as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 29 de Junho de 2008
Choque Frontal - Vale e Azevedo

É sempre uma tristeza quando percebemos que os filmes nos andam a enganar. Sempre imaginámos a vida de fugitivo como difícil. Naquele filme do Harrison Ford, o pobre senhor fartava-se de correr e sofrer. Mas, afinal, parece que não é bem assim. Que não é preciso ficar numa caverna a comer milho enlatado e a ler Nova Gente velhas, qual Osama Bin Laden. Olhe-se para Vale e Azevedo, que até conseguiu engordar uns quilitos e ficar com um ar mais saudável. Assim sim, vale a pena fugir-se à justiça, até nos parece uma carreira de futuro. Consiste basicamente em andar em carros de luxo, ver umas partidas de ténis e ir a uns restaurantes. Pronto, é preciso um ou outro frete de gritar com o Rodrigo Guedes de Carvalho – mas qual de nós não mandou uns berros para a televisão quando vê aquele pivot demasiadamente bronzeado a fazer piadas?
Em directo para a televisão, Vale e Azevedo mostrou-se um homem aborrecido. E, lá está: um fugitivo devia estar, isso sim, angustiado. Mas o ex-Presidente do Benfica não chega a tanto e está apenas aborrecido, qual dona de casa maçada porque não usou Calgon em todas as lavagens. Diz que se recusa a ir para Portugal pelo próprio pé para ser preso, que têm de o vir buscar a Londres. Até aqui demonstra ter um coração grande: quer que a polícia portuguesa viaje. Que aproveite para fotografar o render da guarda em Buckingam e para comprar um globo com neve e o Big Ben. No fundo, que venham espairecer – que Vale e Azevedo até abdica de acumular mais milhas de passageiro frequente.
O fugitivo aproveitou também para dizer que já foi a tribunal mais de 500 vezes, algo que está ao nível de entrar no Guiness. E é aqui que vemos que ainda estamos perante um português comum, como nós. Para lá do Bentley, do iate e da mansão ao lado do Abramovich, continua alguém que só quer bater um record, como o povo de Santo Tirso que faz trouxas-de-ovos com 120 gemas.
 



publicado por condutoras de domingo às 11:52
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Domingo, 22 de Junho de 2008
Choque Frontal - Metais

Durante muitos anos, o grande problema para se entrar numa discoteca eram os porteiros. Implicavam com os ténis, com o cabelo, com a farpela que escolhemos com tanto gosto dentro da gama “toiletes para sair à noite”. A partir de agora, além de termos de cair na boa graça do senhor gigante que está à porta a brincar aos Mussollinis, também vamos ter de passar no detector de metais. Dentro dos próximos dois meses, os estabelecimentos de restauração ou bebida com salas de dança terão de colocar detectores de armas, substâncias e outros objectos proibidos. Não nos parece mal que passem a ser obrigatórios os detectores de metais nas discotecas. Assim vemos logo quem é que tem chapas de metal algures no corpo ou – simplesmente - aparelho nos dentes daqueles que não se vêem bem nas luzes a piscar do Lux. O problema é se isto se tornar na mesma chatice que é nos aeroportos, onde os detectores apitam mesmo quando já estamos em cuecas a fazer o pino em frente ao segurança, que mesmo assim insiste em perguntar se não temos mesmo trocos em lado nenhum. Aliás, o melhor é acabar mesmo com os trocos, que daqui para a frente não vão mesmo dar jeito nenhum . Azar para os arrumadores de carros, eles que passem a aceitar Visa. Mas nesta lógica de aeroporto, qualquer dia não podemos entrar com líquidos dentro das discotecas– até porque eles querem mesmo é que a malta consuma os que estão lá dentro. A medida dos detectores de metais visa, como é óbvio, prevenir a entrada de armas dentro das discotecas. O que é coisa que vai tirar um certo grau de tradição pitoresca à noite do Porto, mas paciência. Agora o que nos preocupa é que ninguém esteja a tomar medidas parar prevenir outros tipos de violência, como a de ter de ouvir Bob Sinclair ou de levar com a boca “doeu quando caíste do céu, meu anjo”. Para quando detectores que nos protejam disso?



publicado por condutoras de domingo às 19:12
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Domingo, 8 de Junho de 2008
Choque Frontal - Mourinho

