio” curava diabetes e cancro. E foi proibido de anunciar mais produtos ou serviços, excepto livros. E que é que faz alguém nestas condições? Livros, precisamente. Este é o homem que acusa a indústria alimentar de pôr ingredientes viciantes na comida e diz que a Coca-Cola se chama assim por ter cafeína e… cocaína. Acho que não é preciso acrescentar nada!


publicado por condutoras de domingo às 12:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Estação de Serviço - Bombons
Hoje paramos na estação de serviço para comprar prendas de última hora, claro! E todos sabemos que não há prenda mais universal que bombons. Mesmo que a nossa tia seja diabética e o nosso primo alérgico a chocolate, fazemos questão de ignorar e dar-lhes uma bela caixa de frutos do mar. Com aquelas conchas e cavalos-marinhos que se não tivessem sido recheados de pasta de cacau eram neste momento sabonetes e sais de banho. Mas os Guillian ainda estão a meio caminho, entre as novidades e os clássicos. Porque, por mais que sejam vendidos, ainda não têm uma senhora de chapéu amarelo a fazer-lhes publicidade. Uma senhora cuja dedicação é tanta que passeia há anos e anos na mesma limousine, só para levar mais longe a palavra da salvação, e a pirâmide de bombons. Mais recentemente houve algumas variantes. Estilo Anita na Escola e no Circo, mas na versão “Senhora de Amarelo” na festa ou no leilão. 
Vamos ver um exemplo:


Primeira coisa a reter: estão a licitar um vaso chinês do século VII mas ninguém quer saber. A mulher está mais entretida com este joguinho do Ambrósio completar todas as suas frases e persegui-la para todo o lado. Com as suas luvas de Jack, O Estripador, e uma caixa forte, que podia esconder um arsenal de g3 e espingardas. Estes comportamentos do casal levam-me a crer que a tradução do slogan, do espanhol para português, devia ter sido mais literal. Vejamos:


Lá está: satisfaz o desejo do esquisito, faz todo o sentido! Mas a malta dos chocolates é, de maneira geral, passada. Já os do Mon Cheri decidiram que bombom é coisa demodé e só usam a palavra “chocolatinho”. Além disto, depois de anos de conversações, mais demoradas que as cimeiras da ONU, para decidirem como dividem o último… deixam que um amigo qualquer o roube, e ainda acham graça. Podiam juntar-se ao Ambrósio e formarem um grupo de ajuda para gente sem personalidade. É difícil superar o grau de foleirice desta malta, mas há marcas a tentar e bem! Têm tácticas distintas: umas confiam demais no intelecto dos portugueses, outros de menos. A Lindor acha que somos capazes de associar “chocolate cremoso e avelãs” a um nome que é, desde sempre, sinónimo de uma só coisa: gigantes fraldas para a incontinência. Já a Merci, deve ter gasto milhões para compor esta canção: “sou tão feliz quando estou contigo, muito obrigado e obrigado é merci”. Reparem, antes de avançarem para o slogan “Merci por seres assim”, e com medo que as pessoas não percebam, introduzem subtilmente na música a explicação. Tipo: querida mãe, obrigado é Merci, e é por isso que hoje te ofereço bombons com massapão e praliné. Tudo para que não haja famílias destroçadas nesta consoada. Merci!


