as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 28 de Outubro de 2007
Choque Frontal - Porreiro, pá!
Quem fez questão de refutar as acusações de Pinto Monteiro foi o director nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, que se apressou a dizer que não há nada escutas a mais no nosso país. O que é curioso é ele ter dito isto, muito pouco tempo depois, de termos descoberto que há microfones sempre ligados... até na lapela do primeiro-ministro.


Alípio Ribeiro diz que não há escutas ilegais em Portugal... e tem razão, esta foi bem légal!
Esta escuta legal e em código nada secreto, foi o corolário de dois dias em grande para o governo português. José Sócrates levou a melhor sobre italianos e polacos e conseguiu aquilo que mais queria. Não, não era salvaguardar a unidade da família europeia e consolidar os fundamentos da UE num tratado. Nada disso. Apenas uma e só coisa: dar o nome Lisboa ao raio do documento. Sim, que se lixe lá o que está escrito no Tratado e o que diz e não diz... desde que se chame de Lisboa! Isso é que é porreiro, pá. Porreiro. E como é que José Sócrates conseguiu tudo isso? Simples. Como sempre: usando um impecável fato cortado à medida, com um camisa em tons suaves e uma gravata em azul europeu, a combinar perfeitamente com o cenário envolvente. É só o que ele precisa. O que é certo é que funciona. Já viram bem as fotos da Angela Merkel depois da cimeira? Só faltam sair coraçõezinhos cor-de-rosa da orelhitas da senhora. Aposto que se pudesse, ela tinha posters do Sócrates a fazer jogging espalhados pela casa toda. E vejam lá se ela não aceitou logo voltar a Portugal, quando Sócrates a convidou. Deve estar convencida que é um date. Enfim... o amor, o amor.


publicado por condutoras de domingo às 11:53
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De Encontro ao Pára-Brisas - Crimes de WC
Toda a gente fala em escutas, todos ouvem interferências suspeitas no telemóvel e até nós temos sérias dúvidas se não estamos a ser escutadas. Ah, esqueçam. Aqui é mesmo essa a ideia. Mas a espionagem tradicional está a cair em desuso: estão aí as câmaras ocultas! E começaram a invasão pelo território do WC Pato. Foi com grande contentamento que as condutoras viram regressar uma actividade criminosa deixada ultimamente ao abandono: os crimes de casa-de-banho. Desde que parou de circular o mail sobre pessoas atacadas em WC’s de centros comerciais para lhes roubarem rins, e deixadas em banheiras com gelo, que a coisa andava estagnada. O máximo que acontecia era uma ou outra troca de escovas de dentes entre concorrentes do Big Brother. Mas ninguém melhor do que os agentes da PJ sabe que a ilegalidade nas instalações sanitárias faz bem à saúde e sanidade mental dos portugueses. E foi por isso mesmo que um deles tomou providências e instalou uma câmara numa casa-de-banho de mulheres da Direcção Central de Investigação de Trafico de Estupefacientes, mais precisamente debaixo do lavatório. O que mais se discute por aí é o objectivo da câmara, surgindo na imprensa duas hipóteses: espreitar as mulheres ou captar um acto ou conversa. Ora isto é exactamente a mesma coisa. O que o agente fez foi cumprir o sonho de tantos e tantos homens: saber o que se passa quando as mulheres vão aos pares à casa-de-banho! E assim se transforma uma acção de espionagem numa enorme desilusão: o agente queria de facto captar um acto ou conversa especialíssimos, mas acabou por comprovar que não se passa nada mais interessante do que diálogos sobre o estado do tempo ou as marcas de tampões. Isto faz-nos ter saudades do verdadeiro Che Guevara dos lavabos. O mestre, o percursor, o imbatível Manuel Subtil. Vamos recordar as suas sábias palavras.