O que é que uma pessoa faz quando aprende alguma coisa nova? Exibe-a para os amigos. Claro. Depois do curso de vela, leva todos a velejar. Nem que para isso seja preciso roubar um veleiro. Depois do workshop de origami, oferece esculturas em papel à família toda, depois da formação de primeiros socorros faz reanimação a toda a gente, mesmo àquela senhora que só estava a passar pelas brasas no comboio. Isto é natural, todos temos vontade de mostrar o que valemos. Mas esta necessidade aumenta exponencialmente quando falamos do Special One. Obviamente. Por isso não me espantou aquilo que se passou na conferência de imprensa do Inter de Milão. José Mourinho estava a mostrar os seus dotes de italiano quando foi interrompido por jornalistas portugueses. É normal que se tenha recusado a responder-lhes na sua língua natal. Logo a seguir, abordado por jornalistas ingleses, não teve qualquer problema em falar na língua de Sua Majestade. Faz sentido! Passou largos meses a treinar o inglês no Chelsea, não quer desaprender agora dum momento para o outro. Falar português é uma coisa banal, qualquer um consegue – até os adeptos da selecção em Neuchatel! Aliás, o Special One nunca devia exprimir-se na língua de Camões, partilhada por treinadores de 2ª, como Carlos Queirós ou Jesualdo Ferreira. A partir daqui, e para marcar a diferença, acho que Mourinho devia dar conferencias de imprensa em Tagalog, Hindu, ou se quisermos uma coisa mais lusitana, mirandês. É o mínimo. A única coisa que realmente me preocupa no meio disto é a quantidade de tempo livre que Mourinho teve, nestes longos meses de desempregado. De certeza que o Curso Prático de Italiano só lhe ocupava as manhãs. Os dias eram longos e Mourinho aprendeu de certeza uma data de outras coisas que agora vai querer pôr em prática. Costura e bordados, por exemplo. As lojas de Milão podem já riscar o treinador da lista de clientes, porque Mourinho vai passar a fazer os seus próprios fatos e sobretudos. Consta que também teve algumas aulas de cozinha. E é claro que não vão servir para fazer estufados para a mulher e os filhos. Special One que se preze exibe os seus dotes em público, por isso receio que da próxima vez que for jantar fora, Mourinho ponha o cozinheiro na rua e se encarregue de preparar o seu próprio soufflé de lagostim. Avizinham-se tempos difíceis para os jogadores do Inter, porque consegui apurar que Mourinho coleccionou os fascículos do Corpo Humano do Planeta Agostini e se sente agora capaz de tratar todas as lesões que surjam no plantel, com as suas próprias mãos. Escusado será contratar artistas para a festa de Natal, o treinador português aperfeiçoou muitíssimo o karaoke e apresentará em Dezembro o repertório. Só com músicas estrangeiras, claro. 

 



publicado por condutoras de domingo às 11:40
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Domingo, 1 de Junho de 2008
Choque Frontal - Arroz no LIDL

Quando entrávamos no LIDL já tínhamos normalmente a sensação de estar a pisar cenário de guerra. Para começar, aquela ausência de prateleiras. Em vez disso, temos uma espécie de trincheiras, com amontoados de latas de atum e pacotes de bolachas, misturados com sapatos de senhora em imitação de pele e camisolas interiores cinzentas. Fazendo lembrar claramente despojos duma batalha sangrenta. Depois, as fardas dos empregados também têm qualquer coisa de bélico. Nem sequer são em tons tropa, mas têm ar de já ter passado por muito. Quanto mais não seja, pela terrível guerra dos preços baixos, que deixa muitas nódoas. Por outro lado, há aquela turba louca de donas de casa desesperadas. Desesperadas por encontrar o detergente a 70 cêntimos anunciado na Dica da Semana. Agem como verdadeiros soldados, dispostas a morrer pelo tal Sonasol. O perigo de morte paira mesmo no ar. Sentimos isso quando estamos no corredor dos iogurtes, e podemos ser a qualquer momento abalroados por um carrinho desgovernado ou por um senhor de bigode que quer levar sete caixotes de sobremesas lácteas antes que esgotem. No LIDL oscilamos entre um clima de guerra fria (quando vamos buscar pizzas congeladas) e de guerra dos cem anos, quando ficamos nas filas intermináveis para pagar apenas uma lâmpada. Mas esta semana, mais do que nunca, sentimos que Portugal estava mesmo em guerra, quando entrámos neste supermercado. E porquê? Porque o arroz estava racionado! Medida tomada por causa da escassez deste cereal. A direcção do LIDL justificou-se, afirmando que o racionamento de 10kg por cliente não punha em causa o consumo das famílias nacionais. Nota-se bem que esta empresa é alemã. Porque em Portugal 10kg de arroz esgotam-se num instante. Um arroz de marisco ao pequeno-almoço, um arroz de tomate a meio da manhã, um arroz de pato ao almoço e um arroz de feijão a meio da tarde… 10kg de arroz já nem chegam para o jantar – um clássico arrozinho de atum. Esta medida durou pouco, porque o Governo obrigou o LIDL a suspender o racionamento. Ao mesmo tempo, a União Europeia pediu aos consumidores para não comprarem mais alimentos do que o necessário, para evitar a corrida aos alimentos. Isto é uma coisa impossível de pedir aos portugueses. A não ser que acabem com os termos “desconto” ou “leve 2 pague 1”. Porque enquanto estas promoções existirem, nós vamos sempre comprar artigos dos quais não precisamos. Como aqueles 3 pacotes de arroz basmati, cujo sabor até odiamos, mas acabamos por trazer só porque oferecem uma túnica indiana para criança. Óptima para os nossos filhos. Que nós por acaso não temos, mas podemos vir a ter.



publicado por condutoras de domingo às 13:49
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Domingo, 25 de Maio de 2008
Choque Frontal - Feira do Livro