publicado por condutoras de domingo às 12:31
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 9 de Dezembro de 2007
Estação de Serviço - Natural Push-Up
Hoje trago um assunto que está na ordem do dia. Do nosso dia, pelo menos. Seios! É verdade. Seios proeminentes, como os da amiga da Inês, a Salma. Não quero lançar boatos infundados mas quer-me parecer que há uma 3ª hipótese de explicação para esse milagroso crescimento do busto. Chama-se Natural Push-Up e está aqui, na nossa estação de serviço. Para quem ainda vive na ignorância, passo a explicar. Natural Push-Up é um comprimido à base de cereais que aumenta os seios de forma natural. O anúncio disto desde logo me cativou, porque tem um início bíblico “desde que o mundo é mundo, a fantasia dos seios perfeitos alimenta o imaginário feminino”. Só faltava dizer que ao 7º dia se fez o soutien. Mas não. Em vez disso, fica a promessa: “seios maiores, esculpidos, empinados e durinhos para as mulheres que decidiram não fazer cirurgia”. O anúncio afasta-se do campo religioso e ganha contornos de filme porno com a frase “agora já pode ter seios do tamanho do desejo, sem precisar de encarar o hospital”. É legítimo. Há por aí muitas mulheres cujo sonho duma vida é ter seios do tamanho do desejo. Um peito daqueles que “veste bem”, pode levar-se à rua e fica a matar em qualquer evento social. Com um tamanho e firmeza de tal forma impressionantes que as pessoas cumprimentam primeiro o belo par e só depois se lembram de dizer olá a quem o traz posto. Só vejo nisto um pequeno problema. É que esta gente, que quer ter um busto digno, e mais vistoso que qualquer busto do Mozart feito em mármore, normalmente é malta que quer enfiar grandes decotes e exibi-los entre tabuleiros de croquetes e copos de champanhe. Pois. Mas é que o principal efeito secundário do Natural Push-Up são os enjoos, que surgem quando se toma vinho, produtos de destilação ou à base de uvas. Portanto, nem moscatel, nem canapés de salmão com uvas brancas. Minhas amigas, a vida é feita de escolhas: querem ostentar as maminhas, não é? Pois então, vão ter que dar-lhes uso sóbrias! Até porque estes comprimidos promovem uma vida saudável. São 100% naturais e contêm: aveia, malte, cevada, centeio, trigo e milho. Ora, isto é exactamente a composição dos Cereais Nestlé! Entre tomar 10 comprimidos por dia durante um ano, esperando aumentar um número de soutien ou tomar vários pequenos-almoços, eu cá voto no segundo. Conforme o aumento que pretendam, já tenho ali preparadas as taças de Estrelitas e Chocapic. Com a vantagem destes até trazerem brinde, ao contrário dos comprimidos… Que a única coisa que prometem é um “levantamento natural”. A nós levantamento lembra-nos o Multibanco, e isso faz-nos pensar nos 79.57 € que poupamos ao não comprar Natural Push Up!


publicado por condutoras de domingo às 14:50
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos

Domingo, 2 de Dezembro de 2007
Estação de Serviço - Bebés do Mundo
Até aqui eu pensava que a paragem mais acertada na Estação de Serviço tinha sido aquela no Planeta Agostini. Memorável. Ainda hoje as condutoras recordam a miniatura da Madame Bovary com alguma saudade. Mas na Estação de hoje vim descobrir que as bonecas também não se medem aos palmos. Viemos abastecer a um outro planeta, o RBA Coleccionáveis e encontrámos os Bebés do Mundo! Esta é a primeira colecção de fusão. Não por ter bebés de todas as nações, mas porque a própria descrição é feita numa língua híbrida. “Os seus filos vão descobrir de maneira amena e divertida os trajos tradicionales mais bonitos do mundo”. Ainda bem que não tenho filos, porque se tivesse ficariam muito baralhados depois de receberem estes fascículos. É que se a coisa até começa bem, com um aprumado “Wang, o Chinês”, seguido por “Ari, o Lapão”, descamba totalmente ao fim das primeiras seis entregas. Afinal de contas, deve ser por essa altura que as crianças desistem de coleccionar outros bebés, fartos que os pais liguem mais a “Cristina, a Holandesa” do que a eles. Eu, que já sou ligeiramente maior que eles (não muito), acho que quando uma pessoa se mete nestas coisas é para ir até ao fim. Se o pressuposto é bebés do mundo, então não se desiste antes de nos chegar a Maddie num fascículo. Mas até lá, há um longo caminho a percorrer: são 58 bebés. Com designações tão estranhas como: Áustria Tirolo Peter ou Tuareg Principe del Deserto.