Tem toda a razão, o Manuel, quando diz "era como se estivéssemos aqui sentados à mesa, só que lá não havia mesa. Havia sanita, bidé e um lavatório". Aliás, estar na casa-de-banho da PJ também é o mesmo que estar aqui no nosso carro. Com a diferença de que nenhuma de nós é polícia nem descobrimos ainda nenhuma câmara oculta. De resto, é igualzinho.


publicado por condutoras de domingo às 11:52
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Choque Frontal - Escutas Telefónicas
Rebentou novamente a bernarda das escutas telefónicas e, desta vez, mesmo sem haver dirigentes desportivos e negócios de fruta ao barulho. Tudo começou porque Pinto Monteiro, um ano depois de estar na Procuradoria Geral da República e, portanto, depois de um ano a lidar com uma porrada de processos complicados e que até envolvem escutas, percebeu finalmente aquilo que todos nós já sabemos há uma data de tempo: que há um excesso de escutas telefónicas em Portugal. Não é de estranhar que haja assim tantas escutas telefónicas, afinal, não há nada mais intrinsecamente português do que “escutar”, sobretudo atrás das portas. O que é curioso é o tempo que Pinto Monteiro demorou a chegar a esta conclusão e a forma como o fez. Segundo o Procurador Geral da República, uma das razões que o faz desconfiar de que há um certo exagero nisto de ouvir o que os outros dizem é o facto de o seu próprio telefone poder estar, muito provavelmente, sob escuta. De facto, é um exagero. Quem é que poderá estar interessado no que Pinto Monteiro diz? Ainda se fosse pessoa que criasse uns códigos divertidos para falar de badalhoquice! Este homem nem deve ter na sua lista um único número de telefone de um árbitro. Um presidente de Câmara, que fosse, ou uma cimenteira... As tiradas mais excitantes que se devem conseguir sacar são para aí: “Menina Aurora, traga-me a papelada que eu lhe pedi” ou “Querida, passa tu na lavandaria que eu vou ao pronto-a-comer buscar o empadão”. Nem a Dica da Semana pega nisto, quanto mais um 24 Horas! O que também é curioso é o que levou Pinto Monteiro a concluir que o seu telefone pode estar sob escuta – ele às vezes ouve uns barulhos estranhos. É caso para perguntar: tem a certeza que esses barulhos estranhos não são a sua secretária, que não se apercebeu que o senhor procurador levantou o auscultador, e está na trungalhunguice com o namorado que é tropa em Trás-os-Montes e está há mais de 2 meses sem aparecer em Lisboa? Hm? É capaz de não ser, porque, justamente os militares, bem como alguns polícias e sindicalistas se queixam do mesmo: que ouvem barulhos estranhos na linha e que, às vezes, as chamadas até caem.
Então, mas isso, só me leva a questionar que raio de métodos é que a Polícia Portuguesa anda a usar. Numa altura, em que a tecnologia está mais avançada do que nunca – pelo menos, a avaliar pelo CSI -, em que se usa a internet e satélites e GPS e sistemas poderosíssimos de captação de som, imagem e até ondas de calor corporais, a nossa polícia ainda está a usar uns aparelhómetros que fazem barulhos esquisitos na linha?? Depois queixam-se que toda a gente fala em código! Pois, se toda a gente sabe que eles estão lá! Só falta mesmo descobrir-se que estes polícias especiais estão mesmo numa salinha pequenina, de chapéu e gabardine, com um daqueles alicates de fazer ligações directas enfiado no bocal de um telefone preto dos antigos e que tudo isso está ligado a um bom e velho gravador de bobines. 
Bem, pelo sim, pelo não é preciso ter cuidado com o que se diz ao telefone, sobretudo se não se quiser ser apanhado num processo qualquer que envolva homens de bigode que gostam de se pôr à porta em roupão, ou outros do género. E se Pinto Monteiro tem razão no que diz, falar através da rádio é capaz de ser, neste momento, a maneira mais segura de comunicar.


publicado por condutoras de domingo às 11:50
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