Se o digníssimo ouvinte é fã de cenas de porrada, pode passar uma tarde a ver wrestling na televião. Ou ir ao cinema ver o filme novo de Jackie Chan e Jet Li, onde os dois asiáticos transformam piruetas-tipo-ginasta-russa em pancadaria. Ou, então, podem optar por ver porrada naquele que parece ser este ano o seu cenário ideal este ano: a Feira do Livro. Mas, para isso, avisamos já: é preciso gostar de lutas um bocadinho mais ao estilo do Jardim Infantil, com amuos, beicinhos e tiradas como “a bola é minha e eu agora levo-a para casa e mais ninguém pode brincar”. Quem diz bola, diz livro do Paulo Coelho em promoção.
Este fim-de-semana a Feira finalmente inaugurou, com a bênção da estátua sugestiva de Cutileiro. Mas a abertura esteve quase para não acontecer - tudo por causa do braço de ferro entre Leya e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Calma, a Leya não é nenhuma camionista que faz uma perninha num bar de strip: é o nome de uma editora. Ou melhor, de uma super editora. Paes do Amaral resolveu brincar ao Monopólio e desatou a comprar à maluca algumas das principais casas livreiras do país, como a D. Quixote, a Asa, a Oficina do Livro e muitas outras. Resta apenas saber se, neste Monopólio, lhe calhou aquele célebre cartão de “ganhou o segundo prémio num concurso de beleza, pode ficar com mais 174 editoras e afundar o mercado”.
Um colosso como a Leya não quis estar junto com a ralé da Feira do Livro e exigiu um espaço próprio, com actividades próprias e (o choque! O horror!) barraquinhas próprias. E isso é muito ingrato: aquelas tendas de contraplacado SÃO a Feira! As pessoas só lá vão para verem se este ano são verde-alface com bicho da madeira ou rosa-choque com peçonha. Isso é muito mais fascinante do que saber que o Grande Dicionário Dos Hamsters Alpinos está a dois euros.
A discussão sobre a Feira durou semanas, até que a Câmara de Lisboa fez o que qualquer pai que vê o Dr. Phil faria: ameaçou cortar a mesada a toda a gente. Por artes mágicas, lá ficaram amigos e já nos podemos todos passear na Feira, entre Proust e travestis do Parque Eduardo VII. E a Leya vai ter mesmo barraquinhas diferentes – resta saber se não vão ser tão espalhafatosas que toda a gente as vai confundir com as roulottes dos churros.
 



publicado por condutoras de domingo às 11:20
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Domingo, 18 de Maio de 2008
Choque Frontal - ET Phone Vaticano

E ao sétimo dia… Deus criou os extraterrestres. Pelo menos, é isso que defende agora o Vaticano, ansioso por reivindicar os Direitos de Autor de todo o espaço sideral. O reverendo José Gabriel Funes, astrónomo chefe do Vaticano (sim, esta carreira de futuro existe mesmo) diz que os católicos podem acreditar à vontade em extraterrestres, porque eles não só não contradizem a ideia de Deus, como são mesmo uma prova da “liberdade criativa sem limites do Senhor”. Há pessoas que se divertem a fazer ponto-cruz ou a pintar naturezas-mortas: Deus dá azo à sua veia criativa fazendo extraterrestres. É um hobbie como outro qualquer e talvez um dia até façam a revista “Burda ET”. Esta notícia tem especial interesse se recordarmos que estamos em pleno rescaldo das peregrinações a Fátima, onde os vários milhares de pessoas que conseguiram não ser atropelados encheram o Santuário. Seria Nossa Senhora de Fátima, na verdade, um extraterrestre? Vejamos: pairava como um OVNI e emitia luz como o dedinho do ET. Além de que é sabido que os discos voadores aterram muitas vezes em milheirais – mas à falta de uma tradição agrícola de milho no nosso país, teve de se ficar por uma oliveira e pela produção da azeitona. No próximo feriado religioso, fica o aviso para a RTP 1: não voltem a passar aqueles filmes do Quo Vadis e dos Dez Mandamentos que já toda a gente viu. Passem antes os Ficheiros Secretos, que vai dar ao mesmo.



publicado por condutoras de domingo às 11:49
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Domingo, 11 de Maio de 2008
Choque Frontal - Irlandeses

Há combinações que não são boas. Toda a gente sabe disso. Entrecosto com vinho branco, meias com sandálias, futebolistas com arte renascentista… Enfim. Há muitas equações, e quanto mais elementos, mais complicadas ficam. Como esta, por exemplo: malta do Reino Unido + cervejas + crianças de colo + Algarve. Nós já conhecemos de cor esta combinação. E sabemos que o resultado normalmente é negativo. Dá sempre menos uma criança, no mínimo! Vou enunciar a fórmula, que faz lembrar aquelas pistas do cluedo: foi o Professor Brandão, com o candelabro na biblioteca. Foi o casal inglês McCann, na Praia da Luz, a perder uma filha, enquanto jantava no Tapas. Agora, é a vez do casal irlandês, McGukin, mostrar do que é capaz, em Vilamoura. Parece um Festival Eurovisão da Negligência. Os concorrentes da Irlanda conquistaram o melhor resultado, porque perderam os três filhos duma vez só. Estes felizmente foram apenas levados até ao Refúgio Aboim Ascensão, enquanto a mãe caía podre de bêbada no átrio do Hotel e o pai, inanimado, em cima de um sofá. Os vizinhos do casal, na Irlanda do Norte, dizem que eles são pais dedicados e que as crianças estão sempre felizes. Ninguém pôs isso em causa. Estamos nitidamente perante uma família contente. Quanto mais não seja, à custa de whisky e cerveja. A malta do Reino Unido sabe que há substâncias que ficam bem melhor que leite, dentro dos biberons. Nós gozamos muito mas estes progenitores são muito mais inteligentes que os portugueses. Acabaram por usufruir do Kids Service sem terem de pagar nada. Os miúdos foram levados em excursões e tudo. À GNR, ao Hospital, passaram uma noite no Refúgio… mais um bocadinho e iam ao Zoo Marine nadar com os golfinhos… Eamon e Antoinette McGukin é que já não gostam assim tanto de actividades culturais… Porque também eles tinham entrada gratuita no Tribunal de Família e Menores de Faro e resolveram dispensá-la. À hora marcada para a audiência já a família voava a caminho de casa. Talvez seja mais correcto dizer que a essa hora já usufruíam daquelas garrafinhas que se vendem a bordo! Pelo menos dentro do avião a probabilidade de perder algum dos 3 filhos é reduzida. A não ser que eles partam uma janela ou abram a saída de emergência. Mas nesse caso a responsabilidade é das hospedeiras, que não lhes prestaram atenção. Com isto tudo, os irlandeses passaram apenas dois dias em Portugal. O que não deixa de ser preocupante. Se todos começam a gozar destas férias relâmpago, a época alta dos hotéis vai durar menos duma semana, e os bares, pubs, caves de vinhos e supermercados em geral, vão falir. Por falta de clientela. Vai ser o fim de um bonito sonho chamado Allgarve.