Quando me meto em negócios sérios como este, leio tudo, até as letras minúsculas em rodapé. E lá pode ler-se: “os produtos que aparecem nas imagens podem não fazer parte da colecção” ou “a sequência das entregas pode ser modificada”. Isto é gravíssimo e pode originar traumas profundos nas crianças. Como é que se explica a um miúdo que estava à espera de Reka, a contadina ungherese (ex-russa), que ela afinal não vem hoje e pode até nunca mais vir? E mesmo com gente mais velha. Eu, por exemplo, já tenho um problema entre mãos. Mas vou tentar resolvê-lo agora, que sempre há mais pessoas a ver. Aqui fica a mensagem: Maria João, houve um problema na entrega de Takumi, o japonês. Extraviou-se nos correios… Eu sei que é duro mas a vida continua! Pronto, foi um momento de consternação para os bebés do mundo e aqui para as condutoras mas será certamente superado, porque vamos receber um brinde RBA especial! Uma manta de viagem! A questão é: as pessoas não perceberam que aquela parte de viajar com os filhos pelo mundo era só em sentido figurado? Para que serve a manta? A próxima oferta vai ser o quê, um estojo de primeiros socorros? Pois, se calhar… nunca se sabe quando vai explodir a ira de Bob, o cowboy…



publicado por condutoras de domingo às 12:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 18 de Novembro de 2007
Estação de Serviço - Vida e Sonho de Um Caçador
A nossa paragem na Estação de Serviço não podia escapar à febre do Natal. Acho que oferecer livros é sempre um valor seguro. Se forem muito bons podemos lê-los antes de dar, se forem muito maus, o melhor é escrever uma sentida dedicatória na 1ª página e esperar pelo próximo Natal, para apanhar em flagrante quem se distrai e tenha oferecer-nos o mesmo de volta. Eu sei, eu sei, os livros de cabeceira das Condutoras normalmente ficam a cargo da Inês Fonseca Santos. Longe de mim querer roubar-lhe esse pelouro. Logo eu, que até há bem pouco tempo não sabia o que era exegese. Mas a Roma Editora está a promover a Feira do Livro em sua casa, por isso não pude fugir. Quando dei por mim já tinha nas mãos o livro Malamala – Vida e Sonho de Um Caçador. O título além de poético, faz sentido. Não podia ser vida e obra do caçador porque essa é sempre devorada. Não por leitores ávidos, mas por insaciáveis comedores de alheira de caça. Esta é a verdadeira leitura de elites. Diz assim: “se é caçador ou quer oferecer um belo presente a um caçador” este livro de grande formato, profusamente ilustrado com caçadas em Moçambique é a solução! Isto coloca-me um problema. É que o entusiasmo foi tal quando o vi, que comprei logo para o meu pai. Agora, das duas uma: ou o convenço a ir no dia 25 de manhã fazer tiro aos pombos em Algés… ou terei de procurar outro membro da família que dê mais ares de caçador. O pior é que só estou a ver pessoas com cockers e salsichas. Nem um perdigueiro que seja. Mas a colecção desta editora é enorme, acho que vou arranjar prendas para todos. Por exemplo: Irene minha gentil que te partiste, sobre um marido padre e uma esposa enfermeira. E eu que achava que era “alma minha gentil” e que os padres não se casavam. Realmente, estou a anos-luz da nossa entendida em literatura! Para compensar, já arranjei o livro ideal para vos dar. Como apreciadoras de trocadilhos que são, aqui vai: A Bem Soada Gente. O prefácio promete! “Sem pena, a pena do autor rasga o papel envernizado”. Se for assim até ao fim é mesmo livro para oferecer já com as páginas dobradas e cheio de anotações. É que Flávio Vara promete: “A sátira, em divertidos jogos de palavras, ousada, não poupa nomes de alcandorados a altos postos”. E quem conjuga o verbo alcandorar merece todo o meu respeito!


publicado por condutoras de domingo às 13:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

pesquisar neste blog
 
links
subscrever feeds
tags

todas as tags

Julho 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
29
30
31


blogs SAPO