as condutoras
Condutoras de Domingo é um programa da Antena 3. Um percurso semanal (e satírico) pelos principais assuntos da actualidade e pelo país contemporâneo.
Todos os domingos na Antena 3, entre as 11:00h e as 13:00h. Um programa de Raquel Bulha e Maria João Cruz, com Inês Fonseca Santos, Carla Lima e Joana Marques.
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
O que é Nacional é Bonzinho - Alfarrabistas
Este mês houve agitação no mundo dos alfarrabistas e livreiros. Isto, por si só, já seria acontecimento a assinalar, mas o que importa é que uma importante biblioteca particular foi a leilão. Para além de livros em primeira edição, do acervo de Alfredo Ribeiro dos Santos faziam parte várias revistas literárias, como a tão desejada colecção completa da Presença. A leilão foram mais de 3500 títulos, muitos deles vendidos por preços acima das expectativas. A Presença, por exemplo, atingiu os 12 mil euros. Para um país de analfabetos, não está nada mal e o leilão foi até motivo de alegria para as Condutoras de Domingo. Ficámos tão contentes por haver quem ainda vibra com primeiras edições que quase enlouquecemos: pusemos Mozart no auto-rádio e fizemo-nos à estrada em alta velocidade.
Durou pouca esta felicidade; durou apenas até ao momento em que lemos uma frase de Mário Soares que nos introduziu no estranho mundo da futurologia. Soares considerou a biblioteca leiloada um «precioso acervo de livros (...) representativos do século XX português”. Ora, nós, zelosas que somos, pusemo-nos a imaginar os leilões do futuro, os que serão representativos do século XXI português. No leilão do Porto, era por Cesário, Pessoa, Herberto, Torga ou Eugénio que os licitantes levantavam o braço. Olhando, assim de repente, para o que se publica hoje em dia, é fácil perceber que, daqui a uns 200 anos, não vai haver bons livros em leilões. As famílias que vão ter a sorte de herdar livros a sério vão agarrar-se à boa literatura como macacos a amendoins. Tudo se vai passar em círculos fechados, e os nascidos no seio de famílias consumidoras de produtos literários light estarão condenados a carregar para sempre o peso vazio de uma imaginação mal nutrida. Depois, lá serão organizados leilões de livros do século passado, eventos comemorativos dos 100 anos de maior desperdício injustificado de papel. Por ali, não vão andar Cesário nem Pessoa; e nem sequer os vivos, como Manuel António Pina ou Gastão Cruz. Neste meu acesso futurologista, prevejo que ali vai ser licitada, por um milhão de euros, a primeira edição da TV Guia; ali vai ser arrematado aquele número da Nova Gente em que Teresa Guilherme aparece a dizer que está cansada, casada e realizada; ali alguém vai seguir o seu caminho de casa levando debaixo do braço a primeira edição de Sei Lá, de Margarida Rebelo Pinto, depois de ter passado um cheque de 3 milhões de euros.
Mas pode ser que não; pode ser que o Al Gore tenha razão e que, antes de este flagelo acontecer, o mundo inteiro seja devorado pela Natureza.


publicado por condutoras de domingo às 12:56
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