publicado por condutoras de domingo às 12:00
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Domingo, 4 de Maio de 2008
Choque Frontal - Mário Jardel

Mário Jardel fez a revelação do ano: deixou o futebol por causa da droga. Depois disto, esperamos por manchetes bombásticas como “George Michael não gosta de meninas” ou “Michael Jackson já teve carapinha”. O jogador aponta o dedo às más companhias no Sporting. Nós sabemos quem o desencaminhou! Foi o fã nº1 do Super Mário, que achava que Jardel era mesmo o canalizador dos jogos da Nintendo. Paulinho, o famoso roupeiro do Sporting, fornecia-lhe doses cavalares, na esperança de o ver passar de nível. “Não sirvo de exemplo para criança nenhuma”, diz Jardel. Mas agora é tarde. Há milhares de crianças influenciadas por ele. Com aquela história do "conhecer os pássaros, voar como o Jardel sobre os centrais"... Pois é, há miúdos da pré-primária que já são cocainómanos, na esperança de serem iguais ao Jardel. Na sala da 1ª classe é gente menos old school, fazem só orgias em homenagem ao Ronaldo. A verdade é que até no campo amoroso Jardel ficou a perder. A sua Karen está agora nos braços dum hoquista, e toda a gente sabe como é duro ser trocado por desportos menores. É o mesmo que passar de Schummacher para Zé Nando, do tunning. Parece-nos que o jogador não está ciente dos malefícios da cocaína. É que ele diz: “Tirei um peso das minhas costas, deitei para fora o que tinha no coração”. Jardel: a droga circula pelo organismo todo, e não consta que dê muitas hérnias discais. O jogador só confia cegamente em 2 amigos: o empresário e Régis Rosing, jornalista, que curiosamente não o via há 13 anos. É, de facto, mais fácil manter estas amizades à distância. Para não estar por perto quando a ressaca passa. O jornalista está tão ou mais confiante que Jardel. Diz que ele até tirou todas as cervejas do frigorífico! E isto é uma prova redundante que alguém quer mudar de vida. Ou isso, ou que está a arrumar as prateleiras. Jardel contratou um preparador físico, um nutricionista e um médico. Feitas as contas isto vai sair-lhe mais caro que a sua dose diária. Daqui a uns anos virá para os jornais dizer que deixou a tentativa de regresso ao futebol por causa do vício da saúde. Arruinado por Personal trainers e dietistas. Todos sabemos que este é o verdadeiro problema de Jardel. Deixou o Porto para fugir às francesinhas, em Alvalade impuseram-lhe uma dieta tão restritiva que se refugiou na coca, por ser o mais parecido com açúcar que podia ingerir… E ainda mal refeito do susto, metem-no em Aveiro, onde o flagelo dos ovos moles já matou para cima duma dúzia. No meio disto tudo, perguntava “Será do Guaraná?” A atirar-nos areia para os olhos. Claro que não, toda a gente sabe que guaraná é pouco calórico. Tal como a cocaína. O mal do Jardel, tenho a certeza, foram os petiscos entre refeições.

 




publicado por condutoras de domingo às 12:44
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Domingo, 27 de Abril de 2008
Choque Frontal - PSD

