as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Mínimos

Para os futuros astronautas portugueses. Que apesar de ainda não existirem já merecem a nossa atenção, por tudo o que auguram de bom. Ernst Messerschmid, da agência espacial europeia, veio ao Pavilhão do Conhecimento desafiar os jovens portugueses a candidatar-se a astronautas. Nem sabe no que se mete. Em 1º lugar, nós cá estamos habituados a outro tipo de recrutamento. Naqueles anúncios assim: “jovem, gostas de aventura? Precisas de adrenalina e adoras botas de cano alto? Alista-te na força aérea”. E eles lá vão… Para as forças armadas, para a PSP, para a GNR… com a alegria de quem vai participar na 1ª Companhia da TVI. Com muitas flexões, mergulhos na lama, mas sem câmaras a filmar 24h e sem o Castelo Branco, o que já é um upgrade considerável. De qualquer forma, a vida de sonho que esperam encontrar mete: rancho servido na cantina, visitas à família ao fim-de-semana e jogos de cartas ao serão. O que é um pouco diferente da vida dum astronauta. Nós já tivemos turistas portugueses no espaço, o que não constituiu um grande problema… porque o português tem um talento irreprimível para ser turista. Desde o fato de treino ao calçado confortável, passando pela curiosidade por tudo o que é novo: seja um planeta distante ou uma marca de bolachas… Para turistas servimos na perfeição. Agora, isto de pôr portugueses a trabalhar a bordo de naves espaciais parece-nos perigoso. O mais provável é que as missões no espaço comecem a durar longos anos em vez de algumas semanas, que as refeições de bordo passem a contemplar feijoada à transmontana em vácuo, e que nos famosos canais de água descobertos em Marte comecem a aparecer bonitas fontes ornamentais e repuxos. Uma coisa é certa: um destes astronautas portugueses será famoso em breve. Não por dar um pequeno passo para si, mas gigante para a Humanidade, mas por ser o primeiro a sentar-se num novo planeta. Sim, toda a gente sabe que a grande prioridade dos portugueses, seja no autocarro para a Damaia ou fora do sistema solar, é sentar-se para descansar as pernas.

 

 

Médios

Para a ASAE. Já há muito tempo que não falávamos dela aqui. Ignorámos acontecimentos tão marcantes como ter afastado a gastronomia típica da semana da Ascensão da Chamusca, ou ter encerrado a Cantina da escola de S. Pedro do Sul. Resistimos até à descoberta de que a rigorosa ASAE afinal corre atrás de objectivos. No fundo, aquela que pensávamos ser a melhor brigada anti-porcaria e maus costumes, não passa dum bando de malta a correr atrás de queijinhos, como quem joga um gigante Trivial Pursuit. E foi precisamente quando um assunto de “queijo” se cruzou no nosso caminho que percebemos que não podemos continuar a passar ao lado da ASAE. Carlos Salgado era um simples cliente dum supermercado em Cascais. Até ao dia em que comprou um queijo fatiado cheio de bolor e manchas escuras. Indignado, ligou para essa entidade suprema que é a ASAE, uma espécie de super-herói da Higiene Alimentar. Mas, em vez dos exércitos de António Nunes vestirem a capa e voarem de imediato para o supermercado, limitaram-se a aconselhar o senhor a voltar ao supermercado e escrever no livro de reclamações. Grande coisa! Agora recuámos à era Pré-ASAE? A essa espécie de pré-história em que nos limitvamos a reclamar? Felizmente existia uma segunda opção: levar o queijo até às instalações da ASAE, em Lisboa, ou enviá-lo pelo correio! Os CTT se sabem disto é que não vão ficar muito contentes. Já estamos a imaginar carteiros a serem devorados por esta espécie de queijo mutante. Faz todo o sentido que os artigos podres e fora de validade circulem em envelopes almofadados pelo país. Afinal de contas a ASAE só é responsável pelas secções alimentar e económica. Não tem nada a ver com a área de distribuição e comunicações. Portanto se a próxima carta que lhe chegar às mãos estiver em avançado estado de decomposição, não estranhe. Provavelmente viajou acoplada a um iogurte com bífidus activos fora de prazo desde 2002.

 

 

Máximos

Para Marinho Pinto, o bastonário da ordem dos advogados. Que teve a coragem de enfrentar um assunto polémico, como a violência doméstica, e dizer “Basta!”. Não basta dos maridos baterem nas mulheres, basta é de ser crime público. De facto, era uma coisa que já começava a enjoar… isto dos vizinhos poderem dizer que viram a senhora do quinto andar a esvair-se em sangue nas escadas. Era muito promíscuo. Marinho Pinto fez a sua própria denúncia: apontou o dedo a um “feminismo entranhado” nas leis. Mais uma vez temos que lhe dar razão. Aliás, as dezassete mulheres que morreram já este ano, vítimas de violência doméstica, eram afamadas líderes do movimento feminista. Daquelas que queimam soutiens à janela e andam com fotografias “tipo passe” da Joana D’Arc, na carteira. Temos até uma sugestão para dar ao bastonário: quando forem esposas a bater nos maridos, continua crime público, quando for ao contrário – é crime privado. Aliás, para Marinho Pinto provavelmente os austríacos que aprisionam famílias na cave ou os alemães que congelam criancinhas, só devem ser julgados se alguém os acusar. Porque não pode haver crime mais privado do que os que se fazem no conforto da arrecadação ou da cozinha. Marinho Pinto considerou também a violência contra crianças e idosos mais grave que a doméstica… o que é desde logo interessante porque introduz uma nova escala. Os terramotos medem-se em graus na escala de Richter, os episódios de estalada e pontapé medem-se em gravidade, na escala de Marinho. Além disso, não nos parece que haja muitos velhinhos e miúdos a sofrer de maus-tratos fora de casa. Portanto os crimes realmente graves, para Marinho Pinto, devem ser as palmadas que as crianças levam no meio de restaurantes e centros comerciais, e os calduços que os velhotes dão uns aos outros nos jardins, no calor do jogo da malha.

 

 



publicado por condutoras de domingo às 13:00
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