Acho que depois do Canal Benfica devia apostar-se num Canal PSD. É que se o partido viveu até agora numa espécie de Roda da Sorte, conduzida por Menezes, com a ajuda da sua Rute Rita – Ribau Esteves, chega agora uma nova grelha de programação. Assistimos a um formato inovador, que mistura o Aqui Há Talento com os Ídolos. Mas eu acho que o ideal mesmo era fazer um reality show. Um misto de Big Brother e de Laranja Mecânica, com os candidatos a líder dentro duma casa, filmados 24h por dia, tal como no concurso de Teresa Guilherme, e sujeitos a um tratamento especial de reabilitação social, tal como no filme de Kubrick. Até às directas de 24 de Maio, os aspirantes a líder deviam dormir em camaratas, tomar banho em chuveiros colectivos, e ir ao confessionário. Já estou a imaginar. Aguiar Branco a dizer que não aguenta a pressão e quer sair da casa, depois de ter escrito com spray numa parede “Concelhia PSD Forever”. Rui Rio a votar em Manuel Ferreira Leite para sair da casa, dizendo que ela nunca colabora na lavagem da loiça. Manuela Ferreira Leite a querer saber pormenores sobre o prémio final, e a sua dedução nos impostos. Isto de cachecol do Sporting ao pescoço, pedindo ao irmão Dias Ferreira que lhe transmita, por aplauso, quanto ficou o Sporting-Marítimo. Imagino também Pedro Passos Coelho de pijama, a enviar beijos à família e aos amiguinhos da JSD. E, na minha opinião, o grande vencedor: Patinha Antão, fazendo o papel de Zé Maria, que em vez de falar com galinhas aceitou ser secretário de Estado das Finanças de Santana Lopes. O que a nível de discernimento simboliza mais ou menos a mesma coisa. Nestas coisas dos concursos as claques contam muito, e em estúdio estarão sempre Menezes, Marcelo Rebelo de Sousa e Santana Lopes. Até porque showbiz é com eles. Ainda assim, é pouco provável que discutam as tarefas dos residentes da casa, ou façam prognósticos sobre o resultado. É que Menezes ao fim de poucos minutos de conversa dirá “para mim chega, basta”, e perguntará se não pode entrar na casa. Marcelo levará com certeza uma pilha de livros para recomendar – todos os que Flor Pedroso não permite. De resto basta que alguém na plateia use uma t-shirt a dizer “Patinha Antão já és campeão” ou um cartaz com “Manuela dá-me o teu saia-casaco” para Santana Lopes se levantar e sair. Incomodado com a simples presença de treinadores de bancada, e com a utilização de gíria futebolística. Portanto, só mesmo o público poderá decidir quem é o novo líder do PSD. Nós não queremos ser facciosas mas… para votar em Patinha Antão ligue 6262, e recebe ainda um toque polifónico com o hino “Paz, pão, povo e liberdade”.



publicado por condutoras de domingo às 11:30
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Domingo, 20 de Abril de 2008
Choque Frontal - Berlusconi
Sabemos que uma saga cinematográfica está a chegar às ruas da amargura quando começa a ter demasiadas sequelas. E isto é especialmente verdade se estivermos a pensar nos filmes de terror. O primeiro Pesadelo Em Elm Street ou Carnificina no Orfanato podem não ser obras primas, mas é certo e sabido que o capítulo quatro ou oito e quinze ainda são piores. Até apostamos como um segundo crime da Maria das Dores não seria tão bom como o primeiro.
É mais ou menos isso que acontece com os regressos dos políticos: vai-se perdendo a pica. É a terceira vez que Sílvio Berlusconi assume o comando de Itália. Berlusconi é um homem polémico que é por vezes comparado com Santana Lopes. Parece-nos injusto – Berlusconi pode falar da sua vida sexual e usar mais botox do que a Cinha Jardim, mas nunca fingiu desistir da política por causa de um programa apresentado por João Baião. Para algumas pessoas, é difícil perceber porque raio votam ainda os italianos em Berlusconi. Será o queijo de búfala a subir-lhes à cabeça? Será o desespero por não terem Cicciolina como candidata? Será que é porque o Marco Bellini é que sabe? A nós parece-nos que a causa é outra: Berlusconi agrada aos italianos porque é o mais parecido que eles têm com uma rock star. Há que lembrar que são o país de Laura Pausini e Eros Ramazotti – se querem um Mick Jagger, Berlusconi é a única hipótese. Berlusconi já delimitou as suas prioridades para este mandato, entre elas resolver a crise do lixo de Nápoles e tratar daquilo que apelida de “exército do mal dos imigrantes”. Será que isto quer dizer que ele vai usar o lixo para o atirar à cabeça dos estrangeiros e os escorraçar? Era uma maneira de resolver logo os dois problemas. Parece que já estamos a ver Berlusconi, em plena fronteira, a atirar latas de feijão e cascas de banana a quem tenta entrar em Itália.


publicado por condutoras de domingo às 11:45
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Domingo, 13 de Abril de 2008
Choque Frontal - Tocha Olímpica
Estou ansiosa pelas Olimpíadas de Pequim. Por causa deste novo desporto que eles inventaram. Os 1000m atrás da tocha. Já vi modalidades surgirem por muito menos, a sério. A Maratona por exemplo – quando soldados atenienses partiram para a planície de Maratona para combater os persas. Ou a Marcha. Quando um homem com bolhas nos pés tentou, ainda assim, correr a maratona. Ou até o lançamento do martelo, nascido da irritação dum operário, seguida de tentativa de assassinato do mestre-de-obras. Enfim, não me espanta nada que em Pequim haja pódio para os perseguidores da tocha. Porque isto é coisa que exige treinos, concentração e grandes doses de esparguete, na véspera de cada prova. Ainda por cima o passeio da tocha é mais longo que a Volta a Portugal em Bicicleta. Esta é a verdadeira prova de endurance, que encosta o Paris Dakar a um canto. Quanto mais não seja porque, por mais que tentem, ninguém a consegue cancelar. E ainda há muitas etapas pela frente. A tocha vai fazer uma digressão de primavera, e actuar na Tanzânia, Omã, Paquistão, índia, Tailândia, Malásia, Indonésia, Austrália, Coreia do Norte… Vai ser uma animação, porque os fãs não a largam e são mais acérrimos que aqueles adolescentes que dão a vida por um punhado de cabelos dos Tokio Hotel. Mas por trás disto há um grande equívoco. Toda a gente acha que é o Dalai-Lama o responsável, mas não é. É o Laurentino Dias. Sim, o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Eu já explico. À 1ª vista, parecia que os portugueses até estavam interessados na rápida fuga da chama olímpica. Puseram o Pauleta a acartar com aquilo… Pois, mas se queriam realmente velocidade, tinham usado o Pauleta há 10 anos, antes do desgaste das corridas atrás de queijos. É a mesma lógica do Rui Costa. Se queria ajudar o Benfica, ajudava quando era novo. Mas enfim, isso até passou despercebido e sempre deu menos nas vistas que pôr lá o Miguel Veloso. Rapaz que também costuma correr atrás de comida, mas normalmente com passada lenta e perseguindo bolos com chantilly. O mais certo é que pegasse no facho e desfilasse com ele, ao melhor estilo Fátima Lopes. Os manifestantes iam agradecer, mas ia ser muito escandaloso. Os portugueses gostam mais de manobras de bastidores, e como tal já emprestaram helicópteros apaga fogos para dar cabo da chama numa das próximas paragens. Se não resultar, há sempre as brigadas anti-tabaco, da ASAE, que arrumam o assunto. Agora a grande questão é: porque está Laurentino Dias solidário com a causa tibetana? Não está. Ele está é solidário com a causa da mulher portuguesa. Depois de Rosa Mota e Fernanda Ribeiro, não quer que o mundo conheça Vanessa Fernandes. 


publicado por condutoras de domingo às 11:22
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Domingo, 6 de Abril de 2008
Choque Frontal - Apito Final
Finalmente há animação na liga Bet and Win! No que diz respeito a golos marcados e sofridos, tudo na mesma. Mas no campeonato das notas de culpa e comissões disciplinares a coisa está renhida. Graças aos jogos com o Estrela e o Beira-Mar, em 2003, o Porto corre agora o risco de perder 6 pontos. Olha, grande coisa! Num ano em que leva 16 de avanço! Aliás, tendo em conta a demora da justiça, até podem tirar já 10 pontos que ficam de avanço para o futuro. Aposto que neste momento Pinto da Costa ficaria mais irritado se lhe tirassem 6 pontos do seu Cartão Fast Galp ou do recente Cartão das Farmácias. É que o Presidente portista está com certeza mais preocupado em trocar pontos por uma batedeira ou um frasco de mercúrio cromo. Fala-se até na hipótese dos dragões começarem a próxima época com pontos negativos. O que concretizará a promessa de Luís Filipe Vieira – Benfica na frente do campeonato. Ele nunca disse se era na última jornada ou nas duas primeiras! Se a ideia é mesmo castigar o Porto, deviam pensar noutras técnicas. Gostava de deixar algumas sugestões. Despedir o Jesualdo! Afinal, se basta um aperto de mão para ele ficar, deve bastar um ligeiro aceno para se ir embora, e vir para o seu lugar o Chalana. Ou outro qualquer que nunca tenha querido ser treinador, como o Paulo Bento! Outra penalização eficaz é arranjar um jogador ainda em funções, que tenha mais poder de decisão que o treinador e mais responsabilidade que o Presidente. Pode ser o Helton, que dentro do FCP é o que mais se parece com um Maestro. Resulta sempre! Qualquer coisa é mais eficaz do que subtrair uns pontinhos. Podem embalsamar o Emplastro e extinguir assim os directos televisivos do Dragão, podem silenciar o famoso corneteiro das Antas – e constatar como afinal aquele corridinho da Madeira era inspirador. E porque não criar regulamentos próprios para os portistas? Bruno Alves tem de praticar reiki 2h antes do jogo, Quaresma não pode usar bijutaria nem laca, Bosingwa não pode ultrapassar os 50 km/h dentro das localidades, Lucho tem de participar no Extreme Makeover e deixar de parecer um assassino em série, Raul Meireles tem de passar um mês intensivo com Miguel Veloso, a 7ups e Bollycaos… Vale tudo para tornar a liga mais competitiva: os portistas viajarem em carrinhas de caixa aberta, trocarem o típico hotel Altis pelo parque de Campismo de Monsanto ou trocarem as suas namoradas por mestrandas da Faculdade de Letras, que lhes recitem Proust em vez da TVMais. Quanto a Pinto da Costa, o maior castigo será ver todos os árbitros da Liga substituídos por diabéticos. Daqueles que não toleram mesmo chocolatinhos, nem fruta com muito açúcar.


publicado por condutoras de domingo às 11:56
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Domingo, 30 de Março de 2008
Choque Frontal - Casamentos
Já bastava, para dar conta de qualquer vontade de casar, a ideia romântica de ter de gramar para o resto da vida com tipos que passam de giros e entroncados, a peludos, barrigudos e preguiçoso, em apenas duas semanas de casado. Mas, eis que as Finanças arranjam mais um motivo para desencorajar os apaixonados: a partir de agora, as cerimónias vão ser fiscalizadas e ai de quem não tiver factura. Desde o bolo da noiva àqueles sabonetes de glicerina com um pau de baunilha em cima a fazer chique para dar aos convidados, das echarpes em seda selvagem das tias ao velhote que conduz a charrete, tudo tem de ser declarado ao Fisco pelos noivos. Se não o fizerem, o melhor é não voltarem da Lua de Mel, pois arriscam-se a não ter dinheiro para a multa e, assim como assim, é mais divertido ser-se procurado pela polícia em Porto Galinhas ou Maceió, que o diga a Fátima Felgueiras. Isto é, na verdade, todo um desbravar de novos caminhos para o romantismo. Em vez de se procurar um rapaz que seja sincero, trabalhador e que “nos faça rir”, só temos que nos preocupar com um que não tenha os impostos em atraso. E na hora do pedido de casamento, em vez de um anel de diamantes – que para justificar nas finanças como despesas, sei lá, de saúde, deve ser o arco dos trabalhos – contentamo-nos com um arquivador colorido para guardar os recibos da casa por anos. Giro! Isto para já não falar do que acontece à própria da cerimónia. Imagino já os convidados a terem de pedir factura por cada caldo de galinha e bifinhos ao champignon que enfardarem. Ou ter a ter de passar recibo por cada nota que enfiarem na pernoca da noiva na altura do leilão da liga. A parte boa é que se calhar, quando chegar àquela coisa do “beija, beija, beija!”, se calhar aparece o fiscal a dizer “meus senhores, essa prática não é dedutível portanto, vamos lá a acabar com isso. Ou, então, não. Lembro-me agora que a parvoíce não paga imposto. E não há de facto coisa mais parva do que estar a comer tranches de maruca com camarão e a ver tias gordas a dar beijocas em tios bigududos. Enfim, o manancial é infindável e adivinham-se já práticas tão jeitosas como as dos empreiteiros que nos fazem obras em casa e nos perguntam se queremos recibo. Nos casamentos, vai ser igual, com os organizadores a fazer o mesmo, mas em mais bicha: “quer com factura? se quer com factura é mais caro, por cauda do IVA!”. Uma coisa, no entanto, não se pode negar: fica claro que o casamento é um negócio. Em vez das alianças, os noivos só tem que apresentar a factura. É mais justo!



publicado por condutoras de domingo às 11:23
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Domingo, 23 de Março de 2008
Choque Frontal - Piercings
Todos nós gostamos muito de mandar bocas aos políticos, mas a verdade é que tem de ser restabelecida alguma justiça: estar à frente de toda uma nação não é nada fácil. Um governante português tem de se preocupar com um sem fim de problemas, da criminalidade ao desemprego, passando pela criação de infraestruturas e pelo défice. E é preciso, acima de tudo, ter a coragem para enfrentar as questões fracturantes que implicam todo um país. Sem medos. E é por isso que o PS demonstrou tê-los no sítio ao debruçar-se num dos problemas mais importantes de sempre para a opinião pública portuguesa: falamos, é claro, dos piercings. Quantos de nós não pensaram já “é preciso alguém resolver esta questão das pessoas que metem brincos noutras partes do corpo que não as orelhas, que foram criadas por Deus Nossos Senhor exactamente para esse propósito”? Os socialistas consideram imperativo proibir os piercings em partes do corpo como a boca ou os genitais e impedir menores de 18 anos de fazerem uma tatuagem. Porque, como toda a gente sabe, os miúdos começam por tatuar um carácter chinês na barriga e acabam a assaltar carrinhas de transporte de valores: é o rumo natural. Quem já viu filmes sabe que os maus têm tatuagens e assim. E monócolos,alguns. Se calhar é melhor proibir também os monóculos, as poltronas, os anéis grandalhões e os gatos peludos que os vilões do James Bond às vezes têm ao colo. E alguma vez alguém viu uma Maria do “Música no Coração” ou um Bambi do filme homónimo com um brinco pendurado no mamilo? Claro que não. O PS já se mostrou disponível para atenuar esta proposta de lei, explicando que a preocupação é apenas com a saúde pública, por causa das infecções. Ok, até podemos compreender que alguém que tem um piercing na boca pode lá prender pedaços de frango assado que fica a apodrecer. Mas isso também acontece, por exemplo, com outro fashion statement: o bigode. Querem coisa menos higiénica do que o bigode, sempre sujo de caldo verde ou de espuma de galão? Talvez um dia o PS queira também proibir essa pilosidade facial. Mas uma coisa é certa: se banirem o bigode, o futebol português nunca mais vai ser a mesma coisa.


publicado por condutoras de domingo às 11:06
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Domingo, 16 de Março de 2008
Choque Frontal - Jack, o Decapitador
Há mais um nome para juntar à lista dos mais procurados do Mundo. A seguir a Bin Laden, ao raptor de Maddie, ao criminoso de Sacavém e Oeiras e àquele senhor que roubou um lava-tudo no Lidl de Xabregas, aparece Jack, o Decapitador de Anúncios. Longe vão os tempos em que havia um estripador a sério, de luvinhas de cabedal, a assassinar prostitutas pelas ruas de Londres. A prostituição pode até ser a mais velha profissão do mundo, mas não tem o mesmo charme e impacto de ser publicitário. Por isso, este criminoso do século XXI, em vez de estripar gente de carne e osso, estripa anúncios. Isto sim, pode ser chamado de crime de colarinho branco. Daqueles engomados com goma e tudo. Não que o seu autor tenha um grande estatuto social – o mais certo é ser um estudante do Chapitô lá de Londres, mas porque não tem de lavar daí as suas mãos. É uma actividade criminosa bem limpinha, que em vez de armas brancas, faz uso de Photoshop. Quanto às vítimas, não faz distinção: podem ser grandes outdoors ou contracapas de jornais. Este londrino promete ser um digno sucessor de Maria Antonieta, no manejar da guilhotina. É que nos últimos tempos já deu cabo do sarampo ao protagonista do Bee Movie, ao velhote da Kentucky Fried Chicken, à modelo da Moet&Chandon e ao David Beckham. Já que demonstra grande aptidão para o ofício, nós temos um pedido a fazer. Sem abandonar o filão “jogador de futebol”, podia dar um saltinho a Portugal e danificar uns cartazes que temos por cá. São do BPN e mostram Luís Figo vestido de trabalhador do comércio. Não como os da banda rock, mas como aqueles que trabalham no Colombo e só têm 15 minutos para almoçar. Num dos anúncios temos Figo com uma camisa prateada e avental, a fazer de empregado de restaurante. Noutro, vemo-lo numa sapataria, encostado de forma displicente ao balcão. Está mesmo a pedir para ser despedido. Ou então para ser decapitado pelo temível Jack, manchando de sangue a imaculada lojinha. Figo nesta campanha diz “Se este fosse o meu negócio, eu apostava na conta BPN Negócios”. Isto é má publicidade. Todos nós sabemos que Figo já tem o seu negócio, e que o dito cujo só subsiste porque há lá aquele gorducho chinês a trabalhar de sol a sol. A cozinhar salsichas e feijão. Assim também nós. Não é preciso abrir conta nenhuma, basta sub-contratar mão-de-obra asiática. Como neste momento estamos mais inclinadas para o ramo anglo-saxónico, vamos mas é chamar o tal Jack, e pedir-lhe que de caminho decapite também o Jorge Gabriel do cartaz do Millenium. E o Pedro Couceiro, que cozinha num anúncio da Caixa Geral. E o outro, que acha que é dono dum banco! Enfim, decapitar a banca é um sonho de qualquer português!


publicado por condutoras de domingo às 12:00
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Domingo, 9 de Março de 2008
Choque Frontal - Violência Rural
As assimetrias entre as regiões portuguesas são uma aberração, à qual não podemos ficar indiferentes. Felizmente o assunto já está a ser resolvido numa das áreas mais importantes da actividade. O crime organizado. Depois da Noite do Porto, com direito a rixas, tiroteios e mortes, seguiu-se a capital. Com uma bela dose de violência também. Homicídios em centros comerciais, carjacking com assassínio em bairros chiques de Sacavém (e aqui o que mais espanta é a possibilidade de haver condomínios privados em Sacavém)… Enfim, a onda de violência começou a espalhar-se mas, como é hábito, só nas metrópoles. Sempre os mesmos privilegiados. Como se não bastasse sermos os únicos a poder ver antes de 2010 o “Haverá Sangue”, ou os únicos a ter lojas de conveniência, éramos até há pouco tempo os únicos a poder passar no “cenário do crime”, para ir comprar umas roupas à Zara ou dar um pezinho de dança num bar da Ribeira. E isto é profundamente injusto. Quando há aumento de impostos, é para todos, quando há inflação das carcaças, é para todos, e quando há crimes estilo Bronx, é só para alguns. Ou melhor: era! Porque felizmente houve um benemérito que se lembrou das zonas do interior, votadas à apatia, e resolveu o assunto. Agora os locais de diversão rurais também têm direito a alguma acção! 4ª feira dois encapuçados assaltaram e agrediram o proprietário dum bar de alterne em Ponte do Abade, Sernancelhe. José Soares estava a encerrar o estabelecimento Kiss The Night quando foi roubado, agredido e trancado no seu porta-bagagens. O que já dá ares de “Gangs de Nova Iorque”, uma coisa assim em bom! Segundo a PJ, os assaltantes levaram anéis, telemóveis, e 12 mil euros, que “constituíam o apuro da noite”. 2ª conclusão inesperada de hoje: além de haver zona fina em Sacavém, há futuro para um bar chamado “Kiss The Night”. Quem sabe não será um digno sucessor do “Calor da Noite?” É questão de pagarem umas presenças a Carolina Salgado. Adiante. Este despontar da violência campestre fez-se sentir também noutro bar de alterne em, atentem no nome: Fataunços, Vouzela. Igualdade de oportunidades é sempre louvável. Todo o cidadão que gosta de sair para passar um bom bocado, merece estar na iminência de ser raptado e levado para a América do Sul. Ou na pior das hipóteses, de levar um encontrão. Posto isto, e já que a zona está decididamente a ficar animada, quero deixar um repto. Às mães de Bragança, que há muito não aparecem em público! Unam-se, por favor! Deixem-se de comunicados e manifestos. Entrem por essas boites e danceterias adentro e desatem a disparar. É moderno, e faz com que os índices de urbanidade no sangue subam num instante.


publicado por condutoras de domingo às 11:32
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